segunda-feira, 8 de junho de 2026

Plano de Aula : A Moura Torta: conto popular, cordel e encantamento

 


1. Tema

Leitura, interpretação e comparação entre versões da história “A Moura Torta”, explorando o conto popular, o cordel, os elementos fantásticos, os valores presentes na narrativa e a oralidade da tradição popular.


2. Público-alvo

Ensino Fundamental — anos finais
Sugestão: 6º ao 8º ano

Também pode ser adaptado para o Ensino Médio, com foco em literatura popular, intertextualidade e tradição oral.


3. Duração

De 2 a 4 aulas, conforme a profundidade desejada.


4. Justificativa

A história “A Moura Torta” faz parte do universo dos contos populares, trazendo elementos de aventura, encantamento, transformação, engano, justiça e final feliz. No material, a narrativa aparece em duas formas: uma versão em cordel, com linguagem rimada e ritmo poético, e uma versão em prosa, com estrutura de conto maravilhoso.

Trabalhar essas versões em sala permite aproximar os alunos da literatura oral, da cultura popular e da leitura comparativa, valorizando diferentes formas de contar uma mesma história.


5. Objetivo geral

Desenvolver a leitura, a interpretação e a apreciação da literatura popular por meio do estudo da história “A Moura Torta”, comparando a versão em cordel com a versão narrativa em prosa.


6. Objetivos específicos

  • Reconhecer características do conto popular e do conto maravilhoso.
  • Identificar elementos fantásticos presentes na narrativa.
  • Perceber diferenças entre o texto em cordel e o texto em prosa.
  • Analisar personagens, conflitos e desfecho da história.
  • Refletir sobre temas como escolha, esperteza, engano, justiça e aparência.
  • Estimular a oralidade por meio da leitura expressiva.
  • Produzir registros escritos, desenhos, recontos ou dramatizações a partir da história.

7. Habilidades da BNCC

Língua Portuguesa — Ensino Fundamental

  • Leitura e interpretação de textos literários.
  • Reconhecimento de gêneros narrativos e poéticos.
  • Comparação entre diferentes versões de uma mesma narrativa.
  • Produção de reconto oral ou escrito.
  • Valorização da literatura popular e da tradição oral.



8. Conteúdos trabalhados

  • Conto popular.
  • Cordel.
  • Literatura oral.
  • Conto maravilhoso.
  • Personagens e conflito narrativo.
  • Narrador, espaço e tempo.
  • Elementos fantásticos.
  • Comparação entre gêneros textuais.
  • Leitura expressiva.
  • Produção de texto ou reconto.

9. Desenvolvimento da aula

Aula 1 — Apresentação da história

Acolhida

Iniciar com uma conversa sobre histórias antigas, contos ouvidos de avós, pais, familiares ou conhecidos.

Perguntas motivadoras:

  • Você já ouviu uma história que parecia encantada ou mágica?
  • Alguém da sua família costuma contar causos ou histórias antigas?
  • Você sabe o que é um conto popular?
  • Já ouviu falar em literatura de cordel?

Apresentação do tema

Explicar que os alunos irão conhecer a história “A Moura Torta”, uma narrativa de origem popular, marcada por aventura, encantamento e transformação.


Aula 2 — Leitura do cordel

Leitura orientada


Oh, Deusa da poesia,

Meu verso agora te exorta,

Do Reino da Inspiração

Abre-me a sagrada porta

Para eu versar a famosa

História da Moura Torta.

 

Num reino muito distante

Houve um monarca afamado,

Pai de três belos rapazes,

Orgulho do tal reinado.

O rei, por possuir tudo,

Vivia bem sossegado.

 

Porém o filho mais velho,

Que se chamava Adriano,

Certo dia foi ao pai,

Com um desejo insano

De conhecer outras terras,

Além das do soberano.

 

O rei lhe disse: - Meu filho,

Aqui não lhe falta nada...

O mundo, pra quem não sabe,

É uma grande cilada;

Tire da sua cabeça

Esta ideia tresloucada.

 

O moço disse: - Meu pai,

Já escolhi meu roteiro.

O rei lhe disse: - Então vá,

Mas tem de escolher primeiro:

Muito dinheiro sem bênção,

Muita bênção sem dinheiro.

