d.2- A Costureira das Fadas
(Fragmento)
Depois do jantar, o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de Paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! Ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.
– Dona Aranha – disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.
Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou da fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor-de-rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fita e peças de renda e de entremeio — até carretéis de linha de seda fabricou.
.
MONTEIRO LOBATO, José Bento. Reinações de Narizinho. São Paulo:
Brasiliense, 1973.
“— Dona Aranha — disse o príncipe — quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.”
A expressão vê-la se refere à
(A) Fada.
(B) Cinderela.
(C) Dona Aranha.
(D) Narizinho.
“— Dona Aranha — disse o príncipe — quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.”
A expressão vê-la se refere à
(A) Fada.
(B) Cinderela.
(C) Dona Aranha.
(D) Narizinho.
.
O príncipe quer dar um vestido para Narizinho porque
(A) ela deseja ter um vestido de baile.
(B) o príncipe vai se casar com Narizinho.
(C) ela deseja um vestido cor-de-rosa.
(D) o príncipe fará uma festa para Narizinho.
O príncipe quer dar um vestido para Narizinho porque
(A) ela deseja ter um vestido de baile.
(B) o príncipe vai se casar com Narizinho.
(C) ela deseja um vestido cor-de-rosa.
(D) o príncipe fará uma festa para Narizinho.
d.7-A Raposa e o Cancão
Passara a manhã chovendo, e o Cancão todo molhado, sem poder voar, estava tristemente pousado à beira de uma estrada. Veio a raposa e levou-o na boca para os filhinhos. Mas o caminho era longo e o sol ardente. Mestre Cancão enxugou e começou a cuidar do meio de escapar à raposa. Passam perto de um povoado. Uns meninos que brincavam começam a dirigir desaforos à astuciosa caçadora. Vai o Cancão e fala:
— Comadre raposa, isto é um desaforo! Eu se fosse você não agüentava! Passava uma descompostura!...
A raposa abre a boca num impropério terrível contra a criançada. O Cancão voa, pousa triunfantemente num galho e ajuda a vaiá-la...
.
CASCUDO, Luís Câmara. Contos tradicionais do Brasil. 16ª ed. Rio de
Janeiro: Ediouro, 2001.
No final da história, a raposa foi
(A) corajosa.
(B) cuidadosa.
(C) esperta.
(D) ingênua.
No final da história, a raposa foi
(A) corajosa.
(B) cuidadosa.
(C) esperta.
(D) ingênua.
Pepita a piaba
Lá no fundo do rio, vivia Pepita: uma piaba miudinha.
Mas Pepita não gostava de ser assim.
Ela queria ser grande... bem grandona...
Tomou pílulas de vitamina... Fez ginástica de peixe... Mas nada... Continuava miudinha.
– O que é isso? Uma rede?
Uma rede no rio! Os pescadores!
Ai, ai, ai... Foi um corre-corre... Foi um nada-nada...
Mas... muitos peixes ficaram presos na rede.
E Pepita?
Pepita escapuliu... Ela nadou, nadou pra bem longe dali!
.
CONTIJO, Solange A. Fonseca. Pepita a piaba. Belo Horizonte: Miguilim,
s.d.
No trecho “Lá no fundo do rio, vivia Pepita” , a expressão sublinhada dá idéia de:
(A) causa.
(B) explicação.
(C) lugar.
(D) tempo.
No trecho “Lá no fundo do rio, vivia Pepita” , a expressão sublinhada dá idéia de:
(A) causa.
(B) explicação.
(C) lugar.
(D) tempo.
d.12- Poluição do solo
É na camada mais
externa da superfície terrestre, chamada solo, que se desenvolvem os vegetais.
Quando o solo é contaminado, tanto os cursos subterrâneos de água como as
plantas podem ser envenenadas.
Os principais poluentes do solo são os produtos químicos usados na agricultura.
Eles servem para destruir pragas e ervas daninhas, mas também causam sérios
estragos ambientais.
O lixo produzido pelas fábricas e residências também pode poluir o solo.
Baterias e pilhas jogadas no lixo, por exemplo, liberam líquidos tóxicos e
corrosivos. Nos aterros, onde o lixo das cidades é despejado, a decomposição da
matéria orgânica gera um líquido escuro e de mau cheiro chamado chorume, que
penetra no solo e contamina mesmo os cursos de água que passam bem abaixo da
superfície.
{...}
.
Almanaque Recreio. São Paulo: Abril.
Almanaques CDD_056-9. 2003.
.
No trecho “É na camada mais externa da
superfície terrestre”, a expressão sublinhada indica
(A) causa.
(B) finalidade.
(C) lugar.
(D) tempo.
d.13- Continho
Era uma vez um menino
triste, magro e barrigudinho. Na soalheira danada de meio-dia, ele estava
sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um vigário a
cavalo.
— Você, aí, menino, para onde vai essa estrada?
— Ela não vai não: nós é que vamos nela.
— Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
— Eu não me chamo, não, os outros é que me chamam de Zé.
MENDES CAMPOS, Paulo, Para gostar de ler − Crônicas. São Paulo: Ática, 1996, v.
1 p. 76.
Há traço de humor no trecho:
(A) “Era uma vez um menino triste, magro”.
(B) “ele estava sentado na poeira do caminho”.
(C) “quando passou um vigário”.
(D) “Ela não vai não: nós é que vamos nela”.
d.14- O que disse o passarinho
Um passarinho me
contou
que o elefante brigou
com a formiga só porque
enquanto dançavam (segundo ele)
ela pisou no pé dele!
Um passarinho me contou
que o jacaré se engasgou
e teve de cuspi-lo inteirinho
quando tentou engolir,
imaginem só, um porco-espinho!
Um passarinho me contou
que o namoro do tatu e a tartaruga
deu num casamento de fazer dó:
cada qual ficou morando em sua casca
em vez de morar numa casca só.
Um passarinho me contou
que a ostra é muito fechada,
que a cobra é muito enrolada
que a arara é uma cabeça oca,
e que o leão-marinho e a foca...
Xô xô, passarinho, chega de fofoca!
PAES, José Paulo. O que disse o passarinho. In: ____.Um passarinho me contou.
São Paulo: Editora Ática, 1996.
.
A pontuação usada no final do verso “e que o leão-marinho e a foca...”
sugere que o passarinho
(A) está cansado.
(B) está confuso.
(C) não tem mais fofocas para contar.
(D) ainda tem fofocas para contar.
d.10-Carta
Lorelai:
Era tão bom quando eu morava lá na roça. A casa tinha um quintal com milhões de
coisas, tinha até um galinheiro. Eu conversava com tudo quanto era galinha,
cachorro, gato, lagartixa, eu conversava com tanta gente que você nem imagina,
Lorelai. Tinha árvore para subir, rio passando no fundo, tinha cada esconderijo
tão bom que a gente podia ficar escondida a vida toda que ninguém achava. Meu
pai e minha mãe viviam rindo, andavam de mão dada, era uma coisa muito legal da
gente ver. Agora, tá tudo diferente: eles vivem de cara fechada, brigam à toa,
discutem por qualquer coisa. E depois, toca todo mundo a ficar emburrando.
Outro dia eu perguntei: o que é que tá acontecendo que toda hora tem briga?
Sabe o que é que eles falaram? Que não era assunto para criança. E o pior é que
esse negócio de emburramento em casa me dá uma aflição danada. Eu queria tanto
achar um jeito de não dar mais bola pra briga e pra cara amarrada. Será que
você não acha um jeito pra mim?
Um beijo da Raquel.
(...)
NUNES, Lygia Bojunga. A Bolsa Amarela – 31ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1998.
Em “Agora tá tudo diferente:”, a palavra destacada é um exemplo de linguagem
(A) ensinada na escola.
(B) estudada nas gramáticas.
(C) encontrada nos livros técnicos.
(D) empregada com colegas.
d.1-Como opera a máfia que transformou o Brasil
num dos campeões da fraude de medicamentos
É um dos piores crimes que se podem cometer. As
vítimas são homens, mulheres e crianças doentes — presas fáceis, capturadas na
esperança de recuperar a saúde perdida. A máfia dos medicamentos falsos é mais
cruel do que as quadrilhas de narcotraficantes. Quando alguém decide cheirar
cocaína, tem absoluta consciên¬cia do que coloca no corpo adentro. Às vítimas
dos que falsificam remédios não é dada oportunidade de escolha. Para o doente,
o remédio é compulsório. Ou ele toma o que o médico lhe receitou ou passará a
correr risco de piorar ou até morrer. Nunca como hoje os brasileiros entraram
numa farmácia com tanta reserva.
PASTORE, Karina. O Paraíso dos Remédios
Falsificados.
Veja, nº 27. São Paulo: Abril, 8 jul. 1998, p.
40-41.
Segundo a autora, “um dos piores crimes que se
podem cometer” é
(A) a venda de narcóticos.
(B) a falsificação dos remédios.
(C) a receita de remédios falsos.
(D) a venda abusiva de remédios.
d.6- O Ouro da biotecnologia Homem de Meia-Idade
(Lenda chinesa)
Havia outrora um homem de meia-idade que tinha
duas esposas. Um dia, indo visitar a mais jovem, esta lhe disse:
— Eu sou moça e você é velho; não gosto de morar
com você. Vá habitar com sua esposa mais velha.
Para poder ficar, o homem arrancou da cabeça os
cabelos brancos. Mas, quan¬do foi visitar a esposa mais velha, esta lhe disse,
por sua vez:
— Eu sou velha e tenho a cabeça branca;
arranque, pois, os cabelos pretos que tem.
