Também pode ser adaptado para catequese, ensino religioso, projetos de valores ou atividades de leitura dramatizada.
Duração sugerida
3 a 5 aulas, dependendo da realização ou não da dramatização.
Componente curricular
Língua Portuguesa, Ensino Religioso e Arte.
Tema
Leitura dramatizada, parábola, valores, cuidado, obediência, arrependimento, perdão e acolhimento.
Adaptação da Parábola da Ovelha Perdida
Por Adelita Rozetti Frulane
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Contador de Histórias – Um dia, Jesus contou uma história, para ensinar as pessoas o quanto ele nos ama, a história é mais ou menos assim….
Era uma vez, um vale cercado por montanhas muuuuiiiito altas! Neste vale vivem passarinhos nas copas das árvores, borboletas, abelhinhas e também um rebanho de ovelhinhas barulhentas. Elas são felizes porque tem um bom Pastor.
Todas as manhãs ele vem até o cercado, que é a casa delas e as solta para pastar pelo vale de grama verdinha de lá, que é a comida que as ovelhas mais gostam.
Ovelha - Pastor, o Senhor viu? Acho que a Matilde vai ter o bebê hoje!
Pastor – Você acha, Dona Filózinha?
Ovelha D. Filó – Bééééé… Não passa de hoje!
Ovelha Dona Memé – Pois eu acho que é só nasce lá pela semana que vem…
O. D. Filó – Nasce hoje!
O D. Memé – Semana que vem! (as duas ficam de frente uma para outra e a cada passo dão um passo para frente)
O. D. Filó – Nasce hoje!
O D. Memé – Semana que vem!
O. D. Filó – Nasce hoje!
O D. Memé – Semana que vem!
O. D. Filó – Nasce hoje!
O D. Memé – Semana que vem!
Pastor – O que é isso meninas! Não importa se nasce hoje ou semana que vem! O que importa é que será muito bem vinda!
Ovelha Lilica (entra em cena chorando manhosa, com a patinha para cima) - Bééééééé´… Pastoroooooo!!!!!!!
Pastor – O que foi Lilica?
Lilica (mostra a patinha) – Ó! (choraminga) Béééé´…
Pastor – É só um espinho na patinha, Lilica! Venha, vou tirar para você! (abraça a ovelhinha e sai com ela de cena, ficam só a Filó e a Memé em cena, entra correndo, a ovelha Faísca)
Ovelha Faísca (alegrinha, agitadinha,correndo de um lado para outro) – Meninas! Meninas! É a Matilde!!! O bebê está nascendo! Ai que emoção! Mais uma ovelha no rebanho!
Ov. D. Filó – Eu não disse? Eu não disse? Não falei?! A Filó aqui é velha! E velha sabida! Eu não disse? Não falei?
Ov. D. Memé – Eu sei!
Ov. Faísca - Vamos lá! Vamos ver o bebê… (vai empurrando as duas, saem de cena)
Ov. D. Filó – Eu não disse? Eu não disse? Não falei?!
Ov. D. Memé – Eu sei! Eu sei!
Ov. D. Filó – Não te disse? Eu não disse?
Ov. D. Memé – Eu sei!
(Entram em cena duas ovelhinhas criança, uma com um pirulitão e outro, um cordeirinho, com uma bonequinha)
Ov. Sissí – Que legal, éim? Mais uma amiguinha para brincar com a gente!
Carneirinho – Pode ser que nasça um cordeirinho pra brincar co-mi-go! Credo! Só nasce menina por aqui ultimamente! (canta) Eu sou um cordeirinho, Jesus é o Pastor! Jesus me traz nos ombros com muito amor!
Ov. Sissi – Eu sou a ovelhinha Jesus é o Pastor! Jesus me trás no colo com muito amor!
(Entra o som do chorinho do bebê, um balido de ovelha, bem alto)
Carneirinho – Ei… Você está ouvindo?
Ov. Sisi – Claro, né?! Está nascendo! Viva! O bebê da Matilde está nascendo!
Ovelha Sisi e Cordeirinho (fazem sinal de silencio para os leitoresda Platéia) – Piissssss… Não vamos acordar o Bebê!
(Ovelhas do Círculo se agacham ficam em silencio)
Ov. Sapeca (Sobe, aparescendo num salto com uma boneca maluca de pano na mão, toda diferente das outras ovelhas, coloridona, com meião de listas coloridas)– Êba! Nasci! (as ovelhas do círculo caem sentadas no chão)
(Entra o instrumental de um rapp super agitado)
Ov. Matilde– Já nasceu Minha filhinha! Mas que amor é minha filha!
Ov. D. Filó – Eu não disse? Não falei?! Era mesmo uma menina!
Ov. D. Memé – E eu não sei! E eu não sei? A senhora reparou? Tem alguma coisa de errado, diferente nessa ovelha…
Ov. D. Filó – O Pastor gostou dela, achou ela um amor!
Ov. D. Memé – Eu sei! Mas quem é que o Pastor não acha um amor…? Achei ela assanhada… Reparou a roupa dela? Fala muito, é tagarela!
Ovelhinha – Eu quero brincar! Pular e saltar!
Ov. D. Filó – Cuidado menina, pode se machucar!
Ovelhinha (para o público) – Que chata, essa ovelha não vai me parar!
Ov. D. Memé – Que é isso menina? Nós somos mais velhas e é bom respeitar!
Ovelha Filó – Crianças de hoje, Tão mal educadas… Onde vão parar?
(a mãe e a filha, acaba a música)
Ovelhinha (manhosa, por que quer pedir algo) – Mamãezinha… O Mãe…?!
Ov. Matilde – Que foi minha filha?
Ovelhinha – Ô minha Mãe… Aqui é legal… Mas j´pa corri por tudo, já brinquei em toda parte… Eu queria saber o que é que tem lá… (aponta para de trás da plateia) Lá por trás daquelas montanhas….
Matilde – Não queira saber, minha filha… … Lá é o “vale da sombra da morte” !
Ovelhinha – Cruzes…! Que nome… E o que tem por lá, mamãezinha?
Matilde – Lá…? Por lá…? Eu não sei nem quero saber!
Ovelhinha – Eu quero! Posso ir lá pra ver?
Matilde – O que? Ir no Vale da Sombra da morte? De jeito nenhum! O Pastor proibiu e está bem proibido!
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Ovelhinha – Mas por que ele proibiu?
Matilde – Por que ele sabe o que é melhor para nós e lá não é um lugar bom para ovelhas!
Ovelhinhas – Mas eu quero ir!
Matilde – Pois vai ficar querendo!
Ovelha (Choramingando) – Mas eu quero! Eu quero!
Matilde – Que é isso menininha? Nem tirou a frauda e já está cheia de vontades?
Ovelhinha (se joga no chão e começa a chorar batendo os pés e as mãos no chão) – Béééééé…!!!!!!! Eu quero! Eu quero! Eu quero!
Matilde – Trate de parar com essa choradeira! Vou tirar uma sonequinha lá com as outras ovelhas e quando eu acordar, se você continuar com essa manha toda, vai apanhar no popô!
Ovelhinha (levanta rapidinho) – Pronto! Já parei… Não ta mais aqui quem chorou… Brincadeirinha…
Matilde (saindo de cena) - E pensar que eu estava guardada para isso: Uma filha manhosa…! Ai, minha Nossa Senhora, valei-me! Ovelhinha (Observa a mãe sair com cara de santinha, sorriso falso, depois vai para o leitor e fala em tom de segredo) – Vocês acham que eu devo obedecer a mamãe? (deixar que os leitoresrespondam)
(Entram em cena A Sissi e o cordeirinho)
Sissi – Ovelhinha nova! Como é o seu nome?
Ovelhinha – Não sei… O Pastor disse quando me viu: Mas que sapeca!
