1. Apresentação
Esta sequência didática foi elaborada a partir do texto “Um sábio: Oswaldo Cruz”, que apresenta a trajetória de um importante médico brasileiro e sua contribuição para a saúde pública no Brasil.
Por meio da leitura, da escuta de podcast e de atividades de interpretação, os alunos poderão conhecer um pouco da história de Oswaldo Cruz, refletir sobre a importância da ciência e compreender como o estudo, a pesquisa e as ações coletivas podem transformar a realidade de um país.
2. Público-alvo
Alunos do 4º ,5, 6º e 7º anos do Ensino Fundamental.
3. Componentes curriculares
- Língua Portuguesa
- História
- Ciências
4. Duração sugerida
3 aulas, podendo ser ampliada conforme o desenvolvimento da turma.
5. Texto base
Apresenta o contexto de um Brasil que causava medo em estrangeiros e brasileiros por causa das doenças, especialmente a febre amarela.
Era uma vez um país muito belo e muito rico, mas ao qual todos tinham muito medo de ir.
Sabem vocês que país é esse?
Vocês o conhecem muito: o nosso Brasil.
E sabem por que os homens de outras terras tinham muito medo de vir ao Brasil?
Por causa das doenças e, sobretudo, por causa da febre amarela.
— Ir ao Rio de Janeiro é um suicídio — diziam os estrangeiros.
Não só os estrangeiros.
Também os brasileiros do interior, até os mais corajosos, tinham receio de ir à ex-capital do país, porque boa parte dos que iam não voltavam: ficavam enterrados lá.
Para vocês calcularem o que era a nossa ex-capital, basta lembrar que um navio de guerra italiano, o Lombardia, aportou em nossas costas com 340 pessoas e saiu com 106...
Também, quando os nossos iam a qualquer país estrangeiro, não podiam aportar sem rigorosa e demorada quarentena. Eram obrigados a esperar muito tempo, isolados, sem contato com a terra, até que as autoridades os examinassem bem, para verificar se não traziam casos de febre.
Um dia, um certo médico contava a seus filhos todas essas desgraças e acabava dizendo:
— É uma vergonha para nós! Mas que fazer? Todos trabalham para combater essas doenças, mas não se acertou ainda com o remédio. Pobre Brasil!
Um dos seus filhos foi para o seu quarto e disse:
— Vou acabar com essas doenças que estão acabando com o Brasil. Vou estudar bastante. Você, febre amarela; você, peste bubônica; você, varíola; você, impaludismo, hão de ver o que vale o estudo. É só eu ficar homem e acabar com vocês! Juro que hei de afastá-las de minha pátria.
Esse menino chamava-se Osvaldo Cruz.
Mostra a infância, a promessa de Oswaldo Cruz, seus estudos, sua ida para Paris e sua formação científica.
Pensem vocês que aquele juramento era uma brincadeira de criança?
Pois não pensem assim: crianças também têm palavra, e Osvaldo Cruz sempre a teve.
Terminou o seu curso secundário, entrou na Faculdade de Medicina, procurou especializar-se no estudo dos micróbios e, logo que pôde, partiu para Paris.
Em Paris, em vez de passear, aperfeiçoou-se no Instituto Pasteur, salientando-se de tal modo pelo seu esforço e pela sua inteligência, que adquiriu um excelente nome entre os técnicos.
Depois de aprender tudo o que queria, voltou ao Brasil para cumprir a sua promessa.
Osvaldo Cruz chegou ao Brasil, mas ninguém lhe deu importância. Era modesto, discreto, despretensioso. Escondia os seus imensos merecimentos.
Continuou a exercer a sua profissão, estudando sempre, quando surgiu em Santos uma epidemia de peste bubônica.
O remédio para a peste era um certo soro, e não havia no Brasil quem o fabricasse.
Que fez o nosso governo?
Pediu ao Instituto Pasteur de Paris que nos enviasse técnicos para fabricar o soro, porque a epidemia se alastrava medonhamente.
O Dr. Roux, diretor do Instituto, grande sábio, respondeu logo:
— Vocês têm aí o Osvaldo Cruz, que sabe, tão bem como nós, fazer estas coisas. Aproveitem esse moço. Não tenho no meu Instituto ninguém mais capaz do que ele.
Então o nosso governo chamou Osvaldo Cruz, que venceu a peste, fazendo o soro. Dentro em pouco, o nosso governo confiou-lhe a direção de um Instituto que veio a ser o nosso Manguinhos.
Apresenta a atuação de Oswaldo Cruz no combate à febre amarela, peste bubônica, varíola e outras doenças, além das dificuldades enfrentadas durante as campanhas sanitárias.
Osvaldo Cruz reuniu em Manguinhos alguns brasileiros inteligentes e trabalhadores e começou a prepará-los para acabar de uma vez com outras doenças.
Um belo dia, Rodrigues Alves foi eleito presidente do Brasil.
Assim que foi eleito, escolheu um grupo de brasileiros trabalhadores e capazes e, entre outros problemas, resolveu fazer o saneamento do Rio de Janeiro.
