segunda-feira, 15 de junho de 2026

Histórias que ensinam: leitura, imaginação, valores e convivência

 


1. Introdução

A leitura de histórias infantis favorece o desenvolvimento da imaginação, da linguagem, da escuta, da interpretação e da sensibilidade dos alunos. Nesta sequência didática, serão trabalhados diferentes textos narrativos que apresentam personagens como formiguinha, cavalo, ouriço, baleia, bruxa, margarida, burrinho e tartaruga.

Cada história permite abordar temas importantes para a formação integral dos estudantes, como coragem, amizade, gratidão, respeito às diferenças, valorização do presente, liberdade, cuidado com o outro, responsabilidade e superação de dificuldades.

O trabalho poderá ser desenvolvido por meio de leitura compartilhada, roda de conversa, interpretação oral e escrita, produção textual, dramatização, ilustração, reconto e atividades interdisciplinares.

2. Público-alvo

Ensino Fundamental — anos iniciais e anos finais

Também pode ser adaptada para turmas de reforço escolar, projetos de leitura, biblioteca escolar e sala de leitura.

3. Duração sugerida

De 6 a 10 aulas, dependendo da quantidade de textos escolhidos e das atividades propostas.

A sequência também pode ser transformada em um projeto maior de leitura, com culminância em exposição, contação de histórias, mural ilustrado ou apresentação dos alunos.

4. Objetivo geral

Desenvolver o gosto pela leitura, a compreensão textual, a oralidade, a imaginação e a reflexão sobre valores humanos por meio da leitura e exploração de narrativas infantis.

5. Objetivos específicos

Ler, ouvir e compreender diferentes histórias infantis.

Identificar personagens, espaço, tempo, conflito e desfecho das narrativas.

Estimular a oralidade por meio de rodas de conversa e reconto.

Relacionar as histórias lidas com situações do cotidiano dos alunos.

Refletir sobre sentimentos, atitudes, convivência e valores.

Produzir desenhos, frases, pequenos textos, bilhetes, finais alternativos ou recontos.

Desenvolver a escuta atenta e o respeito à fala dos colegas.

Ampliar o vocabulário e a capacidade de interpretação.

6. Campos de experiência e componentes curriculares

Na Educação Infantil, a sequência dialoga principalmente com os campos:

O eu, o outro e o nós.

Escuta, fala, pensamento e imaginação.

Traços, sons, cores e formas.

Corpo, gestos e movimentos.

No Ensino Fundamental, pode envolver:

Língua Portuguesa.

Arte.

Ensino Religioso ou Projeto de Vida, quando a escola trabalhar valores e convivência.

Ciências, em atividades relacionadas aos animais e à natureza.

7. Habilidades da BNCC

Educação Infantil

EI03EF01 — Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita espontânea.

EI03EF03 — Escolher e folhear livros, procurando orientar-se por temas e ilustrações.

EI03EF04 — Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e encenações.

EI03EO01 — Demonstrar empatia pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar.

EI03EO04 — Comunicar suas ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos.

Ensino Fundamental — anos iniciais

EF15LP01 — Identificar a função social de textos que circulam em diferentes campos da vida social.

EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto a partir do título, imagens e conhecimentos prévios.

EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.

EF15LP09 — Expressar-se oralmente com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor.

EF15LP15 — Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo do imaginário e apresentam dimensão lúdica e estética.

EF15LP19 — Recontar oralmente, com e sem apoio de imagem, textos literários lidos pelo professor.

EF02LP28 — Reconhecer o conflito gerador de uma narrativa ficcional e sua resolução.

EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.

EF35LP25 — Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos e sequência de acontecimentos.

8. Textos trabalhados

TextoPersonagem principalTema centralPossibilidades de trabalho
O grande dia se aproximavaTica, a formiguinhaAnsiedade, coragem e autoconfiançaMedos, preparação, confiança em si
O cavalo descontenteCavaloGratidão e valorização do presenteReclamação, mudança de olhar, cotidiano
O ouriço e o jogo da cabra-cegaOuriçoDiferenças e inclusãoLimitações, habilidades, convivência
BiaBaleia BiaAmizade, curiosidade e preservaçãoAnimais marinhos, pesquisa, cuidado ambiental
A bruxa e o caldeirãoBruxaHumor, problema e soluçãoFantasia, criatividade, narrativa divertida
A história da MargaridaMargarida e rouxinolSensibilidade, liberdade e compaixãoNatureza, empatia, cuidado com os animais
O burrinho equilibristaBurrinhoIdentidade, trabalho e saudadeTalentos, escolhas, pertencimento
Tatiana, a tartaruga atrapalhadaTatiMemória, humor e organizaçãoEsquecimento, rotina, autocuidado

9. Desenvolvimento da sequência

Aula 1 — Apresentação da proposta

Iniciar com uma roda de conversa sobre histórias de animais e personagens fantásticos.

