quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Pequeno Polegar- Capítulo III


                                                O Pequeno Polegar
                            Capítulo III

          Não tardou muito, e novamente a fome come-
çou a rondar aquela região.Balbino e sua mulher te-
miam voltar à mata, conhecendo de perto, como já
conheciam, seus horrores.
          Mas, sem migalha de alimento , o pai levan-
tou-se depois de uma noite de tormentosa vigília e
resolveu naquela hora sair para mata.
          -Vamos , mulher!Se não morrermos lá. mor-
remos aqui, pois não temos o que comer.Depois ,
vamos ficando mais fracos e não poderemos aguen-
tar a caminhada, apressemo- nos!
          Teresa acordou as crianças e, sem demora, cada um com sua sacola às costas, foi seguindo o
pai e a mãe que levavam: ele um machado, ela um
saco.
          Pequeno Polegar ia atrás de todos, custando a pegar o passo apressado dos outros.Ia com as mãos
nos bolsos , a pensar no que poderia fazer para mar-
car o caminho de casa.
          Vendo à sua frente uma enorme árvore carre-
gada de bolotas esbranquiçadas, Pequeno Polegar, por que ia atirando- as de espaço a espaço, para 
marcar o caminho por onde seguiam, caso aconte-
cesse, como da outra vez, de se perderem na mata.
          Ninguém prestou atenção no Pequeno Pole-
gar, por que iam apressados e aflitos.
          Chegaram à mata em lugar mais espesso e
mais escuro que da outra vez.
          Ali a caça parecia mais fácil, porque um bando de veadinhos assustados se embrenhou mais
além ao ruido dos seus passos.
          Pássaros em abundância.
          As árvores pendiam de frutos, alguns desco -
nhecidos , outros comuns e saborosos.Enquanto seus
pais perseguiam uma veadinha, a que um deles já havia ferido na perna com uma bodocada, ali juntos, animaram- se e fizeram montes de frutas , que iam comendo , enquanto enchiam os bolsos e
as sacolas.
          Embora Pequeno Polegar tivesse marcado
com a vista o lugar por onde seguiram seus pais ,
em vão os procuraram, momentos depois.Mesmo
assim, não desanimaram, e Pequeno Polegar estava
certo de achar o rumo de casa , acompanhando as
bolotas que havia atirado pelo caminho.
          Mas ficou muito admirado, não podendo en-
contrar uma só, pois os esquilos haviam catado to-
das.
         Aflitos, quando mais caminhavam mais se em-
brenhavam na floresta tenebrosa e se perdiam.
          Era lua nova, e a noite estava escura como
breu. O vento soprava e assobiava, fazendo estalar
os ramos secos das árvores , que despencavam, fazendo um ruído rouco.
          Os meninos estavam apavorados.Parecia- lhes
ouvir de todo lacodo os uivos de lobos.Agarravam-se 
aos outros, tiritando de medo.
          De repente, desabou uma grande chuva, acompanhada de raios e trovões.Ficaram gelados
até os ossos, com as roupas ensopadas e coladas ao
corpo.
          Serenados os raios, Pequeno Polegar trepou
numa árvore para ver se descobria algum abrigo.
Divisou muito longe uma luz como a de uma can -
deia. Guardou bem a direção da luz, e desceu da
árvore e puseram -se todos a correr.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

O coala sujo- autor desconhecido

Tudo é uma questão de costume, mas tomar banho era algo superior às forças daquele coala. A água e o sabão aterrorizavam-no e ninguém cons...