Cordeirinho – Então é sapeca! Quer brincar com a gente? Não sei não, to querendo ir passear lá para os lados do “Vale da Sombra da morte”…
Cordeirinho – Você está louca? O Pastor proibiu a gente de ir para lá!
Ovelhinha –Pra mim aquele metido do Pastor que quer mandar em tudo o tempo todo… Vai ver que esse tal de “Vale da Sombra da morte” é um lugar muito mais legal que este daqui!
Sissi – Se é, por que o Pastor, não quer que a gente vá lá por que… Por que…?
Ovelhinha (insegura)- Ah é… É… É porque ele quer tudo que tem por lá de gostoso só para ele. (sem muita segurança) Aposto que a grama por lá é de outra cor… Já estou cansada de ver tudo verde, o céu todo azul… Vai ver que lá a água é amarela, a grama é vermelha e o céu é roxo, vermelho, pink esverdeado! Aposto que a grama é vermelha sabor morango?
Sissi – É…! Que legal!
Cordeirinho – Não vê que ela está inventando tudo isso? Se o Pastor disse que lá é um lugar ruim para nós ovelhas, é por que é ruim! E não existe grama vermelha sabor morango!
Ovelhinha – Existe sim!
Cordeirinho – Não existe! Quer ver só (pergunta para as crianças) Né que não existe? Viu só? Não existe!
Ovelhinha - Tô bem de mal com você! E com vocês também!
(Matilde roncando alto)
Ovelhinha – Êi… A mamãe já está dormindo… Já sei! Eu vou fugir! É isso! Vou lá para traz daquelas montanhas conhecer a grama vermelho sabor morango, o rio amarelo e o céu pink esverdeado!
Cordeirinho (começa a gritar) – Dona Matilde! Pastor! (para a plateia) Me ajudem!
Ovelhinha (pede silêncio com um gesto) - Pisssssss! Fiquem quietos! Não acordem a mamãe! (pega na mão da Sissi e tenta puxa-la para fora da cena) Vamos, vamos comigo, vai ser legal!
Sissi – Eu… Acho que não! Não pedi para minha mamãe… Não quero ir…
Ovelhinha - Também não sou mais amiga! (mostra a língua e sai sozinha de cena)
Cordeirinho – Vamos Sissi, vamos contar para a Dona Matilde!
Sissi – E para o Pastor! (saem de cena pelo outro lado)
(Música de suspense, entram em cena, dançando, as sombras de umas árvores pretas, sem folhas)
Ovelhinha (entra a ovelhinha, andando com medo, olhando por todos os lados) – Ai… Ai… Aqui é escuro, não é…? (Para as crianças) Será que eu volto para casa? (deixa que respondam)Ah… Mas aí aqueles dois bobocas vão dizer que eu sou covarde… Vou andar só mais um pouquinho… Ah… deve ser só neste trechinho do caminho, vai ver que a grama de sorvete de morango está mais para frente… É… Bom acho que já andei bastante e… (Pio de coruja. Ovelhinha grita e começa a correr em círculos) Ai! O que era aquilo? O que era aquilo? (deixa os leitores responderem) É… é… É uma coruja? (ri sem graça) É só uma coruja…? Uma corujinha… Eu não sou medrosa… Não sou! Mas é que…Esse lugar aqui é… É tão assustador… Ai meu Deus! Acho que estou perdida… Eu quero minha mãe!!! Béééé´…. (caminha olhando para trás, tropeça e cai) Ai meu pezinho! (chorando) Mamãezinha! Pastor! (Levanta e começa a pular em círculos com um pé só, as árvores secas começam a girar em torno dela, até saírem fora de cena, de fora a ovelhinha grita) Ááááááááááá….
(Entram em cena, pelo outro lado o Pastor, com uma prancheta e um lápis gigante na mão, e as ovelhas, menos Sissi, o corderinho e a Ovelhinha Jurema)
Jurema (corre engraçada para frente do pastor) – Presente!
Pastor – Faísca…
Faísca – Presente!
Matilde (olhando para os lados procurando a filha) - é… Presente….
Pastor – Até agora temos 97 ovelhinhas… Onde estão as outras…?
(entram Sissi e o Cordeirinho , correndo, de mãos dadas)
Pastor – Ah…! Aí estão a 98 e o 99… Está faltando uma…
Cordeirinho – É a Sapeca!
Matilde – Já a procurei por toda parte, Pastor, não sei onde esta menina foi se esconder…
Cordeirinho – Nós sabemos! Nós sabemos!
Sissi – Ela está… (as outras ovelhas se aproximam num semi-circulo)
Ovelhas – Ela está…?
Sissi – Ela foi…
Matilde – Foi aonde? Fale minha filha!
Sissi – Ela foi… Ah… Eu não poso falar!
Ovelhas – Ah….
Cordeirinho – Ela foi… No Vale da Sombra da Morte!
Ovelhas – Óóóóóóó…!
Matilde (desmaia) – E eu que estava guardada para isso…!
Jurema – Pobre Matilde!
Pastor – Não se preocupe Matilde, irei salvar sua filha!
Ovelhas – Óóóóóó…
Faísca – Pastor… O senhor não pode!
Ov. D. Memé – É perigoso!
Ovelha Filó – O senhor vai nos deixar aqui, 99 ovelhas ara ir atrás daquela desobediente?
Pastor (pega o cajado e vai saindo de cena) – Eu amo, Filózinha… E ela está em perigo naquele vale tenebroso! Tenho que salva-la!
Ov. Filó (se agarra no manto do pastor, esse sai de cena e ela fica só com o manto) - Se está em perigo, tem o que bem merece! Por favor, não vá Pastor… (ficam todas desoladas, chorando)
Ov. Memé – Vamos! Vamos todas rezar pelo Pastor e a filha da Matilde, para que voltem… (engole seco) Com vida! (Matilde levanta-se apoiada pelas outras ovelhas, saem de cena)
Ovelhinha (rodando e chorando, se ajoelha num escondendo o rosto com os braços) – Mamãe! Pastor! Me perdoem! Socorro…! Béééééé…!
Pastorzinho (entra do outro lado, sem a ver, olhando de todos os lados, andando de um lado para outro, as árvores vem e o cercam, ele grita dando a idéia de estar longe) – Ovelhinhaaaaa!
Ovelhinha (levanta a cabeça) – É a voz do Pastor… (grita, sem levantar) – Pastorooo! Socorroooo! Estou aquiii!
Pastor – Estou aquiii!
(as árvores o cercam bailando ao redor dele e ele as vai derrubando com golpes do cajado)
Ovelhinha (esconde a cabeça, vai abaixando a música de tempestade, entra uma música suave) – Ele não vai me achar! Vou acabar morrendo aqui, de fome e frio, por ser desobediente! Ai que arrependida que eu estou…Beéééééé´! Bééééééé! Béééééé!
Pastor (se aproxima sem ser visto, da ovelhinha) – Ovelhinha!(lhe estende a mão)
Ovelhinha – Pastor! Me perdoe! Me perdoe
Pastor – Eu te perdôo, minha ovelhinha!
Ovelhinha – Agora eu sei que posso confiar no Senhor e nunca mias desconfiar de suas palavras, porque o Senhor me ama de verdade! Pastor (a levanta) – Venha! Vamos para casa! (saindo de cena)
Ovelhinha (já de costas para o público)– Ííí´…! Pastor…! Eu acho que a minha mãe agora vai me dar umas boas palmadas no popô… O Senhor podia bem conversar com ela… Pedir pra pegar leve…
Contador de Histórias – Jesus é o bom pastor, é Ele quem cuida de nós e nos quer bem, quando confiamos Nele e o obedecemos, ele nos conduz sempre pelo bom caminho que leva para o Céu. Mas quando nos desviamos do bom caminho, Ele nos amou tanto que deu a própria vida para nos salvar. Ele é o nosso melhor e maior amigo!
