segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Uma verdadeira história:Tobias- 2ª parte



































       Uma verdadeira história: Tobias-2ª parte

          Um dia, depois de ter passado a noite inteira
a sepultar os mortos, voltava para casa , quando se
recostou num muro para descansar.Ali adormeceu.
Durante o sono, ficou cego. 
          Impossibilitado de trabalhar, vivia Tobias
agora sustentado por sua mulher, que tecia linho
para manter o lar.
          Neste mísero estado,continuou Tobias sem-
pre fiel ao senhor.
          Um dia chamou seu filho que também se
chamava Tobias e disse-lhe:
           -Emprestei há muito tempo dez moedas de
prata a Gabel que mora na Média,bem longe daqui.
Eis o documento.Apresente-lho e diga-lhe que esta-
mos na maior miséria, e, se puder, envie-me o di -
nheiro.O caminho é áspero e longo.Procure um 
amigo fiel que o possa guiar.
          O moço Tobias saiu logo à procura de al -
guém e encontrou outro moço, pronto para partir
para aquelas paragens.
          Tobias ignorava que o jovem era um anjo 
do senhor, que se disfarçava para lhe servir de 
companhia, e perguntou-lhe:
          -Conhece o caminho que conduz à Média?
          -Oh!E muito!Conheço bem o caminho de que
fala e conheço também Gabel, pois já morei na casa
dele.
          Tobias recebeu a bênção de seus pais, partiu
com o anjo e andaram , andaram muito.
          Com os pés doloridos e inchados de tanto an-
dar, Tobias parou à beira do Rio Tigre e mergulhou
os pés nas águas frias, mas um peixe monstruoso  o
atacou. 
          -Segure-o pelas guelras e puxe-os para a mar-
gem do rio.
          -Abra-o e tire-lhe o fel, é ótimo remédio- re-
comendou-lhe, outra vez, o companheiro.
          Os dois fizeram juntos o trabalho, e tendo
guardado com cuidado o fel, continuou a viagem.

          

          Chegando a uma cidade, o anjo disse a To-
bias:
          -Aqui mora um parente seu, que tem uma
filha formosa e boa, que se chama Sara.Peça-lhe
em casamento a seus pais.
          Tobias fez o que o anjo lhe aconselhara.
          Foi recebido com alegria em casa de seu pa-
rente, que lhe deu hospedagem por muitos dias e
também lhe deu a filha em casamento.
          Enquanto se celebravam as festas de núpcias,
o anjo continuou sozinho a viagem e recebeu o di-
nheiro de Gabel.
          Prolongando-se a ausência de Tobias, por causa do casamento, seus pais se inquietaram.
          Muitas vezes ao dia, sua mãe subia ao alto de
um monte e alongava os olhos pelos caminhos dis -
tantes, para ver se o descobria.
          Finalmente um dia, avistou-o bem longe e 
correu a dar a notícia a seu marido.
          O cão do velho casal compreendeu a alegria
de sua dona, e foi à sua frente, como se quisesse dar
ao pai a boa nova da vinda do filho.
          Sacudia a cauda em sinal da alegria, latindo
de satisfação.
          Por sua vez, o pai também compreendeu a alegria do cão.Levantou-se e foi levado à mão por
um menino ao encontro do filho.
          Abraçaram-se, chorando de alegria.
          Ao entrar em casa, deram graças a Deus pelo
retorno de Tobias e pelos benefícios recebidos na
viagem.
          Só depois disso, Tobias tirou o fel do peixe
e passou-o nos olhos de seu pai, que recobrou a vis-
ta no mesmo instante.
          Após sete dias, chegou Sara com sua comiti-
va.Vários camelos carregavam seus ricos presentes.
          O anjo, nessa hora, dando-se a conhecer,dis-
se-lhe;


