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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Peças infantis para o universo escolar

 


INTRODUÇÃO



Na Educação Infantil, o teatro e a música não devem ser reduzidos a meros momentos de entretenimento ou "festividades de calendário". Eles representam ferramentas estratégicas para o desenvolvimento integral, mobilizando competências cognitivas, motoras e socioemocionais. Para que essa potência seja plenamente alcançada, é fundamental que o educador assume o papel de "professor-autor". Ser um professor-autor significa ir além da execução de currículos prontos; trata-se de realizar uma curadoria sensível e a adaptação de narrativas que falem diretamente à alma do aluno. A tese central aqui defendida é que o uso de obras autorais ou adaptadas — como o acervo pedagógico de Maria Aparecida de Almeida e a dramaturgia perene de Maria Clara Machado — permite uma conexão ética e estética muito mais profunda do que os materiais comerciais massificados. Ao fugir dos "clássicos de prateleira" e investir em textos que permitem a indagação e a reflexão, o professor transforma a sala de aula em um laboratório de humanidade.

Desconstruindo o Comercial: A Autenticidade no Ensino

A autenticidade no ensino nasce da coragem de desconstruir o óbvio. O professor-autor não apenas lê uma história; ele a habita e a recria conforme as necessidades locais. O processo de adaptação é, por si só, um ato pedagógico: ao modificar um conto clássico, o docente convida a criança a ser coautora do sentido. Um exemplo emblemático dessa prática é a peça "A Mãe e a Menina", de Maria Aparecida de Almeida. Nela, o roteiro incorpora as interrupções e o estranhamento da criança sobre a lógica da história original: "Mandas a menina sozinha para a floresta?", "Por que ela confiou em um lobo?".

O professor-autor cria espaço para que essas indagações se tornem parte do script. Em vez de silenciar a curiosidade, ele a utiliza para estimular o raciocínio crítico. Ao questionar a cor chamativa do capuz vermelho ou a ausência de autoridade policial na floresta, a criança deixa de ser consumidora passiva de fábulas para se tornar uma investigadora da realidade.

Vantagens da Autoria Docente frente ao Material Comercial:

  • Validação da Curiosidade: Transforma as interrupções do aluno em "pontes de diálogo" pedagógico.
  • Contextualização Ética: Substitui a passividade da tradição por questionamentos contemporâneos sobre segurança e responsabilidade.
  • Fortalecimento da Autoridade Pedagógica: O professor deixa de ser um "leitor de livros alheios" e passa a ser o mediador que valida a voz e a opinião do aluno.
  • Desenvolvimento da Oralidade Crítica: Incentiva o uso da linguagem para expressar
  •  discordância e lógica pessoal.

Podcast: Como trabalhar peças infantis no ambiente escolar

Neste podcast, apresento algumas possibilidades para utilizar peças infantis no cotidiano escolar, mostrando que o teatro pode ser desenvolvido com recursos simples e integrado a diferentes áreas do conhecimento.


Peças Infantis que podem ser cantadas



 Musicalidade e Consciência Fonológica: O Ritmo da Alfabetização

A rima e a repetição melódica são os pilares da consciência fonológica, competência preditora fundamental para a alfabetização. Através da música, a criança isola fonemas e percebe estruturas rítmicas antes mesmo de decodificar letras. Na versão autoral de "Dona Baratinha", focada na personagem Betinha, a mudança narrativa é pedagógica: o mistério da caixinha dourada não guarda apenas moedas, mas um bilhete que promete um "banquete" a quem encontrar alguém para dividir. Essa transição do "comprar um marido" para o "compartilhar a vida" altera o engajamento emocional da criança, tornando o aprendizado de sons um exercício de afeto. O "chiado baixinho" do rato da biblioteca, que recita poesias e conhece os Irmãos Grimm, oferece um repertório sonoro sutil que contrasta com os ruídos estridentes dos outros pretendentes.

Relação entre Elementos Musicais e Benefícios para a Alfabetização

Elemento Musical

Benefício para a Alfabetização

Exemplo Prático (Ground Truth)

Onomatopeias

Distinção sonora e articulação vocal.

