sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Reportagem da Revista Nova Escola sobre os contos de fada


Desvendando os contos de fada

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Apresente a origem dos contos de fada aos alunos e, por meio de uma comparação com as versões mais conhecidas, mostre como as histórias originais eram mais crueis no seu foco moralizante


O Rei Sapo. Imagem: J. Borges
Objetivos
- Compreender os contos de fada como um gênero literário popular na literatura mundial
- Comparar versões originais com outras mais atuais
- Analisar a fábula como um conto educativo e moralizador
- Produzir adaptações de contos clássicos a situações contemporâneas

Conteúdos
- A fábula como gênero literário
- Leitura e produção de textos narrativos

Anos
Ensino Médio

Tempo estipulado
Duas aulas

Materiais necessários
- Cópias da reportagem "Infância apimentada"(Bravo!, edição 182, outubro de 2012)
- Cópias das fábulas "O rei sapo ou o Henrique de Ferro" (dos irmãos Grim), "A gata e Afrodite", "A novilha e o boi" e "Hermes e o escultor" ( de Esopo), "O lobo e o cordeiro" (de La Fontaine) e as adaptações de Millôr Fernandes e Juó Bananére
- Computadores com acesso à internet e projetor de imagens

Introdução
A reportagem "Infância apimentada" publicada na revista BRAVO! de outubro comenta a publicação integral, pela primeira vez no Brasil, dos contos originais dos Irmãos Grimm. Com o tempo, essas histórias foram popularizadas com foco no público infantil e por isso não apresentam a violência e o erotismo presentes nas primeiras versões. A reportagem é um excelente ponto de partida para refletir por que as fábulas clássicas - também conhecidas como contos de fada - são tão populares e analisar, junto da turma, esse gênero narrativo.

Antes das aulas leia algumas histórias escritas por Esopo, La Fontaine e os Irmãos Grimm. Observe que o gênero sempre esteve ligado à análise de comportamentos sociais e individuais, apresentando-se como narrativa moralizante que faz uso de exemplos alegóricos para criticar ou expor comportamentos sociais considerados inadequados e propor modelos de retidão de caráter. Note que, ao longo da História, as fábulas mantiveram suas principais características: o antropomorfismo, a prosopopeia, a alegoria e a relação entre acontecimentos reais e o enredo da narrativa. Vale a pena também relembrar as características do texto narrativo, que tem nos contos de fada um de seus principais e mais criativos exemplos.

Leia também autores contemporâneos que utilizaram o mesmo modelo narrativo. Algumas sugestões: Italo Calvino ( "O visconde partido ao meio", "O cavaleiro inexistente" e "O barão nas árvores"), Millôr Fernandes ( "Fábulas fabulosas"), Juó Bananére ( "La divina encrenca") ou Monteiro Lobato, que produziu obras compilando histórias e personagens do folclore brasileiro adaptadas à linguagem infantil.

Desenvolvimento
1º etapa
Pergunte aos adolescentes se liam contos de fada na infância e se podem contar, brevemente, algumas dessas histórias. Questione se pensam que as narrativas são destinadas apenas ao público infantil ou se, por trás da alegoria e da fantasia, podemos encontrar valores destinados à reflexão de toda a sociedade. Peça também que comentem se conhecem os autores das histórias mais marcantes. Anote no quadro os títulos e os autores citados. Pergunte como os alunos conheceram os contos de fada - se por meio da leitura na escola ou se foram contadas por parentes.
Explique que essas histórias são muito antigas, surgiram a partir da tradição oral e foram transmitidas de geração a geração, o que as tornou um dos gêneros literários mais populares do mundo. O registro escrito das fábulas está ligado à necessidade de fixar os textos de maneira definitiva, mas isso não impede que os temas abordados sejam adaptados conforme o tempo e o contexto da publicação.

Esses textos são repletos de alegorias, em que animais ou seres fantásticos assumem características humanas para transmitir mensagens reflexivas ou com fundo moralizante. Para isso há uma aproximação entre características físicas ou sentimentais dos seres humanos, geralmente com o objetivo de evidenciar as vantagens dos bons sentimentos e comportamentos considerados corretos. Destaque que manifestações antropozoomórficas sempre estiveram presentes nas civilizações: os egípcios e mesopotâmicos tinham religiões politeístas, cujos deuses eram associados a animais e seres naturais. E os gregos e romanos veneravam deuses e heróis metamorfoseados em animais e seres do mundo mineral e vegetal.

