quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um sábio :Osvaldo Cruz-Capítulo I



              Um sábio: Osvaldo Cruz
               
                    Capítulo I

          Era um vez um país muito belo e muito rico,
mas ao qual todos tinham muito medo de ir.
          Sabem vocês que país é esse?
          Vocês o conhecem muito:o nosso Brasil.
          E sabem por que os homens de outras terras 
tinham muito medo de vir ao Brasil?
          Por causa das doença, e , sobretudo, por cau-
sa febre amarela.
          -Ir ao Rio de Janeiro é um suicídio, diziam os
estrangeiros.
          Não só os estrangeiros.
          Também os brasileiros do interior , até os mais corajosos. tinham receio de ir à ex- capital do
país, porque boa parte dos que iam não voltavam:
ficavam enterrados lá.
          Para vocês calcularem o que era a nossa ex-
capital, basta lembrar que um navio de guerra ita-
liano, o Lombardia, aportou em nossas costas com
340 pessoas e saiu 106...
          Também, quando os nossos iam a qualquer
país estrangeiro, não podiam aportar sem rigoro-
sa e demorada quarentena.Eram obrigados a espe-
rar muito tempo. isolados, sem contato com a ter-
ra , até que as autoridades os  examinassem bem, para verificar se não traziam casos de febre.
          Um dia, um certo médico contava a seus fi-
lhos todas essas desgraças e acabava dizendo:
          -É uma vergonha para nós! Mas que fazer?
Todos trabalham para combater essas doenças, mas
não se acertou ainda com o remédio.Pobre Brasil!
          Um dos seus filhos foi para o seu quarto e
disse:
          -Vou acabar com essas doenças que estão acabando com o Brasil.Vou estudar bastante.Você,
febre amarela, você, peste bubônica, você varíola,
você impaludismo, hão - de ver o que vale o estu-
do.É eu ficar homem e acabar com vocês!Juro que hei-de afastá-las de minha pátria.
          Esse menino chamava-se Osvaldo Cruz.

domingo, 24 de novembro de 2013

O coelho, o hortelão e a raposa

                O Coelho, o hortelão e a Raposa

          O coelho gostava muito das couves da horta de seu vizinho.
          Todos os dias ia lá e comia até fartar-se.
          Um dia, o hortelão chegou armou um laço 
pendurado num pau.
          O ladrãozinho caiu e ficou preso.
          O hortelão chegou , viu o coelho e disse:
          - Então,era você que comia as minhas couves,
seu malandro? Espere aí , eu já volto.
           O hortelão foi ao mato e cortou um pau bem
fininho.
          Nisto,a raposa passou e perguntou ao coelho:
          -Que está você fazendo dependurado aí?
          O coelho não respondeu e , fingindo-se mui-
to alegre , começou a balançar-se de um lado para
o outro, como se estivesse gangorrando.
          -Ah!- disse o coelho- cada minuto que fico
aqui, ganho um cruzeiro.
          -Deveras?- perguntou a raposa.
          -Deveras? Eu estou aqui espantando os par-
dais, não vê?Eu me balanço de um lado para o ou-
tro e eles nem chegam perto.Mas eu ganho dinhei-
ro noutras coisas também.Tenho outros negócios.
Se a senhora quiser , pode ficar no meu lugar, co -
madre raposa, e foi- se embora.
          A raposa, muito ambiciosa , aceitou logo a
proposta e tirou o laço da cabeça do coelho.O coe-
lho, espertíssimo , mais que depressa, meteu o laço
na cabeça da raposa, e foi- se embora.
          A raposa , na mesma hora, pôs- se a balançar
de um lado para o outro, do mesmo jeito que vira o
coelho fazer.
          Logo chegou o hortelão com o pau.
          Olhou espantado para a raposa e disse:
          -Cruz! Credo!nunca vi coelho virar raposa.
          Mas, assim  mesmo, o hortelão deu uma sova
na raposa até que o pau se quebrou.Depois, voltou
para o mato, para buscar outro pau.
          A raposa aí lembrou-se de que tempos atrás havia judiado do coelho e que, decerto, ele se vin -
gara agora de suas maldades, e começou a gritar:
          - Pelo amor de Deus, sr, coelho! Eu estou
muito arrependida e peço perdão de todas as ruin-
dades que lhe fiz! Tire- me daqui! Tire- me daqui!
          O coelho tinha bom coração, isto tinha, e 
perdoou à raposa.
          Foi lá e desamarrou o laço.
          Dali a pouco o hortelão voltou com outro pau , bem mais grosso do que o primeiro, mas não
encontrou nem sinal da raposa.
          E o hortelão disse:
          - Cruz! Credo! Agora, nem coelho , nem ra -
posa!


