quarta-feira, 6 de maio de 2026

Contar histórias: uma arte que encanta e educa

Contar histórias: uma arte, uma prática pedagógica e um ofício


1- INTRODUÇÃO

Desde criança, sempre gostei de contar histórias. Com o tempo, essa prática foi se tornando parte da minha trajetória na educação, especialmente nas atividades realizadas na escola e na biblioteca. Em uma das experiências, caracterizada como Sinhá Olímpia, contei uma das histórias da peça Fábulas Cantadas, aproximando os alunos do universo da oralidade, da imaginação e da literatura.


2-O contador de histórias e sua importância

Contar histórias é uma prática muito antiga. Antes mesmo da escrita, os conhecimentos, as tradições, as crenças e os ensinamentos eram transmitidos oralmente de geração em geração.

Na escola, essa prática continua tendo grande importância, pois aproxima os alunos da leitura, desperta a imaginação, amplia o vocabulário, desenvolve a escuta, favorece a oralidade e contribui para a formação de leitores.

3-Contar histórias é mais do que ler em voz alta

O contador de histórias precisa envolver o público. Para isso, pode utilizar diferentes recursos, como:

  • entonação de voz;
  • expressões faciais;
  • gestos;
  • fantoches;
  • objetos;
  • músicas;
  • figurinos;
  • dramatizações;
  • mudanças de postura corporal;
  • interação com os ouvintes.

Mais do que decorar um texto, o contador precisa compreender a história, sentir sua mensagem e saber conduzir a narrativa de acordo com a faixa etária e o interesse do público.

3-Cuidados ao contar histórias para crianças

Ao contar histórias para crianças, é importante observar o público para o qual a narrativa será apresentada. A idade dos ouvintes, o ambiente, o tamanho do grupo e o tipo de história escolhida fazem muita diferença na forma de narrar.

A contação de histórias exige uma comunicação diferente de uma conversa comum. Quando falamos para um grupo de crianças, precisamos cuidar da voz, da pronúncia, do ritmo, da expressão corporal e da clareza das palavras.

A voz deve ser clara e bem projetada, sem ser baixa demais, para que todos consigam ouvir, e sem ser alta demais, para não incomodar os ouvintes. O volume precisa ser adequado ao espaço, considerando a distância entre o contador e as crianças, o tamanho da sala, a acústica do ambiente e os possíveis ruídos externos.

Outro cuidado importante é a dicção. As palavras precisam ser pronunciadas com atenção, respeitando as sílabas, as pausas e o sentido do texto. Quando a fala é muito rápida ou as palavras são “emendadas”, a criança pode perder parte da história. Por isso, é importante dar pequenos intervalos entre as frases e respeitar os sinais de pontuação.

O ritmo da narração também contribui para a compreensão e para o encantamento. Em alguns momentos, a fala pode ser mais rápida, transmitindo surpresa, medo, alegria ou urgência. Em outros, pode ser mais lenta, criando suspense, calma, ternura ou reflexão. Essa variação ajuda a dar vida à narrativa.

O vocabulário deve ser adequado à faixa etária das crianças. Isso não significa empobrecer a linguagem, mas escolher palavras compreensíveis e, quando necessário, explicar novos termos de maneira simples, dentro do contexto da história. O contador de histórias não deve menosprezar a inteligência da criança, mas também precisa respeitar seu nível de compreensão.

Contar histórias é mais do que falar bem: é interpretar. O contador precisa sentir a história, envolver-se com ela e transmiti-la com emoção. A expressão do rosto, os gestos, o olhar, a postura e os movimentos do corpo ajudam a comunicar sentimentos como alegria, tristeza, medo, surpresa, coragem e encantamento.

O corpo também fala durante a contação. O contador pode se movimentar, mudar a postura, aproximar-se do público, representar personagens e criar diferentes vozes. Um personagem assustador, por exemplo, pode ter voz mais grave, movimentos mais lentos e postura mais firme. Já um personagem alegre pode ser representado com voz leve, expressão sorridente e gestos mais soltos.

Além da voz e do corpo, muitos recursos podem enriquecer a narrativa, como livros, gravuras, fantoches, dedoches, teatro de sombras, objetos, dobraduras, músicas, efeitos sonoros, maquetes, marionetes e dramatizações. Esses recursos devem ser usados com intencionalidade, para favorecer a atenção, a imaginação e a participação das crianças.