FIM
Introdução
A adaptação da Parábola da Ovelha Perdida, de Adelita Rozetti Frulane, apresenta uma narrativa em forma de teatro, com narrador, pastor, ovelhas e cordeirinhos. A história mostra uma ovelhinha curiosa e desobediente que decide sair sozinha para conhecer um lugar perigoso, mesmo depois de ser alertada por sua mãe e pelo pastor.
Ao se perder, a ovelhinha sente medo, arrependimento e necessidade de ajuda. O pastor, ao perceber sua ausência, deixa as noventa e nove ovelhas em segurança e vai à procura daquela que se perdeu. A narrativa permite trabalhar leitura, oralidade, dramatização, interpretação e reflexão sobre cuidado, escuta, confiança, perdão e responsabilidade.
Justificativa
Textos em formato teatral favorecem a participação dos estudantes, pois permitem leitura em voz alta, divisão de personagens, expressão corporal, entonação e dramatização. A história também possibilita uma conversa sobre atitudes do cotidiano infantil, como curiosidade, teimosia, desobediência, medo, arrependimento e acolhimento.
Na sala de aula, a parábola pode ser trabalhada tanto pelo aspecto literário e teatral quanto pelo aspecto formativo, respeitando o contexto da escola e a diversidade religiosa dos estudantes. O foco pedagógico pode estar nos valores humanos presentes no texto: cuidado, proteção, responsabilidade, perdão, solidariedade e importância de ouvir orientações.
Objetivo geral
Trabalhar a leitura, interpretação e dramatização da adaptação da Parábola da Ovelha Perdida, promovendo reflexões sobre cuidado, obediência, responsabilidade, arrependimento e acolhimento.
Objetivos específicos
Ler e compreender o texto teatral.
Identificar personagens, falas, narrador, cenário e conflito da história.
Desenvolver oralidade, entonação e expressão corporal.
Refletir sobre as atitudes da ovelhinha e do pastor.
Compreender a importância de ouvir orientações de cuidado e proteção.
Reconhecer valores como perdão, acolhimento, responsabilidade e amor ao próximo.
Produzir registros escritos, desenhos, reconto ou dramatização.
Participar de atividades coletivas com respeito e colaboração.
Habilidades da BNCC
Língua Portuguesa
EF15LP01 — Identificar a função social de textos que circulam em diferentes campos da vida social.
EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler, apoiando-se em conhecimentos prévios, título e imagens.
EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.
EF15LP09 — Expressar-se em situações de intercâmbio oral com clareza.
EF15LP10 — Escutar, com atenção, falas de professores e colegas.
EF15LP13 — Identificar finalidades da interação oral em diferentes contextos comunicativos.
EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.
EF35LP04 — Inferir informações implícitas nos textos lidos.
EF35LP24 — Identificar funções do texto dramático, reconhecendo personagens, falas e indicações de cena.
EF35LP25 — Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando personagens, enredo, tempo e espaço.
Arte
EF15AR19 — Descobrir teatralidades na vida cotidiana, identificando elementos teatrais como gestos, entonação, expressão facial e corporal.
EF15AR20 — Experimentar o trabalho colaborativo em processos de criação teatral.
Ensino Religioso
EF01ER03 — Reconhecer e respeitar as características físicas e subjetivas de cada um.
EF02ER03 — Identificar diferentes formas de registro das memórias pessoais, familiares e escolares.
EF03ER01 — Identificar e respeitar os diferentes espaços e territórios religiosos de diferentes tradições e movimentos religiosos.
EF04ER06 — Identificar nomes, significados e representações de divindades nos contextos familiar e comunitário.
EF05ER06 — Identificar o papel dos sábios e anciãos na comunicação e preservação da tradição oral.
Observação: se a escola preferir uma abordagem não confessional, o professor pode trabalhar o texto como narrativa de valores, enfatizando cuidado, responsabilidade, perdão e acolhimento.
Desenvolvimento da aula
1ª aula — Conversa inicial e levantamento de conhecimentos prévios
O professor inicia a aula perguntando:
Você já ouviu falar na história da ovelha perdida?
O que significa se perder?
Por que é importante ouvir orientações de cuidado?
Toda desobediência pode trazer consequências?
O que devemos fazer quando percebemos que erramos?
Em seguida, apresentar o título do texto e explicar que se trata de uma adaptação em forma de teatro.
2ª aula — Leitura dramatizada
Distribuir os papéis entre os alunos:
Contador de histórias;
Pastor;
Ovelha Sapeca;
Matilde;
Dona Filó;
Dona Memé;
Sissi;
Cordeirinho;
Faísca;
Jurema;
demais ovelhas.
A leitura pode ser feita primeiro de forma coletiva, com o professor orientando a entonação das falas. Depois, os alunos podem repetir algumas cenas com gestos e expressões.
3ª aula — Interpretação oral
Após a leitura, realizar uma roda de conversa.
Perguntas para discussão
Quem são os personagens da história?
Como era o lugar onde viviam as ovelhas?
Por que a ovelhinha queria ir ao Vale da Sombra da Morte?
Quem tentou avisá-la do perigo?
Por que o pastor saiu à procura da ovelhinha?
O pastor gostava apenas das ovelhas obedientes?
O que a ovelhinha aprendeu depois que se perdeu?
O que a história ensina sobre cuidado e responsabilidade?
O que significa acolher alguém que errou?
Como podemos relacionar essa história com situações da escola?
Reconte a história da ovelhinha perdida com suas palavras.
Proposta 3
Imagine que a ovelhinha escreveu um bilhete para o pastor depois de ser encontrada. O que ela diria?
Atividade 4 — Arte e criatividade
Desenhe uma cena da história:
o vale das ovelhas;
a ovelhinha se perdendo;
o pastor procurando a ovelhinha;
o retorno para casa.
Depois, escreva uma frase sobre o desenho.
Dramatização
A turma poderá organizar uma pequena apresentação da história.
Sugestões para a encenação
Usar tiaras simples de ovelhinhas feitas com papel.
Criar um cajado de papelão para o pastor.
Separar um espaço da sala para representar o vale.
Usar uma música suave para o início e uma música de suspense para o momento em que a ovelhinha se perde.
Trabalhar expressão corporal, voz e movimentação.
Orientações para os alunos
Falar em voz clara.
Respeitar a vez dos colegas.
Demonstrar sentimentos com o rosto e o corpo.
Trabalhar em grupo.
Cuidar dos materiais da apresentação.
Avaliação
A avaliação será realizada de forma contínua, observando:
participação na leitura;
compreensão da história;
respeito durante a fala dos colegas;
envolvimento na roda de conversa;
clareza nas respostas escritas;
criatividade na produção artística;
colaboração na dramatização;
capacidade de relacionar a mensagem do texto com situações do cotidiano.
Culminância
A atividade pode ser finalizada com uma apresentação teatral simples para outra turma ou com uma exposição dos desenhos e produções escritas.
Sugestão de título para o mural:
A ovelha perdida: cuidado, perdão e acolhimento
Ou:
Histórias que ensinam: ninguém deve ficar para trás
Conclusão
A adaptação da Parábola da Ovelha Perdida permite trabalhar leitura, oralidade, interpretação e dramatização de maneira lúdica e significativa. Além disso, favorece reflexões sobre cuidado, escuta, responsabilidade, arrependimento e acolhimento.
Ao transformar a postagem em plano de aula, o texto deixa de ser apenas uma história bonita e passa a ser um recurso pedagógico completo, capaz de apoiar o trabalho do professor em sala de aula e tornar a aprendizagem mais participativa.
Frase para destacar na postagem
Cuidar também é procurar, acolher e ajudar quem se perdeu a encontrar o caminho de volta.
