1. Apresentação
Nesta sequência didática, propõe-se a leitura e o estudo do conto “O afilhado do Diabo ou os três cavalos encantados”, narrativa de caráter maravilhoso, marcada por mistério, encantamento, provas de coragem, transformação e reconhecimento do verdadeiro valor do personagem principal.
O trabalho é indicado para os anos finais do Ensino Fundamental, especialmente para turmas de 6º, 7º e 8º anos, podendo ser adaptado conforme o nível de leitura da turma.
2. Público-alvo
Anos finais do Ensino Fundamental
Sugestão: 6º ao 8º ano
3. Gênero textual
Conto maravilhoso / conto de encantamento
4. Tema central
A trajetória de um menino levado por um padrinho misterioso, sua descoberta dos segredos do palácio, a fuga com a ajuda de cavalos encantados e o reconhecimento final de sua verdadeira identidade.
5. Temas para discussão
- O bem e o mal nos contos tradicionais
- A curiosidade como motor da narrativa
- Coragem, esperteza e superação
- Aparência e essência
- Gratidão e amizade
- Justiça e reconhecimento
- Transformação dos personagens
- Elementos mágicos nos contos maravilhosos
6. Objetivo geral
Promover a leitura literária e a interpretação crítica do conto “O afilhado do Diabo ou os três cavalos encantados”, desenvolvendo a compreensão da estrutura narrativa, dos elementos do conto maravilhoso e dos valores simbólicos presentes na história.
7. Objetivos específicos
- Ler e compreender o conto em capítulos.
- Identificar personagens, espaço, tempo, conflito e desfecho.
- Reconhecer elementos próprios dos contos maravilhosos.
- Analisar a transformação do personagem principal ao longo da narrativa.
- Discutir o papel dos cavalos encantados na construção da história.
- Refletir sobre aparência, identidade, coragem e justiça.
- Produzir reconto, resumo, ilustração, podcast ou nova versão da narrativa.
8. Habilidades da BNCC
Língua Portuguesa — Anos Finais
- Leitura e interpretação de textos narrativos.
- Reconhecimento de elementos da narrativa.
- Análise de personagens, conflito, espaço e tempo.
- Produção de recontos, resumos e adaptações.
- Oralidade: apresentação, podcast, leitura expressiva ou dramatização.
- Produção multissemiótica: vídeo, livrinho digital, podcast ou ilustrações.
9. Antes da leitura
Conversa inicial
Antes de iniciar o texto, o professor pode conversar com a turma:
- O que vocês esperam de uma história com esse título?
- O título causa curiosidade, medo, mistério ou aventura?
- O que costuma aparecer em contos de encantamento?
- Vocês conhecem histórias com objetos mágicos, animais encantados ou personagens disfarçados?
- Em uma narrativa, a aparência de uma pessoa sempre revela quem ela realmente é?
10. Durante a leitura
Leitura por capítulos
Reginaldo Afonso era chefe de uma numerosa família. Trabalhava de sol a sol, plantando legumes e frutas que vendia no mercado aos domingos.
Sua mulher, Maria, fazia todo o serviço doméstico e, ajudada pelos filhos mais velhos, ia ao mato apanhar lenha. Sábado, à noite, descascava feijão, debulhava e empacotava o milho, amarrava os molhos de verduras e acomodava tudo nos balaios que seu marido levava às costas para o mercado.
Embora trabalhassem muito, viviam na maior miséria, havendo dias em que nem pão tinham para os filhos.
O menorzinho, já com dois meses, deitado em um balaio ao canto, dormia serenamente, sem dar maiores trabalhos à mãe.
Eis que, numa noite, quando arrumava os balaios de verduras e legumes, Maria disse:
— Olhe, marido, o tempo vai passando, e o nosso pequenino não foi ainda batizado. Veja se escolhe o padrinho entre os seus companheiros do mercado.
— Amanhã, mulher, eu arranjo o padrinho para o menino, ainda que seja o diabo.
Mal acabara de falar, parava à porta da choupana de Reginaldo Afonso uma carruagem riquíssima.
Um senhor magro, alto e bem vestido, desceu e bateu na porta.
