D.1/D.28-
O
BICHO
VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
O que motivou o bicho a catar resto foi:
a)
A própria fome
b)
A imundice do pátio
c)
O cheiro da comida
d)
A amizade pelo cão
D.1-Namoro
- Luiz Fernando Veríssimo
O melhor do namoro, claro, é o
ridículo. Vocês dois no telefone:
— Desliga você. — Não, desliga você. — Você. — Você. — Então vamos desligar juntos. — Tá. Conta até três. — Um... Dois... Dois e meio...
Ridículo agora, porque na hora não era não. Na hora nem os apelidos secretos que vocês tinham um para o outro, lembra?, eram ridículos. Ronron. Suzuca. Alcizanzão. Surusuzuca. Gongonha. (Gongonha!) Mamosa. Purupupuca...
Não havia coisa melhor do que passar tardes inteiras num sofá, olho no olho, dizendo:
— As dondozeira ama os dondozeiro? — Ama. — Mas os dondozeiro ama as dondozeira mais do que as dondozeira ama os dondozeiro. — Na-na-não. As dondozeira ama os dondozeiro mais do que etc.
E, entremeando o diálogo, longos beijos, profundos beijos, beijos mais do que de língua, beijos de amígdalas, beijos catetéricos. Tardes inteiras. Confesse: ridículo só porque nunca mais.
Depois do ridículo, o melhor do namoro são as brigas. Quem diz que nunca, como quem não quer nada, arquitetou um encontro casual com a ex ou o ex só para ver se ela ou ele está com alguém, ou para fingir que não vê, ou para ver e ignorar, ou para dar um abano amistoso querendo dizer que ela ou ele agora significa tão pouco que podem até ser amigos, está mentindo. Ah, está mentindo.
E melhor do que as brigas são as reconciliações. Beijos ainda mais profundos, apelidos ainda mais lamentáveis, vistos de longe. A gente brigava mesmo era para se reconciliar depois, lembra?
Oito entre dez namorados transam pela primeira vez fazendo as pazes. Não estou inventando. O IBGE tem as estatísticas.
— Desliga você. — Não, desliga você. — Você. — Você. — Então vamos desligar juntos. — Tá. Conta até três. — Um... Dois... Dois e meio...
Ridículo agora, porque na hora não era não. Na hora nem os apelidos secretos que vocês tinham um para o outro, lembra?, eram ridículos. Ronron. Suzuca. Alcizanzão. Surusuzuca. Gongonha. (Gongonha!) Mamosa. Purupupuca...
Não havia coisa melhor do que passar tardes inteiras num sofá, olho no olho, dizendo:
— As dondozeira ama os dondozeiro? — Ama. — Mas os dondozeiro ama as dondozeira mais do que as dondozeira ama os dondozeiro. — Na-na-não. As dondozeira ama os dondozeiro mais do que etc.
E, entremeando o diálogo, longos beijos, profundos beijos, beijos mais do que de língua, beijos de amígdalas, beijos catetéricos. Tardes inteiras. Confesse: ridículo só porque nunca mais.
Depois do ridículo, o melhor do namoro são as brigas. Quem diz que nunca, como quem não quer nada, arquitetou um encontro casual com a ex ou o ex só para ver se ela ou ele está com alguém, ou para fingir que não vê, ou para ver e ignorar, ou para dar um abano amistoso querendo dizer que ela ou ele agora significa tão pouco que podem até ser amigos, está mentindo. Ah, está mentindo.
E melhor do que as brigas são as reconciliações. Beijos ainda mais profundos, apelidos ainda mais lamentáveis, vistos de longe. A gente brigava mesmo era para se reconciliar depois, lembra?
Oito entre dez namorados transam pela primeira vez fazendo as pazes. Não estou inventando. O IBGE tem as estatísticas.
No texto , considera-se que o melhor do namoro é o ridículo
associado:
(a)
às brigas por amor
(b)
ás mentiras inocentes
(c)
ás reconciliações felizes
(d)
aos apelidos carinhosos
(e)
aos telefonemas intermináveis.
D.3-Todo ponto de vista é a vista de um ponto
“Ler
significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E
interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo ponto
de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário
saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura
sempre uma releitura.
A cabeça
pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o
lugar social de quem olha. Vale dizer, como alguém vive, com quem convive, que
experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas
da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre
uma interpretação.
(Boff, Leonardo. A águia e a galinha.4ªed.R.J:
Sextante-1999)
A expressão “Com os olhos que tem” , no
texto, tem o sentido de:
(a) enfatizar a leitura
(b) incentivar a leitura
(c) individualizar a leitura
(d) priorizar a leitura
(e) Valorizar a leitura
D.4-Motoristas de batom conquistam a Urca
Moradores aprovam adoção de mulheres na linha 107
Batom, lápis nos olhos, brincos.