Então o homem arrancou os cabelos pretos para
ficar de cabeça branca. Como repetisse sem tréguas tal procedimento, a cabeça
tornou-se-lhe inteiramente calva. A essa altura, ambas as esposas acharam-no
horrível e ambas o abandonaram.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, RÓNAI,
Paulo, (orgs.) Mar de histórias. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.
v. 1, p. 119.
A idéia central do texto é
(A) o problema da calvície masculina.
(B) a impossibilidade de agradar a todos.
(C) a vaidade dos homens.
(D) a insegurança na meia-idade.
d.14-As enchentes de minha infância
Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma
tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua,
onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa dos
Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda
fresquinha dando para o rio.
Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã
lá no quintal deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam
primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham subindo
o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do
rio cresceu tanto que a famí¬lia defronte teve medo.
Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso
para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela
intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas
contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às
vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós,
os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a
favor da enchente, ficávamos tristes de
manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio
baixara um palmo – aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes
chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva
muita, anunciava águas nas cabeceiras, então dormíamos sonhando que a enchente
ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as
enchentes.
BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio
de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 157.
A expressão que revela uma opinião sobre o fato
“... vinham todos dormir em nossa casa” (ℓ. 10), é
(A) “Às vezes chegava alguém a cavalo...”
(B) “E às vezes o rio atravessava a rua...”
(C) “e se tomava café tarde da noite!”
(D) “Isso para nós era uma festa...”
d.12-A antiga Roma ressurge em cada detalhe
Dos 20.000 habitantes de Pompéia, só dois
escaparam da fulminante erupção do vulcão Vesúvio em 24 de agosto de 79 d.C.
Varrida do mapa em horas, a cidade só foi encontrada em 1748, debaixo de 6
metros de cinzas. Por ironia, a catástrofe
salvou Pompéia dos conquistadores e preservou-a
para o futuro, como uma jóia arqueológica. Para quem já esteve lá, a visita é
inesquecível.
A profusão de dados sobre a cidade permitiu ao
Laboratório de Realidade Virtual Avançada da Universidade Carnegie Mellon, nos
Estados Unidos, criar imagens minuciosas, com apoio do instituto Americano de
Arqueologia. Milhares de detalhes arquitetônicos tornaram-se visíveis. As
imagens mostram até que nas casas dos ricos se comia pão branco, de farinha de
trigo, enquanto na dos pobres comia-se pão preto, de centeio.
Outro mega projeto, para ser concluído em 2020,
da Universidade da Califórnia, trata da restauração virtual da história de Roma,
desde os primeiros habitantes, no século XV a.C., até a decadência, no século
V. Guias turísticos virtuais conduzirão o visitante por paisagens animadas por
figurantes. Edifícios, monumentos, ruas, aque¬dutos, termas e sepulturas
desfilarão, interativamente. Será possível percorrer vinte séculos da história
num dia. E ver com os próprios olhos tudo aquilo que a literatura esforçou-se
para contar com palavras.
Revista Superinteressante, dezembro de 1998, p.
63.
A finalidade principal do texto é
(A) convencer.
(B) relatar.
(C) descrever.
(D) informar.
d.20- Monte Castelo
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor, eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade;
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade,
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado, e todos dormem, todos dormem,
todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
Legião Urbana. As quatro estações. EMI, 1989 –
Adaptação de Renato Russo: I Coríntios 13 e So- neto 11.
Texto II
Soneto 11
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís Vaz de Camões. Obras completas. Lisboa: Sá
da Costa, 1971.
O texto I difere do texto II
(A) na constatação de que o amor pode levar até
à morte.
(B) na exaltação da dor causada pelo sofrimento
amoroso.
(C) na expressão da beleza do sentimento dos que
amam.
(D) na rejeição da aceitação passiva do
sofrimento amoroso.
d.21- Telenovelas empobrecem o país
Parece que não há vida inteligente na telenovela
brasileira. O que se assiste todos os dias às 6, 7 ou 8 horas da noite é algo
muito pior do que os mais baratos filmes “B” americanos. Os diálogos são
péssimos. As atuações, sofríveis. Três minu¬tos em frente a qualquer novela são
capazes de me deixar absolutamente entediado – nada pode ser mais previsível.
Antunes Filho. Veja, 11/mar/96.
Texto II
Novela é cultura
Veja – Novela de televisão aliena?
Maria Aparecida – Claro que não. Considerar a
telenovela um produto cultural alienante é um tremendo preconceito da
universidade. Quem acha que novela aliena está na verdade chamando o povo de
débil mental. Bobagem imaginar que alguém é induzido a pensar que a vida é um
mar de rosas só por causa de um enredo açu¬carado. A telenovela brasileira é um
produto cultural de alta qualidade técnica, e algumas delas são verdadeira
obras de arte.
Veja, 24/jan/96.
Com relação ao tema “telenovela”
(A) nos textos I e II, encontra-se a mesma
opinião sobre a telenovela.
(B) no texto I, compara-se a qualidade das
novelas aos melhores filmes america¬nos.
(C) no texto II, algumas telenovelas brasileiras
são consideradas obras de arte.
(D) no texto II, a telenovela é considerada uma
bobagem.
A floresta do contrário
d.2-Todas as florestas existem antes dos homens.
Elas estão lá e então o homem chega, vai
destruindo, derruba as árvores, começa a construir prédios, casas, tudo com
muito tijolo e concreto. E poluição também.
Mas nesta floresta aconteceu o contrário. O que
havia antes era uma cidade dos
homens, dessas bem poluídas, feia, suja, meio
neurótica.
Então as árvores foram chegando, ocupando
novamente o espaço, conseguiram expulsar toda aquela sujeira e se instalaram no
lugar.
É o que se poderia chamar de vingança da
natureza – foi assim que terminou seu relato o amigo beija-flor.
Por isso ele estava tão feliz, beijocando todas
as flores – aliás, um colibri bem assanhado, passava flor por ali, ele já
sapecava um beijão.
Agora o Nan havia entendido por que uma ou outra
árvore tinha parede por dentro, e ele achou bem melhor assim.
Algumas árvores chegaram a engolir casas
inteiras.
Era um lugar muito bonito, gostoso de se ficar.
Só que o Nan não podia, pre¬cisava partir sem demora. Foi se despedir do
colibri, mas ele já estava namorando apertado a uma outra florzinha, era melhor
não atrapalhar.
LIMA, Ricardo da Cunha. Em busca do tesouro de
Magritte. São Paulo: FTD, 1988.
No trecho “Elas estão lá e então o homem
chega,...” (ℓ. 2), a palavra destacada re-fere-se a
(A) flores.
(B) casas.
(C) florestas.
(D) árvores.
O que dizem as camisetas
(Fragmento)
Apareceram tantas camisetas com inscrições, que
a gente estranha ao deparar com uma que não tem nada escrito.
– Que é que ele está anunciando? – indagou o
cabo eleitoral, apreensivo. – Será que faz propaganda do voto em branco? Devia
ser proibido!
– O cidadão é livre de usar a camiseta que
quiser – ponderou um senhor moderado.
– Em tempo de eleição, nunca – retrucou o outro.
– Ou o cidadão manifesta sua preferência política ou é um sabotador do processo
de abertura democrática.
– O voto é secreto.
– É secreto, mas a camiseta não é, muito pelo
contrário. Ainda há gente neste país que não assume a sua responsabilidade
cívica, se esconde feito avestruz e...
– Ah, pelo que vejo o amigo não aprova as pessoas
que gostam de usar uma camiseta limpinha, sem inscrição, na cor natural em que
saiu da fábrica.
(...).
O conflito em torno do qual se desenvolveu a
narrativa foi o fato de
(A) alguém aparecer com uma camiseta sem nenhuma
inscrição.
(B) muitas pessoas não assumirem sua
responsabilidade cívica.
(C) um senhor comentar que o cidadão goza de
total liberdade.
(D) alguém comentar que a camiseta, ao contrário
do voto, não é secreta.
d.11-A função da arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago
Kovadloff, levou-o para que desco¬brisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas
altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas
alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus
olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo
de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo,
gaguejando, pediu ao pai:
– Me ajuda a olhar!
GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad.
Eric Nepomuceno 5ª ed. Porto Alegre: Editora L & PM, 1997.
O menino ficou tremendo, gaguejando porque
(A) a viagem foi longa.
(B) as dunas eram muito altas.
(C) o mar era imenso e belo.
(D) o pai não o ajudou a ver o mar
Opinião
Acho uma boa idéia abrir as escolas no fim de
semana, mas os alunos devem ser supervisionados por alguém responsável pelos
jogos ou qualquer opção de lazer que se ofereça no dia. A comunidade poderia
interagir e participar de atividades in¬teressantes. Poderiam ser feitas
gincanas, festas e até churrascos dentro da escola.
(Juliana Araújo e Souza)
(Correio Braziliense, 10/02/2003, Gabarito. p.
2.)
Em “A comunidade poderia interagir e participar
de atividades interessantes.” (ℓ. 3, 4), a palavra destacada indica
(A) alternância.
(B) oposição.
(C) adição.
(D) explicação.
d.7-O mercúrio onipresente
(Fragmento)
Os venenos ambientais nunca seguem regras.
Quando o mundo pensa ter descoberto tudo o que é preciso para controlá-los,
eles voltam a atacar. Quando removemos o chumbo da gasolina, ele ressurge nos encanamentos
envelhecidos. Quando toxinas e resíduos são enterrados em aterros sanitários,
contaminam o len¬çol freático. Mas ao menos acreditávamos conhecer bem o
mercúrio. Apesar de todo o seu poder tóxico, desde que evitássemos determinadas
espécies de peixes nas quais o nível de contaminação é particularmente elevado,
estaríamos bem. [...].
