Era uma vez, um carraceiro(*)Que precisava de passear,
Recomendou-lhe o senhor doutor
Depois de um grande susto o carraceiro apanhar.
Deu voltas e mais voltas,
Não sabia como fazer.
Dinheiro não tinha,
Como iria ele espairecer?
Logo encontrou uma vaca
Que se prontificou a ajudá-lo, e que lhe disse:
"Levo-te a passear, mas vai-te sair bem caro!"
Como não tinha soluções, o carraceiro começou a chorar.
"Pobre coitado que eu sou. Ninguém me pode ajudar! Preciso de umas férias para me curar."
Ouvindo estes lamentos,
A vaca ficou a pensar,
Sugeriu-lhe um trabalho
Na troca de o passear.
Pensou o carraceiro,
"Que me fará ir de férias
Sem ter que largar dinheiro!"
"Vou-te explicar devagar
O trabalho que terás que fazer.
Memoriza-o depressa,
Pois não há tempo a perder."
"Subirás para cima de mim
O meu lombo terás que limpar.
Comerás todos os bichinhos
Que me andam a incomodar."
Ouvindo a sugestão da vaca
O carraceiro bateu asas de alegria.
"Cá vou eu de férias!
Adeus amigos! Até qualquer dia."
Por esses campos fora.
Cantaram, riram e bailaram
Até ao romper da aurora.
Visitaram montes, vales,
Serras, rios e ribeiras.
Amigos novos fizeram;
Passaram outras fronteiras.
Chegado o fim do passeio
Ficaram grandes amigos.
Curado ficou o carraceiro
À boleia de outros herbívoros.
Tal não foi o remédio
Que nunca mais largou.
Ainda hoje se vê pelos campos
A receita que o senhor doutor passou.
SOBRE O TEXTO
ESCRITO POR: Rosa Rodrigues (Autor Convidado)
REVISÃO LINGUÍSTICA: Jorge Rodrigues
ILUSTRAÇÕES: Rosa Rodrigues
IMAGENS: Pedro Salgado
APLICADO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
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NOTAS IMPORTANTES(*) Carraceiro corresponde à designação popular - não conhecida no dicionário da Língua Portuguesa - para Garça - Boieira. O Sentir as Letras ponderou a sua utilização.



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