O "Quá, quá" do pato vs. o "chiado baixinho" do rato.

Rimas e Aliterações

Percepção de semelhanças fonéticas.

"Baratinha", "casinha", "caixinha", "banquetinho".

Repetição Melódica

Memorização e prontidão de leitura.

O refrão "Quem quer casar com a Dona Baratinha".

Sequenciamento

Lógica temporal e estruturação frasal.

O ciclo de sono e despertar em "A Linda Rosa Juvenil".

O engajamento emocional provocado por essas canções — como o "beijo de vida" que quebra o feitiço da Rosa — acelera a retenção de fonemas. Quando a música faz sentido para a realidade da criança, a prontidão para a leitura ocorre como um desdobramento natural da experiência artística.


🎭 Peças infantis para trabalhar com os alunos



Dona Baratinha

Autora: Maria Aparecida de Almeida

Narradora: Dona Baratinha mora

                     sozinha nesta casinha.

                 Ela vive tão tristinha

                     Coitadinha!

D.Baratinha entra com uma vassoura, como se estivesse varrendo e cantando:

D.Baratinha: Era uma vez 
                        Dona Baratinha
                        Que queria
                        Que queria se casar
                        Saiu voando , a procura de um barato.

                       Mas o barato  está 
                        difícil de achar.
                        Quem quer casar
                        Com a Dona Baratinha
                        É bonitinha
                        e está doidinha pra casar .
                         E também tem 
                         dinheiro na caixinha,
                          Quem quer casar 
                          com a senhora Baratinha.
Narradora: Ela encontra um dinheiro e diz:
Baratinha: Achei!
Narradora: Um dia, quando varria sua casa,
Dona Baratinha achou uma moeda de ouro, ficou toda alegre, pois agora tinha ficado rica...
Narradora:Então,Dona Baratinha guardou o dinheiro numa caixinha, pós uma fita no
cabelo e abriu sua janelinha...
Narradora:  Toda vez que alguém passava.
Dona Baratinha logo cantava:
Baratinha: Quem quer casar 
                    com a  Dona Baratinha
                    Que tem fita no cabelo 
                    E dinheiro na caixinha?
Narradora: Primeiro passou o pato. 
Pato: -Eu quero
Narradora: Dona Baratinha perguntou:
Baratinha: -Como é a sua voz?
Pato: Quá, quá, quá...
Baratinha: - É muito barulho! Você me assusta!
Narradora; O pato foi embora.
Alunos: O que ele foi fazer?
Narradora: Foi  nadar na lagoa...
Todos cantam: Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha?
Narradora: Em seguida passou o cavalo.
Cavalo: - Eu quero.
Baratinha: Como é a sua voz?
Cavalo: RIII, RIII, RIII...
Baratinha: -É muito barulho! Você me assusta!
Narradora: O cavalo foi embora.
Alunos: E o que ele foi fazer?
Narradora: Foi para o pasto comer capim.
Todos: Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha
 Narradora: Depois  passou o macaco.
 Macaco: - Eu quero.
Baratinha:- Como é a sua voz?
Macaco: Qui, qui, qui...
Narradora: O macaco foi embora
Alnos: E o que foi que ele foi fazer?
Narradora: Foi pular nas árvores de galho em galho.

Todos:  Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha?
Narradora: Então passou o bode.
Bode: - Eu quero.
Baratinha: - Como é a sua voz?
Bode: Bé, Bé, Bé...
Baratinha: - É muito barulho! Você me assusta!
Todos:  Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha?
Narradora: Quando o lobo passou, disse:
Lobo: -Eu quero.
Baratinha:- Como é a sua voz?
Lobo: UUU, UUU, UUU...
Baratinha: - É muito barulho! Você me assunta!
Narradora: O lobo foi embora.
Alunos: E o que foi que ele fez?
Narradora: Foi para a floresta, esperar o Chapeuzinho Vermelho.
Todos:  Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha?

Narradora: O gato passou e disse:
Gato: - Eu quero.
Baratinha: - Como é a sua voz.
Gato: -Miau, Miau, Miau...
Baratinha: - É muito barulho! Você me assusta!
Narradora: O gato foi embora.
Alunos: E o que ele foi fazer?
Narradora: Foi tomar banho de sol.
Todos:  Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha?