Mas o mercúrio é famoso pela capacidade de
passar despercebido. Uma sé¬rie de estudos recentes sugere que o metal
potencialmente mortífero está em toda parte — e é mais perigoso do que a
maioria das pessoas acredita.
Jeffrey Kluger. IstoÉ. nº 1927, 27/06/2006,
p.114-115.
A tese defendida no texto está expressa no
trecho
(A) as substâncias tóxicas, em aterros,
contaminam o lençol freático.
(B) o chumbo da gasolina ressurge com a ação do
tempo.
(C) o mercúrio apresenta alto teor de
periculosidade para a natureza.
(D) o total controle dos venenos ambientais é
impossível.
Essas terras planas do planalto central
escondem muitos riachos, rios e cachoeiras. Na verdade, o cerrado é o berço das
águas. Essas águas brotam das nascentes de brejos ou despencam de paredões de
pedra. Em várias partes do cerrado brasileiro existem canyons com cachoeiras de
mais de cem metros de altura!
SALDANHA, P. Os cerrados . Rio de Janeiro: Ediouro,
2000.
Texto II
Os Pantanais
O homem pantaneiro é muito ligado à terra em que
vive. Muitos moradores não
pretendem sair da região. E não é pra menos:
além das paisagens e do mais lindo pôr-dosol
do Brasil Central, o Pantanal é um santuário de animais
selvagens. Um morador do
Pantanal do rio Cuiabá, olhando para um bando de
aves, voando sobre veados e capivaras, exclamou: “O Pantanal parece com o mundo
no primeiro dia da criação.”
SALDANHA, P. Os pantanais. Rio de Janeiro:
Ediouro, 1995.
Os dois textos descrevem
(A) belezas naturais do Brasil Central.
(B) animais que habitam os pantanais.
(C) problemas que afetam os cerrados.
(D) rios e cachoeiras de duas regiões.
NOME, COLEIRA E
LIBERDADE
Eu sempre me orgulhei da condição de vira-lata.
Sempre fui um cachorro de focinho para cima.
Fujo de pedrada, que eu não sou besta.
Fujo de automóvel, que não sou criança.
Trato gente na diplomacia: de longe!
Não me deixo tapear.
Comigo não tem “não-me-ladres”...
Se preciso, eu ladro e mordo!
E coleira, aceitar eu não aceito, de jeito nenhum!
Quando vejo certos colegas mostrando com orgulho aquela rodela imbecil no
pescoço, como se fosse não coleira, mas colar, chego a ter vergonha de ser cão.
Palavra de honra!
A coleira é o dono!
A coleira é escravidão!
Coleira é o adeus à liberdade!
Dirão vocês: a coleira pode livrar o cachorro da carrocinha.
Posso falar com franqueza?
Cachorro que não sabe fugir da carrocinha pelas próprias patas, que não é capaz
de autografar a canela de um caçador com os próprios dentes, não tem direito de
ser cão.
E é por isso que eu sempre fui contra o nome que os homens me impingem.
Porque é símbolo, também, de escravidão.
LESSA, Orígenes. Podem me chamar de bacana. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1977,
p. 25-28.
O narrador da história é o: No texto, o cachorro é:
A. Cachorro de raça. A) Covarde
B. Cachorro vira-lata. B) Livre
C. Cachorro da carrocinha. C) Besta
D. Cachorro da madame. D) Envergonhado
BRINQUEDOS INCENDIADOS
Cecília Meireles
Uma noite houve um incêndio num bazar. E no fogo total desapareceram consumidos
os seus brinquedos. Nós, crianças, conhecíamos aqueles brinquedos um por um, de
tanto mirá-los nos mostruários - uns, pendentes de longos barbantes; outros,
apenas entrevistos em suas caixas.
(…)
O incêndio, porém, levou tudo. O bazar ficou sendo um famoso galpão de cinzas.
Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor. Como não tinha morrido
ninguém? - pensavam as crianças. Tinha morrido um mundo, e, dentro dele, os
olhos amorosos das crianças, ali deixados.
E começávamos a pressentir que viriam outros incêndios. Em outras idades. De
outros brinquedos. Até que um dia também desaparecêssemos sem socorro, nós,
brinquedos que somos, talvez, de anjos distantes!
(In: Janela Mágica, São Paulo, Moderna, pp 13-14)
Os outros incêndios a que a autora se refere, no último parágrafo, podem ser
entendidos como:
A. Descobertas que se fariam ao longo da vida.
B. Perdas e decepções que ocorreriam ao longo da vida.
C. Acidentes com fogo em estabelecimentos comerciais e residenciais.
D. Violentas transformações na cidade em que morava.
TELEBRAS
“Para nós, todo dia é dia de trabalho. Foi assim que conseguimos um nível de
eficiência considerado um dos melhores do Brasil, no setor. Só em 96 investimos
208 milhões de reais em modernização e garantia de qualidade em nossos
serviços. Fibra ótica, rede inteligente, telefonia pública, telefonia celular
são conquistas que, somadas à nossa excelência empresarial, dão à TELECEARÁ o
primeiro lugar em rentabilidade entre as empresas do Sistema TELEBRÁS”.
(O POVO, 18/04/97)
Com relação a esse texto, seria incoerente dizer que a empresa obteve sucesso
porque
A. Investiu em tecnologia.
B. Modernizou-se.
C. Foi eficiente.
D. Ganhou um prêmio.
E. Trabalhou com qualidade.
Apagão em escala planetária festejará o brilho das estrelas
Pouca gente ouviu falar de poluição luminosa, mas tal coisa existe e é um
pesadelo
na vida de astrônomo, pois rouba a beleza do céu estrelado. Não foram os astros
que
perderam o viço, a humanidade é que iluminou intensamente a Terra e ofuscou a
noite. A
poluição luminosa é causada pelo excesso de iluminação urbana. (...) Para
chamar a
atenção para o problema, astrônomos de diversos países começaram a organizar
algo
como o dia mundial do céu escuro. A idéia é que as luzes das cidades sejam
apagadas
por alguns instantes em 18 de abril de 2005, quando serão lembrados os 50 anos
da
morte de Albert Einstein.
(Revista O Globo, Rio de Janeiro, 3/10/2004, p. 34.)
01. Da leitura do texto, pode-se entender que a poluição luminosa é provocada
(A) pelo brilho intenso das estrelas.
(B) pela perda do viço dos astros.
(C) pela pouca iluminação de algumas cidades.
(D) pelo excesso de iluminação urbana.
02. De acordo com o texto, o excesso de iluminação é uma preocupação para os
astrônomos porque
(A) dificulta a iluminação urbana.
(B) ilumina excessivamente a cidade.
(C) impede a plena observação das estrelas.
(D) torna a noite ainda mais escura.
03. A questão central tratada no texto é a
(A) economia de energia.
(B) beleza das estrelas.
(C) pesquisa dos astros.
(D) poluição luminosa.
04. A finalidade desse texto é
(A) informar a preocupação dos astrônomos.
(B) denunciar os perigos de um apagão.
(C) alertar sobre o consumo de energia.
(D) valorizar o excesso de iluminação urbana.
d.8- Os filhos podem dormir com os pais?
(Fragmento)
Maria Tereza – Se é eventual, tudo bem. Quando é
sistemático, prejudica a intimidade do casal. De qualquer forma, é importante
perceber as motivações sub¬jacentes ao pedido e descobrir outras maneiras
aceitáveis de atendê-las. Por vezes, a criança está com medo, insegura, ou
sente que tem poucas oportunidades de con¬tato com os pais. Podem ser criados
recursos próprios para lidar com seus medos e inseguranças, fazendo ela se
sentir mais competente.
Posternak – Este hábito é bem freqüente. Tem a
ver com comodismo – é mais rápido atender ao pedido dos filhos que agüentar
birra no meio da madrugada; e com culpa – “coitadinho, eu saio quando ainda
dorme e volto quando já está dormin¬do”. O que falta são limites claros e
concretos. A criança que “sacaneia” os pais para dormir também o faz para
comer, escolher roupa ou aceitar as saídas familiares.
ISTOÉ, setembro de 2003 -1772.
O argumento usado para mostrar que os pais agem
por comodismo encontra-se na alternativa
(A) a birra na madrugada é pior.
(B) a criança tem motivações subjacentes.
(C) o fato é muitas vezes eventual.
(D) os limites estão claros.
d.9-Necessidade de alegria
O ator que fazia o papel de Cristo no espetáculo
de Nova Jerusalém ficou tão compenetrado da magnitude da tarefa que, de ano
para ano, mais exigia de si mes¬mo, tanto na representação como na vida
rotineira.
Não que pretendesse copiar o modelo divino, mas
sentia necessidade de aper¬feiçoar-se moralmente, jamais se permitindo a
prática de ações menos nobres. E exagerou em contenção e silêncio.
Sua vida tornou-se complicada, pois os amigos de
bar o estranhavam, os cole¬gas de trabalho no escritório da Empetur (Empresa
Pernambucana de Turismo) pas¬saram a olhá-lo com espanto, e em casa a mulher
reclamava do seu alheamento.
No sexto ano de encenação do drama sacro, estava
irreconhecível. Emagrecera, tinha expressão sombria no olhar, e repetia
maquinalmente as palavras tradicionais. Seu desempenho deixou a desejar.
Foi advertido pela Empetur e pela crítica: devia
ser durante o ano um homem alegre, descontraído, para tornar-se perfeito
intérprete da Paixão na hora certa. Além do mais, até a chegada a Jerusalém,
Jesus era jovial e costumava ir a festas.