Projeto: Histórias que ensinam — textos de autores desconhecidos para leitura e reflexão
1. Introdução
Este projeto reúne textos de autores desconhecidos que circulam em diferentes espaços educativos e que, mesmo sem autoria identificada, oferecem ricas possibilidades de leitura, interpretação, reflexão e produção textual.
Ao organizar esses textos em uma proposta pedagógica, o objetivo é valorizar a leitura como prática significativa, trabalhando compreensão textual, oralidade, escrita, valores humanos, criatividade e pensamento crítico.
A proposta pode ser desenvolvida com turmas dos anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental, respeitando a faixa etária, o nível de leitura dos estudantes e os objetivos de cada professor.
2. Justificativa
Muitos textos de autores desconhecidos fazem parte da memória escolar, circulando em livros, apostilas, murais, atividades impressas e postagens antigas da internet. Embora nem sempre apresentem autoria identificada, esses textos podem contribuir para o desenvolvimento da leitura, da interpretação e da formação humana dos estudantes.
Ao serem trabalhados de forma organizada, com mediação do professor, esses textos deixam de ser apenas leituras isoladas e passam a compor um percurso pedagógico que favorece a escuta, o diálogo, a análise, a escrita e a construção de sentidos.
Este projeto também permite reaproveitar materiais antigos, modernizando sua apresentação e ampliando suas possibilidades educativas por meio de atividades, vídeos, podcasts, slides, rodas de conversa e produções dos alunos.
3. Público-alvo
Ensino Fundamental — anos iniciais e anos finais
Anos iniciais: foco na escuta, leitura compartilhada, oralidade, compreensão, ilustração, reconto e valores presentes nos textos.
Anos finais: foco na interpretação, análise textual, inferência, autoria, gênero textual, linguagem, argumentação, produção escrita e reflexão crítica.
4. Objetivo geral
Promover práticas de leitura, interpretação e produção textual a partir de histórias de autores desconhecidos, favorecendo a formação leitora, a reflexão ética e o desenvolvimento da oralidade e da escrita.
5. Objetivos específicos
Desenvolver a compreensão leitora.
Identificar personagens, conflitos, espaço, tempo e desfecho.
Reconhecer ensinamentos presentes nas narrativas.
Estimular o reconto oral e escrito.
Promover debates sobre atitudes, escolhas e consequências.
Produzir novos finais, bilhetes, resumos, quadrinhos e pequenos textos opinativos.
Valorizar a leitura como prática de aprendizagem e formação humana.
6-Habilidades da BNCC relacionadas
EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler, apoiando-se em conhecimentos prévios sobre o tema, o gênero e o suporte textual.
EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.
EF15LP04 — Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos.
EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.
EF35LP04 — Inferir informações implícitas nos textos lidos.
EF35LP05 — Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos.
EF35LP26 — Ler e compreender, com autonomia, narrativas ficcionais que apresentem cenários e personagens.
EF69LP44 — Inferir a presença de valores sociais, culturais e humanos em textos literários.
EF69LP47 — Analisar, em textos narrativos ficcionais, as formas de composição, os efeitos de sentido e os elementos da narrativa.
EF69LP51 — Engajar-se ativamente nos processos de planejamento, textualização, revisão e edição de produções escritas.
7. Organização do projeto
Bloco 1 — Histórias para os anos iniciais
Em uma pequena casa, morava
uma velhinha muito caprichosa, e, por isso, seu fogão de lenha era bem cuidado.
Um dia, a velhinha não percebeu a falta de uma palha, um grão de feijão e uma
brasinha que antes estavam no fogão.
Os três tinham escapado e conversavam em um cantinho da cozinha.
A palhinha disse:
— Se eu não fugisse, a água fervente cairia em cima de mim quando a panela
virou.
Disse a brasinha:
— Se eu não fosse esperta, já teria morrido e virado cinzas.
Por último, falou o feijão:
— Eu, como vocês, também fugi a tempo, senão já teria sido cozido.
Conversa vai, conversa vem, os três resolveram dar um passeio e logo
encontraram um riacho.
Como nenhum deles sabia nadar, pensavam em um modo de atravessá-lo.
A palha se esticou e a brasa passou primeiro, queimou a palha, caiu na água e
se apagou.
A palhinha também caiu na água.
O feijão riu tanto que estourou, mas depois foi costurado por um alfaiate.
É por isso que hoje ele tem um “olhinho” na barriga.
Fazia muito calor e o leão
decidiu procurar um lugar fresco onde pudesse descansar. Ali, esticou e agitou
sua cauda preguiçosamente, enquanto o tempo passava. De repente, um esquilo
saiu de uma moita próxima e, imprudentemente, passou por debaixo das barbas do
rei das selvas. O leão sentiu vontade de brincar com o esquilo e começou a
persegui-lo. O pobre animalzinho pensou que o leão quisesse comê-lo. Tremendo
da cabeça ao rabo, suplicou que lhe poupasse a vida.
- Se me soltar, bom leão,
prometo ajudá-lo a lutar contra seus inimigos, disse o esquilo morto de medo.
- Ah! ah! ah! Que ajuda
você pode me dar, bichinho insignificante? Vá embora depressa antes que eu
perca a paciência! respondeu o leão menosprezando-o.
O tempo passou. Um dia, o
orgulhoso rei das selvas caiu numa armadilha feita por caçadores. Debateu-se
muito, tentando corajosamente livrar-se da rede, mas nada conseguiu. Então
apareceu o esquilo que, pacientemente, começou a roer a rede com seus dentinhos
afiados. Dessa maneira conseguiu libertar o leão.
Arrependido pelo desprezo
com que tratava o animalzinho, desculpou-se com ele.
- Perdoe-me, esquilo. Agora
compreendo que todos os animais, por menores que sejam, merecem o maior
respeito. Prometo que nunca mais voltarei a rir de você, disse o leão.
- Não se preocupe, bom
amigo. Sábio é aquele que reconhece a tempo os seus erros, respondeu o esquilo.
Daquele momento em diante,
os dois tornaram-se amigos inseparáveis e puderam, juntos, enfrentar os perigos
da selva
Dizem que os burros são
tolos. Mas não devemos acreditar totalmente nisso. Essa história nos mostra que
nem sempre é assim.
Um lavrador tinha dois
burros. Para que não fugissem, resolveu amarrá-los em uma só corda, cada um em
uma extremidade. Depois de algum tempo, os dois começaram a sentir fome. A
comida estava perto. Grandes montes de feno estavam ao alcance de sua visão. Os
dois tentaram chegar até eles. A corda era muito curta e, puxando cada qual
para o seu lado, nenhum dos dois conseguia alcançar o seu monte de feno. Então
compreenderam que o melhor era sentar e dialogar. Talvez juntos conseguissem
encontrar uma solução.
Assim o fizeram. Durante um
bom tempo, estiveram a dar voltas ao assunto, sem conseguir encontrar um jeito
de chegar ao feno. Por fim, disse um deles:
- Vamos ver! Nós dois
estamos com fome. A corda que nos une é muito curta e não podemos ir cada um
para o seu lado. Por que não vamos juntos para o primeiro monte de feno? Assim,
ambos poderíamos comer dele e depois provar o segundo. Dessa forma, comeríamos
a quantidade habitual.
- Boa ideia! admitiu seu
companheiro.
Pondo em prática a
sugestão, banquetearam-se ambos, apesar da corda com que haviam sido amarrados.
Mostraram, dessa forma, que os burros não são tão burros quanto parecem.
O ratinho e a ratinha eram
dois irmãos que viviam com sua mãe numa toca, em uma fazenda. Ali estavam
quentes e resguardados, a salvo das inclemências do tempo. Sua mamãe dava-lhes
todo alimento de que necessitavam e não tinham nada com que se preocupar.