          -Louve a Deus do céu e da terra e agradeça-
lhe a bondade que Ele usou para com você.Quando
seu pai sepultava os mortos e pedia com lágrimas a
proteção de Deus, era eu quem apresentava suas
orações ao Senhor.O Senhor mandou-me aqui para
acudir ao velho Tobias , que nunca deixou de acu-
dir aos outros.Eu sou o anjo Rafael, um dos sete anjos que cercam o Senhor.
          Ficaram todos assustados, ouvindo tais pala-
vras.
          Trêmulos, cairam com os rostos no chão.
          E o anjo disse:
          -A paz seja com vocês.Não tenham medo.
          Dito isto, o anjo desapareceu.Então todos,
prostrados no chão, bendizeram o Senhor.
          Tobias viveu ainda muitos anos santamente e,
assim, viveram seu filho Tobias, sua nora e todos os de sua geração.

    

sábado, 28 de dezembro de 2013

Uma história verdadeira:Tobias-1ª parte



    Uma história verdadeira: Tobias
               1ª parte


          Há muitos, muitos anos, antes de nascer Je-
sus, havia em Israel um rei ímpio.Deus avisara-o
várias vezes através de seus profetas, de que havia
de castigá-lo, mas em vão.
          Tantas praticou que um rei vizinho, da As-
síria, invadiu seu reino, levando-o e a todo seu po-
vo como escravos.Na Assíria. os homens de Israel
sofreram a mais dura escravidão.Não tinham mui-
to, eram castigados constantemente e assassinados
por qualquer motivo.Seus corpos eram lançados 
nos campos desertos e devorados pelos urubus.
Ninguém podia dar-lhes sepulturas, sob pena de castigos cruéis.
          Foi nas piores horas desse cativeiro que apa-
receu um homem bom.Chamava-se Tobias.Fora educado na devoção de Deus e, desde menino,mui-
to querido de todos, pela sua muita bondade. Con-
solava os aflitos, vestia os esfarrapados, dava pão
aos famintos, sepultava os mortos.
          Estivesse onde estivesse, deixava o que esta-
va fazendo, mal soubesse que havia um companhei-
ro morto.Levava-o para a sua casa e aproveitava a
noite para enterrá-lo.Sabendo disso,o rei  dos as-
sírios tratou de  castigá-lo, espoliou-o de todos os
seus bens e mandou prendê-lo.Tobias conseguiu
fugir, mas não tardou que o rei assírio fosse morto.
Tobias voltou, então , à sua tarefa de ajudar seus 
compatriotas aflitos.

domingo, 22 de dezembro de 2013

As teias de ouro-Texto com atividades



           As Teias de Ouro

          Era véspera de Natal.Uma linda árvore fora
colocada bem no centro da sala de visitas de uma 
casa.Estava lindamente enfeitada com bolas de vi-
dro coloridas , grandes e pequenas.Uma estrela pra-
teada brilhava bem no alto. Lâmpadas iluminavam
a árvore e ricos presentes pendiam de seus ramos.
          A sala onde fora arrumada estava bem fecha-
da para que as crianças não vissem as belas surpre-
sas até que chegassem a hora aprazada. Nenhuma
delas sabia que ali estava a mais bela árvore de 
Natal.
          O gatinho cinzento viu quando os presentes
foram colocados nos galhos.O cachorro da casa sa-
bia de tudo e seus olhos marrons brilhavam impa -
cientes. O canário, na gaiola, também viu quando
arrumaram a árvore, mas tudo que ele podia fazer
era apenas cantar.
          Havia alguém mais que não tinha visto a bela
árvore.Era a aranha cinzenta que morava na des-
pensa .Bem que ela desejava entrar na sala, mas a
dona da casa tinha varrido e espanado tudo tão bem, que ela não teve jeito de esconder lá dentro.
          Afinal, a aranha foi falar com o Menino Je-
sus.
          -Todos os meus companheiros podem ver a
árvore de Natal, querido Menino, mas nossas teias
foram tiradas de lá e assim nos enxotaram.Gosta-
mos, nós também, de ver coisas lindas, meu Jesus.
          O menino Jesus condoeu-se da aranha.
          -Você também verá a árvore.
          No dia seguinte, bem cedo, antes que abris-
sem a porta para as crianças entrarem, todas as ara- 
nhas que estavam na despensa vieram, devagarinho,
subindo pela parede e penetraram na sala, passando
através da greta da porta.
          Lá no centro, brilhava a árvore de Natal!
Olhava e admiraram toda aquela beleza!A mãe ara-
nha, o pai, toda a família começou a subir pelos ra-
mos acima e depois voltaram felizes para o lugar
donde vieram.
          O Menino Jesus olhou ao redor para ver se 
não faltava mais nada na árvore, antes que as crian-
ças entrassem.E...viu-a toda coberta por fios cinti -
lantes de teias de aranha.Os fios tênues e belos des-
ciam, de alto a baixo, cobrindo e enfeitando, ainda
mais, os ramos da maravilhosa árvore.
          É por isso que as árvores de Natal têm fios 
dourados nos seus galhos.
(Adaptação-Extraída do livro "O grão de mostarda")