Ele não atendeu às ponderações, acabou
destituído do papel, abandonou a família, e dizem que se alimenta de gafanhotos
no agreste.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Histórias para o
Rei.
2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 56.
Qual é a informação principal no texto “Necessidade
de alegria”?
(A) A arte de representar exige compenetração.
(B) O ator pode exagerar em contenção e
silêncio.
(C) O ator precisa ser alegre.
(D) É necessário aperfeiçoar-se.
d.16-O cabo e o soldado
Um cabo e um soldado de serviço dobravam a esquina,
quando perceberam que a multidão fechada em círculo observava algo. O cabo foi
logo verificar do que se tratava.
Não conseguindo ver nada, disse, pedindo
passagem:
— Eu sou irmão da vítima.
Todos olharam e logo o deixaram passar.
Quando chegou ao centro da multidão, notou que
ali estava um burro que tinha acabado de ser atropelado e, sem graça, gaguejou
dizendo ao soldado:
— Ora essa, o parente é seu.
Revista Seleções. Rir é o melhor remédio. 12/98,
p.91.
No texto, o traço de humor está no fato de
(A) o cabo e um soldado terem dobrado a esquina.
(B) o cabo ter ido verificar do que se tratava.
(C) todos terem olhado para o cabo.
(D) ter sido um burro a vítima do atropelamento.
d.17-Eu sou Clara
Sabe, toda a vez que me olho no espelho,
ultimamente, vejo o quanto eu mudei por fora. Tudo cresceu: minha altura, meus
cabelos lisos e pretos, meus seios. Meu corpo tomou novas formas: cintura,
coxas, bumbum. Meus olhos (grandes e pretos) estão com um ar mais ousado. Um
brilho diferente. Eu gosto dos meus olhos. São bonitos. Também gosto dos meus
dentes, da minha franja... Meu grande problema são as orelhas. Acho orelha uma
coisa horrorosa, não sei por que (nunca vi ninguém com uma orelha bonitona,
bem-feita). Ainda bem que cabelo cobre orelha!
Chego à conclusão de que tenho mais coisas que
gosto do que desgosto em mim. Isso é bom, muito bom. Se a gente não gostar da
gente, quem é que vai gos¬tar? (Ouvi isso em algum lugar...) Pra eu me gostar
assim, tenho que me esforçar um monte.
Tomo o maior cuidado com a pele por causa das
malditas espinhas (babo quando vejo um chocolate!). Não como gordura (é claro
que maionese não falta no meu sanduíche com batata frita, mas tudo light...)
nem tomo muito refri (celulite!!!). Procuro manter a forma. Às vezes sinto
vontade de fazer tudo ao contrário: comer, comer, comer... Sair da aula de
ginástica, suando, e tomar três garrafas de refrige-rante geladinho. Pedir
cheese bacon com um mundo de maionese.
Engraçado isso. As pessoas exigem que a gente
faça um tipo e o pior é que a gente acaba fazendo. Que droga! Será que o mundo
feminino inteiro tem que ser igual? Parecer com a Luíza Brunet ou com a Bruna
Lombardi ou sei lá com quem? Será que tem que ser assim mesmo?
Por que um monte de garotas que eu conheço vivem
cheias de complexos? Umas porque são mais gordinhas. Outras porque os cabelos
são crespos ou porque são um pouquinho narigudas.
Eu não sei como me sentiria se fosse gorda, ou
magricela, ou nariguda, ou dentuça, ou tudo junto. Talvez sofresse, odiasse
comprar roupas, não fosse a festas... Não mesmo! Bobagem! Minha mãe sempre diz
que beleza é “um conceito muito rela¬tivo”. O que pode ser bonito pra uns, pode
não ser pra outros. Ela também fala sem¬pre que existem coisas muito mais
importantes que tornam uma mulher atraente: inteligência e charme, por exemplo.
Acho que minha mãe está coberta de razão!
Pois bem, eu sou Clara. Com um pouco de tudo e
muito de nada.
RODRIGUES, Juciara. Difícil decisão. São Paulo:
Atual, 1996.
No trecho “...nem tomo muito refri
(celulite!!!).” (ℓ.14), a repetição do “ponto de excla¬mação” sugere que a
personagem tem
(A) incerteza quanto às causas da celulite.
(B) medo da ação do refrigerante.
(C) horror ao aparecimento da celulite.
(D) preconceito contra os efeitos da celulite.
d.18-A beleza total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a
própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a
refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o
corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do
banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaos.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos
paravam à revelia dos condu¬tores, e estes, por sua vez, perdiam toda
capacidade de ação. Houve um engarrafa¬mento monstro, que durou uma semana,
embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo
Gertrudes de chegar à janela. A moça
vivia confinada num salão em que só penetrava
sua mãe, pois o mordomo se suici¬dara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.
Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim,
este era o seu destino fatal: a ex¬trema beleza. E era feliz, sabendo-se
incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia
cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando,
imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a
beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.
Em que oração, adaptada do texto, o verbo
personificou um objeto?
(A) O espelho partiu-se em mil estilhaços.
(B) Os veículos paravam contra a vontade dos
condutores.
(C) O Senado aprovou uma lei em regime de
urgência.
(D) Os espelhos pasmavam diante do rosto de
Gertrudes.
d.19-A chuva
A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou
os rios. A chuva mo-lhou os transeuntes. A chuva encharcou as praças. A chuva
enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A chuva e seu cheiro de
terra. A chuva com sua cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chuva alagou a
favela. A chuva de canivetes. A chuva enxugou a sede. A chuva anoiteceu de
tarde. A chuva e seu brilho prateado. A chuva de retas paralelas sobre a terra
curva. A chuva destroçou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos dias. A chuva
apagou o incêndio. A chuva caiu. A chuva derramou-se. A chuva murmurou meu
nome. A chuva ligou o pára-brisa. A chuva acendeu os faróis. A chuva tocou a
sirene. A chuva com a sua crina. A chuva encheu a piscina. A chuva com as gotas
grossas. A chuva de pingos pretos. A chuva açoitando as plantas. A chuva
senhora da lama. A chuva sem pena. A chuva apenas. A chuva empenou os móveis. A
chuva amarelou os livros. A chuva corroeu as cercas. A chuva e seu baque seco.
A chuva e seu ruído de vidro. A chuva inchou o brejo. A chuva pingou pelo teto.
A chuva multiplicando insetos. A chuva sobre os varais. A chuva derrubando
raios. A chuva acabou a luz. A chuva molhou os cigarros. A chuva mijou no
telhado. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os poros. A chuva fez muitas
poças. A chuva secou ao sol.
ANTUNES, Arnaldo. As coisas. São Paulo:
Iluminuras, 1996.
Todas as frases do texto começam com “a chuva”.
Esse recurso é utilizado para
(A) provocar a percepção do ritmo e da
sonoridade.
(B) provocar uma sensação de relaxamento dos
sentidos.
(C) reproduzir exatamente os sons repetitivos da
chuva.
(D) sugerir a intensidade e a continuidade da
chuva.
d.13/d.6-O homem que entrou pelo cano
Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio
incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi
seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra
um desvio, era uma seção que terminava em torneira.
Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou
monótono. O cano por dentro não era interessante.
No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma
criança brincava.
Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu
numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da
menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou: “Mamãe,
tem um homem dentro da pia”.
Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A
menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras Proibidas.
São Paulo: Global, 1988, p. 89.
Na frase “Mamãe, tem um homem dentro da pia.”
(ℓ. 9), o verbo empregado repre¬senta, no contexto, uma marca de
(A) registro oral formal.
(B) registro oral informal.
(C) falar regional.
(D) falar caipira.
Feias, sujas e imbatíveis
d.As baratas estão na Terra há mais de 200
milhões de anos, sobrevivem tanto no deserto como nos pólos e podem ficar até
30 dias sem comer. Vai encarar?
Férias, sol e praia são alguns dos bons motivos
para comemorar a chegada do verão e achar que essa é a melhor estação do ano. E
realmente seria, se não fosse por um único detalhe: as baratas. Assim como nós,
elas também ficam bem animadas com o calor. Aproveitam a aceleração de seus
processos bioquímicos para se reproduzirem mais rápido e, claro, para passearem
livremente por todos os cômodos de nossas casas.
Nessa época do ano, as chances de dar de cara
com a visitante indesejada, ao
acordar durante a noite para beber água ou ir ao
banheiro, são três vezes maiores.
Revista Galileu. Rio de Janeiro: Globo, Nº 151,
Fev. 2004, p.26.
No trecho “Vai encarar?” (l.2), o ponto de
interrogação tem o efeito de
(A) apresentar.
(B) avisar.
(C) desafiar.
(D) questionar.
Continho
Era uma vez um menino triste, magro e
barrigudinho. Na soalheira danada de
meio-dia, ele estava sentado na poeira do
caminho, imaginando bobagem, quando
passou um vigário a cavalo.
— Você, aí, menino, para onde vai essa estrada?
— Ela não vai não: nós é que vamos nela.
— Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
— Eu não me chamo, não, os outros é que me
chamam de Zé.
Crônicas. São Paulo: Ática, 1996, v. -MENDES CAMPOS, Paulo, Para gostar de ler
Há traço de humor no trecho
(A) “Era uma vez um menino triste, magro”. (l.
1)
(B) “ele estava sentado na poeira do caminho”.
(l. 2)
(C) “quando passou um vigário”. (l. 2-3)
(D) “Ela não vai não: nós é que vamos nela”. (l.
5)
Televisão
Televisão é uma caixa de imagens que fazem
barulho.
Quando os adultos não querem ser incomodados,
mandam as crianças ir assistir à televisão.
O que eu gosto mais na televisão são os desenhos
animados de bichos.