Nenhum dos dois gostava
quando a sua mãezinha os mandava dormir, e obedeciam sempre contrariados. Numa
bela noite, saíram à procura de seus amigos; as estrelas brilhavam no céu e era
muito agradável estar ao ar livre!
Por mais voltas que dessem,
não encontraram nenhum de seus amigos; esses, é claro, dormiam um soninho
descansado.
Continuaram andando,
andando, até perceber que se tinham afastado muito de sua casa; não conheciam a
paisagem que os rodeava. Sentiram medo porque o vento começou a uivar e a
escuridão tornava-se ameaçadora.
Abraçaram-se um ao outro,
e, de repente, ouviram um ruído. Estremeceram espantados. Seria um gato? O
tempo parecia ter parado e o responsável pelos ruídos aproximava-se pouco a
pouco. Começaram a bater os dentes de medo, incapazes de fazer qualquer movimento.
Sentiam que tinha chegado a sua última hora, já que certamente se tratava do
seu mais aguerrido inimigo: o gato.
Mas, afinal, tudo acabou
bem. A mãe saíra à procura deles e tinha sido ela quem havia feito o barulho.
Os dois ratinhos regressaram a casa muito contentes. Haviam passado um mau
bocado e não voltariam a repetir a façanha. Não há nada como a nossa casa. Não
acha que tenho razão, amiguinho?
Era uma vez um passarinho
que morava num ninho no alto de uma mangueira. Quando a mamãe passarinha saía
cedinho para procurar alimento, falava:
- Ó filhinho, não saia do ninho. Você ainda é um filhotinho, pode cair lá
embaixo e se machucar.
Mas o passarinho morria de vontade de dar as suas voadinhas, experimentar as
suas asinhas cheias de peninhas. Experimentou uma vez. Experimentou a segunda.
Quando experimentou a terceira, caiu e quebrou uma asa. Saiu, andando pelo
chão, arrastando a asa, procurando uma ajudinha.
- Ó minha amiga vaquinha, conserte a minha asinha, que eu quebrei dando uma
voadinha.
A vaquinha, muito mal-humorada, disse que não entendia de asas. O passarinho
continuou o seu caminho, arrastando a sua asinha quebrada. Até que encontrou um
cavalo e pediu ajuda de novo, coitadinho.
- Ó meu amigo cavalinho, conserte a minha asinha, que eu quebrei dando uma
voadinha.
O cavalo relinchou e disse que não consertava asas. Não era veterinário.
E lá se foi o passarinho andando, pedindo ajuda a todo mundo que encontrava,
ouvindo sempre o mesmo. Até que encontrou um rio, muito transparente, e parou
para beber água.
- Ó meu amigo riozinho, conserte a minha asinha, que eu quebrei dando uma
voadinha! E o rio de águas claras cantarolou:
- Bote aqui a sua asinha bote aqui no leito meu e depois não vá dizer que você
se arrependeu.
E com todo cuidado, enfaixou a asinha do amiguinho, sorrindo dizendo:
- Dê um tempo ao tempo, fique quieto uns dias no seu ninho, meu passarinho!
E foi o que o passarinho fez.
Voltou para o seu ninho e deixou o tempo passar, bem quietinho.
O tempo passou.
Ele sarou e aprendeu a voar bem direitinho.
E no seu primeiro vôo sozinho, levou uma flor para o seu amigo riozinho. Ele
agradeceu com um sorriso claro.
- O tempo cura tudo. É só dar tempo ao tempo, amigo passarinho.
Num país muito longínquo,
nasceu um dia um canguruzinho que tinha uma qualidade muito curiosa. Saltava
para trás, ao contrário de todos os outros animais de sua espécie. Isso fazia
dele alvo da zombaria dos outros. O canguruzinho, que era muito sensível,
sofria muito e todas as noites chorava desconsolado, sem que ninguém visse. Um
dia, o môcho, sábio e compreensivo, aproximou-se dele, dizendo: - De nada
adianta ficar chorando pelos cantos. Se você se esforçar e treinar um pouco
será capaz de saltar para frente como os outros cangurus. É uma questão de
perseverança. O canguruzinho compreendeu que o macho tinha razão. Nessa mesma
noite, começou a praticar no seu cantinho. Progredia rapidamente e, num belo
dia, no meio da admiração geral, o canguruzinho deu uma autêntica exibição de
saltos para a frente. Satisfeito e orgulhoso, o canguruzinho passou a
considerar-se igual aos demais. Mas, na realidade, ele era mais capaz que os
outros, porque era o único que sabia também saltar para trás!
Existia, numa certa ilha,
um pinguim que só sabia comer. Passava o dia pescando e banqueteando-se com as
suas presas. Não se importava com os outros pingüins, que ficavam uma boa parte
do tempo brincando uns com os outros e fazendo excursões pela ilha. Ele não
gostava de fazer essas coisas; dedicava todo o seu tempo e energia a satisfazer
o seu enorme apetite devorador.
Os seus pais chamavam-lhe a
atenção com freqüência.
- Meu filho, dizia a mãe,
por que não vai passear com seus amigos?
- Mas, filho, na vida há
tempo para tudo, argumentou ela, surpresa.
- Não pense nisso, mamãe.
Eu sei o que faço; não se preocupe, disse o pingüim.
Como era inútil discutir
com ele, os pais acabaram desistindo.
Numa tarde de primavera, o
pingüim encontrou um grupo de amigos seus que faziam acrobacias na neve. Que
belos saltos e que graça tinham! Na verdade, possuíam uma invejável agilidade.
Então, atraído pela beleza dos exercícios, quis participar deles, sem se
lembrar que estava gordo. Por mais que se esforçasse, não conseguiu acompanhar
os amigos.
Sem vírgula, sentiu-se
infeliz por não poder brincar com os demais. Resolveu mudar de atitude.
Procurou um recanto mais afastado da ilha, e ali permaneceu vários dias,
comendo com moderação.
Quando regressou a casa, já
tinha recuperado o seu peso. E também tinha aprendido uma grande lição: nunca
mais voltaria a comer em excesso. Queria ser um pingüim como os outros.
Este texto pode ser trabalhado tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais, com adaptações nas perguntas, no nível de interpretação e nas propostas de produção textual.
Houve um grande reboliço em
Madrigueira do Claro, uma cidade habitada por coelhos. Um grande cavalheiro
viria morar ali. Ao que parecia, era muito rico e famoso em todo o mundo!
Finalmente, numa manhã de
primavera, chegou à cidade o novo vizinho. Todos ficaram admirados de seu traje
elegante e da distinção de seus gestos. Na verdade era um grande cavalheiro!
Durante algum tempo,
trataram o recém-chegado como um rei.
Ele deixava-se adorar , sem
falar mais do que o necessário.
Foi então que aconteceu uma
catástrofe. As chuvas intensas tinham causado uma inundação que prejudicara
algumas tocas. Organizou-se, então, uma coleta de donativos entre os
habitantes. Todos deram a sua contribuição, exceto o "grande cavalheiro",
que se negou a doar um único centavo.
A decepção foi enorme entre
os vizinhos da aldeia. A partir daquele dia, o rico avarento foi tratado com a
maior indiferença. Deixaram-no em tal isolamento, que ele resolveu ir embora.
Começou a afastar-se dali,
enquanto os vizinhos estavam reunidos em um prado próximo, para tratar dos
assuntos da comunidade. Então, o cavalheiro percebeu que estava saindo fumaça
de várias tocas. A cidade estava em chamas!
Rápido como um relâmpago,
ele interveio. Conseguiu apagar o fogo em meia hora. Quando souberam da
notícia, os vizinhos ficaram muito agradecidos. Mais ainda: quando ouviram as
confissões daquele que pensavam ser um grande cavalheiro, concederam-lhe o seu
perdão.