 

Disse o moço: - Bênção não

Enche o bucho de ninguém!

Não sou doido de sair

De casa sem um vintém.

Eu quero é muito dinheiro,

Pois bênção não me convém.

 

O rei deu para o rapaz

A sua parte da herança.

Ele saiu pelo mundo,

Sem achar que fez lambança.

Na embriaguez da orgia

Gastou tudo sem tardança.

 

Assim, voltou para a casa,

Muito roto e maltrapilho.

O rei, que era bondoso,

Inda recebeu o filho;

Porém o filho do meio

Quis seguir no mesmo trilho.

 

O filho do meio tinha

O nome de Cipião;

Este também foi ao pai

Para pedir permissão

Pra conhecer outras terras

Além daquela nação.

 

O moço disse: - Meu pai,

Agora é a minha vez.

Mas o velho disse:- Filho,

Deixe desta insensatez!

Não vá fazer mais tolice

Como Adriano já fez.

 

Como não o demovia,

O rei perguntou, ligeiro:

- Queres dinheiro sem bênção?

- Queres bênção sem dinheiro?

O infeliz Cipião

Fez igualmente ao primeiro.

 

O moço lhe disse: - Eu quero

Dinheiro em demasia,

Bênção e chuva no mar

Não têm qualquer serventia!

E sem a bênção paterna

Viajou no mesmo dia.

 

O rapaz pagou bem caro

O preço da imprudência,

Pois perdeu todo o dinheiro,

E, ficando na indigência,

Voltou pra casa esmoler,

Implorando ao rei clemência.

 

O rei recebeu o filho,

Pois tinha bom coração,

Mandou servir um banquete

Ao indigno Cipião,

Que, ao recusar a bênção,

Sucumbiu à maldição.

 

Passados uns onze meses,

Foi o rei interpelado

Pelo seu filho caçula,

Que estava interessado

Em conhecer outras terras

Para além de seu reinado.

 

Então, o jovem Hiran

Foi procurar o seu pai,

Mas ele disse: - Meu filho,

Sinto, mas você não vai,

Pois quem procura o abismo,

Tarda, mas um dia cai!...

 

O moço disse: - Meu pai,

Aos meus irmãos permitiste.

Se me recusares isto,

Eu ficarei muito triste

Por não conhecer o mundo

Que além daqui existe.

 

O rei retrucou: - Hiran,

Teus irmãos já viajaram;

Tudo a que tinham direito

Na orgia dilapidaram.

Quando estragaram tudo,

Na indigência voltaram.

 

Hiran disse: - Meu bom pai,

Sempre fui obediente,

Mas tenho necessidade

De correr o mundo urgente.

Contudo, eu lhe asseguro:

Desta vez é diferente.

 

O rei lhe disse: - Está bem,

Mas tenho de perguntar:

Tu queres muito dinheiro,

Mas sem eu lhe abençoar?

Ou vais querer muita bênção,

Mas sem dinheiro levar?

Hiran respondeu: - Meu pai,

De nada posso lucrar

Do dinheiro, se a bênção

De meu pai eu não levar.

O rei o abençoou

E o deixou viajar.

A leitura pode ser feita:

  • pelo professor;
  • em voz alta pelos alunos;
  • em duplas;
  • em formato de jogral.

Conversa sobre o cordel

Após a leitura, conversar com a turma:

  • O texto tem rimas?
  • O ritmo facilita a leitura?
  • A linguagem lembra uma história contada oralmente?
  • Que escolhas os filhos do rei fazem?
  • Qual a diferença entre escolher dinheiro e escolher bênção?

Registro no caderno

Os alunos podem registrar:

O que é cordel?
Cordel é uma forma de poesia popular, geralmente escrita em versos rimados, com ritmo marcado e forte ligação com a tradição oral.


Aula 3 — Leitura do conto em prosa

Leitura do Texto 2



Havia um rei que tinha um filho. Quando este chegou à idade de casar, disse a seus pais:

— Quero me casar com a mulher mais formosa do mundo. Assim, vou percorrer o mundo até encontrá-la.