2º etapa
Distribua cópias da reportagem "Infância apimentada" e promova uma leitura coletiva. Antes de ler o conto publicado junto da reportagem observe que o tema principal é a publicação integral e sem cortes das obras dos irmãos Jacob e Wilhem Grimm, que viveram na Alemanha e estão associados ao período Romântico. Os contos dos irmãos Grimm originalmente eram recheados de referências eróticas, críticas agudas à sociedade do seu tempo e à violência explícita - características que foram sendo atenuadas e adaptadas para versões mais "leves", destinadas ao público infantil e difundidas ao longo do século 20.

Evidencie a presença de elementos das fábulas em filmes como "O labirinto do Fauno", "Shrek" ou "O senhor dos anéis". Além, é claro, das clássicas versões da Disney para os contos de fada. Faça uma seleção de cenas e trailers destes ou de outros filmes que contenham relações com a narrativa fabular - como a intenção moralizante - para apresentar à turma.

A seguir, leia o conto "O Rei Sapo ou o Henrique de Ferro" publicado na revista Bravo! e faça observações sobre as atitudes dos personagens. Note a violência e a atitude pouco nobre, até mesmo mentirosa, da princesa. Aponte a violência e o erotismo velado presente no conto original dos Irmãos Grimm - que pouco têm a ver com a versão mais difundida, que fala sobre a maldição do príncipe encantado, transformado em um sapo, e que só pode ser quebrada pelo beijo de uma princesa. Por fim, o príncipe é salvo e ele e a princesa vivem "felizes para sempre".

Faça uma comparação com o filme "O labirinto do Fauno", do diretor mexicano Guillermo del Toro, em que estão presentes elementos da narrativa fantástica, ladeados com acontecimentos históricos (a Guerra Civil Espanhola), violência, erotismo e até mesmo um certo clima sombrio, que em muito aproxima o filme do conto dos irmãos Grimm.

A presença de personagens com características nobres e burlescas é bastante comum nos contos de fada, isso está associado a uma maneira de realizar a crítica social por meio de sátira, ironia e humor.

Oriente os alunos, após a leitura do conto, a anotarem as principais características encontradas no texto. Peça que pesquisem versões mais leves do conto, e que apresentem as principais diferenças e semelhanças encontradas. Indique também que, em grupos, pesquisem e tragam para a sala de aula outras fábulas famosas, destacando qual é o fundo moral presente em cada uma das narrativas.

3º etapa
Peça aos alunos que digam quais foram os contos de fada encontrados e qual a proposta moral de cada uma. Anote no quadro as conclusões. A seguir distribua cópias das fábulas "O lobo e o cordeiro", de Millôr Fernandes; "A gata e Afrodite", "A novilha e o boi" e "Hermes e o escultor", de Esopo; "O lobo e o cordeiro", de La Fontaine e "O lobo i o gordeirigno", de Juó Bananére.
Faça uma leitura de cada um dos textos e peça aos estudantes que observem o intuito educativo e moralizante de cada um dos textos. Peça também que analisem os recursos de estilo de cada autor: Millôr e Juó Bananére usam a ironia e o humor, enquanto Esopo e La Fontaine, por exemplo, são mais "sérios". Deixe claro que essas características somente comprovam que as fábulas são textos sempre populares, presentes em várias épocas da literatura com objetivos muito parecidos - ainda que sua forma, o tema e os objetivos correspondam ao contexto de sua publicação.

Neste sentido, é pertinente a comparação entre as três maneiras de narrar a fábula "O lobo e o cordeiro", por La Fontaine, Juó Bananére e sua adaptação "macarrônica" e o conto satírico-filosófico de Millôr Fernandes.

Para finalizar, indique aos alunos que, tendo como base as características dos contos de fada e suas adaptações ao longo da história, produzam suas próprias narrativas a partir de situações contemporâneas. Podem ser utilizados como modelo textos clássicos adaptados para a situação. Sugira que utilizem como temática o contexto político, cultural e social do Brasil contemporâneo como ponto de partida para a criação de narrativas curtas. Lembre-os de fazer uso da prosopopéia, da ironia, da sátira, do humor e do fundo moral, conforme pede a tradição. Os alunos podem fazer uso de desenhos e figuras para ilustrar as histórias e na aula seguinte devem narrar suas criações para os demais colegas.

Avaliação
A partir dos textos produzidos e das discussões em sala note se os alunos conseguiram compreender as fábulas como um gênero literário popular e de grande difusão ao longo da História. A turma deverá também conseguir comparar os contos de fada clássicos e contemporâneos e compreender o aspecto moral presente nessas histórias.
André Rosa
Professor de Literatura e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

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