segunda-feira, 1 de junho de 2026

Sequência didática: Um sábio chamado Oswaldo Cruz

 


1. Apresentação

Esta sequência didática foi elaborada a partir do texto “Um sábio: Oswaldo Cruz”, que apresenta a trajetória de um importante médico brasileiro e sua contribuição para a saúde pública no Brasil.

Por meio da leitura, da escuta de podcast e de atividades de interpretação, os alunos poderão conhecer um pouco da história de Oswaldo Cruz, refletir sobre a importância da ciência e compreender como o estudo, a pesquisa e as ações coletivas podem transformar a realidade de um país.


2. Público-alvo

Alunos do 4º ,5, 6º e 7º  anos do Ensino Fundamental.


3. Componentes curriculares

  • Língua Portuguesa
  • História
  • Ciências

4. Duração sugerida

3 aulas, podendo ser ampliada conforme o desenvolvimento da turma.


5. Texto base


Apresenta o contexto de um Brasil que causava medo em estrangeiros e brasileiros por causa das doenças, especialmente a febre amarela.

Era uma vez um país muito belo e muito rico, mas ao qual todos tinham muito medo de ir.

Sabem vocês que país é esse?

Vocês o conhecem muito: o nosso Brasil.

E sabem por que os homens de outras terras tinham muito medo de vir ao Brasil?

Por causa das doenças e, sobretudo, por causa da febre amarela.

Ir ao Rio de Janeiro é um suicídio — diziam os estrangeiros.

Não só os estrangeiros.

Também os brasileiros do interior, até os mais corajosos, tinham receio de ir à ex-capital do país, porque boa parte dos que iam não voltavam: ficavam enterrados lá.

Para vocês calcularem o que era a nossa ex-capital, basta lembrar que um navio de guerra italiano, o Lombardia, aportou em nossas costas com 340 pessoas e saiu com 106...

Também, quando os nossos iam a qualquer país estrangeiro, não podiam aportar sem rigorosa e demorada quarentena. Eram obrigados a esperar muito tempo, isolados, sem contato com a terra, até que as autoridades os examinassem bem, para verificar se não traziam casos de febre.

Um dia, um certo médico contava a seus filhos todas essas desgraças e acabava dizendo:

É uma vergonha para nós! Mas que fazer? Todos trabalham para combater essas doenças, mas não se acertou ainda com o remédio. Pobre Brasil!

Um dos seus filhos foi para o seu quarto e disse:

Vou acabar com essas doenças que estão acabando com o Brasil. Vou estudar bastante. Você, febre amarela; você, peste bubônica; você, varíola; você, impaludismo, hão de ver o que vale o estudo. É só eu ficar homem e acabar com vocês! Juro que hei de afastá-las de minha pátria.

Esse menino chamava-se Osvaldo Cruz.


Mostra a infância, a promessa de Oswaldo Cruz, seus estudos, sua ida para Paris e sua formação científica.

Pensem vocês que aquele juramento era uma brincadeira de criança?

Pois não pensem assim: crianças também têm palavra, e Osvaldo Cruz sempre a teve.

Terminou o seu curso secundário, entrou na Faculdade de Medicina, procurou especializar-se no estudo dos micróbios e, logo que pôde, partiu para Paris.

Em Paris, em vez de passear, aperfeiçoou-se no Instituto Pasteur, salientando-se de tal modo pelo seu esforço e pela sua inteligência, que adquiriu um excelente nome entre os técnicos.

Depois de aprender tudo o que queria, voltou ao Brasil para cumprir a sua promessa.

Osvaldo Cruz chegou ao Brasil, mas ninguém lhe deu importância. Era modesto, discreto, despretensioso. Escondia os seus imensos merecimentos.

Continuou a exercer a sua profissão, estudando sempre, quando surgiu em Santos uma epidemia de peste bubônica.

O remédio para a peste era um certo soro, e não havia no Brasil quem o fabricasse.

Que fez o nosso governo?

Pediu ao Instituto Pasteur de Paris que nos enviasse técnicos para fabricar o soro, porque a epidemia se alastrava medonhamente.

O Dr. Roux, diretor do Instituto, grande sábio, respondeu logo:

— Vocês têm aí o Osvaldo Cruz, que sabe, tão bem como nós, fazer estas coisas. Aproveitem esse moço. Não tenho no meu Instituto ninguém mais capaz do que ele.

Então o nosso governo chamou Osvaldo Cruz, que venceu a peste, fazendo o soro. Dentro em pouco, o nosso governo confiou-lhe a direção de um Instituto que veio a ser o nosso Manguinhos.



Apresenta a atuação de Oswaldo Cruz no combate à febre amarela, peste bubônica, varíola e outras doenças, além das dificuldades enfrentadas durante as campanhas sanitárias.

Osvaldo Cruz reuniu em Manguinhos alguns brasileiros inteligentes e trabalhadores e começou a prepará-los para acabar de uma vez com outras doenças.

Um belo dia, Rodrigues Alves foi eleito presidente do Brasil.