Perguntar aos alunos:

Quem gosta de ouvir histórias?

Quais animais costumam aparecer nas histórias infantis?

Uma história pode ensinar alguma coisa?

Apresentar os títulos dos textos e deixar que os alunos levantem hipóteses a partir dos nomes dos personagens.

Aula 2 — Leitura da história de Tica

Realizar a leitura compartilhada da história da formiguinha Tica.


O grande dia se aproximava…

Era o dia da grande aventura. Todos os insetos daquele jardim estavam ansiosos para a regata de folhas secas pela fonte. Formiguinhas, besourinhos, joaninhas, borboletas, estavam todos lá.

Tica, uma formiguinha muito ativa que por ali morava não poderia ficar de fora. Ficou preparando tudo com muito cuidado pois estava sempre muito preocupada com suas performances. A medida em que o grande dia ia se aproximando, mais preocupada com sua folha e equipamentos ela ficava. Ela mesma havia preparado sua folha para a navegação porém sempre sentia que algum inseto mal intencionado poderia fazer algum tipo de sabotagem a sua folhinha. Sendo assim, resolveu, por precaução, preparar duas folhas. Se algum inseto tentasse qualquer sabotagem, ela teria outra folha para sair em sua regata. Quanto mais o grande dia se aproximava, mais ansiosa e preocupada com o que poderia lhe acontecer ela ficava. Ela era uma formiguinha muito esperta e como possuia duas folhas para a regata, foi tentar praticar um pouquinho antes do acontecimento. Pegou todos seus objetos necessários para essa aventura porém acabou por esquece-los dentro da outra folha que ficou as margens da fonte.

Quando Tica percebeu já estava no meio da fonte e sem seus apetrechos. Um sentimento de medo e dúvida sobre o que havia acontecido tomou conta de seu pequeno corpinho e seus olhos se encheram de lágrimas ao olhar para aquele cantinho onde seus apetrechos deveriam estar. E você deve estar se perguntando para quê tanto alarde? O problema era que naquele mesmo dia seria a grande regata e se não conseguisse chegar a tempo de pegar seus equipamentos que estavam na sua outra folha? E se alguém tivesse escondido todos os seus equipamentos na outra folha de propósito? Com seus olhinhos fixos naquele cantinho da folha onde deveriam estar seus equipamentos, Tica, em meio a seu desespero, ouviu uma voz que vinha de cima:

"Olhe para mim", disse um pernilongo amigo, "não fique preocupada, foi você mesma quem deixou seus equipamentos lá na outra folhinha. Eu pude ver tudo daqui de cima. Fique confiante de que conseguirá."

Por um estante, ela até se aliviou, mas foi só olhar para aquele cantinho vazio na folha para seu desespero voltar. Foi quando se lembrou da última regata na qual sem querer caiu da sua folha tendo que nadar bravamente e com segurança para que conseguisse se desviar das outras folhas e dos outros insetos e chegar a outra margem da fonte. Repleta com a sensação de coragem e segurança dessa lembrança, deu suas costas para aquele cantinho, colocou suas patinhas na água e começou a remar. Naturalmente em pouco tempo chegou a outra margem da fonte bem a tempo para a regata. Pulou dentro de sua outra folhinha, nem pensou em suas habituais desconfianças, pois sabia que mesmo que algo desse errado teria suas fortes patinhas para ajudá-la a vencer qualquer obstáculo. Ao fim da regata, tentou imaginar como seria sua próxima regata, e se sentiu feliz e segura pois se qualquer imprevisto ocorresse, já saberia o que fazer.

Autora: Ana Tomazeli anatomazeli@uol.com


Conversar sobre a ansiedade da personagem antes da regata.

Explorar perguntas como:

Por que Tica ficou tão preocupada?

O que ela esqueceu?

Quem ajudou Tica a compreender o que havia acontecido?

O que ela aprendeu no final?

Atividade: desenhar Tica em sua folha durante a regata e escrever uma frase sobre coragem.

Aula 3 — O cavalo descontente

Ler a história do cavalo que reclamava das estações do ano.