Atividades relacionadas para o texto


1- Assinale com um X as respostas certas
a) A sala ficou fechada porque:
(  )havia muitos presentes
(  )as crianças não deveriam ver a árvore.
(  )alguém poderia estragá-la.

b)Qual dos fatos abaixo prova que a aranha não ti-
nha visto a bela árvore?
(  ) Ela morava na despensa.
(  ) A dona da casa havia varrido tudo.
(  ) A porta estava trancada.
(  ) Ela não desejava ver a árvore.

c) O Menino Jesus afirmou à aranha:
 Você também verá a árvore, porque:
(  ) gostava dela.
(  ) sabia o que fazer.
(  ) ia  abrir a porta.

d)A conclusão: "É por isso que as árvores de Natal
têm fios dourados nos seus galhos" mostra que:
(  ) a história é uma lenda
(  ) a história é verdadeira.
(  ) a história é um milagre.

e) Qual dos títulos seguintes pode substituir o título
original?
a) (  ) A noite santa
b) (  ) O milagre
c) (  ) A alegria da D.Aranha

2- Responda as questões abaixo:
a) O que você entende pela expressão:"Os fios já por si belo, mais belos ficaram?


b)O autor dá para os fios da teia a qualidade de" tê-
nues".O que quer dizer esta qualidade e quais ou -
tras qualidades a teia de aranha pode ter?

c)Por que razão uma linda árvore foi colocada na sala?

d) Qual foi o meio que as aranhas usaram para che-
gar até a sala?

3- Numere de acordo:
(1) O gatinho cinzento    (  ) sabia de tudo.
(2) O Cachorrinho          (  ) Viu a arrumar a árvore
(3) O canário          (  ) assistiu colocar os presentes.
(4) Beleza da árvore ( ) Os fios das teias enfeitam.
(5) Alegria das aranhas  (  )A árvore brilhava, com 
                                       toda sua beleza .
(6) Novo aspecto da árvore  (  ) A família viu a ár-
                                            vore e sentiu feliz.



domingo, 15 de dezembro de 2013

A história das quatro velas

A história das quatro velas

Quatro velas estavam queimando calmamente.
O ambiente estava tão silencioso que podia-se ouvir o diálogo que travavam.
A primeira disse :
— Eu sou a Paz ! Apesar de minha luz as pessoas não conseguem manter-me, acho que vou apagar.
E diminuindo devagarzinho, apagou totalmente.
A segunda disse :
— Eu me chamo Fé ! Infelizmente sou muito supérflua.
As pessoas não querem saber de Deus.
Não faz sentido continuar queimando.
Ao terminar sua fala, um vento levemente bateu sobre ela, e esta se apagou.
Baixinho e triste a terceira vela se manifestou :
— Eu sou o Amor ! Não tenho mais forças para queimar.
As pessoas me deixam de lado, só conseguem se enxergar, esquecem-se até daqueles à sua volta que lhes amam.
E sem esperar apagou-se.
— Que é isto ? Vocês deviam queimar e ficar acesas até o fim.
Dizendo isso começou a chorar.
Então a quarta vela falou :
— Não tenhas medo criança, enquanto eu queimar podemos acender as outras velas, eu sou a Esperança !
A criança com os olhos brilhantes pegou a vela que restava e acendeu todas as outras. "Que a vela da esperança nunca se apague dentro de nós ..."
Colaboração: Renato Antunes Oliveira