Reginaldo Afonso pegou a lamparina e foi atender. Um vento forte apagou a luz, ficando todos às escuras.
Enquanto isso, o tal senhor tirou do bolso um isqueiro e acendeu de novo a lamparina.
— É o sr. Reginaldo Afonso? Soube que procura um padrinho para seu filho e quero saber se me quer dar como afilhado. Sou riquíssimo, não tenho filhos e cuidarei dele como se fosse meu próprio filho. Desejo levá-lo agora comigo. Em recompensa, deixo esta bolsa de dinheiro para remediar as suas dificuldades do momento.
A mãe, olhando o cavalheiro, embora triste, entregou-lhe o filho, na esperança de que o menino viesse educado da melhor maneira.
Tomando o menino nos braços, o desconhecido entrou na carruagem, que partiu veloz.
Maria levantou as mãos e disse:
— Que Deus o proteja e o traga sempre em seus caminhos!
O cavaleiro que levara o menino era o diabo, que ouvira toda a conversa e se disfarçava daquela maneira para levar a criança.
O menino foi para o palácio de seu protetor, onde nada lhe faltava.
Logo cresceu e, muito vivo, brincava pelos parques imensos do palácio, recebendo aulas do seu próprio padrinho, que revestira seu quarto de grandes estantes, repletas dos mais belos livros.
Satã Segundo, como era chamado o menino, começara a perceber que o palácio era isolado do resto do mundo.
Suas terras pareciam não ter fim e, por mais que andasse, não atingia nunca outros domínios.
Seus parques, tão belos, não tinham pássaros, e a fonte que corria debaixo das grandes árvores era silenciosa.
Um dia, tendo o diabo de fazer uma viagem mais longa, chamou Satã Segundo, que já era mocinho, e lhe disse:
— Preciso fazer uma viagem e, como me demoro alguns dias, deixo com você as minhas chaves. Pode correr todo o palácio, abrir armários e gavetas que quiser, mas — preste atenção! — proíbo-lhe entrar nos quartos destas três chaves. Nem tente entrar neles, senão...
Demorou-se o diabo mais de um mês em sua viagem e, na volta, recebeu de Satã as chaves, tais como as havia entregado. O menino fora fiel.
Tempos depois, fez Satã uma segunda viagem, entregando ao afilhado as chaves do palácio e recomendando-lhe energicamente que não entrasse nos quartos proibidos.
Satã Segundo não pôde conter a curiosidade.
Dia a dia estava mais preocupado com o mistério que o cercava.
Mal o diabo partiu, decidiu-se a abrir os quartos, certo de que o padrinho viria a sabê-lo.
Entrou no primeiro. Ficou deslumbrado. Era um quarto todo forrado de cobre, onde se via um cavalo russo-queimado, muito lindo, que comia carne fresca.
Abriu o segundo aposento. Mais admirado ficou. O quarto era de prata, e um cavalo branco comia também carnes frescas num cocho de prata.
Abriu o terceiro aposento e gritou de surpresa. Era todo de ouro. Um leão, de enorme juba e de olhar feroz, comia capim e não carne.
No fundo, havia uma escrivaninha com várias gavetas, cheias de papeizinhos dobrados, azuis e brancos. Armas de toda espécie forravam as paredes do aposento.
Que fez Satã Segundo? Tirou o capim do cocho do leão e distribuiu-o entre os dois cavalos. Tomando destes a carne, colocou-a no cocho onde comia o leão.
— Obrigado, Satã Segundo — disseram-lhe os animais, a um só tempo.
O russo-queimado, saindo de seu lugar, aproximou-se de Satã Segundo e lhe disse:
— Não há tempo a perder. Seu padrinho está quase a chegar e, se o encontrar aqui, não sei o que lhe pode acontecer. Vá à escrivaninha. Tire dois papéis, um azul e outro branco, e vista-se com a melhor roupa que encontrar. Pegue uma boa espada, monte em mim. Leve o cavalo branco pela rédea e saia logo, mas mergulhe, primeiro, a cabeça no caldeirão de ouro. Depressa! Seu padrinho está quase a chegar!
Satã Segundo, trêmulo de susto, mas orientado pelo cavalo russo-queimado, fez tudo num átimo.