Bicho imitando gente é muito mais engraçado do
que gente imitando gente, como nas telenovelas.
Não gosto muito de programas infantis com gente
fingindo de criança.
Em vez de ficar olhando essa gente brincar de
mentira, prefiro ir brincar de verdade com meus amigos e amigas. Também os
doces que aparecem anunciados na televisão não têm gosto de coisa alguma porque
ninguém pode comer uma imagem.
Já os doces que minha mãe faz e que eu como todo
dia, esses sim, são gostosos.
Conclusão: a vida fora da televisão é melhor do
que dentro dela.
PAES, J. P. Televisão. o, Ática, 2001.
O trecho em que se percebe que o narrador é uma
criança é:
(A) “Bicho imitando gente é muito mais engraçado
do que gente imitando gente, como nas telenovelas.”
(B) “Em vez de ficar olhando essa gente brincar
de mentira, prefiro ir brincar de verdade...”
(C) “Quando os adultos não querem ser
incomodados, mandam as crianças ir assistir à televisão.”
(D) “Também os doces que aparecem anunciados na
televisão não têm gosto de coisa alguma...”
O hábito da leitura
“A criança é o pai do homem”. A frase, do poeta
inglês William Wordsworth,
ensina que o adulto conserva e amplia qualidades
e defeitos que adquiriu quando
criança. Tudo que se torna um hábito
dificilmente é deixado. Assim, a leitura poderia
ser uma mania prazerosa, um passatempo.
Você, coleguinha, pode descobrir várias coisas,
viajar por vários lugares,
conhecer várias pessoas, e adquirir muitas
experiências enquanto lê um livro, jornal,
gibi, revista, cartazes de rua e até bula de
remédio. Dia 25 de janeiro foi o dia do
Carteiro. Ele leva ao mundo inteiro várias
notícias, intimações, saudades, respostas,
mas tudo isso só existe por causa do hábito da
leitura. E aí, vamos participar de um
projeto de leitura?
CORREIO BRAZILIENSE, Brasília, 31 de janeiro de
2004. p.7.
No trecho “Ele leva ao mundo inteiro várias
notícias...” (? . 8), a palavra sublinhada refere-se ao
(A) carteiro.
(B) jornal.
(C) livro.
(D) poeta.
O rato do mato e o rato da cidade
Um ratinho da cidade foi uma vez convidado para
ir à casa de um rato do campo. Vendo que seu companheiro vivia pobremente de
raízes e ervas, o rato da cidade convidou-o a ir morar com ele:
— Tenho muita pena da pobreza em que você vive —
disse.
— Venha morar comigo na cidade e você verá como
lá a vida é mais fácil.
Lá se foram os dois para a cidade, onde se
acomodaram numa casa rica e bonita.
Foram logo à despensa e estavam muito bem, se
empanturrando de comidas fartas e gostosas, quando entrou uma pessoa com dois
gatos, que pareceram enormes ao ratinho do campo.
Os dois ratos correram espavoridos para se
esconder.
— Eu vou para o meu campo — disse o rato do
campo quando o perigo passou.
— Prefiro minhas raízes e ervas na calma, às
suas comidas gostosas com todo esse susto.
Mais vale magro no mato que gordo na boca do
gato.
O problema do rato do mato terminou quando ele
(A) descobriu a despensa da casa.
(B) se empanturrou de comida.
(C) se escondeu dos ratos.
(D) decidiu voltar para o mato.
d.12- Poluição do solo
É na camada mais externa da superfície terrestre, chamada solo, que se desenvolvem os vegetais. Quando o solo é contaminado, tanto os cursos subterrâneos de água como as plantas podem ser envenenadas.
Os principais poluentes do solo são os produtos químicos usados na agricultura. Eles servem para destruir pragas e ervas daninhas, mas também causam sérios estragos ambientais.
O lixo produzido pelas fábricas e residências também pode poluir o solo. Baterias e pilhas jogadas no lixo, por exemplo, liberam líquidos tóxicos e corrosivos. Nos aterros, onde o lixo das cidades é despejado, a decomposição da matéria orgânica gera um líquido escuro e de mau cheiro chamado chorume, que penetra no solo e contamina mesmo os cursos de água que passam bem abaixo da superfície.
{...}
.
.
(A) causa.
(B) finalidade.
(C) lugar.
(D) tempo.
Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho. Na soalheira danada de meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um vigário a cavalo.
— Você, aí, menino, para onde vai essa estrada?
— Ela não vai não: nós é que vamos nela.
— Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
— Eu não me chamo, não, os outros é que me chamam de Zé.
MENDES CAMPOS, Paulo, Para gostar de ler − Crônicas. São Paulo: Ática, 1996, v. 1 p. 76.
Há traço de humor no trecho:
(A) “Era uma vez um menino triste, magro”.
(B) “ele estava sentado na poeira do caminho”.
(C) “quando passou um vigário”.
(D) “Ela não vai não: nós é que vamos nela”.
Um passarinho me contou
que o elefante brigou
com a formiga só porque
enquanto dançavam (segundo ele)
ela pisou no pé dele!
Um passarinho me contou
que o jacaré se engasgou
e teve de cuspi-lo inteirinho
quando tentou engolir,
imaginem só, um porco-espinho!
Um passarinho me contou
que o namoro do tatu e a tartaruga
deu num casamento de fazer dó:
cada qual ficou morando em sua casca
em vez de morar numa casca só.
Um passarinho me contou
que a ostra é muito fechada,
que a cobra é muito enrolada
que a arara é uma cabeça oca,
e que o leão-marinho e a foca...
Xô xô, passarinho, chega de fofoca!
PAES, José Paulo. O que disse o passarinho. In: ____.Um passarinho me contou. São Paulo: Editora Ática, 1996.
(A) está cansado.
(B) está confuso.
(C) não tem mais fofocas para contar.
(D) ainda tem fofocas para contar.
Lorelai:
Era tão bom quando eu morava lá na roça. A casa tinha um quintal com milhões de coisas, tinha até um galinheiro. Eu conversava com tudo quanto era galinha, cachorro, gato, lagartixa, eu conversava com tanta gente que você nem imagina, Lorelai. Tinha árvore para subir, rio passando no fundo, tinha cada esconderijo tão bom que a gente podia ficar escondida a vida toda que ninguém achava. Meu pai e minha mãe viviam rindo, andavam de mão dada, era uma coisa muito legal da gente ver. Agora, tá tudo diferente: eles vivem de cara fechada, brigam à toa, discutem por qualquer coisa. E depois, toca todo mundo a ficar emburrando. Outro dia eu perguntei: o que é que tá acontecendo que toda hora tem briga? Sabe o que é que eles falaram? Que não era assunto para criança. E o pior é que esse negócio de emburramento em casa me dá uma aflição danada. Eu queria tanto achar um jeito de não dar mais bola pra briga e pra cara amarrada. Será que você não acha um jeito pra mim?
Um beijo da Raquel.
(...)
NUNES, Lygia Bojunga. A Bolsa Amarela – 31ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1998.
Em “Agora tá tudo diferente:”, a palavra destacada é um exemplo de linguagem
(A) ensinada na escola.
(B) estudada nas gramáticas.
(C) encontrada nos livros técnicos.
(D) empregada com colegas.
d.1-Como opera a máfia que transformou o Brasil num dos campeões da fraude de medicamentos
PASTORE, Karina. O Paraíso dos Remédios Falsificados.
Veja, nº 27. São Paulo: Abril, 8 jul. 1998, p. 40-41.
Segundo a autora, “um dos piores crimes que se podem cometer” é
(A) a venda de narcóticos.
(B) a falsificação dos remédios.
(C) a receita de remédios falsos.
(D) a venda abusiva de remédios.
d.6- O Ouro da biotecnologia Homem de Meia-Idade
(Lenda chinesa)
Havia outrora um homem de meia-idade que tinha duas esposas. Um dia, indo visitar a mais jovem, esta lhe disse:
— Eu sou moça e você é velho; não gosto de morar com você. Vá habitar com sua esposa mais velha.
Para poder ficar, o homem arrancou da cabeça os cabelos brancos. Mas, quan¬do foi visitar a esposa mais velha, esta lhe disse, por sua vez:
— Eu sou velha e tenho a cabeça branca; arranque, pois, os cabelos pretos que tem.
Então o homem arrancou os cabelos pretos para ficar de cabeça branca. Como repetisse sem tréguas tal procedimento, a cabeça tornou-se-lhe inteiramente calva. A essa altura, ambas as esposas acharam-no horrível e ambas o abandonaram.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, RÓNAI, Paulo, (orgs.) Mar de histórias. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978. v. 1, p. 119.
A idéia central do texto é
(A) o problema da calvície masculina.
(B) a impossibilidade de agradar a todos.
(C) a vaidade dos homens.
(D) a insegurança na meia-idade.
d.14-As enchentes de minha infância
Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua, onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a casa dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa com varanda fresquinha dando para o rio.
Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras, vinham subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no meio da noite, o volume do rio cresceu tanto que a famí¬lia defronte teve medo.
Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela intimidade improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais. Sim, éramos a
favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio baixara um palmo – aquilo era uma traição, uma fraqueza do Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras, então dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer, queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes.
BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 157.
A expressão que revela uma opinião sobre o fato “... vinham todos dormir em nossa casa” (ℓ. 10), é
(A) “Às vezes chegava alguém a cavalo...”
(B) “E às vezes o rio atravessava a rua...”
(C) “e se tomava café tarde da noite!”