Narradora: O sapo foi passando e dizendo:
Sapo: - Eu quero.
Baratinha: - Como é a sua voz?
Sapo: - Croc, Croc, Croc...

Baratinha: - É muito barulho! Você me assusta!
Narradora: O sapo foi embora.
Alunos: O que ele foi fazer?

Narradora: Foi para a Lagoa, lavar o pé.
Todos:  Quem quer casar
                           Com a senhora Baratinha
                           Que tem fita no cabelo
                            E dinheiro na caixinha?

Narradora: Dona Baratinha já estava desanimada. Foi aí que passou o rato:
Rato: - Eu quero...
Baratinha: - Como é a sua voz?
Rato: Qui, qui, qui...
Baratinha: - Esse chiado baixinho não me assusta. Eu me caso com você!
Baratinha Canta: Até que enfim
                                Até que enfim
                                Achei um noivo que serve para mim
Narradora: A história não acabou... Passada a tristeza, Dona Baratinha voltou

para janela.
E numa manhã ensolarada, passou por ali o
senhor Baratão.
Baratão: - Olá Dona Baratinha. Quer casar 
comigo?
Narradora: Dona Baratinha ficou animada.
Mas antes de responder perguntou:
Baratinha: O senhor gosta de feijoada?
Baratão: - Não de Jeito nenhum...
Baratinha: - Então eu quero!
Narradora: Acredite...Desta vez houve casa-
mento. Agora, Dona Baratinha e o senhor
Baratão esperam viver felizes para sempre.
Baratinha Canta: Até que enfim
                                Até que enfim
                                Achei um noivo que serve para mim.

Narradora: A história não acabou... Passada a tristeza, Dona Baratinha voltou
para janela.
E numa manhã ensolarada, passou por ali o
senhor Baratão.
Baratão: - Olá Dona Baratinha. Quer casar 
comigo?
Narradora: Dona Baratinha ficou animada.
Mas antes de responder perguntou:
Baratinha: O senhor gosta de feijoada?
Baratão: - Não de Jeito nenhum...
Baratinha: - Então eu quero!
Narradora: Acredite...Desta vez houve casa-
mento. Agora, Dona Baratinha e o senhor
Baratão esperam viver felizes para sempre.
Baratinha Canta: Até que enfim
                                Até que enfim
                                Achei um noivo que serve para mim.

Narradora: Dona Baratinha precisava contar

a novidade. Foi para a janela e disse:
Baratinha: -Se você quer conhecer o meu noivo
educado , é só aparecer ás dez horas do próximo sábado...
Todos Cantam: Com quem será?
                            Com quem será?
                            Com quem será que a baratinha vai casar?


Narradora: Bem no sábado ninguém ficou em casa. Bicho que nunca saiu do seu
seu canto apareceu: Tatu, veado, zebra... O último a chegar foi o jabuti. Então, ás dez
horas, o rato apareceu na janela. Ao lado
de Dona Baratinha...
Todos cantam: Vai depender
                           Vai depender
                           Vai depender
                            se o rato vai querer.
Narradora: No dia marcado, prepararam uma
festança com uma deliciosa feijoada. Dona Baratinha , vestida de branco, de véu e grinalda, foi para a igreja, onde os convidados esperavam ansiosos. Mas o noivo não estava lá!... Então, o quati chegou correndo e gritando: - O rato caiu na panela de feijoada!

Todos cantam: Ele aceitou
                           Ele aceitou
                           Ele aceitou e depois se afogou.

Narradora: Era verdade! O noivo sentiu o cheiro delicioso do feijão com toucinho e não resistiu: subiu na panela, perdeu o
equilíbrio e... tibum, caiu lá dentro!
Coitado! Além de queimado, engoliu tanta feijoada que quase morreu de
indigestão.
 Todos Cantam: Com quem será?
                            Com quem será?
                            Com quem será que a baratinha vai casar?

