Tema da aula
Leitura e interpretação do conto A pequena vendedora de fósforos, com reflexão sobre pobreza, abandono, fome, indiferença social, maus-tratos e solidariedade.
Podcast: Contando a história — A pequena vendedora de fósforos
Depois da leitura, ouça também o podcast com a contação da história A pequena vendedora de fósforos, de Hans Christian Andersen.
Esse recurso ajuda a ampliar a compreensão do texto, despertando a imaginação, a escuta sensível e a reflexão sobre temas como infância, abandono, fome, solidariedade e dignidade humana.
Vídeo — A pequena vendedora de fósforos
Música— A menina e a luz
Letra da música: A menina e a Luz
Maria Aparecida de Almeida
A noite descia tão fria,
a neve cobria o chão,
e uma menina seguia
com fósforos pela mão.
Passava por tantas janelas,
ouvia risos no ar,
via as casas tão belas,
mas não podia entrar.
Seus pés já estavam cansados,
o vento cortava seu rosto,
os passos ficaram parados
num canto estreito e exposto.
Ninguém comprara um fósforo,
ninguém perguntou quem era,
e ela abraçou os joelhos
enquanto a cidade adormecera.
Refrão
Acende um fósforo, menina,
faz a noite clarear,
uma chama pequenina
também pode iluminar.
Enquanto houver uma esperança,
mesmo breve como a luz,
há um sonho de criança
que no escuro ainda reluz.
Ela riscou o primeiro,
e a chama começou a dançar,
parecia haver um braseiro
bem diante do seu olhar.
Sentiu suas mãos aquecidas,
o frio pareceu partir,
mas quando a chama apagou,
viu o sonho também fugir.
Riscou outro, bem depressa,
e uma mesa apareceu,
com toalha branca e festa,
como ela nunca viveu.
Havia comida quentinha,
um cheiro bom pelo ar,
e os olhos daquela menina
começaram a se encantar.
Refrão
Acende um fósforo, menina,
faz a noite clarear,
uma chama pequenina
também pode iluminar.
Enquanto houver uma esperança,
mesmo breve como a luz,
há um sonho de criança
que no escuro ainda reluz.
Outro fósforo se acendeu
e uma árvore ela avistou,
cheia de luzes e estrelas,
como nunca imaginou.
Parecia que cada brilho
vinha só para lhe dizer:
“Mesmo no meio da noite,
ainda é possível sonhar e viver.”
Mas outra vez veio o escuro,
e a árvore desapareceu.
Uma estrela riscou o céu,
e a menina então percebeu:
lembrava uma antiga história
que a avó costumava contar:
“Quando uma estrela cai,
uma alma vai se encontrar.”
Então veio outra chama,
e algo diferente aconteceu:
no meio daquela luz
o rosto da avó apareceu.
Era o carinho guardado,
era o abraço que conhecia,
era a lembrança mais bonita
que em seu coração ainda vivia.
“Vovó, não vá embora!
Fique um pouquinho aqui.
Quando a chama desaparecer,
eu sei que não vou mais te ver daqui.”
E com medo de perdê-la,
sem querer deixar a luz partir,
a menina acendeu os fósforos,
todos, para vê-la sorrir.
Ponte
E a rua ficou iluminada,
como se fosse amanhecer,
não havia mais frio ou medo,
só aquela luz a envolver.
E nos braços da lembrança
ela finalmente descansou,
enquanto a noite silenciosa
sobre a cidade passou.
Quando o novo dia chegou,
encontraram a menina ali,
com os fósforos consumidos
e um sorriso leve a surgir.
Disseram: “Tentou se aquecer...”
e continuaram a caminhar.
Mas ninguém soube dos sonhos
que ela conseguiu enxergar.
Ninguém viu aquela mesa,
nem a árvore a brilhar,
ninguém viu o rosto da avó
que ela tanto quis abraçar.
Ninguém soube que uma chama,
por menor que possa parecer,
deu àquela pequena menina
um último mundo para viver.
Refrão final
Acende uma luz, menina,
que eu também quero enxergar
quantas crianças no mundo
ainda esperam nosso olhar.
Que não seja um fósforo breve
a única luz que alguém tem.
Que nenhuma criança precise
sonhar com o calor de alguém.
Se uma chama pequenina
pode a noite iluminar,
um gesto nosso, talvez,
possa uma vida mudar.
E quando passar uma criança
que o mundo resolveu não ver,
não deixe que apenas seus sonhos
tenham coragem de a acolher.
Acenda uma luz de verdade:
um abraço, um pão, um lugar.
Porque criança nenhuma
deveria ter frio para sonhar.
Objetivos de aprendizagem
Ao final da aula, espera-se que os estudantes sejam capazes de:
- Ler e compreender o conto, identificando personagens, espaço, tempo e acontecimentos principais.
- Reconhecer sentimentos presentes na narrativa, como tristeza, medo, esperança e compaixão.
- Interpretar elementos simbólicos do texto, como os fósforos, as visões da menina e a figura da avó.
- Refletir sobre situações de vulnerabilidade social presentes no conto e também na realidade atual.
- Desenvolver atitudes de empatia, solidariedade e respeito à dignidade humana.
- Produzir respostas orais, escritas ou visuais a partir da leitura.
Habilidades da BNCC
Língua Portuguesa — sugestões
EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler, apoiando-se em conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção.
EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.
EF15LP04 — Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos.
EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.
EF35LP04 — Inferir informações implícitas nos textos lidos.
EF35LP05 — Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos.
