quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As férias do carroceiro



Era uma vez, um carraceiro(*)
Que precisava de passear,
Recomendou-lhe o senhor doutor
Depois de um grande susto o carraceiro apanhar.

Deu voltas e mais voltas,
Não sabia como fazer.
Dinheiro não tinha, 
Como iria ele espairecer?

Logo encontrou uma vaca
Que se prontificou a ajudá-lo, e que lhe disse:
"Levo-te a passear, mas vai-te sair bem caro!"

Como não tinha soluções, o carraceiro começou a chorar.
 "Pobre coitado que eu sou. Ninguém me pode ajudar! Preciso de umas férias para me curar."

Ouvindo estes lamentos,
A vaca ficou a pensar,
Sugeriu-lhe um trabalho 
Na troca de o passear.


"Que trabalho será esse?"
Pensou o carraceiro,
"Que me fará ir de férias 
Sem ter que largar dinheiro!"

"Vou-te explicar devagar
O trabalho que terás que fazer.
Memoriza-o depressa,
Pois não há tempo a perder."

"Subirás para cima de mim
O meu lombo terás que limpar.
Comerás todos os bichinhos
Que me andam a incomodar."

Ouvindo a sugestão da vaca
O carraceiro bateu asas de alegria. 
"Cá vou eu de férias!
Adeus amigos! Até qualquer dia."




Lá foram numa aventura
Por esses campos fora.
Cantaram, riram e bailaram
Até ao romper da aurora.

Visitaram montes, vales,
Serras, rios e ribeiras.
Amigos novos fizeram;
Passaram outras fronteiras.

Chegado o fim do passeio
Ficaram grandes amigos.
Curado ficou o carraceiro
À boleia de outros herbívoros.

Tal não foi o remédio
Que nunca mais largou.
Ainda hoje se vê pelos campos
A receita que o senhor doutor passou.





SOBRE O TEXTO

ESCRITO POR:    Rosa Rodrigues (Autor Convidado)
REVISÃO LINGUÍSTICA:    Jorge Rodrigues
ILUSTRAÇÕES:     Rosa Rodrigues
IMAGENS:      Pedro Salgado
APLICADO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

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NOTAS IMPORTANTES
(*) Carraceiro corresponde à designação popular - não conhecida no dicionário da Língua Portuguesa -  para  Garça - Boieira. O Sentir as Letras ponderou a sua utilização. 

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