Peça : A borboleta Atíria
Autora: Maria Aparecida de Almeida



A Borboleta Atíria — uma aventura no jardim

Cena 1 — Um jardim cheio de vida

Narrador:
Era uma vez um jardim onde todo mundo parecia saber exatamente o que fazer. A abelha procurava flores, a formiga trabalhava, a joaninha passeava entre as folhas... Só uma pequena lagarta estava preocupada.

Lagarta:
Todo mundo sabe fazer alguma coisa. E eu? Só sei andar devagarinho e comer folhas!

Formiga:
Devagarinho? Desse jeito você chega amanhã!

Lagarta:
Pois eu chego amanhã. Qual é o problema? 😂

Flor:
Não fique triste. Cada ser da natureza tem seu tempo.

Lagarta:
Mas eu queria descobrir quem vou ser.

Cena 2 — A transformação

A Lagarta começa a preparar seu casulo.

Abelha:
O que você está fazendo?

Lagarta:
Ainda não sei direito. Só sei que chegou a hora de mudar.

Narrador:
E durante algum tempo, o jardim ficou sem aquela pequena lagarta. Até que, certo dia...

Entra Atíria com asas.

Atíria:
Olhem para mim!

Joaninha:
Quem é você?

Atíria:
Sou eu!

Formiga:
A lagarta?!

Atíria:
Agora sou uma borboleta. E meu nome é Atíria!

Aqui pode começar um pequeno trecho de “O Voo da Atíria”, enquanto ela experimenta as asas e as outras crianças fazem uma coreografia.

Cena 3 — Aprendendo a voar

Atíria:
Tenho asas, mas ninguém me explicou como se usa isso!

Vento:
Eu posso ajudar.

Atíria:
Você? Mas você me empurra!

Vento:
Às vezes aquilo que parece nos atrapalhar também pode nos ensinar.

Atíria tenta voar, cai, levanta e tenta novamente.

Atíria:
Voar é mais difícil do que parece!

Joaninha:
Tente outra vez!

Atíria:
Se eu cair?

Flor:
Levanta.

Atíria:
E se eu cair de novo?

Formiga:
Levanta de novo! Até eu sei disso!

Cena 4 — O primeiro voo

Atíria finalmente consegue atravessar o palco.

Atíria:
Eu consegui! Estou voando!


Narrador:
Atíria descobriu naquele dia que crescer não significa deixar de ser quem somos. Significa descobrir capacidades que ainda não conhecíamos.

Atíria:
Eu achava que precisava ser igual aos outros. Mas precisava apenas de tempo para descobrir minhas próprias asas.

Nesse ponto entra “O Voo da Atíria” completa, e todos os personagens podem participar da coreografia.

No encerramento, eu colocaria uma frase coletiva bem simples:

TODOS:
— Cada um tem seu tempo. Cada um tem suas asas. E todo mundo pode aprender a voar!

Peça :A mãe e a menina

autora: Maria Aparecida de Almeida

 CENÁRIO

Uma sala simples. A mãe está sentada com um livro de histórias. A menina se aproxima, curiosa, pronta para ouvir — e, principalmente, para perguntar.

CENA ÚNICA

MENINA: Mamãe, conta uma história para mim?

MÃE: Conto, minha filha. Vou contar a história de Chapeuzinho Vermelho.

MENINA: Chapeuzinho Vermelho?

MÃE: Era uma vez uma menina muito bonita, que usava um capuz vermelho...

MENINA: Com um capacete na cabecinha!

MÃE: Capacete, não, minha filha! Era um capuz vermelho!

MENINA: Vermelho? Não tinha uma cor mais discreta?

MÃE: Era vermelho porque a avó dela tinha feito o capuz para ela.

MENINA: Ah...

MÃE: Um dia, a mãe de Chapeuzinho pediu que ela levasse uma cestinha de doces para a vovó, que morava do outro lado da floresta.

MENINA: Sozinha?

MÃE: Sozinha.

MENINA: Mandar a menina sozinha pra dentro daquela floresta?

MÃE: Era assim a história!

MENINA: E ainda vestida de vermelho? Eu já falei que essa cor chama muita atenção.

MÃE: Minha filha, posso continuar?

MENINA: Pode. Estou só tentando entender.

MÃE: No caminho, Chapeuzinho encontrou o lobo.

