quinta-feira, 31 de julho de 2014

As aventuras de Pedro Malasartes -III

III
Malazarte encontrou uma ruma de excremento ainda fresca, no meio da estrada. Parou curvou-se e cobriu com seu próprio chapéu, ficando de cócoras, segurando as abas, como se guardasse uma preciosidade. Passou um homem, a cavalo, e parou, perguntando:

- Que está guardando aí?

- O mais bonito passarinho do mundo! Custou mas segurei-o

- E o que vai fazer?

- Esperar que passe um conhecido para vendê-lo ou mandar comprar uma gaiola.

- Quanto quer pelo passarinho?

- Vinte mil-réis!

- Está fechado. Tome o dinheiro, monte neste cavalo e vá buscar uma gaiola, ali na vila.

Apeou-se, Malazarte meteu o dinheiro no bolso, cavalgou o animal, picou-o nas esporas e desapareceu para sempre.

O dono do passarinho esperou, esperou e, perdendo a paciência ou cutucado pela curiosidade, passou a mão para segurar a mais linda ave do mundo, ficando com ela suja e nauseante, furioso pelo logro e sem poder castigar o astucioso larápio.

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