Também é importante que o contador observe outras pessoas contando histórias. Essa observação ajuda a perceber diferentes formas de narrar, identificar boas estratégias e construir, aos poucos, um estilo próprio.

Cada contador de histórias desenvolve sua maneira de narrar. O essencial é conhecer bem a história, preparar-se com antecedência, respeitar o público infantil e contar com sensibilidade, criatividade e encantamento.

Sugestões de recursos para a contação

  • Livro literário;
  • Gravuras;
  • Fantoches e dedoches;
  • Objetos relacionados à história;
  • Música ou cantigas;
  • Efeitos sonoros;
  • Teatro de sombras;
  • Dramatização;
  • Expressões faciais e corporais;
  • Participação das crianças em momentos combinados da narrativa.

Para refletir

Uma boa contação de histórias não depende apenas da voz, mas da entrega de quem narra. Quando o contador vive a história, as crianças percebem, se envolvem e entram no universo da imaginação. Por isso, contar histórias é também um gesto de afeto, presença e mediação de leitura.

4-A contação de histórias na escola

No ambiente escolar, a contação de histórias pode ser realizada por professores, pedagogos, bibliotecários, mediadores de leitura e demais profissionais da educação.

Essa prática pode acontecer em diferentes espaços:

  • sala de aula;
  • biblioteca escolar;
  • sala de leitura;
  • pátio;
  • projetos literários;
  • eventos culturais;
  • feiras de leitura;
  • apresentações teatrais;
  • rodas de conversa.

Quando bem planejada, a contação de histórias deixa de ser apenas um momento de entretenimento e passa a ser uma poderosa estratégia pedagógica.

5-Benefícios para os alunos

Ouvir histórias pode contribuir para:

  • despertar o gosto pela leitura;
  • desenvolver a imaginação;
  • ampliar a linguagem oral;
  • favorecer a atenção e a escuta;
  • estimular a criatividade;
  • desenvolver a sensibilidade;
  • fortalecer a memória;
  • incentivar a expressão de sentimentos;
  • promover reflexões sobre valores, convivência e comportamento.

Muitas crianças, depois de ouvirem uma história, sentem vontade de recontá-la, desenhá-la, dramatizá-la ou procurar o livro para ler. Esse movimento mostra como a oralidade pode abrir caminhos para a leitura e para a escrita.

6-O contador de histórias como profissional



Embora muitas vezes a contação de histórias seja realizada por professores e bibliotecários no contexto escolar, também existem profissionais que atuam especificamente como contadores de histórias.

Esses profissionais podem trabalhar em:

  • escolas;
  • bibliotecas;
  • centros culturais;
  • hospitais;
  • livrarias;
  • eventos literários;
  • teatros;
  • festas infantis;
  • projetos sociais;
  • formações de professores.

Para atuar nessa área, é importante buscar formação, estudar técnicas de narração, expressão corporal, voz, literatura infantil, mediação de leitura e adequação das histórias ao público.

7-Minha experiência com a contação de histórias

Em uma das experiências realizadas na escola, caracterizei-me como Sinhá Olímpia para contar uma das histórias da peça Fábulas Cantadas. A proposta uniu literatura, música, teatro e oralidade, criando um momento de encantamento para os alunos.

A contação de histórias mostrou, mais uma vez, que quando a narrativa ganha voz, corpo e emoção, ela aproxima os estudantes da leitura e transforma o espaço escolar em um lugar de imaginação e aprendizagem.

8-Fechamento

Contar histórias é preservar memórias, despertar emoções e abrir portas para o conhecimento. Na escola, essa prática fortalece o vínculo com a leitura e mostra que a literatura pode ser vivida de muitas formas: pela voz, pelo corpo, pela escuta, pela imaginação e pela partilha.


9-Contar histórias: uma arte que encanta e educa


Registro de uma atividade de contação de histórias realizada na escola, com caracterização de Sinhá Olímpia, em apresentação inspirada na peça Fábulas Cantadas.


Histórias, aprendizagens e ideias para educar
✍️ Maria Aparecida de Almeida
Pedagoga | Especialista da Educação

Compartilhando práticas pedagógicas significativas, alinhadas à BNCC, para inspirar o trabalho docente e fortalecer a aprendizagem.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Projeto Monteiro Lobato para crianças e adolescentes: fábulas, imaginação e formação leitora

  1. Apresentação Este projeto foi elaborado para trabalhar a obra de Monteiro Lobato com crianças e adolescentes, contemplando turmas dos ...