Depois de ter molhado os cabelos, que ficaram lindíssimos, montou o russo-queimado e levou à rédea o cavalo branco.
Partiram velozmente.
Não encontrando o afilhado, adivinhou tudo.
Correu os quartos que encontrou abertos. Não vendo o cavalo russo-queimado nem o branco, compreendeu que o menino fugira.
Montou no seu cavalo preto e saiu-lhe ao encalço. Como havia vento, voou até as nuvens e, lá de cima, avistou o fujão.
Desceu rápido e quase o alcançava, quando o russo-queimado lhe disse:
— Depressa, solte o papelzinho branco!
Sem se voltar, Satã Segundo atirou o papelzinho, e um imenso nevoeiro formou-se atrás dele.
O diabo deu de esporas, tentou romper o nevoeiro, mas, quando conseguiu, Satã Segundo já estava longe.
De novo, o diabo julgou que pegava o afilhado, mas este, a conselho do cavalo russo-queimado, atirou o papelzinho azul.
Formou-se, então, um espinheiro intransponível.
O diabo disse a seu cavalo preto:
— Se conseguir passar comigo este espinheiro, eu o desencantarei.
— Tira-me, então, os arreios.
Mas, ao atingirem o meio do espinheiro, o cavalo atirou o diabo ao chão e seguiu sozinho ao encontro dos fugitivos.
Passados alguns dias, Satã Segundo e os três cavalos se dirigiram a um dos mais ricos reinos, governado por um rei poderoso e justo.
Aí, o russo-queimado disse a Satã Segundo:
— Ficaremos por aqui. Ninguém nos descobrirá, porque ficaremos encantados sob a forma de pedras. Deixe conosco sua roupa, suas armas e continue sempre para frente. Encontrará, um pouco distante daqui, um boi morto. Tire-lhe a bexiga e cubra com ela a cabeça, para esconder os seus cabelos, que chamam muito a atenção. Vá e siga o seu destino. Talvez o auxiliemos, se precisar de nós.
Satã Segundo seguiu à risca as recomendações de seus amigos. Ao chegar à cidade vizinha, encontrou-se com o jardineiro do palácio do rei, que andava à busca de um ajudante. Simpatizando-se com ele, o jardineiro tomou-o a seu serviço.
No palácio, Satã Segundo conseguiu a amizade de todos.
Era trabalhador, honesto e prestimoso.
Achavam-no muito esquisito por não ter um fio de cabelo, o que o tornava muito feio. Daí o apelidaram de Feio.
Certa vez, em que todos haviam saído para as caçadas, Feio, julgando-se sozinho, tirou a bexiga que lhe cobria a cabeça e apareceu com seus lindíssimos cabelos de ouro.
A mais moça das filhas do rei viu-o e ficou maravilhada com a sua beleza, mas guardou segredo do que vira.
Passado algum tempo, houve no palácio importantes cavalhadas, às quais compareceram todos os súditos do rei, bem como reis, príncipes, princesas e fidalgos de outros reinos vizinhos.
Feio teve a ideia de chamar os seus amigos e combinar com eles uma partida. E assim fez.
À hora combinada, o russo-queimado surgiu, então, deslumbrante, arreado. Feio, vestido com suas melhores roupas, montou nele e entrou na liça, ganhando todos os prêmios.
Só a filha mais moça do rei desconfiava daquele cavaleiro, mas continuou a guardar seu segredo.
No segundo dia, à hora das corridas, estavam todos curiosos, quando apareceu o cavaleiro misterioso, ricamente vestido, montando o melhor animal, mais garboso e valente do que todos os cavaleiros presentes, e com aquela cabeleira dourada, brilhando aos raios do sol.
O rei, muito intrigado, deu ordem a um batalhão que o prendesse logo depois das corridas.
Feio não demonstrou o menor receio. Entrou na liça e, dado o sinal de partida, avançou, ganhando o prêmio.
Agradecendo ao povo com um sinal de cabeça, o cavaleiro parou diante da princesa mais moça, filha do rei, e ofereceu-lhe o prêmio. De repente, disparou o cavalo, que desapareceu nos ares, quase por encanto.