Na verdade, ele não era
rico. Tinha-se feito passar por uma pessoa de posses para assegurar a amizade
de todos. A boa ação que ele praticara é que lhe valeu uma amizade sincera e o
reconhecimento dos moradores daquela cidade.
Tudo é uma questão de
costume, mas tomar banho era algo superior às forças daquele coala. A água e o
sabão aterrorizavam-no e ninguém conseguia convencê-lo da necessidade de andar
por aí limpo. Era tanta a sujeira, que em casa e na escola, todos o evitavam,
com um gesto de nojo. Na verdade, o coala tinha um cheiro muito desagradável.
Desiludido, o pequeno coala
subia às árvores mais altas, desejoso de encontrar um cantinho tranqüilo. Mas
nem assim! De vez em quando, encontrava algum pássaro muito asseado que,
horrorizado, o expulsava de seus domínios a bicadas.
A vida tornou-se
insuportável para o coala. Até que finalmente, ele resolveu enfrentar o
problema.
- Vejamos, disse para si
mesmo. Não seria preferível passar um mal bocado todas as manhãs e depois poder
usufruir de uma vida normal durante todo o resto do dia, em vez de continuar
nessas tristes condições o dia inteiro?
Assim pensando, o coala
chegou à conclusão correta. Enchendo-se de coragem entrou numa banheira bem
cheia de água e sabão. Bem limpo e perfumado, o coala surpreendeu
agradavelmente a toda gente. Os parentes, amigos e colegas receberam-no na
comunidade de braços abertos.
Ao fim de algumas semanas,
o coala até já achava agradável tomar seu banho. Quando o sapato aperta, amigo,
o jeito é encolher os dedos.
Existia, numa certa ilha,
um pinguim que só sabia comer. Passava o dia pescando e banqueteando-se com as
suas presas. Não se importava com os outros pingüins, que ficavam uma boa parte
do tempo brincando uns com os outros e fazendo excursões pela ilha. Ele não
gostava de fazer essas coisas; dedicava todo o seu tempo e energia a satisfazer
o seu enorme apetite devorador.
Os seus pais chamavam-lhe a
atenção com freqüência.
- Meu filho, dizia a mãe,
por que não vai passear com seus amigos?
- Mas, filho, na vida há
tempo para tudo, argumentou ela, surpresa.
- Não pense nisso, mamãe.
Eu sei o que faço; não se preocupe, disse o pingüim.
Como era inútil discutir
com ele, os pais acabaram desistindo.
Numa tarde de primavera, o
pingüim encontrou um grupo de amigos seus que faziam acrobacias na neve. Que
belos saltos e que graça tinham! Na verdade, possuíam uma invejável agilidade.
Então, atraído pela beleza dos exercícios, quis participar deles, sem se
lembrar que estava gordo. Por mais que se esforçasse, não conseguiu acompanhar
os amigos.
Sem vírgula, sentiu-se
infeliz por não poder brincar com os demais. Resolveu mudar de atitude.
Procurou um recanto mais afastado da ilha, e ali permaneceu vários dias,
comendo com moderação.
Quando regressou a casa, já
tinha recuperado o seu peso. E também tinha aprendido uma grande lição: nunca
mais voltaria a comer em excesso. Queria ser um pingüim como os outros.
Aconteceu nos EUA. Um
garotinho de 8 anos foi abordado por um estranho na saída da escola: o estranho
disse que a mãe tinha pedido para buscá-lo, pois ela estava atrasada.
O menino disse: OK, qual a
senha?
As pessoas ao redor olharam
para o estranho e este se afastou rapidamente.
A mãe, prudente, havia
criado uma senha para que o filho soubesse quando ela estava por trás de
qualquer ordem.
Esse "segredo"
pode evitar roubos, sequestros e outras violências cometidas contra as
crianças.
A segurança pode estar numa
palavra, num número ou numa frase.
Bloco 2 — Histórias para os anos finais
O professor golfinho era
sábio e tolerante. Achava que os castigos não davam resultado e preferia sempre
convencer os alunos da necessidade de estudar a sério. Mas os alunos não lhe
prestavam a menor atenção, habituados como estavam aos castigos e ameaças. O
professor golfinho sofria com isso mas não dizia nada. Nunca se chateava nem se
queixava.
As travessuras durante a
aula aumentavam cada vez mais. Uma tarde, o ursinho quis pregar um belo susto à
esquilinha. Levantou-se de sua carteira sem pedir autorização ao professor e,
quando já estava se aproximando de sua colega, tropeçou em um armário, fazendo
com que este caísse em cima da cabeça do professor golfinho. O professor teve
de ficar ausente da classe por vários dias, e foi contratado para substituí-lo
o professor atum, que era conhecido em todo o oceano por sua severidade.
Castigava a turma inteira pelo menor deslize de qualquer aluno. Eles chegavam à
casa, todos os dias, com atraso de duas horas.
- O primeiro que ousar
fazer patifaria, leva quarenta reguadas e é expulso do colégio! costumava dizer
o professor atum.
Como era de se esperar,
todos os alunos da turma tinham saudades do professor golfinho. Mal podiam
esperar que retornasse às aulas. Chegaram a se comprometer com ele que iriam
portar-se muito bem e que estudariam muito.
Quando se restabeleceu, o
professor golfinho voltou para sua turma, que chegou a ser a mais brilhante e
estudiosa de toda a escola. O professor tinha demonstrado que a tolerância e a
persuasão são sempre preferíveis aos castigos. Todos reconheceram, afinal, que
seu método de ensino, baseado no amor e na tolerância davam muito bons
resultados.
A abelha e a formiga
sentiam um grande carinho uma pela outra. Além disso, que coincidência: a
primeira gostava dos alimentos que sua amiga armazenava durante o verão; e a
formiga era louca pelo mel produzido pela abelha. Isso dava lugar a uma intensa
troca de presentes entre as duas.
Numa ocasião, a abelha saiu
de viagem e deixou as chaves de sua casa com a formiga. Passados alguns dias
esta sentiu a tentação de entrar na casa da amiga e servir-se de um pouco de
mel. Mas conteve-se na última hora.
- Oh, não! Fazer isso
seria um abuso de confiança, uma coisa indigna de nossa amizade, pensou ela.
Meses depois, foi a vez da
formiga ver-se obrigada a deixar seu lar por algum tempo. Naturalmente deixou
as chaves com sua amiga íntima. No dia seguinte, a abelha entrou na casa da
formiga, enquanto dizia:
- Bah! Tenho a certeza
de que quando lhe deixei as chaves de minha casa, ela deve ter assaltado a
minha despensa. E fez isso com muita arte, pois desde que cheguei, por mais que
procure, não consigo achar as marcas do roubo. Agora é a minha vez e farei um
grande banquete à sua custa!
Qual das duas é
verdadeiramente digna de amizade, amigo?
Era uma vez uma ovelhinha
diferente das suas irmãs de rebanho: era negra. Por isso, era desprezada e
sofria todo tipo de maus tratos. As outras lhe davam mordidas, patadas;
procuravam colocá-la em último lugar no rebanho. Quando estavam num prado
pastando, o rebanho inteiro tentava não deixar que a ovelhinha negra provasse
uma ervazinha sequer. Dessa forma, sua existência era horrível.
Farta de tanto desprezo, a
ovelhinha negra afastou-se do rebanho. Durante muito tempo vagou sem rumo pelo
bosque. Quando anoiteceu, exausta, a ovelhinha deitou-se, sem perceber, em um
monte de farinha, onde dormiu.
Ao raiar o dia, acordou e
viu, cheia de surpresa, que se havia transformado em uma ovelha muito branca,
imaculada. Voltou então ao seu rebanho, onde foi muito bem recebida e
proclamada rainha, pela sua bela aparência.
Naquela ocasião, estava
sendo anunciada a visita do príncipe dos cordeiros, que vinha em busca de uma
esposa.
