quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A moura Torta

A Moura Torta

          A Moura Torta
          Havia um rei que tinha um filho, e quando este chegou à idade de casar, disse a seus pais: -Quero me casar com a mulher 
mais formosa do mundo. Assim,vou percorrer o mundo até encontrá-la.
       Saiu do palácio e caminhou até chegar a uma fonte, onde parou para tomar água. 
Ao inclinar-se para beber,viu que se refletiam três laranjas.Ergueu os olhos e viu que de uma
frondosa laranjeira pendiam três grandes e belas laranjas.
    - Que saborosas devem ser, disse o prínci-
pe, e dizendo isso, subiu na árvore e cortou as 
três preciosas laranjas.
Partiu a primeira e, como por encanto, saiu 
dela uma jovem muito linda que, ao ver o príncipe, lhe disse:
      - Dá-me pão.
      - Não posso, disse ele, porque não tenho.
   - Então volto para minha laranja, disse a jovem,e desaparecendo,deixou a laranja inta-
cta.
       Partiu o príncipe a segunda laranja e da fruta saiu outra jovem, muito mais bela que a primeira.
      - Dá-me pão, disse ao príncipe.
      - Não posso, pois não tenho, ele falou.
     - Então volto para minha laranja.A laranja
se fechou e ficou como antes.
O príncipe ficou pensativo e, decidiu conse-
guir pão, a fim de dar à ultima jovem da laranja.
Assim pensava o jovem, quando coincidiu de passar por ali um cigano em seu coche.
      - Amigo, gritou o príncipe - te darei 
uma moeda de ouro por um pedaço de pão.
Rapidamente o cigano desceu da carruagem e correu a levar o pão ao príncipe.
      O príncipe ficou muito contente e satis-
feito. Partiu a terceira laranja e, como ha-
via imaginado, do coração da fruta saltou 
uma jovem muito mais formosa que as anteriores.
      - Dê-me pão, ela disse.
    O príncipe alegremente deu o pão à jo-
vem, que em seguida falou: - Agora te pertenço, podes fazer de mim o que quiseres.
       - Contigo me caso, lhe disse o príncipe.
      Como a jovem estava nua,o príncipe que-
ria antes vesti-la para leva-la ao palácio. 
Deu uma olhada na roupa do cigano que ain-
da permanecia ali, porém notou que esta-
vam muito sujas.
        O príncipe então disse à jovem:
      - Espera aqui com este cigano até que eu volte com uma roupa.
       O cigano tinha uma filha que viajava 
com ele no coche,porém tinha dormido duran-
te todo o tempo em que a história das laran-
jas ocorria.Ao despertar no momento em que o príncipe subia no cavalo, caiu de amores por 
ele.
       Desceu logo do coche e foi perguntar
 ao seu pai o que estava acontecendo. Ele
 lhe contou o ocorrido.
      A cigana, vendo a jovem, lhe disse: 
     - Deixa-me te pentear para que fiques 
mais bonita para o regresso do príncipe.
      A jovem consentiu,e enquanto a ciga-
na penteava sua formosa cabeleira, sentiu 
que lhe cravavam um alfinete na cabeça.
No momento a dama da laranja se transfor-
mou numa pomba. A cigana então tirou a rou-
pa e se colocou no lugar onde estava a jovem.
O príncipe voltou e quando viu a cigana, disse: - Senhora! Como escureceste!
      A cigana respondeu: 
      - É que demoraste e acabou me queiman-
do o sol.
      O príncipe, acreditando ser a mesma jo-
vem da laranja, levou a cigana ao palácio e se casou com ela.
      Um dia chegou uma pombinha ao jardim 
do rei e disse ao jardineiro: 
      -Jardineirinho do rei,como está o prínci-
pe com sua mulher?
      - Umas vezes canta, porém mais vezes
chora - disse o jardineiro. Todos os dias chegava a pombinha e fazia a mesma pergunta ao
jardineiro, até que este contou ao príncipe.
O príncipe deu ordem ao jardineiro para 
que prendesse a pombinha. O jardineiro un-
tou de visgo a árvore onde diariamente pousa-
va a pombinha e, quando esta chegou para 
sua visita diária, ao querer voar, ficou presa à árvore, podendo apanha-la o jardineiro e leva-la ao príncipe.
      O príncipe se enamorou da pombinha.
Colheu-a com carinho e ao acariciar-lhe a cabeça,encontrou o alfinete que tinha sido
cravado e retirou-o. Imediatamente a pombi-
nha se transformou na bela dama da laranja.
A formosa jovem contou sua aventura ao príncipe e, entrando os dois no palácio, comunicaram o ocorrido ao rei.
      O rei, indignado, deu ordens para que
imediatamente matassem a cigana, e o prínci-
pe e a dama da laranja se casaram e foram
felizes para sempre.

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