Sempre podemos encontrar motivos para nos sentirmos descontentes, se quisermos. Podemos, também, encontrar argumentos para nos considerarmos afortunados por estarmos vivos. Tudo depende da maneira como cada um vê a existência.

Era uma vez um cavalo que, em pleno inverno, desejava o regresso da primavera. De fato, ainda que agora descansasse tranquilamente no estábulo, via-se obrigado a comer palha seca.

- Ah, como sinto saudades de comer a erva fresca que nasce na primavera! dizia o pobre animal.

A primavera chegou e o cavalo teve sua erva fresca, mas começou a trabalhar bastante porque era época da colheita.

- Quando chegará o verão? Já estou farto de passar o dia inteiro puxando o arado! lamentava-se o cavalo.

Chegou o verão, mas o trabalho aumentou e o calor tornou-se muito forte.

- Oh, o outono! Estou ansioso pela chegada do outono! dizia mais uma vez o cavalo, convencido de que naquela estação terminariam seus males.

Mas no outono teve que carregar lenha para que seu dono estivesse preparado para enfrentar o inverno. E o cavalo não parava de queixar-se e de sofrer.

Quando o inverno chegou novamente, e o cavalo pode finalmente descansar, compreendeu que tinha sido fantasioso tentar fugir do momento presente e refugiar-se na quimera do futuro. Esta não é a melhor forma de encarar a realidade da vida e do trabalho.

É melhor descobrir o que a vida tem de bom momento a momento, vivendo o presente da melhor forma possível.


Conversar sobre o comportamento do cavalo e sua dificuldade de valorizar o presente.

Atividade oral:

O cavalo era feliz?

O que ele desejava no inverno?

E na primavera?

Qual foi a lição da história?

Atividade escrita: completar a frase:
“Eu posso aproveitar melhor o meu dia quando…”

Aula 4 — O ouriço e o jogo da cabra-cega

Ler o texto e destacar a situação do ouriço, que se sentia excluído por causa de seus espinhos.


Todos nós temos as nossas limitações, querido leitor, e o ouriço também tinha a sua. Você já pode imaginar qual era: aqueles terríveis espinhos, capazes de ferir qualquer um.

Bem, aconteceu que o jogo da Cabra-cega havia virado mania entre os alunos. Todos queriam brincar durante o recreio.

Pois certa vez em que estavam brincando, o castorzinho, que tinha os olhos vendados, teve o azar de tocar no ouriço e levou umas tremendas picadas de seus espinhos. Da pata do castorzinho corria muito sangue e o ouriço sentiu-se muito culpado.

- Já se vê que não posso participar da brincadeira! Disse, muito aborrecido.

Seus colegas não conseguiam consolá-lo e ele ficou fora. O jogo continuava. Agora era a vez do crocodilo Ter seus olhos vendados e ele, trapalhão como sempre, pisou num pedaço de vidro e fez um corte na pata esquerda. O pior é que ainda havia numerosos cacos de vidro encravados em sua pata.

Por mais que todos procurassem uma pinça para tentar retirá-los, não conseguiram encontrar. Foi então que o ouriço num momento de inspiração, arrancou dois espinhos e com eles fez uma ótima pinça.

Então, o crocodilo sugeriu que brincassem de outra coisa, porque fazia questão de que seu "médico" também participasse. Todos concordaram em inventar uma brincadeira em que o ouriço pudesse participar também. Bem que ele merecia.


Conversar sobre diferenças, limitações e talentos.

Explorar a ideia de que todos têm algo a contribuir.

Atividade: montar um cartaz com o título:
Cada um tem seu jeito, cada um tem seu valor.

Os alunos podem desenhar personagens diferentes e escrever qual qualidade cada um possui.

Aula 5 — Bia e os animais marinhos



Ler a história da baleia Bia e seu irmão Toni.

Bia mora com sua família nas águas geladas do Pólo norte. Ela vive com seus pais e seu irmão, Toni. Os dois são inseparáveis e formam uma grande dupla.Eles adoram brincar na superfície da água ...

-Ah, este é fácil. Agora olhe o que eu aprendi.

-Respondi Toni com uma grande pirueta.

Quando Bia e Toni precisam respirar, sobem a superfície da água. Eles lançam um grande jato de água, que parecem um chafariz.

Bia e Toni estão aprendendo a caçar

 para se alimentar.

Mais tarde serão grandes caçadores. Por enquanto possuem muitos amigos como golfinhos e outras baleias.

 Um dia estavam brincando quando viram um grande barco:

 - Cuidado Bia!

