sábado, 18 de janeiro de 2014

A lenda do João de Barro

Há muito tempo, numa tribo do sul do Brasil, um jovem se apaixonou por uma moça de grande beleza. Jaebé, o moço, foi pedi-la em casamento.
O pai dela então perguntou:
- Que provas podes dar de sua força para pretender a mão da moça mais formosa da tribo?
- As provas do meu amor! - respondeu o jovem Jaebé.
O velho gostou da resposta, mas achou o jovem atrevido, então disse:
- O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia.
- Pois eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei.
Todos na tribo ficaram admirados com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova. Então, enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram dia e noite vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado. 
A jovem apaixonada chorava e implorava à deusa Lua que o mantivesse vivo. O tempo foi passando e certa manhã, a filha pediu ao pai:
- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer.
E o velho respondeu:
- Ele é arrogante, falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.
Esperou então até a última hora do novo dia, então ordenou:
- Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé.
Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seus olhos brilharam, seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e tinha cheiro de perfume de amêndoas. Todos se admiraram e ficaram mais admirados ainda quando o jovem, ao ver sua amada, se pôs a cantar como um pássaro enquanto seu corpo, aos poucos, se transformava num corpo de pássaro!
Então foi naquele exato momento que os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em um pássaro. E, então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta onde desapareceram para sempre.
Podemos constatar a prova do grande amor que uniu esses dois jovens no cuidado com que o joão-de-barro constrói sua casa e protege os filhotes. 
Os homens admiram o pássaro joão-de-barro porque se lembram da força de Jaebé, uma força que nasceu do amor e foi maior que a morte.
E foi assim que nasceu a Lenda do João de Barro.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A linda rosa juvenil

A linda rosa juvenil, juvenil, juvenil
A linda rosa juvenil, juvenil
Vivia alegre em seu lar, em seu lar, em seu lar
Vivia alegre em seu lar, em seu lar
E um dia veio uma bruxa má, muito má, muito má
Um dia veio uma bruxa má, muito má
Que adormeceu a rosa assim, bem assim, bem assim
que adormeceu a rosa assim, bem assim
E o tempo passou a correr, a correr, a correr
E o tempo passou a correr, a correr
E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor
E o mato cresceu ao redor, ao redor
E um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei
E um dia veio um belo rei, belo rei
Que despertou a rosa assim, bem assim, bem assim
que despertou a rosa assim, bem assim
Batemos palmas para o rei, para o rei, para o rei
batemos palmas para o rei, para o rei