O príncipe foi recebido no
rebanho com grandes honras. Enquanto ele observava as ovelhas que formavam o
rebanho, desabou uma violenta tempestade. A chuva dissolveu a farinha que
cobria o pêlo negro de nossa ovelhinha, e ela recuperou sua cor natural.
Quando a viu, o príncipe
resolveu que seria a escolhida. As outras ovelhas perguntaram por quê.
- É diferente das outras. E
isso, para mim, é suficiente.
Assim, a ovelhinha negra
tornou-se princesa e teve, finalmente, o destino justo que merecia.
A tartaruga passava o tempo
a lamentar-se por ser lenta e desajeitada. Como gostava de fazer comparações,
adorava a beleza e a ligeireza com que se moviam as aves. Não se conformava com
a sua sorte e chegava a ficar muito triste.
- Que chatice ter que me
arrastar pelo solo, passo a passo e com esforço! Ah! Se eu pudesse voar, nem
que fosse apenas uma vez! dizia ele repetidamente, dia após dia.
Finalmente, num dia de
outono, conseguiu convencer a águia a levá-la para um passeio pelas alturas.
Suavemente e com grande majestade, a águia e a tartaruga elevaram-se no céu,
naquela tarde. O animalzinho transbordava de felicidade, ao ver lá embaixo, tão
longe, a terra e seus habitantes.
- Ah, que maravilha! Como
estou feliz! Que inveja não devem sentir as outras tartarugas vendo-me voar tão
alto! Realmente, sou uma tartaruga única! exclamava ela, com a voz tremida pela
emoção.
Mas tanto se cansou a águia
de ouvir seus vaidosos argumentos, que decidiu soltá-la. A orgulhosa tartaruga
caiu como uma pedra, desde milhares de metros de altura, desfazendo-se em cacos
ao chegar no chão.
Algumas tartarugas que
viram que viram sua vizinha cair, exclamaram cheias de pena:
- Pobrezinha! Estava tão
segura aqui em baixo, na terra, e teve que procurar as alturas para perder-se.
Dura lição para quem se
empenha em ir contra sua própria natureza. Não é melhor cada um conformar-se
com aquilo que é?
Aquela coelhinha era tão
branca como as outras. Mas havia nela alguma coisa que a tornava diferente das
demais; o seu entusiasmo pelas próprias orelhas. Acreditava que eram as maiores
e mais bonitas de toda a região.
- Ah, como me sinto bem com
essas belíssimas orelhas! exclamou, um belo dia à porta de sua toca. São tão
grandes e tão belas!
As outras coelhas e seus
respectivos maridos admitiam que eram orelhas muito bonitas; mas nada mais. Por
que ela era assim tão vaidosa?
- A vida não depende de
nossas orelhas, mas sim de nossas patas. Quanto mais ágeis e robustas forem,
melhor para nós, costumavam dizer-lhes suas companheiras.
Mas a coelhinha não se
convencia. Cada vez mais vaidosa, passava os dias a experimentar novos
penteados que estivessem de acordo com suas esplêndidas orelhas. Não vivia para
outra coisa.
Um belo dia, porém, a
Natureza pôs as coisas no seu devido lugar. O lobo encontrou sua despensa vazia
e, como tinha fome, decidiu sair para caçar. Como os outros animais de sua
espécie, sentia uma atração especial por coelhos. Assim que os coelhos daquela
região viram a sombra do lobo desataram a correr. Mas a coelhinha, ignorando o
perigo que se avizinhava e ensaiando penteado após penteado, quase não se deu
conta da presença do lobo.
Felizmente, apercebeu-se no
último instante e fugiu a toda velocidade em direção à água do rio mais
próximo. Desesperada, atirou-se para dentro dele e, milagre dos milagres, suas
orelhas grandes e largas serviram-lhe para manter-se flutuando. Com elas, a
coelhinha remou até estar fora do alcance do lobo.
Que grande susto! Ela
reconsiderou suas atitudes e prometeu que, dali em diante, prestaria menos
atenção às suas orelhas e mais ao que se passasse à sua volta.
A borboletinha era uma
beleza, mas achava-se uma beldade. Devia, pelo menos, ser tratada como a rainha
das borboletas, para que se sentisse satisfeita. Quanta vaidade, meu Deus!
Não tinha amigos, pois
qualquer mariposa que se aproximasse dela era alvo de risinhos e de desprezo.
- Que está fazendo em minha
presença, criatura? Não vê que sou mais bela e elegante do que você? costuma
ela dizer, fazendo-se de muito importante.
Nem os seus familiares
escapavam. Mantinha à distância os seus próprios pais e irmãos, como se ela não
houvesse nascido naturalmente, mas tivesse sido enviada diretamente do céu.
Tratava-os com enorme frieza, como quem faz um favor, quando não há outro remédio.
- Sim, você é formosa,
borboletinha, mas não sabe usar essa qualidade como deveria. Isso vai
destruí-la! previniu-a solenemente um sábio do bosque.
A borboletinha não deu
muita importância às palavras do sábio. Mas uma leve inquietação aninhou-se em
seu coração. Respeitava aquele sábio e temia que ele tivesse razão. Mas logo
esqueceu esses pensamentos e continuou sua atitude habitual.
Um dia, a profecia do sábio
cumpriu-se. Um rapazinho esperto surpreendeu-a sozinha voando pelo bosque.
Achou-a magnífica e com sua rede apoderou-se dela. Como é triste ver a
borboletinha vaidosa atravessada por um alfinete, fazendo parte da coleção do
rapaz!
Cada um tem aquilo que
merece. Não adianta pôr a culpa de nossos erros nos outros, no destino, em Deus
ou na má sorte. Cada um é responsável pelo seu próprio sucesso ou fracasso.
A baleia é o maior animal
do planeta. E, com todo esse seu tamanho, sem querer pode tornar-se uma ameaça
aos outros animais, caso não tome alguns cuidados.
A baleiazinha era jovem
cheia de vontade de brincar, nadar e saltar. Era cheia de vida e sempre muito
bem disposta.
- Que mosca mordeu
você? Perguntavam os outros habitantes do mar.
Ninguém sabia a resposta.
Mas a verdade era que a baleiazinha estava causando graves problemas aos
pescadores.
Eles saíam inocentemente em
seus pequenos botes e, de repente, encontravam-se com uma muralha de ondas,
levantadas pelas brincadeiras dela. E assim, quase sempre soçobravam.
Mais de um pescador havia
morrido afogado e a baleiazinha continuava brincando perto da costa, alheia às
desgraças que causava.
- Baleiazinha, fico
muito contente vendo você sentir-se tão feliz e brincalhona. Mas, por ser
estouvada, já causou algumas desgraças aos pescadores, disse-lhe o golfinho.
- Oh! Lamento muito,
amigo golfinho! Exclamou a baleiazinha, muito arrependida. Diga-me o que posso
fazer para remediar o mal que causei? Perguntou ela.
- Basta que você
brinque em alto mar, longe da costa, aconselhou-a ele.
A baleiazinha tinha um
coração bondoso. Desejosa de fazer o bem aos outros e evitar novos prejuízos
para os pescadores, rumou para o mar alto. A partir desse dia acabaram-se as
desgraças dos pobres pescadores. E a baleiazinha pode continuar a alegrar os habitantes
do mar, sem prejudicar os habitantes da terra.
Sabe-tudo era o apelido
pelo qual todos os habitantes do bosque conheciam a tartaruga. Quem tivesse
algum problema a resolver ou dúvida para esclarecer era só ir à casinha da
Sabe-tudo, para ver seu caso resolvido.
Para dizer a verdade, a
tartaruga passava as suas horas livres consultando livros e enciclopédias.
Interessava-se por todos os temas existentes e por existir. Que curiosidade
insaciável tinha ela!