Saiu do palácio e caminhou até chegar a uma fonte, onde parou para tomar água. Ao inclinar-se para beber, viu que se refletiam três laranjas. Ergueu os olhos e viu que, de uma frondosa laranjeira, pendiam três grandes e belas laranjas.

— Que saborosas devem ser! — disse o príncipe.

E, dizendo isso, subiu na árvore e cortou as três preciosas laranjas.

Partiu a primeira e, como por encanto, saiu dela uma jovem muito linda que, ao ver o príncipe, lhe disse:

— Dá-me pão.

— Não posso — disse ele —, porque não tenho.

— Então volto para minha laranja — disse a jovem.

E, desaparecendo, deixou a laranja intacta.

Partiu o príncipe a segunda laranja e, da fruta, saiu outra jovem, muito mais bela que a primeira.

— Dá-me pão — disse ao príncipe.

— Não posso, pois não tenho — ele falou.

— Então volto para minha laranja.

A laranja se fechou e ficou como antes.

O príncipe ficou pensativo e decidiu conseguir pão, a fim de dar à última jovem da laranja.

Assim pensava o jovem, quando coincidiu de passar por ali um cigano em seu coche.

— Amigo! — gritou o príncipe. — Eu te darei uma moeda de ouro por um pedaço de pão.

Rapidamente, o cigano desceu da carruagem e correu a levar o pão ao príncipe.

O príncipe ficou muito contente e satisfeito. Partiu a terceira laranja e, como havia imaginado, do coração da fruta saltou uma jovem muito mais formosa que as anteriores.

— Dê-me pão — ela disse.

O príncipe, alegremente, deu o pão à jovem, que em seguida falou:

— Agora te pertenço. Podes fazer de mim o que quiseres.

— Contigo me caso — disse-lhe o príncipe.

Como a jovem estava nua, o príncipe queria antes vesti-la para levá-la ao palácio. Deu uma olhada na roupa do cigano, que ainda permanecia ali, porém notou que estava muito suja.

O príncipe então disse à jovem:

— Espera aqui com este cigano até que eu volte com uma roupa.

O cigano tinha uma filha que viajava com ele no coche, porém tinha dormido durante todo o tempo em que a história das laranjas ocorria. Ao despertar, no momento em que o príncipe subia no cavalo, caiu de amores por ele.

Desceu logo do coche e foi perguntar ao pai o que estava acontecendo. Ele lhe contou o ocorrido.

A cigana, vendo a jovem, lhe disse:

— Deixa-me te pentear para que fiques mais bonita para o regresso do príncipe.

A jovem consentiu. Enquanto a cigana penteava sua formosa cabeleira, sentiu que lhe cravavam um alfinete na cabeça.

No momento, a dama da laranja se transformou numa pomba. A cigana então tirou a roupa da jovem e se colocou no lugar onde ela estava.

O príncipe voltou e, quando viu a cigana, disse:

— Senhora! Como escureceste!

A cigana respondeu:

— É que demoraste e acabou me queimando o sol.

O príncipe, acreditando ser a mesma jovem da laranja, levou a cigana ao palácio e se casou com ela.

Um dia, chegou uma pombinha ao jardim do rei e disse ao jardineiro:

— Jardineirinho do rei, como está o príncipe com sua mulher?

— Umas vezes canta, porém mais vezes chora — disse o jardineiro.

Todos os dias chegava a pombinha e fazia a mesma pergunta ao jardineiro, até que este contou ao príncipe.

O príncipe deu ordem ao jardineiro para que prendesse a pombinha. O jardineiro untou de visgo a árvore onde diariamente pousava a pombinha e, quando esta chegou para sua visita diária, ao querer voar, ficou presa à árvore. Assim, o jardineiro pôde apanhá-la e levá-la ao príncipe.

O príncipe se enamorou da pombinha. Colheu-a com carinho e, ao acariciar-lhe a cabeça, encontrou o alfinete que tinha sido cravado e retirou-o.

Imediatamente, a pombinha se transformou na bela dama da laranja.

A formosa jovem contou sua aventura ao príncipe e, entrando os dois no palácio, comunicaram o ocorrido ao rei.

O rei, indignado, deu ordens para que a cigana fosse punida pela sua maldade. O príncipe e a dama da laranja se casaram e foram felizes para sempre.


