Capítulo II
Joaquim José da Silva Xavier era o nome to-
do menino e, como se vê , devia ser um diabrete vi-
vo e incansável .Não parava um momento.Muito curioso, queria aprender tudo.Muito metediço, não
havia coisa que não se metesse.Muito ativo, não sa-
bia o que era preguiça.Onde quer estivesse,havia
discussão e movimento,porque sabia agitar o seu
mundo.
Criança ainda, era ele o que resolvia as prin-
cipais dificuldades da fazenda.Fazer uma conta de-
pressa, escrever uma carta, dar um recado, pegar
um cavalo arisco, consertar uma fechadura, tapar
uma goteira, apanhar lenha, tudo fazia com desem-
baraço e boa vontade.
Era bom , e todos gostavam dele,principal-
mente os humildes.
Um dia, como um escravo chorasse de dor
de dente , disse-lhe:
-Deixe estar que eu lhe tiro esse malvado.
Dito e feito.Tirou-lhe o dente com uma habi-
lidade grande.
Dente aqui, dente ali, acabou por aprender
melhor a arte do que o dentista da terra, e, por isso,
dentro de pouco tempo, todo mundo passou a cha-
má-lo Tiradentes.

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