domingo, 8 de dezembro de 2013

Um sábio :Osvaldo Cruz- Capítulo III- Final









































           Um sábio- Osvaldo Cruz- Capítulo III

          Osvaldo Cruz reuniu em Manguinhos alguns
brasileiros inteligentes e trabalhadores e começou
a prepará - los para acabar com outras doenças de
uma vez.
           Um belo dia, Rodrigues Alves foi eleito pre-
sidente do Brasil.
           Assim que foi eleito , escolheu um grupo de
brasileiros trabalhadores e capazes e, entre outros
problemas, resolveu fazer o saneamento do Rio de
Janeiro.
          Faltava um médico que se incumbisse da par-
te sanitária.Procurou que procura, acabou por achar
Osvaldo Cruz e confiou- lhe a grande tarefa.
          -Presidente- disse-lhe Osvaldo Cruz, a luta
vai ser tremenda.Teremos de contrariar os médicos,
os negociantes, os ignorantes, o malévolos,os como-
distas, e os seus inimigos políticos não perderão a oportunidade para agredi- lo.
          -Não faz mal, Doutor Osvaldo Cruz, disse-lhe o presidente.Realize o seu plano meta a cara
e não olhe para as consequências.Para isso é que
foi feito o governo.
           Osvaldo Cruz estava convencido de que a 
transmissão da febre amarela era feita por mosqui-
tos e tratou de acabar com eles.Sabia que a peste
bubônica era transmitida pelos ratos e tratou de
extingui-los.Criou um verbo novo da nossa língua:
desratizar.
          A campanha que se levantou contra ele foi
violentíssima.
          Injuriaram-no, ridicularizaram-no , insulta-
ram-no de todos os modos.
          Chegou a provocar uma revolução em que correu sangue, porque conseguiu uma lei que tor-
nava obrigatória a vacina contra varíola. 
          Dentre em pouco, porém, vencia.
          O Brasil libetara-se para sempre da  febre
amarela, vira reduzido extraordinariamente o im-
paludismo no Rio de Janeiro, passara a viver sem 
o terror da varíola e da peste bubônica.
          Osvaldo Cruz, cumprira o seu juramento de
criança.
          Lembram-se do Lombardia, que veio com 
trezentos e quarenta e voltou com cento e seis?
          Pois bem.
          Estando nos Estados Unidos e indo visitar
o Presidente da República em companhia de nos-
so embaixador Joaquim Nabuco , o Presidente 
Teodora Roosevelt revelou-lhes o receio de que
a esquadra norte-americana, em viagem para o
Pacífico , aportasse, em pleno verão, no Rio de
Janeiro.
          -Pode ficar descansado. Presidente. Garan-
to que os seus marinheiros não apanharão febre no
Brasil.
          O Presidente confiou naquele homem jovem e forte.
          A esquadra veio ao Brasil, com dezoito mil
homens, e não ocorreu um único caso de febre.
          Por causa dessa bela vida, que tanto bem trouxe ao nosso país e de tantos males o poupou,
nós podemos hoje contar uma bela história:"Era
uma vez  um país muito belo e rico, ao qual todos
tinham muito medo de ir, por causa de suas doen-
ças mortíferas, mas um bom memino que veio a 
ser um homem bom lutou de tal maneira que hoje
os povos o procuram, sem medo daquelas doenças.

