Já as sombras da noite desciam sobre as ser-
ras, quando o cíclope entrou , tocando para dentro seu rebanho. Fez o que fizera o dia anterior. De-
pois, correndo os olhos sobre Ulisses e seus infeli-
zes companheiros, apanhou mais dois moços e os comeu gostosamente.
Nessa hora, Ulisses encheu um vaso de vinho que ofereceu ao cíclope, dizendo- lhe:
-Beba, cíclope, essa bebida agradável.
Polifemo bebeu de um trago o vinho e pediu
a Ulisses:
Dê- me mais dessa bebida e eu o recompensa-
rei.Qual é o seu nome?
Meu nome é Ninguém, respondeu Ulisses, dando- lhe mais vinho.
-Bem, respondeu o ciclope. A recompensa que lhe prometi é a seguinte: eu o comerei por último.
Não tardou muito, e Polifemo, tonto, caiu, ali mesmo adormecendo profundamente.
Ulisses , sem perder tempo, enfiou na foguei-
ra a ponta do galho que preparara cuidadosamente.
Quando se tornou brasa, enfiou-a no único olho do cíclope. Apoiando o galho com toda força no seu
corpo, Ulisses torceu-o dentro do olho, para esma- gá-lo bem. As pestanas do monstro chiavam na ór-
bita vazia, como água na qual se pôs um ferro quen-
te .
Louco de dor e sentindo-se cego, Polifermo pôs-se a gritar de tal maneira que as montanhas es-
tremeceram, como se tremessem de medo. Apalpan-
do aqui, apalpando ali, como um desesperado, Poli-
femo procurava Ulisses na caverna. Não encon-
trando , chamou os ciclopes vizinhos, com grande uivos. Ao ouvi-los, vieram todos acudir- lhes.
-Quem persegue, para lançar gritos tão aflitivos?perguntavam-lhe aglomerados á entrada
da gruta.
Polifemo respondia- lhes:
- Ninguém! Ninguém!
- Pois, se ninguém o persegue, por que nos chama?E, julgando que Polifemo estivesse sonâm-
bulo ou louco, retiraram para suas cavernas.
Gemendo sem parar, Polifemo esperou a ,
madrugada. Enquanto isto, Ulisses preparava meios
para escaparem.
Aproveitou umas correias de couro de cabra
que encontrou num canto e amarrou com elas seus companheiros no ventre das ovelhas mais robustas.
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