(D) “Isso para nós era uma festa...”
d.12-A antiga Roma ressurge em cada detalhe
Dos 20.000 habitantes de Pompéia, só dois escaparam da fulminante erupção do vulcão Vesúvio em 24 de agosto de 79 d.C. Varrida do mapa em horas, a cidade só foi encontrada em 1748, debaixo de 6 metros de cinzas. Por ironia, a catástrofe
salvou Pompéia dos conquistadores e preservou-a para o futuro, como uma jóia arqueológica. Para quem já esteve lá, a visita é inesquecível.
A profusão de dados sobre a cidade permitiu ao Laboratório de Realidade Virtual Avançada da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, criar imagens minuciosas, com apoio do instituto Americano de Arqueologia. Milhares de detalhes arquitetônicos tornaram-se visíveis. As imagens mostram até que nas casas dos ricos se comia pão branco, de farinha de trigo, enquanto na dos pobres comia-se pão preto, de centeio.
Outro mega projeto, para ser concluído em 2020, da Universidade da Califórnia, trata da restauração virtual da história de Roma, desde os primeiros habitantes, no século XV a.C., até a decadência, no século V. Guias turísticos virtuais conduzirão o visitante por paisagens animadas por figurantes. Edifícios, monumentos, ruas, aque¬dutos, termas e sepulturas desfilarão, interativamente. Será possível percorrer vinte séculos da história num dia. E ver com os próprios olhos tudo aquilo que a literatura esforçou-se para contar com palavras.
Revista Superinteressante, dezembro de 1998, p. 63.
A finalidade principal do texto é
(A) convencer.
(B) relatar.
(C) descrever.
(D) informar.
d.20- Monte Castelo
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor, eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade;
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É um ter com quem nos mata lealdade,
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado, e todos dormem, todos dormem, todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
Legião Urbana. As quatro estações. EMI, 1989 – Adaptação de Renato Russo: I Coríntios 13 e So- neto 11.
Texto II
Soneto 11
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís Vaz de Camões. Obras completas. Lisboa: Sá da Costa, 1971.
O texto I difere do texto II
(A) na constatação de que o amor pode levar até à morte.
(B) na exaltação da dor causada pelo sofrimento amoroso.
(C) na expressão da beleza do sentimento dos que amam.
(D) na rejeição da aceitação passiva do sofrimento amoroso.
d.21- Telenovelas empobrecem o país
Parece que não há vida inteligente na telenovela brasileira. O que se assiste todos os dias às 6, 7 ou 8 horas da noite é algo muito pior do que os mais baratos filmes “B” americanos. Os diálogos são péssimos. As atuações, sofríveis. Três minu¬tos em frente a qualquer novela são capazes de me deixar absolutamente entediado – nada pode ser mais previsível.
Antunes Filho. Veja, 11/mar/96.
Texto II
Novela é cultura
Veja – Novela de televisão aliena?
Maria Aparecida – Claro que não. Considerar a telenovela um produto cultural alienante é um tremendo preconceito da universidade. Quem acha que novela aliena está na verdade chamando o povo de débil mental. Bobagem imaginar que alguém é induzido a pensar que a vida é um mar de rosas só por causa de um enredo açu¬carado. A telenovela brasileira é um produto cultural de alta qualidade técnica, e algumas delas são verdadeira obras de arte.
Veja, 24/jan/96.
Com relação ao tema “telenovela”
(A) nos textos I e II, encontra-se a mesma opinião sobre a telenovela.
(B) no texto I, compara-se a qualidade das novelas aos melhores filmes america¬nos.
(C) no texto II, algumas telenovelas brasileiras são consideradas obras de arte.
(D) no texto II, a telenovela é considerada uma bobagem.
A floresta do contrário
d.2-Todas as florestas existem antes dos homens.
Elas estão lá e então o homem chega, vai destruindo, derruba as árvores, começa a construir prédios, casas, tudo com muito tijolo e concreto. E poluição também.
Mas nesta floresta aconteceu o contrário. O que havia antes era uma cidade dos
homens, dessas bem poluídas, feia, suja, meio neurótica.
Então as árvores foram chegando, ocupando novamente o espaço, conseguiram expulsar toda aquela sujeira e se instalaram no lugar.
É o que se poderia chamar de vingança da natureza – foi assim que terminou seu relato o amigo beija-flor.
Por isso ele estava tão feliz, beijocando todas as flores – aliás, um colibri bem assanhado, passava flor por ali, ele já sapecava um beijão.
Agora o Nan havia entendido por que uma ou outra árvore tinha parede por dentro, e ele achou bem melhor assim.
Algumas árvores chegaram a engolir casas inteiras.
Era um lugar muito bonito, gostoso de se ficar. Só que o Nan não podia, pre¬cisava partir sem demora. Foi se despedir do colibri, mas ele já estava namorando apertado a uma outra florzinha, era melhor não atrapalhar.
LIMA, Ricardo da Cunha. Em busca do tesouro de Magritte. São Paulo: FTD, 1988.
No trecho “Elas estão lá e então o homem chega,...” (ℓ. 2), a palavra destacada re-fere-se a
(A) flores.
(B) casas.
(C) florestas.
(D) árvores.
O que dizem as camisetas
(Fragmento)
Apareceram tantas camisetas com inscrições, que a gente estranha ao deparar com uma que não tem nada escrito.
– Que é que ele está anunciando? – indagou o cabo eleitoral, apreensivo. – Será que faz propaganda do voto em branco? Devia ser proibido!
– O cidadão é livre de usar a camiseta que quiser – ponderou um senhor moderado.
– Em tempo de eleição, nunca – retrucou o outro. – Ou o cidadão manifesta sua preferência política ou é um sabotador do processo de abertura democrática.
– O voto é secreto.
– É secreto, mas a camiseta não é, muito pelo contrário. Ainda há gente neste país que não assume a sua responsabilidade cívica, se esconde feito avestruz e...
– Ah, pelo que vejo o amigo não aprova as pessoas que gostam de usar uma camiseta limpinha, sem inscrição, na cor natural em que saiu da fábrica.
(...).
O conflito em torno do qual se desenvolveu a narrativa foi o fato de
(A) alguém aparecer com uma camiseta sem nenhuma inscrição.
(B) muitas pessoas não assumirem sua responsabilidade cívica.
(C) um senhor comentar que o cidadão goza de total liberdade.
(D) alguém comentar que a camiseta, ao contrário do voto, não é secreta.
d.11-A função da arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que desco¬brisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
– Me ajuda a olhar!
GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno 5ª ed. Porto Alegre: Editora L & PM, 1997.
O menino ficou tremendo, gaguejando porque
(A) a viagem foi longa.
(B) as dunas eram muito altas.
(C) o mar era imenso e belo.
(D) o pai não o ajudou a ver o mar
Opinião
Acho uma boa idéia abrir as escolas no fim de semana, mas os alunos devem ser supervisionados por alguém responsável pelos jogos ou qualquer opção de lazer que se ofereça no dia. A comunidade poderia interagir e participar de atividades in¬teressantes. Poderiam ser feitas gincanas, festas e até churrascos dentro da escola.
(Juliana Araújo e Souza)
(Correio Braziliense, 10/02/2003, Gabarito. p. 2.)
Em “A comunidade poderia interagir e participar de atividades interessantes.” (ℓ. 3, 4), a palavra destacada indica
(A) alternância.
(B) oposição.
(C) adição.
(D) explicação.
d.7-O mercúrio onipresente
(Fragmento)
Os venenos ambientais nunca seguem regras. Quando o mundo pensa ter descoberto tudo o que é preciso para controlá-los, eles voltam a atacar. Quando removemos o chumbo da gasolina, ele ressurge nos encanamentos envelhecidos. Quando toxinas e resíduos são enterrados em aterros sanitários, contaminam o len¬çol freático. Mas ao menos acreditávamos conhecer bem o mercúrio. Apesar de todo o seu poder tóxico, desde que evitássemos determinadas espécies de peixes nas quais o nível de contaminação é particularmente elevado, estaríamos bem. [...].
Mas o mercúrio é famoso pela capacidade de passar despercebido. Uma sé¬rie de estudos recentes sugere que o metal potencialmente mortífero está em toda parte — e é mais perigoso do que a maioria das pessoas acredita.
Jeffrey Kluger. IstoÉ. nº 1927, 27/06/2006, p.114-115.
A tese defendida no texto está expressa no trecho
(A) as substâncias tóxicas, em aterros, contaminam o lençol freático.
(B) o chumbo da gasolina ressurge com a ação do tempo.
(C) o mercúrio apresenta alto teor de periculosidade para a natureza.
(D) o total controle dos venenos ambientais é impossível.
SALDANHA, P. Os cerrados . Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.
Texto II
Os Pantanais
O homem pantaneiro é muito ligado à terra em que vive. Muitos moradores não
pretendem sair da região. E não é pra menos: além das paisagens e do mais lindo pôr-dosol
do Brasil Central, o Pantanal é um santuário de animais selvagens. Um morador do
Pantanal do rio Cuiabá, olhando para um bando de aves, voando sobre veados e capivaras, exclamou: “O Pantanal parece com o mundo no primeiro dia da criação.”
SALDANHA, P. Os pantanais. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.
Os dois textos descrevem
(A) belezas naturais do Brasil Central.
(B) animais que habitam os pantanais.
(C) problemas que afetam os cerrados.
(D) rios e cachoeiras de duas regiões.
Eu sempre me orgulhei da condição de vira-lata.
Sempre fui um cachorro de focinho para cima.
Fujo de pedrada, que eu não sou besta.
Fujo de automóvel, que não sou criança.
Trato gente na diplomacia: de longe!
Não me deixo tapear.
Comigo não tem “não-me-ladres”...
Se preciso, eu ladro e mordo!