No terceiro dia, as coisas correram como nos dias anteriores.
Mas o rei havia colocado, em todas as saídas, soldados armados de baionetas, a fim de aprisionarem o jovem cavaleiro.
Feio, cujo êxito devia a seus cavalos amigos, ganhou o prêmio pela terceira vez. Oferecendo-o à jovem princesa, fugiu inesperadamente, sem que o atingissem as baionetas e o chuveiro de balas disparado contra ele.
Ninguém pôde desconfiar quem era o vencedor dos torneios, apesar da grande curiosidade dos fidalgos.
Só a princesinha sabia de quem se tratava.
Passado algum tempo, o rei anunciava pelos seus arautos que um leão feroz devastava sua mata e os arredores de seu palácio. A quem matasse o terrível leão, daria sua filha mais velha em casamento.
Feio correu a consultar o russo-queimado, para saber se devia tentar tal aventura.
— Ora! Decerto! O leão é o tal enviado por Satã para fazer-lhe mal. Ouça o que deve fazer. Arranje um escudo de espelho. Tome sua lança e vá. Assim que o leão vir sua imagem refletida no espelho, ficará tonto. Com a mão bem firme, dê-lhe um golpe pela nuca. Com um golpe, só um, o matará. Tome cuidado para não precisar atacá-lo duas vezes. Morto, corte-lhe a ponta da língua e deixe-o onde cair. Guarde segredo de sua façanha.
Feio agiu exatamente como lhe aconselhara o russo-queimado.
Quando o rei soube que o leão fora encontrado morto, esperou que o herói aparecesse para reclamar a princesa prometida. Ficou desapontado, vendo passarem-se os dias sem que ninguém aparecesse.
Porém, sentindo-se doente, pediu às três filhas que escolhessem seus maridos dentre os membros fidalgos conhecidos.
A princesinha pediu ao pai que consentisse em seu casamento com Feio, o ajudante do jardineiro.
O pai, que estimava muito a filha, respeitou-lhe a escolha, embora fosse o moço humilde, porque fazia dele o melhor conceito, por ser honesto, trabalhador e educado.
As duas mais velhas escolheram dois príncipes poderosos, que começaram logo por declarar que não queriam para cunhado pessoa tão insignificante como Feio.
Apesar de tudo, o rei manteve sua palavra: a princesa casaria com Feio.
Daí depois, o rei mandou preparar um banquete para o qual as aves deviam ser caçadas pelos seus futuros genros.
Vestido de humilde caçador, Feio partiu cedo para as matas do rei, onde matou com facilidade dezenas de aves.
Ia retirar-se quando se encontrou com os dois príncipes que chegavam. Como não o tivessem reconhecido, propuseram-lhe comprar as aves.
Feio aceitou a proposta, mas exigiu recibo.
À hora do banquete, no meio da maior festa, o rei pediu que cada um dos futuros genros contasse sua maior aventura.
Um deles levantou-se, tirou do bolso a ponta da língua do leão e disse:
— Até hoje ninguém soube quem matou o leão que assolava as matas e os arredores do palácio real. Aguardava o momento para apresentar-me. Esta foi a minha façanha.
O segundo disse:
— Tenho aventuras notáveis, mas vou contar apenas a última, que é esta: as aves que comemos neste jantar foram caçadas todas por mim. Eram centenas que, com o meu tiro certeiro, caíram uma após outra!
Os dois orgulhosos príncipes olharam com desprezo para Feio e cochichavam contra suas noivas, o que muito fazia sofrer a princesinha.
Levantou-se, afinal, Feio e, calado, como se não tivesse o que dizer, olhava para todos, indignado com o desprezo dos dois. Afinal, disse:
— Majestade, duas coisas interessantes tenho a contar neste momento. A primeira é que, numa noite, esperei o leão que assolava o reino e o matei com um golpe, um só, de minha lança. A outra é que hoje, pela manhã, matei as aves que acabamos de comer, além de outras que devem encher ainda a real dispensa.