(Extraído do Livro: As mais belas histórias- pág.132 -138, ed.137)

   
   

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um sábio: Osvaldo Cruz- Capítulo II



          Um sábio: Osvaldo Cruz

              Capítulo II

          Pensem vocês que aquele juramento era uma
brincadeira de criança?
          Pois não pensem assim : crianças também tem
e palavra e Osvaldo Cruz sempre a teve.
          Terminou o seu curso secundário , entrou na Faculdade de Medicina, procurou especializar-se
no estudo dos micróbios, e , logo que pode, partiu
para Paris.
           Em Paris, em vez de passear, aperfeiçoou-se
no instituto Pasteur, salientando- se de tal modo pe-
lo seu esforço e pela sua inteligência, adquirindo
um excelente nome entre os técnicos.
          Depois de aprender tudo que queria, voltou
ao Brasil, para cumprir a sua promessa.
          Osvaldo Cruz chegou ao Brasil,mas ninguém
lhe deu importância.Era modesto. discreto, despre-
tencioso.Escondia os seus imensos merecimentos.
          Continuou a exercer a sua profissão, estudan-
do sempre, quando surgiu em Santos uma epidemia
de peste bubônica.
          O remédio para a peste era um certo soro e
não havia no Brasil quem o fabricasse.
          Que fez o nosso governo?
          Pediu ao Instituto Pasteur de Paris que nos 
enviasse técnicos para fabricar o soro, porque a epi-
demia se alastrava medonhamente.
          O Dr. Roux,diretor do Instituto, grande sá-
bio , respondeu logo:
          -Vocês tem aí o Osvaldo Cruz, que sabe, tão
bem como nós, fazer estas coisas.Aproveitem esse
moço.Não tenho no meu Instituto ninguém mais
capaz do que ele.
          Então o nosso governo chamou Osvaldo Cruz, que venceu a peste, fazendo o soro. Den-
tro em pouco, o nosso governo confiou-lhe a di-
reção de um Instituto que veio a ser nosso Man-
guinhos.

   

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um sábio :Osvaldo Cruz-Capítulo I



              Um sábio: Osvaldo Cruz
               
                    Capítulo I

          Era um vez um país muito belo e muito rico,
mas ao qual todos tinham muito medo de ir.
          Sabem vocês que país é esse?
          Vocês o conhecem muito:o nosso Brasil.
          E sabem por que os homens de outras terras 
tinham muito medo de vir ao Brasil?
          Por causa das doença, e , sobretudo, por cau-
sa febre amarela.
          -Ir ao Rio de Janeiro é um suicídio, diziam os
estrangeiros.
          Não só os estrangeiros.
          Também os brasileiros do interior , até os mais corajosos. tinham receio de ir à ex- capital do
país, porque boa parte dos que iam não voltavam:
ficavam enterrados lá.
          Para vocês calcularem o que era a nossa ex-
capital, basta lembrar que um navio de guerra ita-
liano, o Lombardia, aportou em nossas costas com
340 pessoas e saiu 106...
          Também, quando os nossos iam a qualquer
país estrangeiro, não podiam aportar sem rigoro-
sa e demorada quarentena.Eram obrigados a espe-
rar muito tempo. isolados, sem contato com a ter-
ra , até que as autoridades os  examinassem bem, para verificar se não traziam casos de febre.
          Um dia, um certo médico contava a seus fi-
lhos todas essas desgraças e acabava dizendo:
          -É uma vergonha para nós! Mas que fazer?
Todos trabalham para combater essas doenças, mas
não se acertou ainda com o remédio.Pobre Brasil!
          Um dos seus filhos foi para o seu quarto e
disse:
          -Vou acabar com essas doenças que estão acabando com o Brasil.Vou estudar bastante.Você,
febre amarela, você, peste bubônica, você varíola,
você impaludismo, hão - de ver o que vale o estu-
do.É eu ficar homem e acabar com vocês!Juro que hei-de afastá-las de minha pátria.
          Esse menino chamava-se Osvaldo Cruz.

