quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Plano de aula: A pequena vendedora de fósforos: leitura, sensibilidade e reflexão social

 



Texto base: A pequena vendedora de fósforos
Autor: Hans Christian Andersen
Público-alvo: Ensino Fundamental — anos iniciais ou anos finais, com adaptações conforme a turma
Componente curricular: Língua Portuguesa
Duração sugerida: 2 aulas de 50 minutos


 Tema da aula

Leitura e interpretação do conto A pequena vendedora de fósforos, com reflexão sobre pobreza, abandono, fome, indiferença social, maus-tratos e solidariedade.

                                           A pequena vendedora de fósforoa

                                                          Hans Christian Andersen

          Estava um frio terrível,a noite caia e estava escuro, era a última noite do ano.
.
          Mesmo estando frio ,uma pobre menina de pés no chão e cabeça descoberta,caminhava pelas coberta,caminhava pelas ruas.

          Quando saiu de casa trazia chinelos tão grandes para seus pequenos pezinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe.

          A menina os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram depressa sacolejando,um dos chinelos não foi encontrado , e um  menino se apoderara do outro e fugia 
 e correndo.
          A menina caminhava com os pés nus,já vermelhos e roxos de frios.
          Dentro de um avental velho carregava uma caixa de fósforos, e um feixinho deles na mão. Ninguém lhe comprara nenhum naquele
dia,e ela não ganhara sequer um níquel.Sentindo muito frio, ia quase de rastros a menina.
          Os flocos de neve cobriam os longos cabelos,  luzes brilham em  todas as janelas e enchia o ar com um cheiro delicioso de ganso
  assado,pois era véspera de ano novo.

          Numa esquina formada por duas casas , uma das quais avançava mais a menina ficou sentada , levantava os pés, mas 
 sentia um frio ainda maior

          Não queria voltar para casa sem vender sequer um fósforo, pois  o pai a espancaria, suas mãozinhas estavam duras de frio.

          Ah!Bem que um fósforo lhe faria bem ,se ela pudesse tirar só um embrulho, riscá -lo na parede e aquecer as mãos na luz !

          Tirou um: troc! O fósforo lançou faiscas, acendeu.Que luz maravilhosas!Com aquela chama acesa a menina imaginava que
 estava sentada  diante de um grande fogão polido, com lustrosa
 base de cobre.
          Como o fogo ardia! Como era confortável ! Mas a pequena chama se apagou.O fogo despareceu  e ficaram nas suas mãos 
 apenas fósforos queimados.

          Acendeu outro fósforo e agora viu uma mesa estendida com uma toalha branca,um ganso recheado de maçãs e ameixa e a comida vinha em sua direção.O  Fósforo se apagou e ficou apenas a parede úmida e fria.
          Acendeu outro fósforo e se viu sentada embaixo de uma linda árvore de natal enfeitada. Mas de repente o fósforo apagou-se e as
 luzes de natal subiam mais alta e caiam.
          "Alguém está morrendo"pensou a menina,pois a sua vovó a
  única que pessoa que amara e agora estava morta lhe dissera que
 que quando uma estrela caía, uma alma subia.
          Quando riscou outro fósforo, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
          -Vovó!exclamou a criança.
          -Oh!leve-me contigo.
          Sei que desaparecerá quando o fósforo se apagar!E acendeu novamente todo o feixe de fósforo pois queria reter a visão de sua avó.Sua avó parecia mais bela.Tomou a menina nos braços, e ambas voaram acima da terra, até chegar no céu, onde não havia frio ,fome, preocupação.Mas na esquina das duas casas, encostada na parede,ficou sentada a pobre menina de faces rosadas e boca sorridente.O sol do ano novo se levantou sobre um pequeno cadáver.
          -Queria aquecer-se.
          Porém ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo,nem a glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia de Ano Novo.
                   


Podcast: Contando a história — A pequena vendedora de fósforos

Depois da leitura, ouça também o podcast com a contação da história A pequena vendedora de fósforos, de Hans Christian Andersen.

Esse recurso ajuda a ampliar a compreensão do texto, despertando a imaginação, a escuta sensível e a reflexão sobre temas como infância, abandono, fome, solidariedade e dignidade humana.

🎧 Ouça o podcast:
👉 

Vídeo — A pequena vendedora de fósforos




Música— A menina e a luz




Letra da música: A menina e a Luz

Maria Aparecida de Almeida

A noite descia tão fria,

a neve cobria o chão,

e uma menina seguia

com fósforos pela mão.

Passava por tantas janelas,

ouvia risos no ar,

via as casas tão belas,

mas não podia entrar.

Seus pés já estavam cansados,

o vento cortava seu rosto,

os passos ficaram parados

num canto estreito e exposto.

Ninguém comprara um fósforo,

ninguém perguntou quem era,

e ela abraçou os joelhos

enquanto a cidade adormecera.

Refrão

Acende um fósforo, menina,

faz a noite clarear,

uma chama pequenina

também pode iluminar.

Enquanto houver uma esperança,

mesmo breve como a luz,

há um sonho de criança

que no escuro ainda reluz.