Assim que foi eleito, escolheu um grupo de brasileiros trabalhadores e capazes e, entre outros problemas, resolveu fazer o saneamento do Rio de Janeiro.

Faltava um médico que se incumbisse da parte sanitária. Procurou que procura, acabou por achar Osvaldo Cruz e confiou-lhe a grande tarefa.

— Presidente — disse-lhe Osvaldo Cruz —, a luta vai ser tremenda. Teremos de contrariar os médicos, os negociantes, os ignorantes, os malévolos, os comodistas, e os seus inimigos políticos não perderão a oportunidade para agredi-lo.

— Não faz mal, Doutor Osvaldo Cruz — disse-lhe o presidente. — Realize o seu plano, meta a cara e não olhe para as consequências. Para isso é que foi feito o governo.

Osvaldo Cruz estava convencido de que a transmissão da febre amarela era feita por mosquitos e tratou de acabar com eles. Sabia que a peste bubônica era transmitida pelos ratos e tratou de extingui-los. Criou um verbo novo da nossa língua: desratizar.

A campanha que se levantou contra ele foi violentíssima.

Injuriaram-no, ridicularizaram-no, insultaram-no de todos os modos.

Chegou a provocar uma revolução em que correu sangue, porque conseguiu uma lei que tornava obrigatória a vacina contra a varíola.

Dentro em pouco, porém, vencia.

O Brasil libertara-se para sempre da febre amarela, vira reduzido extraordinariamente o impaludismo no Rio de Janeiro e passara a viver sem o terror da varíola e da peste bubônica.

Osvaldo Cruz cumprira o seu juramento de criança.

Lembram-se do Lombardia, que veio com trezentos e quarenta e voltou com cento e seis?

Pois bem.

Estando nos Estados Unidos e indo visitar o Presidente da República em companhia de nosso embaixador Joaquim Nabuco, o Presidente Teodoro Roosevelt revelou-lhes o receio de que a esquadra norte-americana, em viagem para o Pacífico, aportasse, em pleno verão, no Rio de Janeiro.

— Pode ficar descansado, Presidente. Garanto que os seus marinheiros não apanharão febre no Brasil.

O Presidente confiou naquele homem jovem e forte.

A esquadra veio ao Brasil, com dezoito mil homens, e não ocorreu um único caso de febre.

Por causa dessa bela vida, que tanto bem trouxe ao nosso país e de tantos males o poupou, nós podemos hoje contar uma bela história:

“Era uma vez um país muito belo e rico, ao qual todos tinham muito medo de ir, por causa de suas doenças mortíferas, mas um bom menino, que veio a ser um homem bom, lutou de tal maneira que hoje os povos o procuram, sem medo daquelas doenças.”

(Fonte: As mais belas histórias, p. 132-138, ed. 137.)


6. Recursos complementares

Para complementar a leitura dos três textos, preparei também um material audiovisual sobre a trajetória de Oswaldo Cruz.

O vídeo em formato de slides apresenta, de maneira visual e organizada, os principais momentos da história: o Brasil marcado pelo medo das doenças, a infância e os estudos de Oswaldo Cruz, sua formação científica e sua atuação nas campanhas sanitárias.

O podcast pode ser utilizado como uma escuta orientada, ajudando os alunos a retomarem a narrativa e a compreenderem melhor a importância da ciência, da vacinação, do saneamento e da saúde pública.

Esses recursos podem ser trabalhados com turmas do 4º ao 7º ano, com adaptações na mediação do professor conforme a faixa etária.

Podcast e vídeo :  A história de Oswaldo Cruz





7. Objetivo geral

Compreender a importância de Oswaldo Cruz para a história da saúde pública no Brasil, relacionando leitura, memória histórica, ciência e responsabilidade coletiva.


8. Objetivos específicos

  • Ler e compreender um texto de caráter biográfico e histórico.
  • Identificar informações explícitas e implícitas no texto.
  • Reconhecer a importância da ciência no combate às doenças.
  • Compreender o papel de Oswaldo Cruz na história do Brasil.
  • Refletir sobre saúde pública, vacinação, prevenção e cuidado coletivo.
  • Produzir registros escritos ou visuais a partir da leitura e do podcast.

9. Habilidades da BNCC

Língua Portuguesa

EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler, apoiando-se em conhecimentos prévios sobre o tema, o gênero, o suporte e o universo temático.

EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.

EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.

EF35LP04 — Inferir informações implícitas nos textos lidos.

EF35LP05 — Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos, com base no contexto.

História

EF05HI06 — Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas.

Ciências

EF04CI08 — Propor, a partir do conhecimento das formas de transmissão de alguns microrganismos, atitudes e medidas adequadas para prevenção de doenças.


10. Desenvolvimento da sequência didática

Aula 1 — O Brasil e o medo das doenças

Momento inicial

Iniciar a aula com uma conversa:

  • Por que algumas doenças assustam tanto as pessoas?
  • Como as pessoas se protegem de doenças hoje?
  • O que acontece quando uma cidade não tem boas condições de higiene e saneamento?