domingo, 24 de novembro de 2013

O coelho, o hortelão e a raposa

                O Coelho, o hortelão e a Raposa

          O coelho gostava muito das couves da horta de seu vizinho.
          Todos os dias ia lá e comia até fartar-se.
          Um dia, o hortelão chegou armou um laço 
pendurado num pau.
          O ladrãozinho caiu e ficou preso.
          O hortelão chegou , viu o coelho e disse:
          - Então,era você que comia as minhas couves,
seu malandro? Espere aí , eu já volto.
           O hortelão foi ao mato e cortou um pau bem
fininho.
          Nisto,a raposa passou e perguntou ao coelho:
          -Que está você fazendo dependurado aí?
          O coelho não respondeu e , fingindo-se mui-
to alegre , começou a balançar-se de um lado para
o outro, como se estivesse gangorrando.
          -Ah!- disse o coelho- cada minuto que fico
aqui, ganho um cruzeiro.
          -Deveras?- perguntou a raposa.
          -Deveras? Eu estou aqui espantando os par-
dais, não vê?Eu me balanço de um lado para o ou-
tro e eles nem chegam perto.Mas eu ganho dinhei-
ro noutras coisas também.Tenho outros negócios.
Se a senhora quiser , pode ficar no meu lugar, co -
madre raposa, e foi- se embora.
          A raposa, muito ambiciosa , aceitou logo a
proposta e tirou o laço da cabeça do coelho.O coe-
lho, espertíssimo , mais que depressa, meteu o laço
na cabeça da raposa, e foi- se embora.
          A raposa , na mesma hora, pôs- se a balançar
de um lado para o outro, do mesmo jeito que vira o
coelho fazer.
          Logo chegou o hortelão com o pau.
          Olhou espantado para a raposa e disse:
          -Cruz! Credo!nunca vi coelho virar raposa.
          Mas, assim  mesmo, o hortelão deu uma sova
na raposa até que o pau se quebrou.Depois, voltou
para o mato, para buscar outro pau.
          A raposa aí lembrou-se de que tempos atrás havia judiado do coelho e que, decerto, ele se vin -
gara agora de suas maldades, e começou a gritar:
          - Pelo amor de Deus, sr, coelho! Eu estou
muito arrependida e peço perdão de todas as ruin-
dades que lhe fiz! Tire- me daqui! Tire- me daqui!
          O coelho tinha bom coração, isto tinha, e 
perdoou à raposa.
          Foi lá e desamarrou o laço.
          Dali a pouco o hortelão voltou com outro pau , bem mais grosso do que o primeiro, mas não
encontrou nem sinal da raposa.
          E o hortelão disse:
          - Cruz! Credo! Agora, nem coelho , nem ra -
posa!


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos ciclopes-Final



          Quando a aurora anunciou aos animais a hora
de sairem para o pasto, Polifemo arredou um pouco
a pedra, de sorte que pudesse sair só um animal de
cada vez.Sentou- se na abertura e apalpava cada
animal para impedir que saíssem Ulisses e seus companheiros.Apanharam alguns carneirinhos e ca-
britos bem tenros e desceram em disparada pela ve-
reda que conduzia ao mar.Tomaram o navio, levan-
taram as âncoras e partiram.


          Polifemo percebera o ruído dos passos ligei-
ros de seus inimigos e logo o barulho das águas agi-
tadas pelos remos. Cheio de cólera, arrancou o pico
de uma montanha e arremessou -o ao mar, na dire -
ção do ruído das águas .A rocha quase atingiu a 
proa do navio fora da barra.Entretanto , o gigante,
na sua fúria, atirou outro enorme bloco de pedra so-
bre o mar, e, com tal violência, que quase atingiu a 
polpa do navio .Uma onda maior se levantou e em-
purrou o navio mais para o meio do mar.
          Dando aos remos, os bravos marinheiros fize-
ram o barco ganhar distância, e a ilha dos gigantes
de um olho só, em pouco tempo, perdera-se no ho-
rizonte azul das águas do mar.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos ciclopes -3ª parte



          Já as sombras da noite desciam sobre as ser-
ras, quando o cíclope entrou , tocando para dentro seu rebanho. Fez  o que fizera o dia anterior. De-
pois, correndo os olhos sobre Ulisses e seus infeli-
zes companheiros, apanhou mais dois moços e os comeu gostosamente.
          Nessa hora, Ulisses encheu um vaso de vinho que ofereceu ao cíclope, dizendo- lhe:
          -Beba, cíclope, essa bebida agradável.