 São humanos, querem nos caçar!

- Vamos embora daqui! - Disse Bia.

O barco continuou ali por vários dias, e os dois curiosos começaram a chegar cada vez mais perto. 

Que sorte! Eram pesquisadores.

Toni e Bia começaram a brincar com aquelas pessoas.

-Que legal, agora também somos amigos de humanos!

-Comemorou Bia, com várias piruetas.



Conversar sobre os animais marinhos, a caça às baleias e a importância dos pesquisadores.

Atividade interdisciplinar com Ciências:

Pesquisar ou conversar sobre baleias.

Identificar onde vivem.

Compreender por que precisam subir à superfície para respirar.

Falar sobre preservação ambiental.

Produção: desenho do fundo do mar com Bia e seus amigos.

Aula 6 — A bruxa e o caldeirão

Ler a história da bruxa e seu caldeirão furado.

          Quando preparava uma sopa com uns olhinhos de couve para o jantar, a bruxa constatou que o caldeirão estava furado. Não era muito, não senhor. Um furo pequeníssimo, quase invisível. Mas era o suficiente para, pinga que pinga, ir vertendo os líquidos e ir apagando o fogo. Nunca tal lhe tinha sucedido.
Foi consultar o livro de feitiços, adquirido no tempo em que andara a tirar o curso superior de bruxaria por correspondência, folheou-o de ponta a ponta, confirmou no índice e nada encontrou sobre a forma de resolver o caso. Que haveria de fazer? Uma bruxa sem caldeirão era como padeiro sem forno. De que forma poderia ela agora preparar as horríveis poções?

          Para as coisas mais corriqueiras tinha a reserva dos frascos.
          Mas se lhe aparecia um daqueles casos em que era necessário preparar na hora uma mistela? Como o da filha de um aldeão que engolira uma nuvem e foi preciso fazer um vomitório especial com trovisco, rosmaninho, três dentes de alho, uma semente de abóbora seca, uma asa de morcego e cinco aparas de unhas de gato.
          Se a moça vomitou a nuvem? Pois não haveria de vomitar? Com a potência do remédio, além da nuvem, vomitou uma grande chuvada de granizo que furou os telhados das casas em redor.

          Era muito aborrecido aquele furo no caldeirão. Nem a sopa do dia-a-dia podia cozinhar. Mantinha-se a pão e água, que remédio, enquanto não encontrasse uma forma de resolver o caso.
Matutou dias seguidos no assunto e começou a desconfiar se o mercador que lhe vendera o caldeirão na feira há muitos anos atrás a não teria enganado com material de segunda categoria. A ela, bruxa inexperiente e a dar os primeiros passos nas artes mágicas, podia facilmente ter-lhe dado um caldeirão com defeito.

          Decidiu então ir à próxima feira e levar o caldeirão ao mercador. Procurando na secção das vendas de apetrechos de cozinha, a bruxa verificou que o mercador já não era o mesmo.

Era neto do outro e, claro, não se lembrava – nem podia – das tropelias comerciais do seu falecido avô. Ficou desapontada.

          Perguntou-lhe, todavia, o que podia fazer com o caldeirão furado. O mercador mirou-o, remirou-o, sopesou-o com ambas as mãos e disse:
– Este está bom é para você pôr ao pé da porta a fazer de vaso. Com uns pés de sardinheiras ficava bem bonito.
          A bruxa irritou-se com a sugestão e, não fosse a gente toda ali na feira a comprar e a vender, transformava-o em onagro.
Acabou por dizer: – A solução parece boa, sim senhor. Mas diga-me cá: Se ponho o caldeirão a fazer de vaso, onde cozinho eu depois? – Neste novo que aqui tenho e com um preço muito em conta...
A bruxa olhou para o caldeirão que o mercador lhe apontava, sobressaindo num monte de muitos outros, de um brilhante avermelhado, mesmo a pedir que o levassem. A bruxa, que tinha os seus brios de mulher, ficou encantada.
          O mercador aproveitou a ocasião para tecer os maiores elogios ao artigo, gabando a dureza e a grossura do cobre, os rendilhados da barriga, o feitio da asa em meia lua, a capacidade e o peso, tão leve como um bom caldeirão podia ser, fácil de carregar para qualquer lado.
– Pois bem, levo-o.
         O mercador esfregou as mãos de contente.
– Mas aviso-o – acrescentou a bruxa. – Se lhe acontecer o mesmo que ao outro, pode ter a certeza de que o transformarei em sapo.
          O mercador riu-se do disparate enquanto embrulhava o artigo.