E coleira, aceitar eu não aceito, de jeito nenhum!
Quando vejo certos colegas mostrando com orgulho aquela rodela imbecil no pescoço, como se fosse não coleira, mas colar, chego a ter vergonha de ser cão.
Palavra de honra!
A coleira é o dono!
A coleira é escravidão!
Coleira é o adeus à liberdade!
Dirão vocês: a coleira pode livrar o cachorro da carrocinha.
Posso falar com franqueza?
Cachorro que não sabe fugir da carrocinha pelas próprias patas, que não é capaz de autografar a canela de um caçador com os próprios dentes, não tem direito de ser cão.
E é por isso que eu sempre fui contra o nome que os homens me impingem.
Porque é símbolo, também, de escravidão.
LESSA, Orígenes. Podem me chamar de bacana. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1977, p. 25-28.
O narrador da história é o: No texto, o cachorro é:
A. Cachorro de raça. A) Covarde
B. Cachorro vira-lata. B) Livre
C. Cachorro da carrocinha. C) Besta
D. Cachorro da madame. D) Envergonhado
BRINQUEDOS INCENDIADOS
Cecília Meireles
Uma noite houve um incêndio num bazar. E no fogo total desapareceram consumidos os seus brinquedos. Nós, crianças, conhecíamos aqueles brinquedos um por um, de tanto mirá-los nos mostruários - uns, pendentes de longos barbantes; outros, apenas entrevistos em suas caixas.
(…)
O incêndio, porém, levou tudo. O bazar ficou sendo um famoso galpão de cinzas.
Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor. Como não tinha morrido ninguém? - pensavam as crianças. Tinha morrido um mundo, e, dentro dele, os olhos amorosos das crianças, ali deixados.
E começávamos a pressentir que viriam outros incêndios. Em outras idades. De outros brinquedos. Até que um dia também desaparecêssemos sem socorro, nós, brinquedos que somos, talvez, de anjos distantes!
(In: Janela Mágica, São Paulo, Moderna, pp 13-14)
Os outros incêndios a que a autora se refere, no último parágrafo, podem ser entendidos como:
A. Descobertas que se fariam ao longo da vida.
B. Perdas e decepções que ocorreriam ao longo da vida.
C. Acidentes com fogo em estabelecimentos comerciais e residenciais.
D. Violentas transformações na cidade em que morava.
TELEBRAS
“Para nós, todo dia é dia de trabalho. Foi assim que conseguimos um nível de eficiência considerado um dos melhores do Brasil, no setor. Só em 96 investimos 208 milhões de reais em modernização e garantia de qualidade em nossos serviços. Fibra ótica, rede inteligente, telefonia pública, telefonia celular são conquistas que, somadas à nossa excelência empresarial, dão à TELECEARÁ o primeiro lugar em rentabilidade entre as empresas do Sistema TELEBRÁS”.
(O POVO, 18/04/97)
Com relação a esse texto, seria incoerente dizer que a empresa obteve sucesso porque
A. Investiu em tecnologia.
B. Modernizou-se.
C. Foi eficiente.
D. Ganhou um prêmio.
E. Trabalhou com qualidade.
Apagão em escala planetária festejará o brilho das estrelas
Pouca gente ouviu falar de poluição luminosa, mas tal coisa existe e é um pesadelo
na vida de astrônomo, pois rouba a beleza do céu estrelado. Não foram os astros que
perderam o viço, a humanidade é que iluminou intensamente a Terra e ofuscou a noite. A
poluição luminosa é causada pelo excesso de iluminação urbana. (...) Para chamar a
atenção para o problema, astrônomos de diversos países começaram a organizar algo
como o dia mundial do céu escuro. A idéia é que as luzes das cidades sejam apagadas
por alguns instantes em 18 de abril de 2005, quando serão lembrados os 50 anos da
morte de Albert Einstein.
(Revista O Globo, Rio de Janeiro, 3/10/2004, p. 34.)
01. Da leitura do texto, pode-se entender que a poluição luminosa é provocada
(A) pelo brilho intenso das estrelas.
(B) pela perda do viço dos astros.
(C) pela pouca iluminação de algumas cidades.
(D) pelo excesso de iluminação urbana.
02. De acordo com o texto, o excesso de iluminação é uma preocupação para os
astrônomos porque
(A) dificulta a iluminação urbana.
(B) ilumina excessivamente a cidade.
(C) impede a plena observação das estrelas.
(D) torna a noite ainda mais escura.
03. A questão central tratada no texto é a
(A) economia de energia.
(B) beleza das estrelas.
(C) pesquisa dos astros.
(D) poluição luminosa.
04. A finalidade desse texto é
(A) informar a preocupação dos astrônomos.
(B) denunciar os perigos de um apagão.
(C) alertar sobre o consumo de energia.
(D) valorizar o excesso de iluminação urbana.
d.8- Os filhos podem dormir com os pais?
(Fragmento)
Maria Tereza – Se é eventual, tudo bem. Quando é sistemático, prejudica a intimidade do casal. De qualquer forma, é importante perceber as motivações sub¬jacentes ao pedido e descobrir outras maneiras aceitáveis de atendê-las. Por vezes, a criança está com medo, insegura, ou sente que tem poucas oportunidades de con¬tato com os pais. Podem ser criados recursos próprios para lidar com seus medos e inseguranças, fazendo ela se sentir mais competente.
Posternak – Este hábito é bem freqüente. Tem a ver com comodismo – é mais rápido atender ao pedido dos filhos que agüentar birra no meio da madrugada; e com culpa – “coitadinho, eu saio quando ainda dorme e volto quando já está dormin¬do”. O que falta são limites claros e concretos. A criança que “sacaneia” os pais para dormir também o faz para comer, escolher roupa ou aceitar as saídas familiares.
ISTOÉ, setembro de 2003 -1772.
O argumento usado para mostrar que os pais agem por comodismo encontra-se na alternativa
(A) a birra na madrugada é pior.
(B) a criança tem motivações subjacentes.
(C) o fato é muitas vezes eventual.
(D) os limites estão claros.
d.9-Necessidade de alegria
O ator que fazia o papel de Cristo no espetáculo de Nova Jerusalém ficou tão compenetrado da magnitude da tarefa que, de ano para ano, mais exigia de si mes¬mo, tanto na representação como na vida rotineira.
Não que pretendesse copiar o modelo divino, mas sentia necessidade de aper¬feiçoar-se moralmente, jamais se permitindo a prática de ações menos nobres. E exagerou em contenção e silêncio.
Sua vida tornou-se complicada, pois os amigos de bar o estranhavam, os cole¬gas de trabalho no escritório da Empetur (Empresa Pernambucana de Turismo) pas¬saram a olhá-lo com espanto, e em casa a mulher reclamava do seu alheamento.
No sexto ano de encenação do drama sacro, estava irreconhecível. Emagrecera, tinha expressão sombria no olhar, e repetia maquinalmente as palavras tradicionais. Seu desempenho deixou a desejar.
Foi advertido pela Empetur e pela crítica: devia ser durante o ano um homem alegre, descontraído, para tornar-se perfeito intérprete da Paixão na hora certa. Além do mais, até a chegada a Jerusalém, Jesus era jovial e costumava ir a festas.
Ele não atendeu às ponderações, acabou destituído do papel, abandonou a família, e dizem que se alimenta de gafanhotos no agreste.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Histórias para o Rei.
2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 56.
Qual é a informação principal no texto “Necessidade de alegria”?
(A) A arte de representar exige compenetração.
(B) O ator pode exagerar em contenção e silêncio.
(C) O ator precisa ser alegre.
(D) É necessário aperfeiçoar-se.
d.16-O cabo e o soldado
Um cabo e um soldado de serviço dobravam a esquina, quando perceberam que a multidão fechada em círculo observava algo. O cabo foi logo verificar do que se tratava.
Não conseguindo ver nada, disse, pedindo passagem:
— Eu sou irmão da vítima.
Todos olharam e logo o deixaram passar.
Quando chegou ao centro da multidão, notou que ali estava um burro que tinha acabado de ser atropelado e, sem graça, gaguejou dizendo ao soldado:
— Ora essa, o parente é seu.
Revista Seleções. Rir é o melhor remédio. 12/98, p.91.
No texto, o traço de humor está no fato de
(A) o cabo e um soldado terem dobrado a esquina.
(B) o cabo ter ido verificar do que se tratava.
(C) todos terem olhado para o cabo.
(D) ter sido um burro a vítima do atropelamento.
d.17-Eu sou Clara
Sabe, toda a vez que me olho no espelho, ultimamente, vejo o quanto eu mudei por fora. Tudo cresceu: minha altura, meus cabelos lisos e pretos, meus seios. Meu corpo tomou novas formas: cintura, coxas, bumbum. Meus olhos (grandes e pretos) estão com um ar mais ousado. Um brilho diferente. Eu gosto dos meus olhos. São bonitos. Também gosto dos meus dentes, da minha franja... Meu grande problema são as orelhas. Acho orelha uma coisa horrorosa, não sei por que (nunca vi ninguém com uma orelha bonitona, bem-feita). Ainda bem que cabelo cobre orelha!
Chego à conclusão de que tenho mais coisas que gosto do que desgosto em mim. Isso é bom, muito bom. Se a gente não gostar da gente, quem é que vai gos¬tar? (Ouvi isso em algum lugar...) Pra eu me gostar assim, tenho que me esforçar um monte.
Tomo o maior cuidado com a pele por causa das malditas espinhas (babo quando vejo um chocolate!). Não como gordura (é claro que maionese não falta no meu sanduíche com batata frita, mas tudo light...) nem tomo muito refri (celulite!!!). Procuro manter a forma. Às vezes sinto vontade de fazer tudo ao contrário: comer, comer, comer... Sair da aula de ginástica, suando, e tomar três garrafas de refrige-rante geladinho. Pedir cheese bacon com um mundo de maionese.