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos ciclopes-Final



          Quando a aurora anunciou aos animais a hora
de sairem para o pasto, Polifemo arredou um pouco
a pedra, de sorte que pudesse sair só um animal de
cada vez.Sentou- se na abertura e apalpava cada
animal para impedir que saíssem Ulisses e seus companheiros.Apanharam alguns carneirinhos e ca-
britos bem tenros e desceram em disparada pela ve-
reda que conduzia ao mar.Tomaram o navio, levan-
taram as âncoras e partiram.


          Polifemo percebera o ruído dos passos ligei-
ros de seus inimigos e logo o barulho das águas agi-
tadas pelos remos. Cheio de cólera, arrancou o pico
de uma montanha e arremessou -o ao mar, na dire -
ção do ruído das águas .A rocha quase atingiu a 
proa do navio fora da barra.Entretanto , o gigante,
na sua fúria, atirou outro enorme bloco de pedra so-
bre o mar, e, com tal violência, que quase atingiu a 
polpa do navio .Uma onda maior se levantou e em-
purrou o navio mais para o meio do mar.
          Dando aos remos, os bravos marinheiros fize-
ram o barco ganhar distância, e a ilha dos gigantes
de um olho só, em pouco tempo, perdera-se no ho-
rizonte azul das águas do mar.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos ciclopes -3ª parte



          Já as sombras da noite desciam sobre as ser-
ras, quando o cíclope entrou , tocando para dentro seu rebanho. Fez  o que fizera o dia anterior. De-
pois, correndo os olhos sobre Ulisses e seus infeli-
zes companheiros, apanhou mais dois moços e os comeu gostosamente.
          Nessa hora, Ulisses encheu um vaso de vinho que ofereceu ao cíclope, dizendo- lhe:
          -Beba, cíclope, essa bebida agradável.


          Polifemo bebeu de um trago o vinho e pediu
a Ulisses:
          Dê- me mais dessa bebida e eu o recompensa-
rei.Qual é o seu nome?
          Meu nome é Ninguém, respondeu Ulisses, dando- lhe mais vinho.
          -Bem, respondeu o ciclope. A recompensa que lhe prometi é a seguinte: eu o comerei por último.
          Não tardou muito, e Polifemo, tonto, caiu, ali mesmo adormecendo profundamente.

          Ulisses , sem perder tempo, enfiou na foguei-
ra a ponta do galho que preparara cuidadosamente.
Quando se tornou brasa, enfiou-a no único olho do cíclope. Apoiando o galho com toda força no seu 
corpo, Ulisses torceu-o dentro do olho, para esma- gá-lo bem. As pestanas do monstro chiavam na ór-
bita vazia, como água na qual se pôs um ferro quen-
te .
           Louco de dor e sentindo-se cego, Polifermo pôs-se a gritar de tal maneira que as montanhas es-
tremeceram, como se tremessem de medo. Apalpan-
do aqui, apalpando ali, como um desesperado, Poli-
femo  procurava Ulisses na caverna. Não encon-
trando , chamou os ciclopes vizinhos, com grande uivos. Ao ouvi-los, vieram todos acudir- lhes.
          -Quem persegue, para lançar gritos tão aflitivos?perguntavam-lhe  aglomerados á entrada
da gruta.
          Polifemo respondia- lhes:
          - Ninguém! Ninguém!
          - Pois, se ninguém o persegue, por que nos chama?E, julgando que Polifemo estivesse sonâm-
bulo ou louco, retiraram para suas cavernas.
          Gemendo sem parar, Polifemo esperou a ,
madrugada. Enquanto isto, Ulisses preparava meios
para escaparem.
          Aproveitou umas correias de couro de cabra
que encontrou num canto e amarrou com elas seus companheiros no ventre das ovelhas mais robustas.
  