Faltava um médico que se incumbisse da parte sanitária. Procurou que procura, acabou por achar Osvaldo Cruz e confiou-lhe a grande tarefa.
— Presidente — disse-lhe Osvaldo Cruz —, a luta vai ser tremenda. Teremos de contrariar os médicos, os negociantes, os ignorantes, os malévolos, os comodistas, e os seus inimigos políticos não perderão a oportunidade para agredi-lo.
— Não faz mal, Doutor Osvaldo Cruz — disse-lhe o presidente. — Realize o seu plano, meta a cara e não olhe para as consequências. Para isso é que foi feito o governo.
Osvaldo Cruz estava convencido de que a transmissão da febre amarela era feita por mosquitos e tratou de acabar com eles. Sabia que a peste bubônica era transmitida pelos ratos e tratou de extingui-los. Criou um verbo novo da nossa língua: desratizar.
A campanha que se levantou contra ele foi violentíssima.
Injuriaram-no, ridicularizaram-no, insultaram-no de todos os modos.
Chegou a provocar uma revolução em que correu sangue, porque conseguiu uma lei que tornava obrigatória a vacina contra a varíola.
Dentro em pouco, porém, vencia.
O Brasil libertara-se para sempre da febre amarela, vira reduzido extraordinariamente o impaludismo no Rio de Janeiro e passara a viver sem o terror da varíola e da peste bubônica.
Osvaldo Cruz cumprira o seu juramento de criança.
Lembram-se do Lombardia, que veio com trezentos e quarenta e voltou com cento e seis?
Pois bem.
Estando nos Estados Unidos e indo visitar o Presidente da República em companhia de nosso embaixador Joaquim Nabuco, o Presidente Teodoro Roosevelt revelou-lhes o receio de que a esquadra norte-americana, em viagem para o Pacífico, aportasse, em pleno verão, no Rio de Janeiro.
— Pode ficar descansado, Presidente. Garanto que os seus marinheiros não apanharão febre no Brasil.
O Presidente confiou naquele homem jovem e forte.
A esquadra veio ao Brasil, com dezoito mil homens, e não ocorreu um único caso de febre.
Por causa dessa bela vida, que tanto bem trouxe ao nosso país e de tantos males o poupou, nós podemos hoje contar uma bela história:
“Era uma vez um país muito belo e rico, ao qual todos tinham muito medo de ir, por causa de suas doenças mortíferas, mas um bom menino, que veio a ser um homem bom, lutou de tal maneira que hoje os povos o procuram, sem medo daquelas doenças.”
(Fonte: As mais belas histórias, p. 132-138, ed. 137.)
6. Recursos complementares
Para complementar a leitura dos três textos, preparei também um material audiovisual sobre a trajetória de Oswaldo Cruz.
O vídeo em formato de slides apresenta, de maneira visual e organizada, os principais momentos da história: o Brasil marcado pelo medo das doenças, a infância e os estudos de Oswaldo Cruz, sua formação científica e sua atuação nas campanhas sanitárias.
O podcast pode ser utilizado como uma escuta orientada, ajudando os alunos a retomarem a narrativa e a compreenderem melhor a importância da ciência, da vacinação, do saneamento e da saúde pública.
Esses recursos podem ser trabalhados com turmas do 4º ao 7º ano, com adaptações na mediação do professor conforme a faixa etária.
Podcast e vídeo : A história de Oswaldo Cruz
7. Objetivo geral
Compreender a importância de Oswaldo Cruz para a história da saúde pública no Brasil, relacionando leitura, memória histórica, ciência e responsabilidade coletiva.
8. Objetivos específicos
- Ler e compreender um texto de caráter biográfico e histórico.
- Identificar informações explícitas e implícitas no texto.
- Reconhecer a importância da ciência no combate às doenças.
- Compreender o papel de Oswaldo Cruz na história do Brasil.
- Refletir sobre saúde pública, vacinação, prevenção e cuidado coletivo.
- Produzir registros escritos ou visuais a partir da leitura e do podcast.
9. Habilidades da BNCC
Língua Portuguesa
EF15LP02 — Estabelecer expectativas em relação ao texto que vai ler, apoiando-se em conhecimentos prévios sobre o tema, o gênero, o suporte e o universo temático.
EF15LP03 — Localizar informações explícitas em textos.
EF35LP03 — Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.
EF35LP04 — Inferir informações implícitas nos textos lidos.
EF35LP05 — Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos, com base no contexto.
História
EF05HI06 — Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias no processo de comunicação e avaliar os significados sociais, políticos e culturais atribuídos a elas.
Ciências
EF04CI08 — Propor, a partir do conhecimento das formas de transmissão de alguns microrganismos, atitudes e medidas adequadas para prevenção de doenças.
10. Desenvolvimento da sequência didática
Aula 1 — O Brasil e o medo das doenças
Momento inicial
Iniciar a aula com uma conversa:
- Por que algumas doenças assustam tanto as pessoas?
- Como as pessoas se protegem de doenças hoje?
- O que acontece quando uma cidade não tem boas condições de higiene e saneamento?