Ela riscou o primeiro,

e a chama começou a dançar,

parecia haver um braseiro

bem diante do seu olhar.

Sentiu suas mãos aquecidas,

o frio pareceu partir,

mas quando a chama apagou,

viu o sonho também fugir.

Riscou outro, bem depressa,

e uma mesa apareceu,

com toalha branca e festa,

como ela nunca viveu.

Havia comida quentinha,

um cheiro bom pelo ar,

e os olhos daquela menina

começaram a se encantar.

Refrão

Acende um fósforo, menina,

faz a noite clarear,

uma chama pequenina

também pode iluminar.

Enquanto houver uma esperança,

mesmo breve como a luz,

há um sonho de criança

que no escuro ainda reluz.

Outro fósforo se acendeu

e uma árvore ela avistou,

cheia de luzes e estrelas,

como nunca imaginou.

Parecia que cada brilho

vinha só para lhe dizer:

“Mesmo no meio da noite,

ainda é possível sonhar e viver.”

Mas outra vez veio o escuro,

e a árvore desapareceu.

Uma estrela riscou o céu,

e a menina então percebeu:

lembrava uma antiga história

que a avó costumava contar:

“Quando uma estrela cai,

uma alma vai se encontrar.”

Então veio outra chama,

e algo diferente aconteceu:

no meio daquela luz

o rosto da avó apareceu.

Era o carinho guardado,

era o abraço que conhecia,

era a lembrança mais bonita

que em seu coração ainda vivia.

“Vovó, não vá embora!

Fique um pouquinho aqui.

Quando a chama desaparecer,

eu sei que não vou mais te ver daqui.”

E com medo de perdê-la,

sem querer deixar a luz partir,

a menina acendeu os fósforos,

todos, para vê-la sorrir.

Ponte

E a rua ficou iluminada,

como se fosse amanhecer,

não havia mais frio ou medo,

só aquela luz a envolver.

E nos braços da lembrança

ela finalmente descansou,

enquanto a noite silenciosa

sobre a cidade passou.

Quando o novo dia chegou,

encontraram a menina ali,

com os fósforos consumidos

e um sorriso leve a surgir.

Disseram: “Tentou se aquecer...”

e continuaram a caminhar.

Mas ninguém soube dos sonhos

que ela conseguiu enxergar.

Ninguém viu aquela mesa,

nem a árvore a brilhar,

ninguém viu o rosto da avó

que ela tanto quis abraçar.

Ninguém soube que uma chama,

por menor que possa parecer,

deu àquela pequena menina

um último mundo para viver.

Refrão final

Acende uma luz, menina,

que eu também quero enxergar

quantas crianças no mundo

ainda esperam nosso olhar.

Que não seja um fósforo breve

a única luz que alguém tem.

Que nenhuma criança precise

sonhar com o calor de alguém.

Se uma chama pequenina

pode a noite iluminar,

um gesto nosso, talvez,

possa uma vida mudar.

E quando passar uma criança

que o mundo resolveu não ver,

não deixe que apenas seus sonhos

tenham coragem de a acolher.

Acenda uma luz de verdade:

um abraço, um pão, um lugar.

Porque criança nenhuma

deveria ter frio para sonhar.



 Objetivos de aprendizagem

Ao final da aula, espera-se que os estudantes sejam capazes de:

  • Ler e compreender o conto, identificando personagens, espaço, tempo e acontecimentos principais.
  • Reconhecer sentimentos presentes na narrativa, como tristeza, medo, esperança e compaixão.
  • Interpretar elementos simbólicos do texto, como os fósforos, as visões da menina e a figura da avó.
  • Refletir sobre situações de vulnerabilidade social presentes no conto e também na realidade atual.
  • Desenvolver atitudes de empatia, solidariedade e respeito à dignidade humana.
  • Produzir respostas orais, escritas ou visuais a partir da leitura.

 Habilidades da BNCC

Língua Portuguesa — sugestões

EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler, apoiando-se em conhecimentos prévios sobre as condições de produção e recepção.

EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.

EF15LP04 — Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos.

EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.

EF35LP04 — Inferir informações implícitas nos textos lidos.

EF35LP05 — Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos.

EF35LP26 — Ler e compreender narrativas ficcionais, identificando cenário, personagem central, conflito gerador, resolução e ponto de vista.


 Materiais necessários

  • Texto impresso ou projetado: A pequena vendedora de fósforos.
  • Caderno ou folha de atividades.
  • Lápis, borracha e lápis de cor.
  • Cartolina ou papel kraft para produção de mural.
  • Recortes de jornais, revistas ou imagens impressas.
  • Cola, tesoura e canetinhas.
  • Opcional: vídeo, áudio ou ilustração relacionada ao conto.

 Desenvolvimento da aula

1º momento — Conversa inicial

Iniciar a aula com uma roda de conversa a partir de perguntas motivadoras:

  • O que vocês imaginam ao ouvir o título A pequena vendedora de fósforos?
  • O que pode acontecer com uma criança que trabalha nas ruas?
  • Todas as crianças vivem com proteção, alimento, carinho e segurança?
  • Por que é importante olhar com atenção para as pessoas que estão em situação de abandono?

