Capítulo V
O Pequeno Polegar não conseguira dormir.
Imaginou que o gigante , embriagado como estava,
poderia duma hora para outra, resolver comê-los.
Que fez, então?Levantou-se de mansinho, pé
ante pé.Foi à cama das sete filhas do gigante.Tirou com bastante jeito as coroas de suas cabeças e em
delas colocou os gorros dos seus irmãos , colocou
na cabeça de cada um dos meninos as coroas das
filhas do gigante.
A altas horas, acordou o gigante alucinado.
Pegou a faca que estava à cabeceira e, cambalean-
do, foi até a cama dos meninos.Apalpou-lhes as ca-
beças e, percebendo as coroas,disse:
-Oh!quase fiz um desastre! Estas são as minhas filhas!Estou com a tão transtornada que ia
cometer o engano de matar as minhas próprias fi-
lhas, coitadinhas!
E vai o gigante com mais fúria para a outra
cama.Apalpa as cabeças, sente o gorro e diz:
-Ah!aqui estão os malandrinhos, que vou co-
mer com o café da manhã.
Dizendo issi, meteu a faca , degolando uma
por uma as setes filhas.
Tudo feito, foi deitar -se, ainda com as mãos
pingando sangue.
Pequeno Polegar não havia perdido um mo-
vimento do gigante.
Logo que começou a ouvir os seus roncos,
chamou seus irmãos e pediu que o seguissem, sem
fazerem o menor ruído.Os meninos , mais mortos
do que vivos, subiram numas malas e saltaram para
o jardim por um respiradouro.Lá fora, desandaram
a correr pelo mato adentro, sem saber para onde ir.
Aos primeiros clarões da madrugada, o gigante acordou e disse:
-Mulher ! Vá cuidar dos meninos!
A mulher pensou que o marido lhe mandava
tratar dos meninos e subiu, muito admirada da bon-
dade do gigante.Mal entrou no quarto, viu o chão
inundado de sangue e suas filhas degoladas.Deu tal
grito de horror que fez o gigante correr para acudir-
lhe , ficando também ele surpreendido com o terrí-
vel espetáculo.Vendo os gorrinhos nas cabeças das
filhas, exclamou:
-Ah! que fiz eu!Isto foi coisa daqueles ma-
landros, daqueles miseráveis!Eles me pagarão...E é
agora...
Gritou para a mulher que estava fora de si:
Dê me depressa as botas sete léguas que os
apanharei num minuto.
Como a mulher continuasse desmaiada, tirou
ele mesmo as botas de um armário e calçou-as, esbravejando.
Depois de haver corrido de todos os lados, o gigante avistou os meninos longe , transpor um re-
gato.Entretanto, os meninos ,vendo aquela sombra
no ar como se fosse uma nuvem negra, perceberam
o gigante que, com uma passada, ia de montanha à
outra e atravessava um rio,largo, como se atraves-
sasse um ribeirinho.
Pequeno Polegar olhou assustado para todos
os lados à procura de um esconderijo.Viu uma ca-
verna aberta numa rocha onde o gigante não pode-
ria entrar , por ser muito pequena.Entrou na caver-
na com seus irmãos e pediu-lhes silêncio.Logo sen-
tiram os passos do gigante sobre a caverna.
Sempre farejando o lugar por onde caminha-
va o gigante disse:
-Andam por aqui, sinto cheiro forte de carne humana.



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