Leitura do Texto 1
Realizar a leitura compartilhada da primeira parte do texto, destacando o medo que muitas pessoas tinham de vir ao Brasil por causa das doenças.
Conversa orientada
Após a leitura, conversar com os alunos:
- Qual era o principal problema apresentado no início do texto?
- Por que muitos estrangeiros tinham medo de vir ao Brasil?
- O que a febre amarela representava naquele período?
- Como o texto descreve a situação do Rio de Janeiro?
Atividade escrita
- Qual país é citado no início do texto?
- Por que muitas pessoas tinham medo de vir ao Brasil?
- Que doença aparece com destaque nessa primeira parte?
- O que a expressão “ir ao Rio de Janeiro é um suicídio” revela sobre aquele período?
- Escreva uma frase resumindo o problema apresentado no Texto 1.
Aula 2 — O menino que decidiu estudar
Retomada
Relembrar com os alunos o problema apresentado na aula anterior: o Brasil sofria com doenças que causavam medo e mortes.
Leitura do Texto 2
Realizar a leitura da segunda parte, destacando a promessa feita por Oswaldo Cruz ainda menino, seus estudos e sua formação.
Conversa orientada
- Que promessa Oswaldo Cruz fez quando era criança?
- Por que o estudo foi importante para ele?
- Para onde ele foi para aperfeiçoar seus conhecimentos?
- O que era o Instituto Pasteur?
- Como Oswaldo Cruz foi reconhecido por outros cientistas?
Atividade escrita
- Quem é o personagem principal do texto?
- O que Oswaldo Cruz prometeu combater?
- Que curso ele estudou?
- Onde ele se especializou?
- Por que o Dr. Roux indicou Oswaldo Cruz ao governo brasileiro?
- Escreva uma característica de Oswaldo Cruz que aparece no texto.
Aula 3 — Ciência, saúde pública e responsabilidade coletiva
Escuta do podcast
Apresentar o podcast “A história de Oswaldo Cruz” para a turma.
Antes da escuta, orientar os alunos a prestarem atenção:
- nas doenças citadas;
- nas dificuldades enfrentadas por Oswaldo Cruz;
- na importância da ciência para resolver problemas da sociedade.
Leitura do Texto 3
Realizar a leitura da terceira parte do texto, destacando o trabalho em Manguinhos, o combate aos mosquitos, aos ratos e às doenças.
Conversa orientada
- Que doenças Oswaldo Cruz ajudou a combater?
- Por que algumas pessoas foram contra as campanhas sanitárias?
- O que significa cuidar da saúde pública?
- Por que a vacinação pode causar medo em algumas pessoas quando falta informação?
- O que podemos aprender com a história de Oswaldo Cruz?
Atividade escrita
- O que Oswaldo Cruz fez para combater a febre amarela?
- Qual era a relação entre os ratos e a peste bubônica?
- Por que a campanha contra Oswaldo Cruz foi violenta?
- O que aconteceu depois das ações sanitárias?
- Explique com suas palavras por que Oswaldo Cruz foi importante para o Brasil.
11. Atividade final
Escolha uma das propostas:
Opção 1 — Ficha biográfica
Produza uma ficha sobre Oswaldo Cruz com as seguintes informações:
- Nome completo:
- Profissão:
- Área de atuação:
- Doenças que ajudou a combater:
- Lugar onde estudou:
- Principal contribuição para o Brasil:
- Uma frase sobre sua importância:
Opção 2 — Cartaz de campanha
Crie um cartaz com o tema:
Ciência, saúde e cuidado com a vida
O cartaz deve ter:
- título;
- desenho ou imagem;
- frase de conscientização;
- orientação de prevenção;
- assinatura da turma.
Opção 3 — Pequena notícia de jornal
Escreva uma notícia com o título:
Oswaldo Cruz ajuda o Brasil a vencer doenças
A notícia deve responder:
- O que aconteceu?
- Quem participou?
- Onde aconteceu?
- Por que isso foi importante?
12. Avaliação
A avaliação poderá considerar:
- participação nas conversas;
- compreensão das ideias principais do texto;
- identificação de informações explícitas;
- capacidade de relacionar passado e presente;
- envolvimento na escuta do podcast;
- realização das atividades propostas;
- clareza na produção final.
13. Fechamento
Ao final da sequência, retomar com os alunos a importância de Oswaldo Cruz para a história do Brasil e destacar que a ciência, a pesquisa, a vacinação, o saneamento e a informação são fundamentais para proteger a vida em sociedade.
A história de Oswaldo Cruz mostra que o conhecimento pode transformar realidades e ajudar um país inteiro a enfrentar grandes desafios.
14. Material para download
- Sequência didática em Word: Um sábio Oswaldo Cruz.docx
- Sequência didática em PDF: Um sábio Oswaldo Cruz.pdf
- Link de Slides: https://gamma.app/docs/Um-Sabio-Osvaldo-Cruz-p1hsxcb2cak3a58
- Vídeo dos slides: https://www.youtube.com/watch?v=18tCZjZNKmc
- Link do slide no Canva: https://canva.link/wc8nj4sk2jfs083
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