          Polifemo bebeu de um trago o vinho e pediu
a Ulisses:
          Dê- me mais dessa bebida e eu o recompensa-
rei.Qual é o seu nome?
          Meu nome é Ninguém, respondeu Ulisses, dando- lhe mais vinho.
          -Bem, respondeu o ciclope. A recompensa que lhe prometi é a seguinte: eu o comerei por último.
          Não tardou muito, e Polifemo, tonto, caiu, ali mesmo adormecendo profundamente.

          Ulisses , sem perder tempo, enfiou na foguei-
ra a ponta do galho que preparara cuidadosamente.
Quando se tornou brasa, enfiou-a no único olho do cíclope. Apoiando o galho com toda força no seu 
corpo, Ulisses torceu-o dentro do olho, para esma- gá-lo bem. As pestanas do monstro chiavam na ór-
bita vazia, como água na qual se pôs um ferro quen-
te .
           Louco de dor e sentindo-se cego, Polifermo pôs-se a gritar de tal maneira que as montanhas es-
tremeceram, como se tremessem de medo. Apalpan-
do aqui, apalpando ali, como um desesperado, Poli-
femo  procurava Ulisses na caverna. Não encon-
trando , chamou os ciclopes vizinhos, com grande uivos. Ao ouvi-los, vieram todos acudir- lhes.
          -Quem persegue, para lançar gritos tão aflitivos?perguntavam-lhe  aglomerados á entrada
da gruta.
          Polifemo respondia- lhes:
          - Ninguém! Ninguém!
          - Pois, se ninguém o persegue, por que nos chama?E, julgando que Polifemo estivesse sonâm-
bulo ou louco, retiraram para suas cavernas.
          Gemendo sem parar, Polifemo esperou a ,
madrugada. Enquanto isto, Ulisses preparava meios
para escaparem.
          Aproveitou umas correias de couro de cabra
que encontrou num canto e amarrou com elas seus companheiros no ventre das ovelhas mais robustas.
  

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos ciclopes- 2ª parte



     Ulisses na Terra dos Ciclopes- 2ª parte

          - Estrangeiros, -lhes disse Polifemo- que deseja aqui?
          A voz rouca e terrível desse monstro gelou o
coração dos gregos.
          Ulisses respondeu- lhe:
          Somos gregos e estamos há muitos anos lon-
ge de nossa pátria.Os ventos contrários lançaram-
nos aqui.Dê- nos hospitalidade e comida.
          - Onde deixaram o navio? - tornou a pergun-
tar o ciclope.
          -Netuno quebrou meu navio  e os ventos dis-
persaram seus restos sobre as ondas inquietas do mar , - respondeu- lhe Ulisses.
          Sem dizer mais nada, o ciclope com as mãos
abertas panhou dois homens de uma vez. Atirou-os
barbaramente ao chão, para quebrar- lhe a cabeça,
e os foi comendo, ainda quentes,membro por mem-
bro.