MENINA: Mamãe, era um anjo?

MÃE: Um anjo? Claro que não! Era um lobo!

MENINA: Então por que ela ficou conversando com ele? Minha mãe vive dizendo para eu não conversar com estranhos.

MÃE: Chapeuzinho não sabia que ele era mau.

MENINA: Mas ele era um lobo!

MÃE: Foi assim! O lobo perguntou onde ela estava indo, descobriu que a vovó morava no fim da floresta e correu para chegar primeiro.

MENINA: E a menina contou o endereço da avó para um lobo que ela nem conhecia?

MÃE: Contou.

MENINA: Isso está ficando cada vez pior.

MÃE: O lobo chegou à casa da vovó, bateu à porta e entrou.

MENINA: E a vovó abriu a porta sem perguntar quem era?

MÃE: Ela pensou que fosse Chapeuzinho.

MENINA: E depois?

MÃE: Depois... o lobo entrou, e a vovó...

MENINA: A vovó foi comida pelo lobo?

MÃE: Nessa nossa versão, ela estava no armário escondida!

MENINA: No armário?

MÃE: No armário.

MENINA: Ainda bem. Eu já estava achando essa história muito violenta.

MÃE: O lobo vestiu a roupa da vovó e deitou na cama. Quando Chapeuzinho chegou, estranhou a aparência da avó.

MENINA: Também! Um lobo de camisola na cama deve ser bem fácil de reconhecer.

MÃE: Ela perguntou: “Vovó, por que esses olhos tão grandes?”

MENINA: E ele respondeu “É para te ver melhor”. Eu sei essa parte.

MÃE: Depois perguntou pelas orelhas, pelas mãos e pela boca...

MENINA: E aí o lobo pulou da cama!

MÃE: Isso. Mas, bem nessa hora, apareceu um caçador.

MENINA: E o caçador apareceu de onde?

MÃE: Ele estava passando por perto.

MENINA: Justo naquela hora?

MÃE: Justo naquela hora.

MENINA: Que conveniente.

MÃE: O caçador espantou o lobo, Chapeuzinho ficou a salvo e a vovó saiu do armário.

MENINA: Então a vovó estava mesmo no armário?

MÃE: Estava.

MENINA: E ninguém lembrou de chamar a polícia?

MÃE: Naquela época não tinha polícia na floresta da história!

MENINA: Ah...

MÃE: E viveram felizes para sempre. Fim.

MENINA: Fim?

MÃE: Fim!

MENINA: Mas eu ainda tenho uma pergunta...

MÃE: Outra?

MENINA: Tenho.

MÃE: Menina que questiona desse jeito hoje não existe, não!

MENINA: Existe sim, mamãe! Eu estou aqui fazendo a indagação!

Peça: Dona Baratinha e o mistério da Caixinha Dourada

Autora: Maria Aparecida de Almeida




A Dona Baratinha e o Mistério da Caixinha

Peça infantil — adaptação teatral

CENA 1 — A DESCOBERTA

NARRADOR:
Era uma vez uma baratinha muito organizada e charmosa chamada Betina. Ela morava atrás de uma estante cheia de livros antigos. Gostava de ler, cuidar de suas flores de papel e guardar suas moedinhas.

BETINA:
Um livro aqui... uma flor ali... E minhas moedas? Todas organizadinhas!

(Betina encontra uma caixinha.)

BETINA:
Uai! E esta caixinha dourada? Nunca vi isso aqui!

NARRADOR:
Dentro da caixinha havia um bilhete.

BETINA (lendo):
“Quem encontrar esta caixa merece um banquete que dure o ano todo.”

BETINA:
Um banquete? Sozinha? Não! Coisa boa é coisa compartilhada. Só vou abrir esta caixinha quando encontrar alguém especial para dividir comigo.


CENA 2 — OS PRETENDENTES

(Pode entrar aqui um trecho da música “Dona Baratinha”.)

BETINA (cantando/chamando):
Quem quer cear com a Dona Baratinha,
que tem o coração cheio de carinho
e uma caixinha cheia de alegria?