A moura Torta

A Moura Torta

          A Moura Torta
          Havia um rei que tinha um filho, e quando este chegou à idade de casar, disse a seus pais: -Quero me casar com a mulher 
mais formosa do mundo. Assim,vou percorrer o mundo até encontrá-la.
       Saiu do palácio e caminhou até chegar a uma fonte, onde parou para tomar água. 
Ao inclinar-se para beber,viu que se refletiam três laranjas.Ergueu os olhos e viu que de uma
frondosa laranjeira pendiam três grandes e belas laranjas.
    - Que saborosas devem ser, disse o prínci-
pe, e dizendo isso, subiu na árvore e cortou as 
três preciosas laranjas.
Partiu a primeira e, como por encanto, saiu 
dela uma jovem muito linda que, ao ver o príncipe, lhe disse:
      - Dá-me pão.
      - Não posso, disse ele, porque não tenho.
   - Então volto para minha laranja, disse a jovem,e desaparecendo,deixou a laranja inta-
cta.
       Partiu o príncipe a segunda laranja e da fruta saiu outra jovem, muito mais bela que a primeira.
      - Dá-me pão, disse ao príncipe.
      - Não posso, pois não tenho, ele falou.
     - Então volto para minha laranja.A laranja
se fechou e ficou como antes.
O príncipe ficou pensativo e, decidiu conse-
guir pão, a fim de dar à ultima jovem da laranja.
Assim pensava o jovem, quando coincidiu de passar por ali um cigano em seu coche.
      - Amigo, gritou o príncipe - te darei 
uma moeda de ouro por um pedaço de pão.
Rapidamente o cigano desceu da carruagem e correu a levar o pão ao príncipe.
      O príncipe ficou muito contente e satis-
feito. Partiu a terceira laranja e, como ha-
via imaginado, do coração da fruta saltou 
uma jovem muito mais formosa que as anteriores.
      - Dê-me pão, ela disse.
    O príncipe alegremente deu o pão à jo-
vem, que em seguida falou: - Agora te pertenço, podes fazer de mim o que quiseres.
       - Contigo me caso, lhe disse o príncipe.
      Como a jovem estava nua,o príncipe que-
ria antes vesti-la para leva-la ao palácio. 
Deu uma olhada na roupa do cigano que ain-
da permanecia ali, porém notou que esta-
vam muito sujas.
        O príncipe então disse à jovem:
      - Espera aqui com este cigano até que eu volte com uma roupa.
       O cigano tinha uma filha que viajava 
com ele no coche,porém tinha dormido duran-
te todo o tempo em que a história das laran-
jas ocorria.Ao despertar no momento em que o príncipe subia no cavalo, caiu de amores por 
ele.
       Desceu logo do coche e foi perguntar
 ao seu pai o que estava acontecendo. Ele
 lhe contou o ocorrido.
      A cigana, vendo a jovem, lhe disse: 
     - Deixa-me te pentear para que fiques 
mais bonita para o regresso do príncipe.
      A jovem consentiu,e enquanto a ciga-
na penteava sua formosa cabeleira, sentiu 
que lhe cravavam um alfinete na cabeça.
No momento a dama da laranja se transfor-
mou numa pomba. A cigana então tirou a rou-
pa e se colocou no lugar onde estava a jovem.
O príncipe voltou e quando viu a cigana, disse: - Senhora! Como escureceste!
      A cigana respondeu: 
      - É que demoraste e acabou me queiman-
do o sol.
      O príncipe, acreditando ser a mesma jo-
vem da laranja, levou a cigana ao palácio e se casou com ela.
      Um dia chegou uma pombinha ao jardim 
do rei e disse ao jardineiro: 
      -Jardineirinho do rei,como está o prínci-
pe com sua mulher?
      - Umas vezes canta, porém mais vezes
chora - disse o jardineiro. Todos os dias chegava a pombinha e fazia a mesma pergunta ao
jardineiro, até que este contou ao príncipe.
O príncipe deu ordem ao jardineiro para 
que prendesse a pombinha. O jardineiro un-
tou de visgo a árvore onde diariamente pousa-
va a pombinha e, quando esta chegou para 
sua visita diária, ao querer voar, ficou presa à árvore, podendo apanha-la o jardineiro e leva-la ao príncipe.
      O príncipe se enamorou da pombinha.
Colheu-a com carinho e ao acariciar-lhe a cabeça,encontrou o alfinete que tinha sido
cravado e retirou-o. Imediatamente a pombi-
nha se transformou na bela dama da laranja.
A formosa jovem contou sua aventura ao príncipe e, entrando os dois no palácio, comunicaram o ocorrido ao rei.
      O rei, indignado, deu ordens para que
imediatamente matassem a cigana, e o prínci-
pe e a dama da laranja se casaram e foram
felizes para sempre.

A história da Moura Torta em cordel


Trecho da versão em cordel publicada pela Editora Luzeiro, de São Paulo:


Oh, Deusa da poesia,
Meu verso agora te exorta,
Do Reino da Inspiração
Abre-me a sagrada porta
Para eu versar a famosa
História da Moura Torta.

Num reino muito distante
Houve um monarca afamado,
Pai de três belos rapazes,
Orgulho do tal reinado.
O rei, por possuir tudo,
Vivia bem sossegado.