Durante a leitura, destacar os principais acontecimentos:

  1. O príncipe deseja se casar com a mulher mais formosa do mundo.
  2. Ele encontra três laranjas encantadas.
  3. Da terceira laranja sai uma jovem muito bela.
  4. A jovem é enganada pela cigana.
  5. Ela se transforma em pombinha.
  6. O príncipe descobre a verdade.
  7. A dama da laranja volta à forma humana.
  8. O conflito é resolvido.

Discussão coletiva

Perguntas para interpretação:

  • Por que o príncipe saiu pelo mundo?
  • O que havia de mágico nas laranjas?
  • Por que a terceira jovem conseguiu permanecer fora da laranja?
  • Qual foi a atitude da cigana?
  • Como a verdade foi descoberta?
  • Que elementos fantásticos aparecem na história?
  • O final da história é justo? Por quê?

Aula 4 — Comparação entre as versões




Atividade principal

Os alunos podem escolher uma das propostas:

Opção 1 — Reconto escrito
Recontar a história com suas próprias palavras.

Opção 2 — História em quadrinhos
Transformar a narrativa em uma HQ com início, meio e fim.

Opção 3 — Dramatização
Representar uma cena da história em grupo.

Opção 4 — Cordel da turma
Criar pequenos versos rimados inspirados na história.

Opção 5 — Final alternativo
Escrever outro final para a história, mantendo os personagens principais.


10. Atividades de interpretação

  1. Quem é o personagem principal da versão em prosa?
  2. O que o príncipe procurava?
  3. O que havia dentro das laranjas?
  4. Por que as duas primeiras jovens voltaram para as laranjas?
  5. Como a cigana enganou a dama da laranja?
  6. Em que a jovem se transformou?
  7. Quem ajudou a revelar a verdade?
  8. Que elementos mágicos aparecem no conto?
  9. Qual a principal diferença entre o cordel e o conto em prosa?
  10. Que ensinamento a história pode trazer?

11. Produção final

Sugestões:

  • Mural ilustrado com cenas da história.
  • Reconto coletivo.
  • Cordel ilustrado.
  • Podcast narrando a história.
  • Vídeo com leitura dramatizada.
  • Slide com resumo e personagens.
  • Caderno de atividades sobre “A Moura Torta”.

12. Recursos

  • Texto impresso ou projetado.
  • Caderno dos alunos.
  • Lápis de cor ou canetinhas.
  • Cartolina ou papel kraft.
  • Projetor ou televisão.
  • Áudio ou podcast, se houver.
  • Slide ou vídeo da história.
  • Imagens dos personagens e das cenas principais.

13. Avaliação

A avaliação poderá considerar:

  • Participação nas discussões.
  • Compreensão da narrativa.
  • Capacidade de comparar os dois textos.
  • Identificação dos elementos fantásticos.
  • Criatividade na produção final.
  • Clareza na oralidade ou na escrita.
  • Organização do trabalho individual ou em grupo.

14. Conclusão

O trabalho com “A Moura Torta” permite aos alunos entrar em contato com a riqueza da literatura popular, percebendo como uma mesma história pode ser contada de diferentes formas. Ao comparar o cordel com o conto em prosa, os estudantes desenvolvem leitura crítica, sensibilidade literária e valorização da tradição oral.

A narrativa também favorece reflexões sobre escolhas, aparência, engano, justiça e verdade, tornando a aula mais significativa e envolvente.


15. Materiais para download

16. Espaço para audiovisual

Podcast:
Conversa sobre a origem dos contos populares, a história de “A Moura Torta” e os elementos mágicos da narrativa.

Podcast para o Ensino Fundamental


Podcast para  o Ensino Médio


Vídeo:

Apresentação da história com imagens, narração e explicação das diferenças entre cordel e conto popular.



Slides:
Resumo da história, personagens, elementos fantásticos, comparação entre os textos e proposta de atividade.



Vídeos com as versões da Música Sobre  o contoa A Moura Torta

Letra : Maria Aparecida de Almeida
Melodia: Site Mureka

As três laranjas amorosas- Versão 1


 As três laranjas amorosas - Versão 2





Histórias, aprendizagens e ideias para educar
✍️ Maria Aparecida de Almeida
Pedagoga | Especialista da Educação


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