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos ciclopes- 2ª parte



     Ulisses na Terra dos Ciclopes- 2ª parte

          - Estrangeiros, -lhes disse Polifemo- que deseja aqui?
          A voz rouca e terrível desse monstro gelou o
coração dos gregos.
          Ulisses respondeu- lhe:
          Somos gregos e estamos há muitos anos lon-
ge de nossa pátria.Os ventos contrários lançaram-
nos aqui.Dê- nos hospitalidade e comida.
          - Onde deixaram o navio? - tornou a pergun-
tar o ciclope.
          -Netuno quebrou meu navio  e os ventos dis-
persaram seus restos sobre as ondas inquietas do mar , - respondeu- lhe Ulisses.
          Sem dizer mais nada, o ciclope com as mãos
abertas panhou dois homens de uma vez. Atirou-os
barbaramente ao chão, para quebrar- lhe a cabeça,
e os foi comendo, ainda quentes,membro por mem-
bro.



          Depois de tão farto jantar, bebeu um pote de
leite e deitou-se para dormir num canto, entre  as
cabras.
          Ulisses pensou em avançar com sua clava contra o ciclope .Lembrou-se , porém, de que seria
inútil, desde que todos juntos não seriam capazes de
mover a pedra que fechava a boca da caverna. An -
gustiados, passaram a noite na gruta de Polifemo.
          No dia seguinte, mal raiou a madrugada, Po-
lifemo levantou- se, e, apanhando, da mesma manei-
ra da véspera , dois outros companheiros de Ulisses,
comeu-os calmamente.Arredou a pedra, soltou o re-
banho e saiu, fechando novamente a entrada e dei -
xando os pobres gregos prisioneiros.
          Entretanto, Ulisses não desesperava.Não pa-
rava de pensar como se havia de salvar.Aproveitou
um galho de oliveira, que encontrou num canto da
caverna, fez-lhe uma boa ponta e guardou- o com cuidado.
          Como os companheiros continuassem aflitos,
ele lhes disse:
          -Vamos passar o nosso dia o melhor possível.
Havemos de nos salvar.
          Fizeram fogo, comeram queijo, assaram um 
cabrito novo, enquanto aguardavam a volta do ci-
clope.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Ulisses na terra dos Ciclopes- 1ª parte



              Ulisses na terra do Ciclopes-1ª parte
          Com suas frota de doze navios, chegou   Ulis-
ses ao país dos cíclopes.
          À tarde aportou a uma ilha que ficava mais
próxima , e dela avistou monstros gigantescos, que
pastoreavam imensos rebanhos de cabras e  carnei-
ros, pelas montanhas verdes e íngremes .Vozes
horríveis e estranhas misturadas com os balidos das
cabras e dos carneiros, chegavam aos ouvidos dos
marinheiros, aumentando-lhes o pavor.