SENHOR BESOURO (entrando apressado):
Boa tarde! Vamos direto ao assunto porque tempo é dinheiro! Negócios, produção, agronegócio...

BETINA:
Mas o senhor gosta de conversar? De olhar o pôr do sol?

BESOURO:
Pôr do sol? Isso dá lucro?

BETINA:
Ai, ai... Acho que não vai dar certo.

(Besouro sai. Entra o Gafanhoto com um violão.)

GAFANHOTO:
Betina! Cheguei! Quer ouvir minha música? E depois eu conto das minhas viagens, das minhas aventuras, das minhas músicas, das minhas...

BETINA:
E você quer saber alguma coisa sobre mim?

GAFANHOTO:
Sobre você? Depois! Primeiro deixa eu contar mais uma coisa sobre mim!

BETINA:
A música é bonita, mas também é preciso saber ouvir.

(Gafanhoto sai.)


CENA 3 — O RATO DA BIBLIOTECA

(Entra o Rato com um livro.)

RATO:
Boa tarde, Betina.

BETINA:
Boa tarde! E esse livro?

RATO:
Um livro de fábulas. Estava lendo os irmãos Grimm.

BETINA:
Você gosta de livros?

RATO:
Muito. Gosto também de poesia, de conversar e de tomar café quentinho quando está chovendo.

BETINA:
Finalmente alguém que não está com pressa!

RATO:
As melhores histórias precisam de tempo.




CENA 4 — O MISTÉRIO DA CAIXINHA

NARRADOR:
Betina percebeu que havia encontrado algo muito mais importante que um pretendente.

BETINA:
Sabe de uma coisa? Não precisamos de casamento nem de festa barulhenta.

RATO:
E do que precisamos?

BETINA:
De amizade. Vamos fazer um pacto?

RATO:
Que pacto?

BETINA:
Todo final de tarde abriremos a caixinha e procuraremos um novo motivo para sorrir.

(Abrem a caixa.)

RATO:
Olha! Uma flor seca!

BETINA:
E uma página de livro!

RATO:
E uma sementinha!

BETINA:
Agora descobri o verdadeiro mistério da caixinha.

NARRADOR:
E Betina compreendeu que o banquete da vida não é feito de coisas caras, mas do tempo compartilhado com quem sabe dar valor às pequenas histórias.

TODOS:
E há coisas pequenas que têm um valor enorme!

(Música “Dona Baratinha” para o encerramento.)

Peça: Fábulas recitadas e cantadas

Alunos: “Sinhá Olimpia quem é Você?
                            Sinhá Olivia quem é você?
                            Conte para gente saber.
                            Conte pra gente saber “
      Sinhá Olivia: Não sou daqui, eu vim de lá
                             Não sou daqui eu vim de lá
                               Só para histórias contar
                               Sá para histórias contar
                 
                        
    Sinhá Olimpia:A raposa e as uvas
          Com as pernas já cansadas
          E a barriga tão vazia
          A Raposa viu uns cachos
         E deu pulos de alegria 
         Tentava apanhar as uvas
         Mas cansava-se em vão
         E a alegria que tivera
          Tornou-se desilusão
          Enganando-se a si mesma
          Por não conseguir tê-las
          Disse então que eram verdes
          Só cães podiam comê- lãs.
          Mas quando ao ir-se embora,
          Ouviu um leve ruído
          Voltou-se com a esperança
          De ter caído um cacho.
Alunos: “ Sinhá Olimpia  quem é você...


Sinhá Olimpia: A cigarra e a formiga
          Durante todo o verão
          Que bem cantou a cigarra
          De dia estava na praia
          À noite, ia para farra
          Ficou no campo a formiga
          Pensando no seu celeiro
          O esforço do seu trabalho
          Rendeu-lhe um bom dinheiro.
         O inverno só trouxe frio e nada para comer
          À porta do formigueiro foi a cigarra bater
          Durante todo verão
          Cantei pra te alegrar
          Dá- me um pouco de comida.
          Pra eu poder jantar
          Enquanto te divertias
          Eu estava a trabalhar
          Cantavas todos os dias
          Agora vai lá dançar.
Alunos: Sinhá Olimpia quem é você...