EF35LP26 — Ler e compreender narrativas ficcionais, identificando cenário, personagem central, conflito gerador, resolução e ponto de vista.
Materiais necessários
- Texto impresso ou projetado: A pequena vendedora de fósforos.
- Caderno ou folha de atividades.
- Lápis, borracha e lápis de cor.
- Cartolina ou papel kraft para produção de mural.
- Recortes de jornais, revistas ou imagens impressas.
- Cola, tesoura e canetinhas.
- Opcional: vídeo, áudio ou ilustração relacionada ao conto.
Desenvolvimento da aula
1º momento — Conversa inicial
Iniciar a aula com uma roda de conversa a partir de perguntas motivadoras:
- O que vocês imaginam ao ouvir o título A pequena vendedora de fósforos?
- O que pode acontecer com uma criança que trabalha nas ruas?
- Todas as crianças vivem com proteção, alimento, carinho e segurança?
- Por que é importante olhar com atenção para as pessoas que estão em situação de abandono?
Explicar que a história foi escrita por Hans Christian Andersen, autor dinamarquês conhecido por seus contos sensíveis, muitos deles marcados por emoção, fantasia e crítica social.
2º momento — Leitura do texto
Realizar a leitura do conto com a turma.
A leitura pode ser feita:
- pelo professor, de forma expressiva;
- de maneira compartilhada, com pausas para comentários;
- em pequenos grupos, dependendo da idade dos alunos.
Durante a leitura, chamar atenção para:
- o frio intenso;
- a solidão da menina;
- a indiferença das pessoas;
- as visões que aparecem quando ela acende os fósforos;
- o desfecho triste e simbólico da narrativa.
3º momento — Compreensão oral
Após a leitura, conversar com os alunos:
- Quem é a personagem principal?
- Onde a história acontece?
- Em que época do ano a narrativa se passa?
- Por que a menina não queria voltar para casa?
- O que ela vê quando acende os fósforos?
- Qual era a importância da avó para a menina?
- O final da história é alegre ou triste? Por quê?
Atividades escritas
Interpretação do texto
- Segundo o texto, em qual período do ano a história acontece?
- No Brasil, o final do ano acontece durante o verão. No conto, há neve, frio intenso e escuridão. Isso sugere que a história se passa em qual continente?
- Por que a menina caminhava pelas ruas descalça?
- O que a menina vendia?
- Por que ela tinha medo de voltar para casa?
- O que a menina imaginou ao acender o primeiro fósforo?
- O que apareceu quando ela acendeu outro fósforo?
- Qual pessoa querida apareceu para a menina no final da história?
- O texto apresenta situações de sofrimento social. Escreva algumas delas.
- Que sentimentos essa história despertou em você? Explique.
Atividade reflexiva
O conto mostra situações como:
- miséria;
- abandono;
- fome;
- frio;
- trabalho infantil;
- violência familiar;
- indiferença das pessoas;
- falta de proteção à infância.
Propor aos alunos uma reflexão:
Será que ainda existem crianças vivendo situações parecidas com as da pequena vendedora de fósforos?
Depois, pedir que escrevam um pequeno parágrafo com o tema:
Toda criança tem direito a cuidado, proteção e carinho.
Produção coletiva: mural social
Tema do mural:
Infância, dignidade e solidariedade
Orientar os alunos a pesquisarem ou selecionarem imagens, manchetes e recortes que retratem situações semelhantes às vividas pela personagem, como pobreza, abandono, fome, trabalho infantil ou falta de moradia.
O mural pode conter:
- imagens;
- frases de conscientização;
- pequenos textos produzidos pelos alunos;
- desenhos;
- palavras-chave, como solidariedade, respeito, proteção, infância, cuidado e esperança.
Sugestões de frases para o mural:
- Criança precisa de amor, cuidado e proteção.
- Nenhuma criança deve viver no abandono.
- A solidariedade começa quando enxergamos o outro.
- Toda criança tem direito à infância.
Atividade criativa
Escolher uma das propostas:
Opção 1 — Reescrita do final
Pedir aos alunos que criem um novo final para a história, imaginando que alguém percebeu o sofrimento da menina e a ajudou.
Opção 2 — Carta para a personagem
Os alunos escrevem uma carta para a pequena vendedora de fósforos, demonstrando carinho, acolhimento e solidariedade.
Opção 3 — Desenho interpretativo
Os alunos desenham a cena que mais chamou sua atenção no conto e escrevem uma legenda explicando o motivo da escolha.
Avaliação
A avaliação poderá observar:
- participação na leitura e na roda de conversa;
- compreensão das informações principais do texto;
- capacidade de interpretar sentimentos e situações implícitas;
- envolvimento na produção do mural;
- respeito às opiniões dos colegas;
- desenvolvimento de atitudes de empatia e solidariedade;
- qualidade das respostas escritas e das produções criativas.
Fechamento da aula
Encerrar a aula destacando que o conto, apesar de triste, nos convida a olhar para a realidade de muitas crianças que vivem sem proteção, alimento, moradia ou afeto.
Explicar aos alunos que a literatura também nos ajuda a pensar sobre a sociedade, despertando sentimentos como compaixão, responsabilidade e solidariedade.
Mensagem final para a turma:
A história da pequena vendedora de fósforos nos lembra que nenhuma criança deveria passar fome, frio, medo ou abandono. Toda criança tem direito a viver com dignidade, proteção, carinho e esperança.
Assinatura
Histórias, aprendizagens e ideias para educar
Maria Aparecida de Almeida