          Depois de tão farto jantar, bebeu um pote de
leite e deitou-se para dormir num canto, entre  as
cabras.
          Ulisses pensou em avançar com sua clava contra o ciclope .Lembrou-se , porém, de que seria
inútil, desde que todos juntos não seriam capazes de
mover a pedra que fechava a boca da caverna. An -
gustiados, passaram a noite na gruta de Polifemo.
          No dia seguinte, mal raiou a madrugada, Po-
lifemo levantou- se, e, apanhando, da mesma manei-
ra da véspera , dois outros companheiros de Ulisses,
comeu-os calmamente.Arredou a pedra, soltou o re-
banho e saiu, fechando novamente a entrada e dei -
xando os pobres gregos prisioneiros.
          Entretanto, Ulisses não desesperava.Não pa-
rava de pensar como se havia de salvar.Aproveitou
um galho de oliveira, que encontrou num canto da
caverna, fez-lhe uma boa ponta e guardou- o com cuidado.
          Como os companheiros continuassem aflitos,
ele lhes disse:
          -Vamos passar o nosso dia o melhor possível.
Havemos de nos salvar.
          Fizeram fogo, comeram queijo, assaram um 
cabrito novo, enquanto aguardavam a volta do ci-
clope.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos Ciclopes- 1ª parte



              Ulisses na terra do Ciclopes-1ª parte
          Com suas frota de doze navios, chegou   Ulis-
ses ao país dos cíclopes.
          À tarde aportou a uma ilha que ficava mais
próxima , e dela avistou monstros gigantescos, que
pastoreavam imensos rebanhos de cabras e  carnei-
ros, pelas montanhas verdes e íngremes .Vozes
horríveis e estranhas misturadas com os balidos das
cabras e dos carneiros, chegavam aos ouvidos dos
marinheiros, aumentando-lhes o pavor.


          Ulisses conhecia alguma coisa sobre os cruéis
cíclopes e, entre outras , sabia que ignoravam com-
pletamente a arte de navegar.Dessa forma,tranquili-
zou seus companheiros, convencendo- os de que po-
deriam dormir sossegadamente, ainda aquela noite,
na ilha , pois os gigantes não poderiam atravessar o
mar, para atacá- los.
          Exaustos das aventuras passadas, dormiram,
dormiram profundamente.
          Ao amanhecer, Ulisses escolheu doze compa-
nheiros, dos mais valentes, e disse aos outros:
         - Amigos, esperem-nos aqui, enquanto vamos
conhecer os ciclopes e o seu costumes.Não abando-
nem o navio, porque pode ser que tenham de voltar
ás carreiras e partir na mesma hora.Estejam, pois ,
vigilantes e com as mãos nos remos.
          Tomaram o navio e remaram até a costa.De-
sembarcaram Ulisses levava uma clava , os outros
levavam ás costas um barril de vinho.
          Atravessaram um vereda ensombrada por lin-
dos carvalhos,indo dar à boca de uma caverna. Tra-
zia às costas o tronco de um enorme carvalho que
atirado no solo, produziu um ruído semelhante ao
do trovão.Atrás vinham as cabras e ovelhas, debi-
cando a relva que bordeava o caminho.Foram-se
ajuntando em frente da caverna, como se aguardas-
sem ordem para entrar.
          O cíclope tocou-as para dentro e, depois, fe-
chou  a entrada da caverna com um bloco de pedra 
tão grande que Ulisses com seus doze companheiros
não conseguiram mover do lugar. Sentou-se numa
saliência da caverna e ia ordenando as cabras e ove-
lhas que iam depois amamentar as suas crias. Feito isto , acendeu o fogo , que crepitou logo em chamas
altas.
          Ulisses e seus companheiros examinaram o cíclope à luz da fogueira. 
          
          Parecia o pico de uma montanha enorme.
Seus cabelos anelados e embaraçados, caíam-lhe
sobre as espáduas largas.A sua testa era tomada
de uma orelha à outra por uma pestana de cílios
grandes e pretos, sob a qual brilhava um único
olho , vermelho como brasa. O fogo, iluminando a
 gruta , fez Polifemo, que era o nome de cíclope 
perceber Ulisses e seus companheiros que se cola-
ram as paredes da caverna, para não serem vistos.

Projeto Monteiro Lobato para crianças e adolescentes: fábulas, imaginação e formação leitora

  1. Apresentação Este projeto foi elaborado para trabalhar a obra de Monteiro Lobato com crianças e adolescentes, contemplando turmas dos ...