Sinhá Olimpia: O pavão
          Lamentava-se o pavão
          De não cantar nada bem
          De não ter voz bonita
          Que o rouxinol sempre tem
          Não reclames disse Deus
          Pavãozinho despeitado
          Não vez que pelas tuas cores
          És famoso em todo lado.
          Cada um tem seu encanto
          A águia tem a coragem
          O melro tem o seu canto
          O pavão rica plumagem
          A ave compreendeu
         Não se podia queixar
          Ninguém é perfeito em tudo
         Em tudo há que se alegrar.
Alunos: Sinhá Olimpia quem é você...


Sinhá Olímpia: O corvo e a Raposa
          No ramo de um arbusto
          O corvo mostrava um queijo
          A raposa aproximou-se
          Atraída pelo desejo
          Muita esperta, a raposa
          Passou a elogiar o corvo
          As suas penas e o canto
          E até a forma de andar.
          Cego pelo seu orgulho
          O corvo pôs-se a cantar
          O queijo caiu do bico
          E a raposa foi parar.
Alunos: Sinhá Olímpia quem é você...
Sinhá Olivia: O leão , o rei da selva
          O leão, o rei da selva perdeu as forças e poder
          Tornou-se apenas um velho
          Preparado pra morrer
          Os burros davam-lhe coice
          E os lobos dentadas
          Gazelas faziam troça
          E os bois davam chifradas
          Mal conseguia rugir
          O cansado rei leão
          Chegara a hora de os fracos
          Lhe poderem dizer não.
Sinhá Olimpia: agora para terminar um conto vou- lhes contar.


          Chapeuzinho Vermelho
          Um dia o senhor lobo que andava a passear
          Avistou a Chapeuzinho e foi logo perguntar:
         -Aonde vais, ó menina com essa linda cestinha?
         -Vou levar bolo e mel à minha avozinha.
          Mais depressa foi o lobo à casa da vovozinha
          Enquanto ia praticando falar com voz de netinha.
          Alguém bate a porta
          Quem está a bater?
          É a tua querida netinha
          -Ai meu Deus é o lobo mau.
          Não te como avozinha.
          Que grande são os teus olhos!
          -São para te observar.
-Que grande é o teu nariz !
          -É para te cheirar.
          -Que grandes são tuas mãos!
          - São para te tocar.
          -Que grande é a tua boca!
          É pra melhor te beijar.
Sinhá Olivia: Estas histórias meninos vocês podem encontrar na biblioteca do NEEC , é só ir lá pra
Procurar.Um beijo pra vocês todos, eu agora vou deixar.
Sai Cantando: “ Entrou por uma porta saiu pela outra, quem quiser que conte outra...”

( Poesias de Antônio José Ferreira- adaptação das fábulas La Fontaine.Peça de Maria Aparecida de Almeida.)

. O Teatro das Emoções: Ética, Individualidade e Acolhimento



O palco é o lugar onde a criança ensaia a vida. Nas obras de Maria Clara Machado, o repertório ético é construído através de conflitos de identidade. Em "A Bruxinha que Era Boa", a protagonista Ângela enfrenta a pressão da Bruxa Sua Ruindade na "Torre de Piche". A "bondade natural" de Ângela é evidenciada em seus "erros" de feitiçaria: ela prefere usar "suco de violeta" e "água de rosas" em vez de ingredientes sombrios, e em seu teste de bruxaria, afirma ingenuamente que "Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil", para o horror das outras bruxas.

Essa resistência à maldade imposta ajuda a criança a reconhecer sua própria essência diante das pressões sociais. Da mesma forma, em "Pluft, o Fantasminha", o medo é desmistificado através do encontro com Maribel. A frase "A amizade traz a liberdade" sintetiza o poder do teatro em combater o autoritarismo e promover a coragem. Ao ver Pluft admitindo que "tem medo de gente", a criança entende que a vulnerabilidade é universal e que o acolhimento do outro é o que nos liberta.

Sugestão de sequência didática

Leitura da peça → conversa sobre a história → escolha dos personagens → leitura dramatizada → ensaios → criação de cenário e figurinos → inclusão da música → apresentação → roda de conversa após a apresentação.