Explicar que a história foi escrita por Hans Christian Andersen, autor dinamarquês conhecido por seus contos sensíveis, muitos deles marcados por emoção, fantasia e crítica social.


2º momento — Leitura do texto

Realizar a leitura do conto com a turma.

A leitura pode ser feita:

  • pelo professor, de forma expressiva;
  • de maneira compartilhada, com pausas para comentários;
  • em pequenos grupos, dependendo da idade dos alunos.

Durante a leitura, chamar atenção para:

  • o frio intenso;
  • a solidão da menina;
  • a indiferença das pessoas;
  • as visões que aparecem quando ela acende os fósforos;
  • o desfecho triste e simbólico da narrativa.

3º momento — Compreensão oral

Após a leitura, conversar com os alunos:

  • Quem é a personagem principal?
  • Onde a história acontece?
  • Em que época do ano a narrativa se passa?
  • Por que a menina não queria voltar para casa?
  • O que ela vê quando acende os fósforos?
  • Qual era a importância da avó para a menina?
  • O final da história é alegre ou triste? Por quê?

 Atividades escritas

Interpretação do texto

  1. Segundo o texto, em qual período do ano a história acontece?
  2. No Brasil, o final do ano acontece durante o verão. No conto, há neve, frio intenso e escuridão. Isso sugere que a história se passa em qual continente?
  3. Por que a menina caminhava pelas ruas descalça?
  4. O que a menina vendia?
  5. Por que ela tinha medo de voltar para casa?
  6. O que a menina imaginou ao acender o primeiro fósforo?
  7. O que apareceu quando ela acendeu outro fósforo?
  8. Qual pessoa querida apareceu para a menina no final da história?
  9. O texto apresenta situações de sofrimento social. Escreva algumas delas.
  10. Que sentimentos essa história despertou em você? Explique.

 Atividade reflexiva

O conto mostra situações como:

  • miséria;
  • abandono;
  • fome;
  • frio;
  • trabalho infantil;
  • violência familiar;
  • indiferença das pessoas;
  • falta de proteção à infância.

Propor aos alunos uma reflexão:

Será que ainda existem crianças vivendo situações parecidas com as da pequena vendedora de fósforos?

Depois, pedir que escrevam um pequeno parágrafo com o tema:

Toda criança tem direito a cuidado, proteção e carinho.


 Produção coletiva: mural social

Tema do mural:

Infância, dignidade e solidariedade

Orientar os alunos a pesquisarem ou selecionarem imagens, manchetes e recortes que retratem situações semelhantes às vividas pela personagem, como pobreza, abandono, fome, trabalho infantil ou falta de moradia.

O mural pode conter:

  • imagens;
  • frases de conscientização;
  • pequenos textos produzidos pelos alunos;
  • desenhos;
  • palavras-chave, como solidariedade, respeito, proteção, infância, cuidado e esperança.

Sugestões de frases para o mural:

  • Criança precisa de amor, cuidado e proteção.
  • Nenhuma criança deve viver no abandono.
  • A solidariedade começa quando enxergamos o outro.
  • Toda criança tem direito à infância.

 Atividade criativa

Escolher uma das propostas:

Opção 1 — Reescrita do final

Pedir aos alunos que criem um novo final para a história, imaginando que alguém percebeu o sofrimento da menina e a ajudou.

Opção 2 — Carta para a personagem

Os alunos escrevem uma carta para a pequena vendedora de fósforos, demonstrando carinho, acolhimento e solidariedade.

Opção 3 — Desenho interpretativo

Os alunos desenham a cena que mais chamou sua atenção no conto e escrevem uma legenda explicando o motivo da escolha.


Avaliação

A avaliação poderá observar:

  • participação na leitura e na roda de conversa;
  • compreensão das informações principais do texto;
  • capacidade de interpretar sentimentos e situações implícitas;
  • envolvimento na produção do mural;
  • respeito às opiniões dos colegas;
  • desenvolvimento de atitudes de empatia e solidariedade;
  • qualidade das respostas escritas e das produções criativas.

Fechamento da aula

Encerrar a aula destacando que o conto, apesar de triste, nos convida a olhar para a realidade de muitas crianças que vivem sem proteção, alimento, moradia ou afeto.

Explicar aos alunos que a literatura também nos ajuda a pensar sobre a sociedade, despertando sentimentos como compaixão, responsabilidade e solidariedade.

Mensagem final para a turma:

A história da pequena vendedora de fósforos nos lembra que nenhuma criança deveria passar fome, frio, medo ou abandono. Toda criança tem direito a viver com dignidade, proteção, carinho e esperança.

Assinatura

Histórias, aprendizagens e ideias para educar

Maria Aparecida de Almeida

Plano de aula: A pequena vendedora de fósforos: leitura, sensibilidade e reflexão social

  T exto base: A pequena vendedora de fósforos Autor: Hans Christian Andersen Público-alvo: Ensino Fundamental — anos iniciais ou anos...