Olharam-se todos, sem compreender o que Feio dizia, mas os dois outros fidalgos, pondo-se de pé, iam agredi-lo, quando Feio, com toda a serenidade, disse:
— Estão aqui, Majestade, as provas do que disse: a ponta da língua do leão e o recibo da compra das aves.
Dizendo isso, arrancou a bexiga de boi que lhe cobria a cabeça, mostrando os seus formosos cabelos de ouro.
Todos reconheceram nele o cavaleiro misterioso das cavalhadas.
Naquela hora, ouvia-se lá fora o relincho alegre de três cavalos.
Acabavam de desencantar-se, transformando-se em três príncipes, belos e jovens: haviam cumprido a pena de grave crime.
No meio da confusão daquela hora, todos procuraram os dois príncipes noivos das duas moças mais velhas. Haviam desaparecido, envergonhados de suas más ações.
Os dois jovens que se haviam desencantado apaixonaram-se pelas duas princesas e casaram-se com elas.
Quanto ao terceiro príncipe, partiu na mesma hora para o reino de seu pai, onde o aguardavam o trono e uma jovem princesa para noiva.
Feio, que ficou sendo chamado depois de Príncipe Maravilhoso, casou-se com a princesinha. Veio a saber de sua história e da angústia de sua velha mãe, que todos os dias, ajoelhada, pedia a Deus que amparasse seu filho desaparecido, levado pelo misterioso cavalheiro.
Conseguiu encontrar seus pais e irmãos, amparando a todos.
Conta-se que todos foram muito felizes.
11. Vídeo Contação da História
O afilhado dos senhor
das Serpentes
Letra: Maria
Aparecida de Almeida
Música: Melodia: gerada com apoio da plataforma
Mureka AI
Nas margens de um rio de sombras esquecidas,
Onde o tempo se perde em voltas recorrentes,
Nasceu um menino, de escolhas divididas,
Nasceu um menino, de escolhas divididas,
Tendo por padrinho o Senhor das Serpentes.
Não houve batismo com água da fonte,
Mas um pacto selado em chama de brasa;
O Diabo, em pessoa, riscou o horizonte
E disse ao afilhado: "O mundo é sua casa".
Cresceu o rapaz com a sorte na mão,
O ouro brotava onde ele pisava,
Tinha o poder da persuasão e o dom da sedução,
E tudo o que queria, o abismo lhe dava.
Mas quem tem a sombra por guia fiel,
Sente o frio do pacto em cada estação;
O céu, para ele, era apenas um véu,
Pois dentro do peito pesava a solidão.
O afilhado, porém, de astúcia tamanha,
Sabia que a alma é o preço final;
Jogou com o mestre, em uma estranha façanha,
Num jogo de dados, o bem contra o mal.
Dizem que venceu por um triz, por um nada,
O contrato rasgado em cinza e fumaça,
E embora vivesse uma vida dourada,
Ficou-lhe a marca, a eterna desgraça.
Pois quem foi afilhado de tal soberano,
Não busca o perdão, nem almeja o clarão;
Vagueia entre o mito e o resto humano,
O homem que venceu, mas perdeu o chão.
🎸 Rock narrativo inspirado no conto
A música criada para esta sequência didática apresenta uma proposta em estilo rock narrativo, dialogando com o clima de mistério, aventura e tensão presente em “O afilhado do Diabo ou os três cavalos encantados”.
Diferente de uma canção infantil, a trilha sonora foi pensada para estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, valorizando a força dramática da narrativa, os conflitos do personagem principal e os elementos simbólicos do conto popular.
14. Depois da leitura
Questões de compreensão
- Quem era Reginaldo Afonso?
- Por que a família vivia em dificuldades?
- Como o padrinho misterioso aparece na história?
- Quem era, na verdade, o cavaleiro que levou o menino?
- Por que Satã Segundo começou a desconfiar do palácio?
- O que havia nos quartos proibidos?
- Como os cavalos ajudaram o menino a fugir?
- Por que Satã Segundo passou a ser chamado de Feio?
- Quem descobriu a verdadeira beleza do personagem?
- Como Feio provou sua coragem no final da história?
15. Questões de análise
- O que o título antecipa sobre a história?
- A curiosidade de Satã Segundo foi positiva ou negativa? Explique.