          Os anos foram passando e a bruxa continuou no seu labor.
          Até que um dia deu por um furo no novo e agora velho caldeirão.
          Rogou uma praga tamanha que o neto do segundo mercador que lho vendera, a essa hora, em vez de estar a comer o caldo na mesa com a família, estava num charco a apanhar moscas.
Fonte:www.domíniopublico.gov.br


Explorar o humor, a fantasia e a sequência dos acontecimentos.

Conversar sobre problemas e soluções.

Atividade criativa:

Inventar uma poção mágica do bem.

Exemplo:

Nome da poção.

Ingredientes imaginários.

Para que ela serve.

Ilustração do caldeirão.

Aula 7 — A história da Margarida

Realizar a leitura da história da margarida e do pássaro.


No campo, perto da grande estrada, estava situada uma gentil morada que você já deve ter notado. Na frente dela se encontra um jardim com flores e uma paliçada verde; não longe dali, no meio da erva fresca, floria uma pequena margarida.
Graças ao sol que a aquecia com seus raios assim como às grandes e ricas flores do jardim, ela se desenvolvia hora a hora. 
          Certa manhã, inteiramente aberta, com suas pequenas pétalas brancas e brilhantes, que se pareciam com um sol em miniatura rodeado de seus raios.Quando a percebiam na relva e a fitavam 
como a uma flor insignificante, ela se inquietava um pouco. Vivia contente, respirava as delícias do calor do sol e ouvia o canto do rouxinol que se elevava nos ares.
          E assim a pequena margarida estava feliz como num dia de festa, embora fosse apenas segunda- feira. Enquanto as crianças, sentadas no banco da escola, aprendiam as suas lições, ela, sustentada por seu caule verde, aprendia sobre a beleza da natureza e sobre a bondade de Deus, e parecia-lhe que tudo o que sentia em silêncio, o pequeno rouxinol exprimia perfeitamente em suas canções felizes. Assim ela olhava com uma espécie de respeito o pássaro feliz que cantava e voava mas não sentia a mínima vontade de fazer outro tanto.   Eu vejo e ouço, pensou ela; o sol me aquece e o vento me beija. Oh! eu faria mal se me queixasse.?
          Dentro do jardim havia uma quantidade de flores lindas e viçosas; quanto menos perfume tinham mais bonitas eram. As peônias se inflavam a fim de parecerem maiores do que as rosas; mas não é o tamanho que faz uma rosa. As tulipas brilhavam pela beleza de suas cores e se pavoneavam com pretensão; não se dignavam lançar um olhar sobre a pequena margarida, enquanto que a pobre as admirava dizendo: ?Corno são ricas e belas! Sem dúvida o pássaro maravilhoso vai visitá-las. Obrigada, meu Deus, por poder assistir a esse belo espetáculo? E, no mesmo instante, o rouxinol levantava seu voo, não para as peônias e as tulipas, mas para a relva ao lado da pobre margarida, que, louca de alegria, não sabia mais o que pensar. O pequeno pássaro começou a saltitar em volta dela cantando: Como a relva é macia! Oh! A encantado a florzinha de coração de ouro e vestido de prata!?
          Não se pode fazer uma ideia da bondade da pequena flor. O pássaro a beijou com seu bico, cantou à sua frente, depois subiu para o azul do céu.                           Durante mais de um quarto de hora, a margarida não pôde se refazer da sua emoção. Um pouco envergonhada, mas orgulhosa no fundo do coração, ela olhou para as outras flores do jardim.                                            Testemunhas da honra de que fora alvo, elas deveriam compreender a sua alegria; mas as tulipas ainda estavam mais rígidas do que antes; sua figura vermelha e pontuda exprimia seu despeito. As peônias levantavam a cabeça com soberba. Que sorte para a margaridinha que elas não pudessem falar! Teriam dito coisas bem desagradáveis.
A florzinha apercebeu-se e ficou triste com aquele mau humor.
          Alguns instantes depois, uma menina armada de uma grande faca afiada e brilhante entrou no jardim, aproximou-se das tulipas e cortou -as uma a uma.
          Que infelicidade! disse a margaridinha suspirando; eis uma coisa pavorosa!?
          E enquanto a menina levava as tulipas, a margarida se alegrava por não ser mais do que uma florzinha no meio da relva. Apreciando a bondade de Deus e cheia de reconhecimento, ela fechou suas folhas no fim do dia, adormeceu e sonhou a noite inteira com o sol e o pequeno pássaro.
