E Pinga-Fogo partiu. Ia triste, cabisbaixo,
quando viu um cão atravessar a estrada numa car-
reira louca.
-Aonde vai você , amigo cão?
O cão, arfando de cansaço, não pôde respon-
der logo ao burro. Depois,contou sua triste história.
-Ah!Já não valho mais nada.Trabalhei anos a
fio, acompanhando meu amo á caça.Era eu quem
surpreendia sempre a presa e a perseguia para o meu dono.Agora, porque não tenho mais aquela agilidade de outros tempos, meu amo quer matar-
me.
-Ora, Venha comigo.Você há- de arranjar
também um lugar no coro. Vou ser músico em Bre-
men.
O cachorro alegrou-se com aquelas palavras
e partiu com Pinga-fogo.
Adiante, bem adiante,ouviram um miado tris-
te, triste de cortar o coração.O burro e o cão procu-
raram por ali o gato e o encontraram numa moita.
-Que tem você, amigo, que está tão triste?
perguntou o Burro.
-Ah!Como posso estar alegre?Estou ficando
velho,não posso dar conta dos ratos,que são muitos,
na despensa de meu dono, por isso escaramuçaram
e, agora, aonde ir?
-Ora,vamos para Bremen.Você é entendido em música noturna.Há de arranjar lugar no coro,
como eu e o nosso amigo cão.
O gato, mais animado, acompanhou o burro
e o cão.
E lá se foram os três , estrada afora. Ao pas-
sarem por uma fazenda, eis que ouvem os gritos en-
surdecedores de um galo.
-Você está fazendo um barulhão, amigo galo,
que aconteceu?
-Ah!Meus amigos!Eu estava cantando a bele-
za da tarde.A patroa e a cozinheira acharam que eu
era muito barulhento , e resolveram assar-me para o
almoço. Desculpas!
-Oh!Venha conosco!Nós vamos cantar em Bremen. O timbre de sua voz faz falta ao coro.
E lá se foram o galo, o cão, o gato e o burro
a caminho de Bremen.
A noite surpreendeu os quatros companheiros
em plena mata, o que fez parar para continuar via -
gem no dia seguinte.Cada um procurou a melhor maneira de se acomodar para passar a noite.
O burro e o cão puseram-se debaixo de um
arbusto.
O gato trepou num galho, e o galo foi acomo-
dar-se no galho mais alto de uma árvore, para ficar
em segurança.
Circunvagando o olhar pelas redondezas, o
galo avistou uma luzinha longe e disse aos compa-
nheiros que devia haver casa na vizinhança.Disse-
lhes, então, Pinga-fogo:
-É bom irmos até lá.Nunca é seguro dormir
em plena mata como nos achamos.
Concordaram todos,seguindo para o ponto de
onde partia a luz.
Dentro em pouco,chegaram a um casarão ilu- minado de onde partiam gargalhadas e barulho de
copos e talheres.Eram os ladrãoes que naquela ho -
se banqueteavam . O burro que era o mais alto, es-
pichou pescoço e olhou para dentro, pelo vidro da
janela e disse a seus companheiros:
-Escutem!Estou vendo ladrões sentados ao redor de uma mesa enorme, banqueteando-se. Va-
mos traçar um plano para afugentar os bandidos e
ficar com a casa.
O burro teve logo uma ideia.E executou-a .
Pôs as patas da frente em cima da da janela.O ca-
chorro trepou nas suas costas. O gato pulou para as
costas do gato.
A um sinal, todos começaram juntos a músi-
ca.O burro pôs-se a Zurrar, o cão a ladrar, a ganir
e a latir, o gato a miar e o galo a cantar o có-có-ró-
có e o qui-qui-ri-qui em todos os tons. Ao mesmo
tempo avançaram quebrando os vidros.Pularam na
sala e apagaram as luzes.
Os ladrões, ouvindo aquela barulhada e as
escuras , levantaram-se em sobressalto, e fugiram, pensando que fossem os fantasmas da floresta que
perseguiam.Os quatro companheiros sentaram-se,
então, ao redor da mesa e comeram os restos do
banquete, senhores da esplêndida moradia.Depois,
cada um procurou o melhor lugar para dormir . O
burro acomodou-se em cima de umas palhas no quintal.O cachorra deitou-se em cima do tapete,
perto da porta.O gato enroscou-se num cantinho do
fogão, ao lado da cinza quente.O galo empoleirou-se na bandeira de uma janela.Como estivessem mui-
to cansados de longa caminhada, dormiram logo.
Pela meia- noite, os ladrões voltaram para es-
piar a casa, arrependida de terem tão depressa. Vi -
ram as luzes apagadas e tudo quieto.Um deles, que
era o mais corajoso, entrou.Correu a casa, cômodo
por cômodo.Tudo estava no mais completo silêncio.
Foi,então, à cozinha buscar a caixa de fósforos pa-
ra acender uma vela.O gato acordou. Seus olhos
brilhavam como fogo.O ladrão, nervoso com a es-
curidão, confundiu os olhos do gato com a brasa do
fogão, tentando acender neles o fósforo. O gato
avançou furioso, arranhando o todo. O ladrão, as -
sustado , correu para a porta, mas o cachorro avan-
çou contra ele, mordendo- lhe a perna.Ao atraves-
sar o quintal. Pinga-fogo deu-lhe uns coices e o ga-
lo cantou com toda força:
-Qui-qui-ri-qui!Có-có-ró-có!
O ladrão fugiu horrorizado e informa o che-
fe:
- Depressa!Fujamos! Bruxas e fantasmas in-
festaram a casa.No chão, no teto, até pairando no
ar, há fantasmas malfeitores.Veja!Veja estes sinais
das garras de uma horrível bruxa de cujos olhos
saíam chispas que iluminavam a sala. Minha perna
sangra ainda do chuço de um gênio horrendo.O pior
é que ouvi gritar numa língua estranha:- Tragam-no,
aqui, aqui, que eu o levarei à mó! Vamos! Podem
alcançar-nos e quem sabe se não nos passarão pela
mó!O monstro preto parecia ter asas assim,enormes.
Para que? Sabemos nós?
Diante de tão horrível narrativa, os bandidos
resolveram mudar-se para bem longe, pois tinham a
certeza de que as piores bruxas ali se reuniam para
tramarem seus malefícios.
Quanto aos quatro companheiros, dizem que
se esqueceram de ir a Bremen e, ali , passaram o resto de seus dias.
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