Engraçado isso. As pessoas exigem que a gente faça um tipo e o pior é que a gente acaba fazendo. Que droga! Será que o mundo feminino inteiro tem que ser igual? Parecer com a Luíza Brunet ou com a Bruna Lombardi ou sei lá com quem? Será que tem que ser assim mesmo?
Por que um monte de garotas que eu conheço vivem cheias de complexos? Umas porque são mais gordinhas. Outras porque os cabelos são crespos ou porque são um pouquinho narigudas.
Eu não sei como me sentiria se fosse gorda, ou magricela, ou nariguda, ou dentuça, ou tudo junto. Talvez sofresse, odiasse comprar roupas, não fosse a festas... Não mesmo! Bobagem! Minha mãe sempre diz que beleza é “um conceito muito rela¬tivo”. O que pode ser bonito pra uns, pode não ser pra outros. Ela também fala sem¬pre que existem coisas muito mais importantes que tornam uma mulher atraente: inteligência e charme, por exemplo. Acho que minha mãe está coberta de razão!
Pois bem, eu sou Clara. Com um pouco de tudo e muito de nada.
RODRIGUES, Juciara. Difícil decisão. São Paulo: Atual, 1996.
No trecho “...nem tomo muito refri (celulite!!!).” (ℓ.14), a repetição do “ponto de excla¬mação” sugere que a personagem tem
(A) incerteza quanto às causas da celulite.
(B) medo da ação do refrigerante.
(C) horror ao aparecimento da celulite.
(D) preconceito contra os efeitos da celulite.
d.18-A beleza total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilha¬ços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condu¬tores, e estes, por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafa¬mento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça
vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suici¬dara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.
Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a ex¬trema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.
Em que oração, adaptada do texto, o verbo personificou um objeto?
(A) O espelho partiu-se em mil estilhaços.
(B) Os veículos paravam contra a vontade dos condutores.
(C) O Senado aprovou uma lei em regime de urgência.
(D) Os espelhos pasmavam diante do rosto de Gertrudes.
d.19-A chuva
A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou os rios. A chuva mo-lhou os transeuntes. A chuva encharcou as praças. A chuva enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chuva alagou a favela. A chuva de canivetes. A chuva enxugou a sede. A chuva anoiteceu de tarde. A chuva e seu brilho prateado. A chuva de retas paralelas sobre a terra curva. A chuva destroçou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos dias. A chuva apagou o incêndio. A chuva caiu. A chuva derramou-se. A chuva murmurou meu nome. A chuva ligou o pára-brisa. A chuva acendeu os faróis. A chuva tocou a sirene. A chuva com a sua crina. A chuva encheu a piscina. A chuva com as gotas grossas. A chuva de pingos pretos. A chuva açoitando as plantas. A chuva senhora da lama. A chuva sem pena. A chuva apenas. A chuva empenou os móveis. A chuva amarelou os livros. A chuva corroeu as cercas. A chuva e seu baque seco. A chuva e seu ruído de vidro. A chuva inchou o brejo. A chuva pingou pelo teto. A chuva multiplicando insetos. A chuva sobre os varais. A chuva derrubando raios. A chuva acabou a luz. A chuva molhou os cigarros. A chuva mijou no telhado. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os poros. A chuva fez muitas poças. A chuva secou ao sol.
ANTUNES, Arnaldo. As coisas. São Paulo: Iluminuras, 1996.
Todas as frases do texto começam com “a chuva”. Esse recurso é utilizado para
(A) provocar a percepção do ritmo e da sonoridade.
(B) provocar uma sensação de relaxamento dos sentidos.
(C) reproduzir exatamente os sons repetitivos da chuva.
(D) sugerir a intensidade e a continuidade da chuva.
d.13/d.6-O homem que entrou pelo cano
Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra um desvio, era uma seção que terminava em torneira.
Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante.
No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava.
Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou: “Mamãe, tem um homem dentro da pia”.
Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras Proibidas. São Paulo: Global, 1988, p. 89.
Na frase “Mamãe, tem um homem dentro da pia.” (ℓ. 9), o verbo empregado repre¬senta, no contexto, uma marca de
(A) registro oral formal.
(B) registro oral informal.
(C) falar regional.
(D) falar caipira.
Feias, sujas e imbatíveis
d.As baratas estão na Terra há mais de 200 milhões de anos, sobrevivem tanto no deserto como nos pólos e podem ficar até 30 dias sem comer. Vai encarar?
Férias, sol e praia são alguns dos bons motivos para comemorar a chegada do verão e achar que essa é a melhor estação do ano. E realmente seria, se não fosse por um único detalhe: as baratas. Assim como nós, elas também ficam bem animadas com o calor. Aproveitam a aceleração de seus processos bioquímicos para se reproduzirem mais rápido e, claro, para passearem livremente por todos os cômodos de nossas casas.
Nessa época do ano, as chances de dar de cara com a visitante indesejada, ao
acordar durante a noite para beber água ou ir ao banheiro, são três vezes maiores.
Revista Galileu. Rio de Janeiro: Globo, Nº 151, Fev. 2004, p.26.
No trecho “Vai encarar?” (l.2), o ponto de interrogação tem o efeito de
(A) apresentar.
(B) avisar.
(C) desafiar.
(D) questionar.
Continho
Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho. Na soalheira danada de
meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando
passou um vigário a cavalo.
— Você, aí, menino, para onde vai essa estrada?
— Ela não vai não: nós é que vamos nela.
— Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
— Eu não me chamo, não, os outros é que me chamam de Zé.
Crônicas. São Paulo: Ática, 1996, v. -MENDES CAMPOS, Paulo, Para gostar de ler
Há traço de humor no trecho
(A) “Era uma vez um menino triste, magro”. (l. 1)
(B) “ele estava sentado na poeira do caminho”. (l. 2)
(C) “quando passou um vigário”. (l. 2-3)
(D) “Ela não vai não: nós é que vamos nela”. (l. 5)
Televisão
Televisão é uma caixa de imagens que fazem barulho.
Quando os adultos não querem ser incomodados, mandam as crianças ir assistir à televisão.
O que eu gosto mais na televisão são os desenhos animados de bichos.
Bicho imitando gente é muito mais engraçado do que gente imitando gente, como nas telenovelas.
Não gosto muito de programas infantis com gente fingindo de criança.
Em vez de ficar olhando essa gente brincar de mentira, prefiro ir brincar de verdade com meus amigos e amigas. Também os doces que aparecem anunciados na televisão não têm gosto de coisa alguma porque ninguém pode comer uma imagem.
Já os doces que minha mãe faz e que eu como todo dia, esses sim, são gostosos.
Conclusão: a vida fora da televisão é melhor do que dentro dela.
PAES, J. P. Televisão. o, Ática, 2001.
O trecho em que se percebe que o narrador é uma criança é:
(A) “Bicho imitando gente é muito mais engraçado do que gente imitando gente, como nas telenovelas.”
(B) “Em vez de ficar olhando essa gente brincar de mentira, prefiro ir brincar de verdade...”
(C) “Quando os adultos não querem ser incomodados, mandam as crianças ir assistir à televisão.”
(D) “Também os doces que aparecem anunciados na televisão não têm gosto de coisa alguma...”
O hábito da leitura
“A criança é o pai do homem”. A frase, do poeta inglês William Wordsworth,
ensina que o adulto conserva e amplia qualidades e defeitos que adquiriu quando
criança. Tudo que se torna um hábito dificilmente é deixado. Assim, a leitura poderia
ser uma mania prazerosa, um passatempo.
Você, coleguinha, pode descobrir várias coisas, viajar por vários lugares,
conhecer várias pessoas, e adquirir muitas experiências enquanto lê um livro, jornal,
gibi, revista, cartazes de rua e até bula de remédio. Dia 25 de janeiro foi o dia do
Carteiro. Ele leva ao mundo inteiro várias notícias, intimações, saudades, respostas,
mas tudo isso só existe por causa do hábito da leitura. E aí, vamos participar de um
projeto de leitura?
CORREIO BRAZILIENSE, Brasília, 31 de janeiro de 2004. p.7.
No trecho “Ele leva ao mundo inteiro várias notícias...” (? . 8), a palavra sublinhada refere-se ao
(A) carteiro.
(B) jornal.
(C) livro.
(D) poeta.
O rato do mato e o rato da cidade
Um ratinho da cidade foi uma vez convidado para ir à casa de um rato do campo. Vendo que seu companheiro vivia pobremente de raízes e ervas, o rato da cidade convidou-o a ir morar com ele:
— Tenho muita pena da pobreza em que você vive — disse.
— Venha morar comigo na cidade e você verá como lá a vida é mais fácil.
Lá se foram os dois para a cidade, onde se acomodaram numa casa rica e bonita.
Foram logo à despensa e estavam muito bem, se empanturrando de comidas fartas e gostosas, quando entrou uma pessoa com dois gatos, que pareceram enormes ao ratinho do campo.
Os dois ratos correram espavoridos para se esconder.
— Eu vou para o meu campo — disse o rato do campo quando o perigo passou.
— Prefiro minhas raízes e ervas na calma, às suas comidas gostosas com todo esse susto.
Mais vale magro no mato que gordo na boca do gato.
O problema do rato do mato terminou quando ele
(A) descobriu a despensa da casa.
(B) se empanturrou de comida.
(C) se escondeu dos ratos.
(D) decidiu voltar para o mato.
Nenhum comentário:
Postar um comentário