          Na manhã seguinte, quando a margarida abriu suas pétalas ao ar e à luz, reconheceu a voz do pássaro, mas seu canto era muito triste. O coitado fora aprisionado dentro de uma gaiola e suspenso na varanda. Cantava a felicidade da liberdade, a beleza dos campos verdejantes e as antigas viagens pelos ares.
          A pequena margarida bem que quisera ir em seu auxílio: mas que fazer? Era uma coisa difícil. A compaixão que ela sentia pelo pobre pássaro cativo fez com que se esquecesse das belezas que a rodeavam, o doce calor do sol e a brancura extasiante de suas próprias pétalas.
Logo dois meninos entraram no jardim; o mais velho levava na mão uma faca comprida e afiada como a da menina que cortara as tulipas.
Dirigiram-se para a margarida que não podia compreender o que eles queriam.
Aqui nós podemos levar um belo pedaço de erva para o rouxinol? disse um dos meninos, e começou a cortar um quadrado profundo em volta da pequena flor.
- Arranque a flor! - disse o outro.
Ao ouvir essas palavras a margarida tremeu de medo. Ser arrancada significava perder a vida; e jamais ela gozara tanto a existência como naquele momento em que esperava entrar com a grama na gaiola do pássaro cativo.
Não, deixemo-la aí?, respondeu o maior: ela está muito bem colocada.?
E assim ela foi poupada e entrou na gaiola do pássaro. O pobre pássaro, lamentando amargamente o seu cativeiro, batia com as asas nos ferros da gaiola. E a pequena margarida não podia, malgrado todo o seu desejo, fazê- lo ouvir uma palavra de consolo.
          E assim se passou o dia.
Não há mais água aqui?, gritava o prisioneiro; ?todos saíram sem me deixar uma gota de água. Minha boca está seca e tenho uma sede terrível! Ai de mim! Vou morrer, longe do sol brilhante, longe da fresca erva e de todas as magnificências da criação!?
Mergulhou o bico na erva úmida a fim de refrescar- se um pouco. Seu olhar caiu sobre a pequena margarida; fez um sinal amistoso e disse ao beijá-la:     Você sim, pequena flor, perecerá aqui! Em troca do mundo que eu tinha à minha disposição, deram-me algumas folhas de relva e você como companhia. Cada folha de erva deve ser para mim uma árvore; cada uma de suas pétalas brancas uma flor odorífera. Ah! você me faz lembrar tudo aquilo que eu perdi!
- Se eu pudesse consolá-lo?Pensava a margarida, incapaz de fazer o mínimo movimento.
No entanto, o perfume que ela exalava tornava- se cada vez mais forte; o pássaro compreendeu e, enquanto enfraquecia com uma sede devoradora que o fazia arrancar todos os pedaços de relva, tomava cuidado para não tocar na flor.
          A noite chegou; ninguém estava lá para levar uma gota de água para o pobre pássaro. Então ele abriu suas belas asas sacudindo-as convulsivamente e fez ouvir uma pequena canção melancólica. Sua cabecinha se inclinou para a flor e seu coração ferido de desejo e de dor cessou de bater. A esse triste espetáculo, a margaridinha não pôde, como na véspera, fechar suas pétalas para dormir; traspassada pela tristeza, caiu ao solo.
    Os meninos não chegaram senão no dia seguinte.
Ao verem o pássaro morto, choraram muito e abriram uma sepultura. O corpo encerrado numa linda caixa vermelha foi enterrado realmente, e sobre seu túmulo semearam pétalas de rosa.
Pobre pássaro! enquanto ele vivia e cantava, haviam-no esquecido em sua gaiola e deixaram- no morrer ele sede; depois de sua morte, choravam-no e enchiam-no de honrarias.
A relva e a margarida foram jogadas no pó da estrada; e ninguém nem pensou que algum dia ela tivesse podido amar tão ternamente o pequeno pássaro.

Fonte: virtualbooks.terra.com.br


Como é um texto mais longo e sensível, pode ser dividido em partes.

Conversar sobre liberdade, cuidado, tristeza, beleza da natureza e compaixão.

Atividade:

Desenhar a margarida e o rouxinol.

Escrever uma mensagem sobre cuidado com os animais.

Sugestão de frase para mural:

Quem ama cuida, protege e respeita a liberdade.

Aula 8 — O burrinho equilibrista

Ler a história do burrinho que vai para o circo e depois sente saudade do bosque.