Foi a essa mistura que a empresa Amigos Unidos apelou para contornar as
constantes reclamações dos moradores da Urca
contra os motoristas da linha 107
(Central-Urca). Há um mês, a empresa removeu sete mulheres
de outros trajetos para formar um time de primeira linha. "O público da
Urca é muito exigente." Os passageiros reclamavam que os motoristas homens
não paravam no ponto e dirigiam de forma perigosa. "Agora só recebemos
elogios", contou o gerente de Recursos Humanos da empresa, Mario Mattos.
Elogios que, às vezes, não se
limitam ao desempenho profissional. "
Casada com um motorista de ônibus,
Márcia Cristina Pereira, 38 anos, diz que
Hoje (ontem), um homem falou que
queria ser o meu volante", contou a motorista Ana Paula da
Silva, 24 anos. Na empresa há três meses, Ana Paula da Silva faz da profissão
uma forma de dar carinho a idosos e deficientes – os que mais têm dificuldades
para entrar nos ônibus. "Às vezes, levanto para ajudar alguém a descer. Já
parei o carro para atravessar a rua com um deficiente visual", contou.
não enfrenta dificuldades com os
colegas de profissão, ainda que reconheça que, no começo, a desconfiança não
foi pequena. "Eles me dão força. Recebo muitos elogios", disse. Ao
contrário de Márcia, a motorista Janaína de Lima, 32 anos,
diz que se relaciona bem com todos
os colegas, mas acha que já há competição. "Falta muito para os homens se
relacionarem bem com os idosos e deficientes", comparou. Morador da Urca há 25 anos, Ednei Bernardes
aprovou a adoção de motoristas mulheres no bairro. "Elas respeitam mais as
pessoas e as leis de trânsito", resumiu.
JB, 23/07/02 – Cidade. C1.
Um dos usuários do ônibus
concluiu:
"Elas respeitam muito mais as
pessoas e as leis do trânsito."Tal afirmativa, no con
texto, permite concluir que
(A) as empresas de ônibus preferem
os serviços da mulher.
(B) os homens são grosseiros e
desrespeitam as lei de trânsito.
(C) os idosos e deficientes passam
a receber um tratamento melhor.
(D) os homens criam mais problemas
com colegas de profissão.
(E) a população da Urca tornou-se
exigente no transporte urbano.
D.6- Um arriscado esporte nacional
Os leigos sempre se medicaram por conta própria, já
que de médicos e de loucos todos temos um pouco, mas esse problema jamais
adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atualmente. Qualquer
farmácia conta hoje com um arsenal de armas de guerra para combater doenças de
fazer inveja à própria indústria de material bélico nacional. Cerca de 40% das
vendas realizadas pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destinam-se a
pessoas que se automedicam. A indústria
Diante desse quadro, o médico tem o dever de
alertar a população para os perigos ocultos em cada remédio, sem que,
necessariamente, faça junto com essas
farmacêutica de menor porte e importância retira
80% de seu faturamento da venda "livre" de seus produtos – isto
é, das vendas realizadas sem receita médica. advertências uma sugestão
para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais em consultas
médicas. Acredito que a maioria das pessoas se automedicam por sugestão de
amigos, leitura, fascinação pelo mundo maravilhoso das drogas "novas"
ou simplesmente para tentar manter a juventude. Qualquer que seja a causa, os
resultados podem ser danosos.MEDEIROS, Geraldo. –
Revista Veja, 18 de dezembro, 1985.
O tema abordado no texto é
(A) os riscos constantes da automedicação.
(B) o crescimento da indústria farmacêutica.
(C) a venda ilegal de medicamentos.
(D) a luta pela manutenção da juventude.
(E) o faturamento das consultas médicas
D.14-Não
se perca na rede
A Internet é o maior arquivo público do mundo. De
futebol a física nuclear, de cinema a biologia, de religião a sexo, sempre há
centenas de sites sobre qualquer assunto. Mas essa avalanche de informações
pode atrapalhar. Como chegar ao que se quer sem perder tempo? É para isso que
foram criados os sistemas de busca.
Há vários tipos. Alguns são genéricos, feitos para
uso no mundo todo (Google, por exemplo). Use esse site para pesquisar temas
universais. Outros são nacionais
Porta de entrada na rede para boa parte dos
usuários, eles são um filão tão bom que já existem às centenas também.
Qual deles escolher? Depende do seu objetivo de busca. ou estrangeiros com
versões específicas para o Brasil (Cadê, Yahoo e Altavista). São ideais
para achar páginas "com.br".
(Paulo
D’Amaro)Disponível em:
<http://galileu.globo.com/edic/116/rep_internet.htm>. Acesso em Julho
/2008.
O artigo foi escrito por Paulo D’Amaro. Ele
misturou informações e análises do fato.
O período que apresenta uma opinião do autor é
(A) "foram criados sistemas de busca."