- Que elementos mágicos aparecem na narrativa?
- Qual é a importância dos três cavalos encantados?
- Por que o personagem precisa esconder seus cabelos de ouro?
- O apelido “Feio” combina com quem ele realmente era? Por quê?
- Como a história trabalha a oposição entre aparência e essência?
- Que atitudes mostram que o personagem principal era corajoso?
- Que personagens agem com falsidade ou orgulho?
- Que ensinamento pode ser retirado da narrativa?
16. Proposta de produção textual
Opção 1 — Reconto
Reconte a história com suas próprias palavras, mantendo os principais acontecimentos:
a família pobre, o padrinho misterioso, o palácio, os quartos proibidos, a fuga, o disfarce, as provas e o reconhecimento final.
Opção 2 — Diário do personagem
Imagine que Satã Segundo escreveu uma página de diário depois de fugir do palácio.
Como ele se sentia? Medo? Alívio? Gratidão aos cavalos?
Opção 3 — Nova versão
Recrie a história nos dias atuais.
Como seria o padrinho misterioso? Onde ficaria o palácio? Que objetos mágicos poderiam substituir os papeizinhos azul e branco?
Opção 4 — Final alternativo
Crie outro desfecho para a história, mantendo o clima de conto maravilhoso.
17. Atividade artística
Os alunos podem ilustrar uma das cenas:
- A chegada da carruagem misteriosa
- O palácio isolado
- Os quartos proibidos
- Os três cavalos encantados
- A fuga de Satã Segundo
- As cavalhadas no reino
- A luta contra o leão
- O momento em que Feio revela seus cabelos de ouro
- O desencantamento dos três cavalos
18. Atividade oral ou podcast
Sugestão
Produzir um pequeno podcast com o tema:
“O que aprendemos com O afilhado do Diabo?”
Roteiro simples:
- Apresentação do conto.
- Resumo da história.
- Comentário sobre o personagem principal.
- Explicação dos elementos mágicos.
- Reflexão final sobre aparência, coragem e justiça.
19. Possibilidade de dramatização
A narrativa também pode ser transformada em pequena peça ou leitura dramatizada.
Personagens
- Narrador
- Reginaldo Afonso
- Maria
- Padrinho misterioso/Diabo
- Satã Segundo/Feio
- Cavalo russo-queimado
- Cavalo branco
- Cavalo preto
- Rei
- Princesinha
- Príncipes orgulhosos
20. Recursos
-
Texto impresso ou digital
-
Imagens dos capítulos
-
Quadro ou cartaz para mapa da narrativa
-
Áudio/podcast
-
Vídeo ou livrinho digital
-
Atividades impressas
-
Canva, PowerPoint ou outro recurso para apresentação
A turma poderá produzir:
- mural ilustrado do conto;
- reconto coletivo;
- podcast literário;
- livrinho digital;
- dramatização;
- mapa dos personagens;
- exposição com cenas principais da narrativa.
22. Avaliação
A avaliação pode considerar:
- participação nas discussões;
- compreensão da narrativa;
- identificação dos elementos do conto maravilhoso;
- qualidade das respostas interpretativas;
- criatividade na produção textual ou artística;
- clareza na apresentação oral ou podcast;
- envolvimento nas atividades coletivas.
23. Materiais disponíveis
O afilhado do Diabo
Word: O afilhado do Diabo ou os Cavalos encantado.docx
PDF: O afilhado do Diabo ou os Cavalos encantado 1.pdf
🎧 Contando a História
Link: https://www.youtube.com/watch?v=8Z3EYcEgbII
Link: https://www.youtube.com/watch?v=uDxd8PX_FRM
24. Fechamento
O conto “O afilhado do Diabo ou os três cavalos encantados” permite trabalhar leitura, imaginação, oralidade, produção textual e reflexão sobre valores humanos. A trajetória do personagem principal mostra que coragem, bondade, gratidão e honestidade podem revelar a verdadeira identidade de uma pessoa, mesmo quando as aparências tentam escondê-la.
25. Assinatura
Histórias, aprendizagens e ideias para educar
Por Maria Aparecida de Almeida
Pedagoga e Especialista da Educação
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