Tecnologia e Presença: "Televisão não é Babá"



Em tempos de algoritmos, o teatro de presença surge como um antídoto vital à passividade digital. A canção e poema "Televisão não é Babá" é um alerta necessário: a tela, embora possa educar com fantasia, muitas vezes incentiva o consumo inconsciente e a violência. A criança, por sua natureza, "quer presença, quer alguém que esteja perto para ouvir sua opinião". A ludicidade da imaginação no palco exige o olhar do outro, o toque e a interação que nenhum dispositivo substitui.

Diretrizes para o Uso Consciente de Telas e Fomento da Presença:

  1. Mediação Ativa e Diálogo: Não utilize a tela como silenciador. Assista com a criança e pergunte: "O que você entendeu desta história?".
  2. Equilíbrio entre Tela e Tablado: Garanta tempo para "correr, sorrir e brincar". O lazer físico é a base da saúde emocional.
  3. Transição do Consumo para a Criação: Incentive a criança a recontar o que viu, transformando o espectador passivo em um narrador ativo de suas próprias impressões.

Alinhamento com a BNCC: Das Fábulas à Prática Teatral

Para o especialista, as atividades artísticas devem ter rigor metodológico. O projeto "Fábulas Recitadas e Cantadas", mediado pela figura de Sinhá Olívia — aquela que "veio de lá só para histórias contar" — ilustra perfeitamente esse alinhamento. É importante notar que, embora os códigos da BNCC citados (como EF69LP44 e EF67LP28) pertençam formalmente aos Anos Finais, eles são aplicados aqui como uma "ponte fundante". Na fase de alfabetização, essas competências de análise de sentido e fruição literária preparam o terreno cognitivo para os ciclos posteriores.

  • EF69LP44 (Análise de Sentido): Utilizar a fábula O Pavão para discutir por que a ave deve se alegrar com suas cores em vez de invejar o canto do rouxinol. Atividade: Roda de conversa sobre talentos individuais.
  • EF69LP46 (Fruição Literária): Através da fábula A Cigarra e a Formiga, refletir sobre o equilíbrio entre o "cantar" e o "trabalhar". Atividade: Dramatização do encontro na porta do formigueiro.
  • EF67LP28 (Gêneros Narrativos): Identificar a "moral da história" e a personificação de animais. Atividade: Completar lacunas sobre as características dos personagens.
  • EF89LP32 (Produção Oral): Planejamento de fala em grupo. Atividade: Criar uma versão da Raposa e as Uvas onde a raposa usa um celular para tentar alcançar os cachos.
  • EF69AR24 (Práticas de Teatro): Experimentação de processos criativos. Atividade: Confecção de máscaras para a fábula do Corvo e a Raposa, focando na expressividade corporal.

Esse alinhamento transforma a "hora da história" em um componente curricular robusto, onde a avaliação considera a expressividade e a compreensão de valores sociais.

Encerramento

O palco da alfabetização revela que o verdadeiro "banquete da vida" é feito de conexões verdadeiras e da coragem de ser quem somos. Seja através da baratinha Betinha, que busca alguém para compartilhar carinho, ou da borboleta Atíria, que mesmo com suas "asas da vida" que não voam alto, tem a coragem de desvendar segredos com o coração, o objetivo final é o protagonismo da criança.

Educador, não tenha medo de galopar para o horizonte da imaginação, como o Cavalinho Azul, levando seus alunos a descobrir que a alma sempre é boa quando o riso é um laço profundo. O teatro e a música autoral são os sopros de cor que dão vida ao currículo.

O pano desce no tablado, mas a aprendizagem continua viva em cada aluno.

Na escola, uma história não precisa terminar quando chegamos ao ponto final. Ela pode ganhar voz, movimento, música e palco — e continuar sendo escrita pelas próprias crianças.

Assinatura

Histórias , aprendizagens e ideias para educar

Maria Aparecida de Almeida


Desenhos animados, livrinhos digitais. revistas digitais e peças infantis: 14 anos de histórias ganhando vida

  Introdução O blog Histórias, aprendizagens e ideias para educar completa 14 anos de caminhada, e esta segunda série da homenagem celebra ...