Porém o filho mais velho,
Que se chamava Adriano,
Certo dia foi ao pai,
Com um desejo insano
De conhecer outras terras,
Além das do soberano.

O rei lhe disse: - Meu filho,
Aqui não lhe falta nada...
O mundo, pra quem não sabe,
É uma grande cilada;
Tire da sua cabeça
Esta ideia tresloucada.

O moço disse: - Meu pai,
Já escolhi meu roteiro.
O rei lhe disse: - Então vá,
Mas tem de escolher primeiro:
Muito dinheiro sem bênção,
Muita bênção sem dinheiro.

Disse o moço: - Bênção não
Enche o bucho de ninguém!
Não sou doido de sair
De casa sem um vintém.
Eu quero é muito dinheiro,
Pois bênção não me convém.

O rei deu para o rapaz
A sua parte da herança.
Ele saiu pelo mundo,
Sem achar que fez lambança.
Na embriaguez da orgia
Gastou tudo sem tardança.

Assim, voltou para a casa,
Muito roto e maltrapilho.
O rei, que era bondoso,
Inda recebeu o filho;
Porém o filho do meio
Quis seguir no mesmo trilho.

O filho do meio tinha
O nome de Cipião;
Este também foi ao pai
Para pedir permissão
Pra conhecer outras terras
Além daquela nação.

O moço disse: - Meu pai,
Agora é a minha vez.
Mas o velho disse:- Filho,
Deixe desta insensatez!
Não vá fazer mais tolice
Como Adriano já fez.

Como não o demovia,
O rei perguntou, ligeiro:
- Queres dinheiro sem bênção?
- Queres bênção sem dinheiro?
O infeliz Cipião
Fez igualmente ao primeiro.

O moço lhe disse: - Eu quero
Dinheiro em demasia,
Bênção e chuva no mar
Não têm qualquer serventia!
E sem a bênção paterna
Viajou no mesmo dia.

O rapaz pagou bem caro
O preço da imprudência,
Pois perdeu todo o dinheiro,
E, ficando na indigência,
Voltou pra casa esmoler,
Implorando ao rei clemência.

O rei recebeu o filho,
Pois tinha bom coração,
Mandou servir um banquete
Ao indigno Cipião,
Que, ao recusar a bênção,
Sucumbiu à maldição.

Passados uns onze meses,
Foi o rei interpelado
Pelo seu filho caçula,
Que estava interessado
Em conhecer outras terras
Para além de seu reinado.

Então, o jovem Hiran
Foi procurar o seu pai,
Mas ele disse: - Meu filho,
Sinto, mas você não vai,
Pois quem procura o abismo,
Tarda, mas um dia cai!...

O moço disse: - Meu pai,
Aos meus irmãos permitiste.
Se me recusares isto,
Eu ficarei muito triste
Por não conhecer o mundo
Que além daqui existe.

O rei retrucou: - Hiran,
Teus irmãos já viajaram;
Tudo a que tinham direito
Na orgia dilapidaram.
Quando estragaram tudo,
Na indigência voltaram.

Hiran disse: - Meu bom pai,
Sempre fui obediente,
Mas tenho necessidade
De correr o mundo urgente.
Contudo, eu lhe asseguro:
Desta vez é diferente.

O rei lhe disse: - Está bem,
Mas tenho de perguntar:
Tu queres muito dinheiro,
Mas sem eu lhe abençoar?
Ou vais querer muita bênção,
Mas sem dinheiro levar?

Hiran respondeu: - Meu pai,
De nada posso lucrar
Do dinheiro, se a bênção
De meu pai eu não levar.
O rei o abençoou
E o deixou viajar.

(...)

In: Marco Haurélio, Meus romances de cordel, São Paulo: Global, 2011, págs. 139-143.

Projeto Monteiro Lobato para crianças e adolescentes: fábulas, imaginação e formação leitora

  1. Apresentação Este projeto foi elaborado para trabalhar a obra de Monteiro Lobato com crianças e adolescentes, contemplando turmas dos ...