          Burrinho andava muito triste.Ele trabalhava duro, enquanto os outros animais se
divertiam.Seu amigo coelhinho o confortava, dizendo:
          -Pelo menos você não é perseguido pelos caçadores.
          A noite, burrinho desabafava com sua amiga vaca:
          -Sinto-me injustiçado pela fama de burro que os burros têm.
          Numa manhã, alguns animais lhe contaram uma novidades.
          -Está chegando um grande circo à aldeia, burrinho- disse o ratinho.
          Naquele mesmo dia, burrinho recebeu a visita de um macaco do circo, que o convidou
para trabalhar lá:
          -Venha comigo.Você será o famoso mister burrinho , o equilibrista.
Encantado, burrinho resolveu aceitar.No circo, depois de conhecer novos comoanheiros,
ele começou a aprender seu novo ofício.

Em pouco tempo, mister burrinho tornou-se a maior atração do circo e arrancava
calorosos aplausos da platéia.Porém, ele não estava feliz, pois sentia muita falta de seus
 seus amgos do bosque.


          Burrinho vivia preso ao circo e estava
cansado de repetir sempre as mesmas tarefas,
indo de um lugar a outro, sem parar.Até que
um dia ele recebeu uma carta.
Foto

          Era de seu antigo patrão, que pedia para
ele voltar.Feliz, burrinho resolveu aceitar.
          -Passarinho, voltarei para o bosque e terei muitas coisas para contar a meus amigos!


Conversar sobre talentos, escolhas, trabalho e pertencimento.

Perguntas:

Por que o burrinho estava triste no começo?

O que ele aprendeu no circo?

Por que quis voltar?

O que fazia o burrinho feliz?

Atividade: produção de pequeno texto com o tema:
O lugar onde me sinto feliz.

Ler a história da tartaruga Tatiana.



Tati, a Tartaruga Atrapalhada

No fundo do mar azul, entre corais coloridos, peixinhos brilhantes e conchas espalhadas pela areia, vivia uma tartaruguinha chamada Tati.

Tati era alegre, curiosa e muito bondosa. Gostava de conversar com todos os animais marinhos e estava sempre pronta para ajudar. Mas havia uma coisa que todos já sabiam: Tati era muito atrapalhada.

Quando nadava depressa, esbarrava nas algas.

Quando ia brincar com os peixinhos, acabava levantando areia do fundo do mar.

Quando queria ajudar o polvo Tito a organizar suas conchinhas, misturava tudo sem perceber.

— Ai, Tati! — dizia Tito, rindo. — Você tem um coração enorme, mas precisa prestar mais atenção.

Tati ficava envergonhada.

— Eu tento fazer tudo certo, mas sempre me atrapalho — respondia ela, abaixando a cabecinha.

Certo dia, Dona Baleia avisou:

— Amanhã teremos a Grande Festa do Coral. Cada animal vai ajudar de um jeito.

O golfinho ficou responsável pela música. Os peixes coloridos cuidariam da dança. O caranguejo organizaria a entrada. E Tati recebeu uma missão especial: levar as pérolas brilhantes até o centro do coral.

— Eu? — perguntou Tati, assustada.

— Sim, Tati — respondeu Dona Baleia. — Você é cuidadosa quando acredita em si mesma.

No dia da festa, Tati colocou as pérolas em uma pequena cestinha feita de algas. Respirou fundo e começou a nadar devagar.

No caminho, viu um peixinho preso entre duas pedras.

— Socorro! — pediu o peixinho.

Tati parou imediatamente.

Com calma, empurrou uma pedrinha para o lado e ajudou o peixinho a sair.

— Obrigado, Tati! — disse ele.

Ela sorriu e continuou o caminho. Mas, ao olhar para trás, percebeu que algumas pérolas haviam caído.

— Oh, não! Lá vou eu me atrapalhar outra vez!

Tati quase chorou. Porém, lembrou-se das palavras de Dona Baleia:

— “Você é cuidadosa quando acredita em si mesma.”

Então respirou fundo, olhou com atenção e começou a recolher as pérolas, uma por uma.

O cavalo-marinho ajudou a procurar perto das algas. O polvo Tito procurou entre as pedras. Os peixinhos iluminaram o caminho com suas escamas brilhantes.

Logo, todas as pérolas estavam novamente na cestinha.

Tati chegou ao centro do coral bem devagarinho e colocou as pérolas no lugar certo. Quando a luz do sol atravessou a água, as pérolas brilharam como pequenas estrelas.