          Ulisses conhecia alguma coisa sobre os cruéis
cíclopes e, entre outras , sabia que ignoravam com-
pletamente a arte de navegar.Dessa forma,tranquili-
zou seus companheiros, convencendo- os de que po-
deriam dormir sossegadamente, ainda aquela noite,
na ilha , pois os gigantes não poderiam atravessar o
mar, para atacá- los.
          Exaustos das aventuras passadas, dormiram,
dormiram profundamente.
          Ao amanhecer, Ulisses escolheu doze compa-
nheiros, dos mais valentes, e disse aos outros:
         - Amigos, esperem-nos aqui, enquanto vamos
conhecer os ciclopes e o seu costumes.Não abando-
nem o navio, porque pode ser que tenham de voltar
ás carreiras e partir na mesma hora.Estejam, pois ,
vigilantes e com as mãos nos remos.
          Tomaram o navio e remaram até a costa.De-
sembarcaram Ulisses levava uma clava , os outros
levavam ás costas um barril de vinho.
          Atravessaram um vereda ensombrada por lin-
dos carvalhos,indo dar à boca de uma caverna. Tra-
zia às costas o tronco de um enorme carvalho que
atirado no solo, produziu um ruído semelhante ao
do trovão.Atrás vinham as cabras e ovelhas, debi-
cando a relva que bordeava o caminho.Foram-se
ajuntando em frente da caverna, como se aguardas-
sem ordem para entrar.
          O cíclope tocou-as para dentro e, depois, fe-
chou  a entrada da caverna com um bloco de pedra 
tão grande que Ulisses com seus doze companheiros
não conseguiram mover do lugar. Sentou-se numa
saliência da caverna e ia ordenando as cabras e ove-
lhas que iam depois amamentar as suas crias. Feito isto , acendeu o fogo , que crepitou logo em chamas
altas.
          Ulisses e seus companheiros examinaram o cíclope à luz da fogueira. 
          
          Parecia o pico de uma montanha enorme.
Seus cabelos anelados e embaraçados, caíam-lhe
sobre as espáduas largas.A sua testa era tomada
de uma orelha à outra por uma pestana de cílios
grandes e pretos, sob a qual brilhava um único
olho , vermelho como brasa. O fogo, iluminando a
 gruta , fez Polifemo, que era o nome de cíclope 
perceber Ulisses e seus companheiros que se cola-
ram as paredes da caverna, para não serem vistos.

Argos- O cão de Ulisses

Argos - o cão de Ulisses

          Argos era o nome do cão de Ulisses. Este, conta a Odisseia, depois de passar 10 anos na Guerra de Tróia, passou 10 anos a tentar regressar a casa. Mas os deuses estavam contra ele. Não o deixavam ver do seu barco a sua querida "terra-mãe", a ilha que o viu nascer e crescer, Ítaca. Calipso, uma ninfa, chegou mesmo a oferecer-lhe imortalidade (e o seu coração) caso ele ficasse com ela na sua ilha Ogígia. Porém, Ulisses recusou pois a sua mente, a sua recordação era fiel ao seu lar, ao seu palácio, à sua mulher. E, de fato, nada o demoveu de voltar, nem mesmo todos os obstáculos que os deuses fabricaram. Mas quando voltou, Ulisses soube que o seu palácio tinha sido tomado por outros reis e príncipes que desejavam a mão da sua mulher, Penélope, considerada viúva por todos.
           No entanto, Penélope ia enganando todos por meio de uma manta que tecia de dia e à noite desfazia. Só assim poderia demorar o fato de ter de escolher um novo marido.
           Ora, Ulisses resolveu passar por mendigo e testar quem é que, daqueles que ocupavam vorazmente o seu palácio, merecia viver. Nenhum reconheceu Ulisses e poucos deles se mostraram misericordiosos para com o mendigo, não lhe concedendo sequer a hospitalidade que era comumente dada a todo e qualquer viajante e da qual eles gozavam há muito. Ulisses enfureceu-se e, libertando-se do disfarce, deu morte a todos os que se mostravam indignos de terem títulos... ou de terem vida. E embora poucos sobrassem para contar a história, correu o rumor por toda a ilha de Ítaca de que Ulisses tinha finalmente regressado da guerra.
          Penélope foi a última a reconhecer o marido. Mas o primeiro foi Argos, o cão que Ulisses deixara, ainda pequeno, quando partira para Tróia. Durante 20 anos, Argos esperou fielmente o regresso do seu dono. Quando Ulisses lhe surgiu como mendigo, Argos não teve a menor dúvida que estava perante o seu dono. Recebeu-o com notório reconhecimento e depois, deitando-se aos pés do seu dono, suspirou pela última vez.
          Sem dúvida que Argos inspirou o pensamento de que o cão é o melhor amigo do homem.



Projeto Monteiro Lobato para crianças e adolescentes: fábulas, imaginação e formação leitora

  1. Apresentação Este projeto foi elaborado para trabalhar a obra de Monteiro Lobato com crianças e adolescentes, contemplando turmas dos ...