Leitura do Texto 1

Realizar a leitura compartilhada da primeira parte do texto, destacando o medo que muitas pessoas tinham de vir ao Brasil por causa das doenças.

Conversa orientada

Após a leitura, conversar com os alunos:

  • Qual era o principal problema apresentado no início do texto?
  • Por que muitos estrangeiros tinham medo de vir ao Brasil?
  • O que a febre amarela representava naquele período?
  • Como o texto descreve a situação do Rio de Janeiro?

Atividade escrita

  1. Qual país é citado no início do texto?
  2. Por que muitas pessoas tinham medo de vir ao Brasil?
  3. Que doença aparece com destaque nessa primeira parte?
  4. O que a expressão “ir ao Rio de Janeiro é um suicídio” revela sobre aquele período?
  5. Escreva uma frase resumindo o problema apresentado no Texto 1.

Aula 2 — O menino que decidiu estudar

Retomada

Relembrar com os alunos o problema apresentado na aula anterior: o Brasil sofria com doenças que causavam medo e mortes.

Leitura do Texto 2

Realizar a leitura da segunda parte, destacando a promessa feita por Oswaldo Cruz ainda menino, seus estudos e sua formação.

Conversa orientada

  • Que promessa Oswaldo Cruz fez quando era criança?
  • Por que o estudo foi importante para ele?
  • Para onde ele foi para aperfeiçoar seus conhecimentos?
  • O que era o Instituto Pasteur?
  • Como Oswaldo Cruz foi reconhecido por outros cientistas?

Atividade escrita

  1. Quem é o personagem principal do texto?
  2. O que Oswaldo Cruz prometeu combater?
  3. Que curso ele estudou?
  4. Onde ele se especializou?
  5. Por que o Dr. Roux indicou Oswaldo Cruz ao governo brasileiro?
  6. Escreva uma característica de Oswaldo Cruz que aparece no texto.

Aula 3 — Ciência, saúde pública e responsabilidade coletiva

Escuta do podcast

Apresentar o podcast “A história de Oswaldo Cruz” para a turma.

Antes da escuta, orientar os alunos a prestarem atenção:

  • nas doenças citadas;
  • nas dificuldades enfrentadas por Oswaldo Cruz;
  • na importância da ciência para resolver problemas da sociedade.

Leitura do Texto 3

Realizar a leitura da terceira parte do texto, destacando o trabalho em Manguinhos, o combate aos mosquitos, aos ratos e às doenças.

Conversa orientada

  • Que doenças Oswaldo Cruz ajudou a combater?
  • Por que algumas pessoas foram contra as campanhas sanitárias?
  • O que significa cuidar da saúde pública?
  • Por que a vacinação pode causar medo em algumas pessoas quando falta informação?
  • O que podemos aprender com a história de Oswaldo Cruz?

Atividade escrita

  1. O que Oswaldo Cruz fez para combater a febre amarela?
  2. Qual era a relação entre os ratos e a peste bubônica?
  3. Por que a campanha contra Oswaldo Cruz foi violenta?
  4. O que aconteceu depois das ações sanitárias?
  5. Explique com suas palavras por que Oswaldo Cruz foi importante para o Brasil.

11. Atividade final

Escolha uma das propostas:

Opção 1 — Ficha biográfica

Produza uma ficha sobre Oswaldo Cruz com as seguintes informações:

  • Nome completo:
  • Profissão:
  • Área de atuação:
  • Doenças que ajudou a combater:
  • Lugar onde estudou:
  • Principal contribuição para o Brasil:
  • Uma frase sobre sua importância:

Opção 2 — Cartaz de campanha

Crie um cartaz com o tema:

Ciência, saúde e cuidado com a vida

O cartaz deve ter:

  • título;
  • desenho ou imagem;
  • frase de conscientização;
  • orientação de prevenção;
  • assinatura da turma.

Opção 3 — Pequena notícia de jornal

Escreva uma notícia com o título:

Oswaldo Cruz ajuda o Brasil a vencer doenças

A notícia deve responder:

  • O que aconteceu?
  • Quem participou?
  • Onde aconteceu?
  • Por que isso foi importante?

12. Avaliação

A avaliação poderá considerar:

  • participação nas conversas;
  • compreensão das ideias principais do texto;
  • identificação de informações explícitas;
  • capacidade de relacionar passado e presente;
  • envolvimento na escuta do podcast;
  • realização das atividades propostas;
  • clareza na produção final.

13. Fechamento

Ao final da sequência, retomar com os alunos a importância de Oswaldo Cruz para a história do Brasil e destacar que a ciência, a pesquisa, a vacinação, o saneamento e a informação são fundamentais para proteger a vida em sociedade.

A história de Oswaldo Cruz mostra que o conhecimento pode transformar realidades e ajudar um país inteiro a enfrentar grandes desafios.


14. Material para download

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Projeto Interdisciplinar: Cultura Afro-Brasileira: Identidade, memória e respeito

  1. Introdução A cultura afro-brasileira está presente em diversos aspectos da vida brasileira: na música, na dança, na religiosidade, na c...