Todos os animais ficaram encantados.

— Viva a Tati! — gritaram os peixinhos.

Tati sorriu, feliz.

Dona Baleia se aproximou e disse:

— Viu, Tati? Ser atrapalhada às vezes não impede ninguém de aprender. O importante é ter calma, pedir ajuda quando precisar e continuar tentando.

Tati aprendeu naquele dia que errar faz parte do caminho. Com atenção, paciência e confiança, ela poderia realizar muitas coisas bonitas.

E, desde então, no fundo do mar, todos continuaram dizendo:

— Lá vem a Tati!

Mas agora completavam:

— A tartaruguinha atrapalhada que nunca desiste!




Conversar sobre organização, rotina e cuidado com os próprios objetos.

Atividade prática:

Criar uma lista de lembretes para Tati.

Exemplos:

Não esquecer a casa.

Guardar seus objetos.

Prestar atenção antes de sair.

Pedir ajuda quando precisar.

Aula 10 — Produção final e culminância

Organizar uma atividade de fechamento com os alunos.

Sugestões:

Reconto oral das histórias.

Dramatização de uma das narrativas.

Mural dos personagens.

Livro coletivo com desenhos e frases.

Exposição: Histórias que ensinam.

Roda de leitura para outra turma.

Gravação de áudio ou vídeo com os alunos contando partes das histórias.

10. Atividades sugeridas

Interpretação oral

Quem são os personagens?

Onde acontece a história?

Qual problema aparece?

Como o problema é resolvido?

O que a história ensina?

Interpretação escrita

Complete frases.

Marque a resposta correta.

Desenhe a cena principal.

Escreva o nome dos personagens.

Organize a sequência dos acontecimentos.

Crie outro final para a história.

Produção textual

Bilhete para um personagem.

Reconto coletivo.

Final alternativo.

Nova aventura com o personagem.

Frases sobre valores aprendidos.

Arte

Ilustração dos personagens.

Máscaras de animais.

Cartaz coletivo.

Dobradura de animais.

Cenário para dramatização.

Oralidade

Roda de conversa.

Contação de história.

Dramatização.

Leitura expressiva.

Apresentação dos desenhos.

11. Recursos necessários

Textos impressos ou projetados.

Imagens dos personagens.

Folhas de papel.

Lápis de cor.

Canetinhas.

Cartolina.

Cola e tesoura.

Projetor ou televisão, se houver.

Caixa de leitura ou cantinho das histórias.

Áudios, vídeos ou slides, caso a professora deseje ampliar a sequência.

12. Avaliação

A avaliação será contínua, observando a participação dos alunos nas rodas de conversa, a escuta atenta durante as leituras, a compreensão das histórias, a capacidade de recontar fatos, a expressão oral, os registros escritos, os desenhos e as produções coletivas.

Também poderão ser considerados:

Envolvimento nas atividades.

Respeito à fala dos colegas.

Identificação dos personagens e acontecimentos.

Capacidade de relacionar a história com situações da vida.

Criatividade nas produções.

Avanços na leitura, escrita e oralidade.

13. Material para download


14. Audio visual

                                                      PODCAST:  O que aprendemos com as fábulas


Vídeo: Presença autêntica 

                                          

Livro digital: Histórias do Jardim da Floresta




Música: O Grande Carrossel. Versão 1

Música: O Grande Carrossel versão 2


Versão 1: Rema,Rema Tica


Versão 2: Rema , Rema Tica




13. Produto final  

A sequência pode resultar em:

Mural ilustrado com os personagens. nstrumento de aprendizagem, imaginação e formação humana. Por meio das histórias, os alunos entram em contato com personagens que enfrentam dúvidas, medos, diferenças, saudades, problemas e descobertas.

Ao ler, ouvir, conversar, desenhar, dramatizar e produzir textos, as crianças desenvolvem habilidades de linguagem e também refletem sobre atitudes importantes para a convivência, como respeito, empatia, coragem, cuidado, gratidão e amizade.

15. Sugestão de título para a postagem

Sequência Didática: Histórias que Ensinam — leitura, imaginação, valores e convivência

16. Sugestão de imagem para antes da introdução

Imagem colorida e delicada de um jardim encantado, com vários personagens das histórias reunidos: uma formiguinha sobre uma folha, um ouriço, uma tartaruga, um burrinho, uma baleia ao fundo em uma cena de imaginação, uma margarida e uma bruxinha simpática com caldeirão. O estilo pode ser infantil, alegre e pedagógico.




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