- Desculpe-me,
tartaruga, mas eu estava interessada em conhecer a ilha de Ceilão e... Diz
timidamente a raposa.
- ... E não consegue
encontrar a resposta, não é verdade? Bem, não se preocupe que já lhe explico,
querida amiga, responde a tartaruga, com sua tradicional amabilidade. Vejamos.
A ilha de Ceilão está situada no Oceano Índico, ao sul da Península Indostânica
ou da atual Índia. Esclarecida a dúvida?
A Sabe-tudo sorri
compreensiva. É claro que conhece a alcunha que os seus vizinhos lhe puseram.
Isso não a incomoda, pois adivinha o sentimento de admiração que se esconde por
trás dela.
Os anos passam e os
conhecimentos da tartaruga tornam-se imensos, a tal ponto que ela começa a
tornar-se exigente e crítica com os seus vizinhos. Com mania de perfeição,
torna insuportável a vida dos outros. De uma amiga brilhante e admirada por
todos converte-se em uma criatura amarga e insatisfeita que, além disso, recebe
a hostilidade de quem a rodeia.
A modéstia é uma virtude muito necessária,
sobretudo para aqueles superdotados, que se destacam pelo seu próprio brilho.
Sem a modéstia, o conhecimento é inútil, pois não será repartido com os outros
que o têm em menor quantidade
Guilhermina é uma roceirazinha de dez anos. Com sua trouxinha de roupas às costas, lá vai ela, com sua mãe, para a cidade. Vai trabalhar em casa de uma senhora muito rica, Dona Florisbela.
Ao chegar, recebe a ordem dos serviços que vai fazer.
— Você, Guilhermina, vai tomar conta do gatinho Mimi e do cachorrinho Bobó. Leve-os agora à casa do tio Benedito, na Rua Direita, para cortar a cauda do gato e tosquiar Bobó, de modo que fique parecido com um leãozinho.
— Sim, patroa.
Guilhermina sai, levando o gato ao colo e o cachorrinho pela cordinha.
Vai repetindo o recado pelo caminho, para não esquecer:
— Tosquiar Bobó como um leãozinho e cortar a cauda do gato... Tosquiar Bobó e cortar a cauda do gato...
De repente, pula de um muro um galo.
Bobó late, puxa a corda, quer perseguir o galo e vai arrastando Guilhermina. É uma correria louca.
Guilhermina embaraça o pé na corda, tropeça e perde um pé de tamanco. Afinal, o galo voa para cima da cerca.
Guilhermina, mancando, com um pé no tamanco e o outro no chão, lembra-se do recado e vai repetindo:
— Tosquiar o Mimi e cortar a cauda do tio Bobó.
Felizmente, chegam à casa do tio Benedito.
Guilhermina põe o gatinho na cadeira e vai logo dizendo:
— Dona Florisbela mandou cortar a cauda do cão e aparar o pelo do gato, de modo que ele se torne parecido com um leãozinho.
Tio Benedito traz as tesouras e uma sardinha para Mimi.
Num instante, os pelos vão caindo, cortados pela tesoura afiada. As patas estão peladas, com duas pulseiras de cabelo.
Agora é a vez de Bobó.
— Au! Au! Au!
Bobó grita e esperneia. Tio Benedito amarra-o bem amarradinho e, apertando-o entre as pernas:
— Tric... tric...
E pronto!
Bobó sacode-se e está pronto também.
— Agora vamos para casa. Desta vez, Bobó, vai você no meu colo. Mimi, que é mais comportado, vai puxado pela cordinha.
E lá vão eles.
Guilhermina entra em casa e encontra a patroa cochilando numa cadeira. Mimi pula nos seus joelhos e ela, assustada, abre os olhos e solta um grito:
— Que animal é este de pernas trêmulas?
— Au! Au! Au! — faz Bobó, balançando seu cotózinho.
Dona Florisbela arregala os olhos de espanto e grita:
— Guilhermina! Guilhermina! Que fez você com os meus lindos animais? Meu cão de raça, com tão formosa cauda amputada desta maneira! E o meu gato angorá, de pelos compridos e sedosos! Em que estado ficou! Pobres de meus animaizinhos! Arrume sua trouxa e volte para sua casa, menina desastrada!
Guilhermina, sem compreender bem a irritação de sua patroa, arruma de novo sua trouxa e volta para casa, alegre de ver outra vez sua rocinha.
Memória afetiva das leituras
Muitas histórias infantis permanecem na memória porque dialogam com sentimentos profundos da infância: o desejo de acertar, de ser útil, de superar dificuldades e de construir um futuro melhor. Algumas personagens nos acompanham porque, de alguma forma, enxergamos nelas um pouco de nós mesmos.
A personagem Guilhermina marcou minha infância porque, de algum modo, eu me identificava com seu jeito atrapalhado, sonhador e cheio de vontade de encontrar um caminho. Naquele tempo, eu também acreditava que precisava vencer na vida para ajudar minha família. Hoje, ao recordar essa história, percebo como a literatura infantil pode guardar memórias, afetos e esperanças.
8. Sugestões de atividades para os anos iniciais
Leitura compartilhada.
Roda de conversa.
Desenho da parte preferida.
Reconto oral.
Caça-palavras com personagens.
Identificação de começo, meio e fim.
Perguntas simples de interpretação.
Produção de novo final.
Confecção de livrinho ilustrado.
9. Sugestões de atividades para os anos finais
Leitura individual e coletiva.
Debate sobre a moral da história.
Análise das atitudes dos personagens.
Comparação entre duas histórias.
Produção de texto opinativo.
Reescrita da narrativa com outro ponto de vista.
Criação de podcast curto comentando a história.
Produção de cartaz ou apresentação.
Discussão sobre valores, preconceito, vaidade, responsabilidade e convivência.
10.Recursos audiovisuais
Os vídeos apresentam o projeto e os textos selecionados, ampliando as possibilidades de leitura, escuta e interpretação.
Os podcasts trazem comentários, reflexões e perguntas orientadoras sobre as leituras.
1. Podcast para os anos finais: Fábulas como manual de sobrevivência
2.Podcast para os anos iniciais: O que os animais revelam sobre nós
3- Livrinho digital - anos iniciais do Ensino Fundamental
4-Livrinho digital-anos finais do Ensino Fundamental
Os livrinhos digitais reúnem os textos, atividades e propostas de leitura, funcionando como material de apoio para professores e estudantes. Foi criado um livrinho digital para os anos iniciais e outro para os anos finais do Ensino Fundamental.
Baixe os materiais complementares e utilize conforme a realidade da sua turma. As propostas podem ser adaptadas para os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, respeitando o nível de leitura, a faixa etária e os objetivos de aprendizagem dos estudantes.
12. Produto final
O projeto pode culminar em:
Livrinho coletivo ilustrado:Histórias que ensinam Mural de valores da turma Roda de leitura para outras turmas Podcast com comentários dos alunos Vídeo com reconto das histórias Exposição de desenhos e frases reflexivas
13. Avaliação
A avaliação pode considerar:
Participação nas leituras e rodas de conversa.
Compreensão dos textos.
Capacidade de recontar histórias.
Clareza nas produções escritas.
Criatividade nas atividades.
Respeito às opiniões dos colegas.
Reflexão sobre os valores trabalhados.
14. Conclusão
Finalizar destacando que as histórias de autores desconhecidos, quando bem organizadas e mediadas pelo professor, podem se transformar em importantes instrumentos de aprendizagem, sensibilidade, imaginação e formação cidadã.
Esse esqueleto já serve como base da postagem principal. Depois podemos ir encaixando cada texto em seu bloco, com atividades próprias e BNCC.
Histórias, aprendizagens e ideias para educar
✍️
Maria Aparecida de Almeida
Pedagoga | Especialista da Educação
Compartilhando práticas pedagógicas significativas,
alinhadas à BNCC, para inspirar o