(B) "essa avalanche de informações pode
atrapalhar."
(C) "sempre há centenas de sites sobre
qualquer assunto."
(D) "A internet é o maior arquivo público do
mundo."
(E) "Há vários tipos."
D.12-Qual a origem do doce
brigadeiro?
Em 1946, seriam realizadas as
primeiras eleições diretas para presidente após os anos do "Estado
Novo", de Getúlio Vargas. O candidato da aliança PTB/PSD, Eurico Gaspar
Dutra, venceu com relativa folga. Mas o título de maior originalidade
Brigadeiro da Aeronáutica, com
pinta de galã, Eduardo Gomes tinha um apoio, digamos, entusiasmado. Para fazer
o "corpo-a-corpo" com o eleitorado, senhoras da sociedade saiam às
ruas convocando as mulheres a votar em Gomes, com o
na campanha ficou para as
correligionárias do candidato derrotado, Eduardo Gomes (da UDN). slogan: "Vote no brigadeiro. Ele é bonito e
solteiro". Não satisfeitas ainda promoviam almoços e chás, nos quais serviam um irresistível
docinho coberto com chocolate granulado. Ao qual deram o nome, claro, de
brigadeiro.
Almanaque das curiosidades, p. 89.
A finalidade desse gênero de texto
é
(A) propor mudanças.
(B) refutar um argumento.
(C) advertir as pessoas.
(D) trazer uma informação.
(E) orientar procedimentos.
"Sou completamente a favor da
flexibilização das relações trabalhistas, pois a velhíssima legislação
brasileira, além de anacrônica, vem comprometendo seriamente a
Texto II
"É uma falácia dizer que com
a eliminação dos direitos trabalhistas se criarão mais empregos. O trabalhador
brasileiro já é por demais castigado para suportar mais essa provocação."
nossa competitividade em nível
global."
O Povo, 17 abr. 1997.
Os textos acima tratam do mesmo
assunto, ou seja, da relação entre patrão e empregado. Os dois se diferenciam,
porém, pela abordagem temática. O texto II em relação ao texto I apresenta uma
(A) ironia.
(B) semelhança.
(C) oposição.
(D) aceitação.
(E) confirmação.
Tio Pádua
Tio Pádua e tia Marina moravam em
Brasília. Foram um dos primeiros. Mu
daram-se para lá no final dos anos
50. Quando Dirani, a filha mais velha, fez dezoito anos, ele saiu pelo Brasil
afora atrás de um primo pra casar com ela. Encontrou Jairo, que morava em
Marília. Estão juntos e felizes até hoje. Jairo e Dirani casaram-se em 1961.
Fico pensando se os casamentos arranjados não têm mais chances de dar certo do que
os desarranjados.Ivana Arruda Leite. Tio Pádua.
Internet: http://www.doidivana.zip net. Acesso em 07/01/2007.
Texto II
O casamento e o amor na Idade Média
(fragmento)
Nos séculos IX e X, as uniões
matrimoniais eram constantemente combinadas sem o consentimento da mulher, que,
na maioria das vezes, era muito jovem. Sua pouca idade era um dos motivos da
falta de importância que os pais davam a sua opinião. Diziam que estavam
conseguindo o melhor para ela. Essa total falta de importância dada à opinião
da mulher resultava muitas vezes em raptos. Como o consentimento da mulher não
era exigido, o raptor garantia o casamento e ela deveria permanecer ligada a
ele, o que era bastante difícil, pois os homens não davam
importância à fidelidade. Isso
acontecia talvez principalmente pelo fato de a mulher não poder
exigir nada do homem e de não haver uma conduta moral que proibisse tal ato.
Ingo Muniz Sabage. O casamento e o amor na Idade Média. Internet:
<http://www.milenio.com.br/ingo/ideias/hist/casament.htm>. Acesso em
07/01/2007 (com adaptações).
Sobre o "casamento
arranjado", o texto I e o texto II apresentam opiniões
(A) complementares.
(B) duvidosas.
(C) opostas.
(D) preconceituosas.
(E) semelhantes.
Sermão do Mandato
O primeiro remédio que dizíamos, é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera? São as afeições como as vidas, que não há mais certo de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as li-
nhas, que partem do centro para a
circunferência, que tanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os
Antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue
a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o
arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe
os olhos, com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas, com que voa e
foge. A razão natural de toda esta dife-rença, é porque o tempo tira a novidade
às cousas, descobre-lhe defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam
usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais amor?
O mesmo amor é a causa de não amar, e o de ter amado muito, de amar menos.
VIEIRA, Antônio. Sermão do Mandato. In: Sermões. 8. ed. Rio de Janeiro:
Agir, 1980.
Em "...para não serem as mesmas
..." (ℓ.12), a expressão
destacada refere-se a
(A) afeições.
(B) asas.
(C) cousas.
(D) linhas.
(E) setas
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